segunda-feira, 31 de maio de 2010

Wake Up Sid (2009)

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Dirigido por Ayan Mukerji, produzido por Karan Johar e estrelando Ranbir Kapoor e Konkona Sen Sharma, Wake Up Sid é um típico filme urbano-moderninho-romântico. E é bem agradável! Tendo ainda em conta que Ayan Mukerji estreou no cinema com esse filme, que ele mesmo escreveu e tendo somente 26 anos, ficamos até com a sensação que ele conta uma história de sua própria geração moderna de Mumbai. E pra dar uma pitada sempre bem vinda de curiosidade, Ayan é primo direto de Kajol e de segundo grau de Rani Mukerji, além de ser cunhado do diretor Ashutosh Gowariker.

E vamos ao filme. Wake Up Sid conta a história de Sid (Ranbir Kapoor), um riquinho filhinho de papai, que vive muito bem às custas do pai empresário Ram Mehra (Anupam Kher). Está no final da faculdade, mas Sid não está nem aí pros estudos. Crente que terminaria a faculdade, o pai de Sid chama o rapaz pra trabalhar em sua empresa. Relutante, Sid aceita com a promessa de ganhar um carro novo.

E ainda nesse momento, Sid conhece Aisha (Konkona Sen Sharma), uma garota moderna e independente que acaba de chegar em Mumbai, vindo de Calcutá, do outro lado do país.

O sonho de Aisha é trabalhar na também moderninha e independente revista Mumbai Beat - e mal chega à cidade e já consegue o emprego. Sid imediatamente apresenta Mumbai à Aisha e a ajuda a escolher um apartamento novo. Sid se encanta por Aisha desde o princípio, mas ela deixa muito claro que ele ainda é muito criança pra ela, embora goste da companhia dele.

E então acontece que Sid é reprovado nos exames finais da faculdade, pra ira de seu pai. Eles brigam e Sid, numa atitude bem infantil, pega a mochila e sai de casa. Não tendo pra onde ir e tendo ainda por cima o cartão de crédito bloqueado pelo pai, é óbvio que ele vai buscar refúgio no apartamento de Aisha. E Aisha, independente que é, dá refúgio, mas nem se preocupa se ele seria capaz ou não de se virar. E o começo é simplesmente um desastre.

Sid não tem capacidade nem de fritar um ovo. Bagunça a casa toda, incapaz de arrumar a própria cama. Aos poucos, porém, ele vai conquistando as mais simples habilidades de se cuidar de uma casa. E cada conquista é realmente uma vitória pra ser mostrada pro prédio todo.

Enquanto isso, ao passo que Aisha percebe que seu encantamento pelo chefe da Mumbai Beat - que ela já tinha desde os tempos de Calcutá - era pura projeção falsa, ela consegue um emprego de fotógrafo pra Sid na mesma revista e passa a, pouco a pouco, perceber o quanto ela é, na verdade, parecida com ele.

E então paramos por aqui. Por mais simplesinha e previsível que seja a história, ela conquista nossa atenção desde o princípio. Há também uma boa dose de empolgação com as sempre cativantes músicas do trio SEL e uma de Amit Trivedi que, aliás, foi premiada no Filmfare Awards pra melhor cantora de playback (pra Kavita Seth, pela agradável Iktara).

Ayan Mukerji também levou merecidamente o Filmfare de melhor diretor estreante e Ranbir Kapoor levou o prêmio de melhor ator pela crítica no mesmo Filmfare Awards. E por fim, justiça seja feita também à Konkona, que está excelente neste papel. Confiram o trailer:

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sábado, 29 de maio de 2010

Anil Kapoor - अनिल कपूर

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Anil Kapoor é... Anil Kapoor. Já foi rei do cinema indiano, deixou de ser pra dar lugar a outros, mas ele certamente carrega seus servos mais do que ultra fiéis, fazendo por merecer. E vindo do imenso clã Kapoor de Bollywood, não tinha muito como decepcionar. Então vamos conferir.

Anil nasceu no dia 24 de dezembro de 1959, em Mumbai, em uma família de origens punjabi. Seu pai, Surinder Kapoor, é ainda hoje um produtor de cinema e sua mãe chama-se Nirmal. Anil tem dois irmãos, ambos também dentro do cinema indiano, embora nenhum tão famoso quanto ele próprio, e uma irmã, Reena, casada com um produtor. O mais velho, Boney Kapoor, seguiu a carreira do pai e trabalha hoje com produção de filmes, enquanto que o mais novo, Sanjay Kapoor, é também ator. Na infância, Anil estudou na escola católica Our Lady of Perpetual Succour, em Mumbai, e depois foi fazer a faculdade na St. Xavier's College.

Anil teve sua estreia no filme Hamare Tumhare (1979), de Umesh Mehra, como coadjuvante. No ano seguinte, vieram mais dois filmes, incluindo já um telugu. Sua estreia de verdade no cinema indiano veio, efetivamente, em 1983, com a estreia de Mani Ratnam no cinema, Pallavi Anu Pallavi, em Sandalwood, em língua kannada, no qual ele era o protagonista. Ainda em 1983, ele apareceu no filme hindi Woh Saat Din, tendo excelentes retornos da crítica por sua atuação. 

E já no ano seguinte, com o filme Mashaal, de Yash Chopra, Anil contracenou ao lado de Dilip Kumar e recebeu seu primeiro Filmfare de melhor ator coadjuvante. Em 1984 seguiram-se mais três filmes, chegando o ano seguinte com mais dois grandes sucessos de sua carreira: Saaheb e Meri Jung, por este último tendo sido indicado ao Filmfare de melhor ator.

Em 1986, então, foi uma maratona de oito filmes, destacando-se Janbaaz, Insaaf Ki Awaaz, Chameli Ki Shaadi e Karma, este último sendo o maior sucesso do ano. E daí, no ano seguinte, Anil estava no filme Mr. India, de Shekhar Kapoor, que foi o primeiro filme indiano de ficção científica e, consequentemente, o maior sucesso do ano. Neste momento, Anil já era considerado um superstar, ainda porque no mesmo ano ele recebeu retornos excelentes com o filme Thikana.

E não teve jeito, em 1988 ele teve que ganhar o primeiro Filmfare de melhor ator com o filme Tezaab, que, de novo, foi o maior sucesso do ano, roubando a importância dos outros cinco filmes que ele fez no ano. Em 1989 veio Ram Lakhan, EeshwarParinda (além de outros cinco sem grandes destaques), sendo este último a indicação da Índia para o Oscar de melhor filme estrangeiro. Por Eeshwar, Anil foi de novo indicado ao Filmfare de melhor ator, mas não levou. Ainda assim, os entendidos dizem que sua atuação neste filme não só foi a melhor de sua carreira, como está entre as melhores de toda a história do cinema indiano.

De 1990 a 1993, foram dezoito filmes que contaram com Anil, mas com imenso destaque pra Kishen Kanhaiya, Lamhe (considerado o melhor filme de Yash Chopra, e o primeiro no qual Anil apareceu sem bigodes) e Beta. Por este último, Anil levou seu segundo Filmfare  de melhor ator por sua atuação ao lado de Madhuri Dixit.

Em 1993, então, algo um tanto inusitado ocorreu na carreira de Anil. O filme Roop Ki Rani Choron Ka Raja, caríssimo e super aguardado, foi um verdadeiro desastre e abalou seriamente o trono de Anil até então. Mas também, foi neste exato momento que Shahrukh Khan chegou chegando, passando uma bela duma rasteira em Anil, que então nunca mais retomou seu posto, embora não tenha jamais perdido o respeito.

Em 1994, ele recebeu boas críticas pela atuação em 1942: A Love Story. Em 1995 ele só esteve em um filme, Trimurti, também elogiado. No ano seguinte foram três obras, e, em 1997, ele levou o terceiro Filmfare de melhor ator por Virasat, também ganhando destaque com Judaai. Nos anos seguintes, teve projeção com Biwi No.1 (1999) e  Hum Aapke Dil Mein Rehte Hain (1999) e Taal (1999), por esse último tendo levado outro Filmfare de melhor ator coadjuvante, atuando ao lado de Aishwarya Rai.

Anil entrou nos anos 2000 levando seu primeiro National Award de melhor ator com Pukar, sendo também muito bem recebido por Humara Dil Aapke Paas Hai. Em 2001, Anil estrelou o filme Nayak, ao lado de Rani Mukerji, tendo sido imensamente elogiado e por outros sendo este considerado seu melhor papel, embora não tenha recebido indicações a nenhum prêmio. E nos anos seguintes, de novo, foi super bem recebido com Badhaai Ho Badhaai, Rishtey (2002), Om Jai Jagadish (2002), Armaan (2003, ao lado de Amitabh Bachchan), Calcutta Mail (2003, também uma de suas melhores atuações, por muitos) e Musafir (2004).

No ano de 2005, Anil impressionou com My Wife's Murder e No Entry, este último sendo o maior sucesso do ano. Em 2007, Anil estava em Salaam-E-Ishq, filme este que, embora não tenha sido bem recebido na Índia, teve boa projeção internacional. No final do mesmo ano, Anil estava também em Welcome, que também foi o filme que fez mais sucesso no ano.

Em 2008, Anil esteve nos sucessos Black and White e Race, mas não foi feliz ao retornar à Yash Raj com o filme Tashan, que fracassou na bilheteria. Mas ainda nesse ano, Anil apareceu em Slumdog Millionaire (Quem Quer Ser um Milionário?), tornando-se, assim, rosto conhecido no mundo por fazer o apresentador do programa.

E Anil Kapoor também está no mundo da produção de filmes. As obras Badhaani Ho Badhaani, My Wife's Murder e Gandhi, My Father, foram produzidas por ele, sendo este último muito elogiado.

Agora em 2010, Anil esteve na oitava temporada da série 24 Horas, interpretando Omar Hassan, presidente da fictícia República Islâmica de Kamistan.

Bom, em 1984, Anil casou-se com Sunita Kapoor, com quem teve duas filhas e um filho. A filha mais velha já está hoje em Bollywood e é rostinho conhecido: Sonam Kapoor, que teve sua estreia em Saawariya, de Sanjay Leela Bhansali. A outra filha, Rhea Kapoor, é hoje produtora. O filho mais novo ainda está na faculdade e não entrou, até o momento, no mundo do cinema.
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terça-feira, 25 de maio de 2010

Love Aaj Kal (2009) - लव आज कल

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E já que falamos da brasileira Giselli Monteiro no domingo, já era em tempo de falarmos de seu primeiro filme em Bollywood, Love Aaj Kal, que estreou no dia 31 de julho de 2009. Dirigido por Imtiaz Ali, o filme traz como protagonistas Saif Ali Khan e Deepika Padukone, e Rishi Kapoor e Giselli Monteiro como coadjuvantes.

E a história é mais ou menos assim: Jai (Saif Ali Khan) e Meera (Deepika Padukone) são indianos moderninhos que vivem em Londres, se conhecem numa balada, viram namorados, mas nenhum dos dois abre mão da carreira a favor do relacionamento. E então chega o esperado: Meera recebe uma proposta pra ir trabalhar no restauro de construções antigas em Delhi. Fica claro pros dois que Jai não irá com ela, pois seu sonho é ir trabalhar em São Francisco. Então eles decidem que irão se separar e, sendo desse jeito tão amigável, realizam uma festa de separação com os amigos.

E lá vai Meera pra Índia. Desde o aeroporto, ela e ele não param de se comunicar, seja por sms, seja ligando, seja por email... e então não tarda pra que o chefe de Meera, Vikram (Rahul Khanna), dê em cima dela, e ela cede. E tudo isso é totalmente compartilhado com Jai.

Bom, e antes de continuar essa parte da história, devo aqui resgatar uma outra história paralela que é contada ao longo do filme. Quando Jai e Meera se separam, Jai conhece Veer Singh (Rishi Kapoor), um velho sikh, que conta a ele a sua grande história de amor, vivida na década de 60, na Índia. E então ficamos sabendo que Veer era um jovem rapaz muito semelhante a Jai em personalidade (e o ator que faz Veer jovem é o próprio Saif), mas que se encanta por Harleen (Giselli Monteiro). A história deles dois desenrola-se da maneira mais pura e como tinha que ser antigamente, mesmo, ou seja, basicamente e somente por olhares, nada além disso. Qualquer avanço além disso seria uma catástrofe social. Mas eis que chega um dia em que Harleen e sua família se mudam de Delhi para Calcutá. Mesmo não tendo condições alguma, Veer consegue pegar um trem e vai também a Calcutá atrás de seu grande amor.

E então essa primeira parte é contada a Jai por Veer, dizendo a ele para que ele não deixasse Meera ir, ou que fosse junto dela, enfim. Mas Jai acha tudo isso muito ridículo. Logo ele começa a namorar uma estrangeira, chamada Jo. Ela então pede a Jai para ir à Índia, e lá vão eles. Lá, então, Jai visita Meera, que fica obviamente muito feliz. Mas no final da viagem, Meera conta a Jai que ela havia sido pedida em casamento por Vikram. Jai fica visivelmente arrasado, dizendo ser essa uma segunda separação.

Ele volta a Londres, termina com Jo e finalmente consegue seu emprego em São Francisco. Aqui, então, Veer continua sua história e diz que, já em Calcutá, descobre que Harleen estava noiva, fato que nem ela sabia. Ela pede a ele para ir embora, porque senão as coisas ficariam insustentáveis. Veer, então, usa sua própria história pra mostrar que, embora em períodos diferentes, o amor reage basicamente da mesma maneira; daí o título, que pode ser traduzido literalmente pra "Amor ontem e hoje", ou "Amor hoje e sempre". E então vou guardar o gostinho desse momento pra vocês assistirem o filme e descobrirem que desfecho ambas as histórias tomam.

O filme é razoavelmente simples, mas bem gostoso de se ver. Tem toda aquela boa dose de inverossimilhança básica, mas como sempre digo, isso nem importa. Saif e Deepika estão absolutamente ótimos em seus papéis. Giselli, em verdade, não teve muito espaço pra explorar sua personagem, mas considerando que é o primeiro filme de sua carreira, não está nada mal. Eu li por aí que a escolha dela foi um feliz acaso no caminho de Imtiaz, que simplesmente não conseguia encontrar o rosto ideal pra representar uma garota punjabi da década de 60. Ele disse ter rodado a Índia fazendo testes, até que sem querer Giselli apareceu e ele achou o rosto dela perfeito. Feliz acaso pra ela, também!

Ela tem poucas frases ao longo do filme, mas que foram todas decoradas - ela não falava hindi quando filmou Love Aaj Kal. E também é perceptivo que ela não tinha experiência com dança, como vemos no clipe Thoda Thoda Pyar (clipe com legendas em português). Mesmo assim, eu devo defendê-la e dizer que ela conseguiu dar conta do recado, na minha opinião, ao contrário do que alguns indianos aqui e ali disseram. E já que citamos uma música, vale também dizer que a trilha deste filme foi composta por Pritam, sendo ele indicado ao Filmfare de melhor direção de música. Embora não tenha levado o prêmio, é mesmo uma trilha primorosa.

E chega de papo. Confiram o trailer e vejam o filme.

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segunda-feira, 24 de maio de 2010

Giselli Monteiro no Fantástico

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Nesta noite de domingo, o Fantástico, da Globo, trouxe inesperadamente a Giselli Monteiro no quadro Megacidades, que o programa vem exibindo já a semanas e desta vez falou de Mumbai. E, de repente, no meio dos temas pertinentes à megacidade indiana - e de interesse deste quadro do Fantástico - Zeca Camargo aproveitou pra conversar com a modelo e atriz brasileira Giselli Monteiro, que mora em Mumbai e, pra quem não sabe, teve um importante papel no filme Love Aaj Kal (2009) (e já se prepara pra mais). Assim, inevitavelmente, e pra sorte nossa, Bollywood foi citada na TV, desta vez sem descaracterizar como a própria Globo, no mesmo Fantástico, já fez há um ano.

Confiram a reportagem completa:

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domingo, 23 de maio de 2010

Trilogia de Apu em Cascavel

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A Trilogia de Apu, de Satyajit Ray, permanece no interior do Paraná e, desta vez, será exibido em Cascavel, no CineSesc (Cineclube Silenzio) do município, de 27 a 29 de maio. E assim como na cidade anterior, Guarapuava, em Cascavel a exibição dos filmes estará vinculada a outra atividade, desta vez a uma oficina de roteiros, no último dia.

Então se você é da região, ou estará a passeio por Foz do Iguaçu (menos de 150 km de Cascavel), não perca. O texto da mostra, desta vez, diz o seguinte:

Satyajit Ray foi um dos melhores e mais conhecidos diretores de cinema da Índia. Nasceu em Calcutá, no segundo dia de maio de 1921 e faleceu em 1992. Ganhou importantes prêmios internacionais e por duas vezes consecutivas foi apontado o melhor diretor no Festival de Berlim. Recebeu um Oscar Honorário em 1991 pelo conjunto da obra. De uma família de intelectuais, era formado em Ciência Empresarial e Física. Em 1947, ajudou a fundar a Calcutta Film Society. Ray trabalhou como diretor assistente do cineasta francês Jean Renoir, quando este filmava O Rio Sagrado (1951) na Índia. Conheceu posteriormente o italiano Vittorio De Sica e o neo-realismo, que acabou influenciando-o na realização de ´A Canção da Estrada - que integra a sua Trilogia de Apu, sobre um típico personagem indiano.

27/05 - 19h30 - A Canção da Estrada (1955, Índia, 115 min)

28/05 - 19h30 - O Invencível (1956, Índia, 104 min)

29/05 - 19h30 - O Mundo de Apu (1959, Índia, 100 min)

Oficina de Roteiro II
29/05 - das 9h às 12h e das 14h às 17h

O CineSesc de Cascavel fica na Rua Carlos de Carvalho, 3367. As exibições serão gratuitas.

Para mais informações sobre a programação e a oficina de roteiros, clique aqui.
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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Bheja Fry (2007)

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Bheja Fry é um filme totalmente independente em língua hindi, mas que surpreendentemente conquistou uma respeitável admiração pelo público comum de Bollywood, fazendo um sucesso razoavelmente inesperado no país.

Dirigido por Sagar Ballary, o filme estrela o inseparável - e hilário - trio Rajat Kapoor, Ranvir Shorey e Vinay Pathak, contando ainda com a participação de Sarika e Milind Soman. Sem pretensão alguma de ser original, Bheja Fry é na verdade uma refilmagem da comédia francesa Le Dîner de Cons. E é uma comédia bem simples, muito simples, aliás, mas brilhantemente interpretada pelos três.

E então Ranjeet Thadani (Rajat Kapoor) é um produtor musical que tem como hobby com os amigos realizar jantares às sextas-feiras, nos quais sempre convidam algum artista de segunda linha, apenas para zoarem com a cara do coitado. Um desses amigos de Ranjeet, um belo dia, está viajando de ônibus e tem a (in)feliz sorte de sentar ao lado de Bharat Bhushan (Vinay Pathak) , um cantor semi-profissional, ingênuo de tudo, e que adora mostrar seus talentos pra quem estiver por perto - o que inclui revelar um bem cuidado livro de recortes e afins sobre sua carreira. O amigo de Ranjeet não tarda em pegar o contato de Bharat e repassá-lo a Ranjeet, acreditando que ele possa ser uma ótima atração pro jantar de sexta.

Ranjeet de fato convida Bharat ao jantar e o pobre obviamente fica muito feliz, acreditando ser uma oportunidade de deslanchar sua carreira. Acontece que no dia combinado as costas de Ranjeet travam, obrigando-o a cancelar o jantar com os amigos. Mesmo assim, decide receber Bharat.

E é daí que as coisas começam - e parecem que nunca mais vão parar. Pra começar, pouco antes de Bharat chegar na casa de Ranjeet, Ranjeet discute com sua esposa, Sheetal (Sarika), que não coincidentemente é também uma cantora. E ela então sai de casa quando o médico chega pra olhar a situação das costas de Ranjeet. E depois disso é que chega Bharat.

Mal o coitado chega e Ranjeet já vê o nível da inteligência de Bharat. Pra ajudar, suas costas decidem travar ainda mais e Ranjeet pede pra que Bharat ligue novamente ao médico, pois ele não conseguia nem se mexer. Mas Bharat confunde o número da agenda e liga pra amante de Ranjeet. E antes que ele percebesse que era engano (ele pensou que fosse a esposa do médico ao telefone), Bharat conta à amante que Ranjeet está não só travado, como também sua esposa havia ido embora depois de uma briga.

Não demora pra que percebam o engano, mas já era tarde demais e a amante decide ir à casa de Ranjeet. Nesse meio tempo, Ranjeet quer saber onde está sua esposa, e Bharat se oferece para ajudar, ligando ao ex-namorado de Sheetal, Anant (Milind Soman), fingindo ser outra pessoa. E pra variar Bharat fala mais do que deveria e Anant percebe o que se passa - e vai à casa de Ranjeet. Anant então diz a Ranjeet que é muito possível que Sheetal esteja com Keval Arora, outro produtor musical e concorrente de Ranjeet.

Bharat então diz que um amigo dele, Asif (Ranvir Shorey), um dedicadíssimo funcionário da Receita indiana, poderia conseguir o contato de quem quer que fosse. E acho melhor eu ir parando por aí, senão vou contar demais e as melhores partes seriam reveladas. 

E como disse no começo, o filme não tenta ser original e digo agora que menos ainda ele tenta ser verossímil. Mas isso definitivamente não importa. Os personagens de Ranvir e Vinay são particularmente caricatos, em exagero, aliás, e é isso que deixa tudo tão hilário. Não deixem de conferir.

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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Entrevista com Atul Kumar

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Conforme havia sido anunciado na postagem sobre o espetáculo The Blue Mug, que ocorreu aqui em São Paulo há duas semanas, hoje trago a entrevista concedida a nós pelo diretor da peça, Atul Kumar

Numa conversa super descontraída, Atul contou-me como é viver do teatro na Índia e como foi a preparação do espetáculo The Blue Mug, antes e depois dos atores serem famosos, dentre outras coisas. A entrevista foi originalmente feita em inglês, e ao vivo. Isso significa que esta versão aqui presente está transcrita, ligeiramente editada e traduzida. Confiram!

Cinema Indiano: Atul, muito obrigado por essa oportunidade. Por favor, faça um pequeno resumo de como você chegou ao mundo do teatro.

Atul: Isso começou na escola, quando costumávamos fazer algumas peças. Nós fazíamos outras coisas, como esportes e outras atividades, mas isso realmente tomou minha atenção. E então... eu cresci em Delhi, eu nasci lá. Um dia eu estava vendo uma peça de teatro, numa noite e o Rajat Kapoor estava na plateia também. Ele me viu, chegou até mim, viu esse rapaz novo assistindo o espetáculo, perguntou se eu estava interessado em teatro e eu disse "sim!". Rajat fazia parte de um grupo maior e perguntou-me se eu não queria juntar-se a eles. No dia seguinte eu já estava lá. E então 15 anos se passaram e nós fizemos várias peças juntos e pra mim isso ficou sem volta. Foi assim que tudo começou, em 1984.

CI: E então você começou atuando?

A: Sim, e eu ainda atuo. Eu sou principalmente ator, mas amo dirigir, faço as duas coisas.

CI: Desde 1984 você só faz teatro?

A: Apenas teatro, não fiz nada mais.

CI: Você gostaria de ir pro cinema?

A: Não, não... eu amo assistir filmes, mas eu ficaria muito cansado com cinema. Na verdade eu fiz um filme ou outro, mas não gostei. Eu achava muito chato. Amo assistir, mas o processo de fazer cinema não me atrai em nada.

CI: Mesmo se for pra dirigir?

A: É muito técnico, tem muita espera... no teatro eu tenho a reação imediata da plateia, entende? É vivo, são meus atores pessoalmente, é emocional, é menos técnico... eu prefiro isso. Eu vejo beleza nisso, na coisa do momento, gosto disso.

Mas amo bom cinema. É lindo assistir e reassistir os filmes, comprar DVDs, ou se há um festival de cinema eu posso ir e assistir. Ver Chaplin de novo, Casablanca de novo, o que seja, entende? É bonito ver e rever eles. Mas... são coisas diferentes, na verdade. O público é completamente diferente. O teatro é vivo e essa é a beleza. Se você comete um erro, será um erro. E ele fica pra sempre. É um bonito momento que vem e passa.

CI: Então vamos falar do Blue Mug. Vocês começaram em 2002, certo? Quem teve essa ideia?

A: Eu li o livro "O homem que confundiu sua mulher com um chapéu" [The Man Who Mistook His Wife For a Hat], de Oliver Sacks, que é um neurologista do Reino Unido. O livro tem um monte de ensaios, que são histórias de seus próprios pacientes, e a maioria fala sobre anormalidades do cérebro. Algumas sobre perdas de memória, outras sobre perda de movimentos do corpo. Daí a parte da perda de memória realmente me atraiu e eu fiz todos lerem essa história. Eu ficava me questionando sobre o que fazer com essa história. Então percebi que não seria legal atuarmos a história, mas sim basearmos-nos nela e explorarmos nossas próprias memórias, nossas próprias perdas de memória. E daí foi assim que o processo começou.

CI: Quem escreveu a peça?

A: Nós não escrevemos. A peça é improvisada. Os atores vão ao palco e começam a narrar suas próprias memórias. Então ontem à noite [no espetáculo em São Paulo], por exemplo, houve muitas coisas que eles disseram que eles nunca tinham dito antes. E de novo na próxima apresentação, em Chicago, haverá novas coisas. Apenas as memórias que eles contam são fixas, mas o jeito que eles contam elas sempre muda. Não há roteiro escrito.

CI: Na apresentação de São Paulo não tivemos Konkona Sen Sharma. Como vocês se viraram?

A: Na verdade a Konkona já não estava nas últimas três apresentações. Ela ficou doente na apresentação de Nova Iorque. Ela foi operada e teve de ficar de cama. Talvez a tenhamos no próxima apresentação, mas não temos certeza. Bom, no começo eu estava em pânico, mas logo tive a ideia de me colocar no lugar de Konkona e eu fiz o médico no microfone. E é esse o papel dela no espetáculo, ela vai no palco e faz o médico, ao lado do Ranvir. Então conseguimos nos virar. Mas ela faz muita falta, a peça toda sofre porque ela não está, claro. Ela é uma ótima atriz.

CI: Considerando que em São Paulo a comunidade indiana é muito menor se comparado às cidades dos Estados Unidos, e que aqui as pessoas não conhecem o cinema e atores indianos, posso imaginar que aqui vocês tiveram uma experiência muito diferente. Fale um pouco sobre isso.

A: Eu vou dizer sobre meu ponto de vista, com sinceridade. Quando fizemos esse espetáculo em 2002, esses atores eram rostos desconhecidos e as pessoas vinham ver o espetáculo pelo espetáculo. Quando retornamos nos anos recentes, primeiro na Índia, depois no Oriente Médio e agora nos Estados Unidos, posso dizer que algo em torno de 75% a 80% do público vem principalmente pra ver seus atores favoritos no palco. Mas isso é bom, ou seja, se eles são famosos, são rostos conhecidos e trazem audiência, por que não?

Mas sempre há um pequeno grupo que vem apenas pra ver o espetáculo, pra apreciar a peça. Então fica um pouco difícil de saber no meio da plateia quem está se conectando a que, se a pessoa realmente se conectou à essência do espetáculo ou se houve apenas uma ligação superficial com seus astros do cinema. Então, de certa maneira, pra mim, ontem [na apresentação em São Paulo] foi fabuloso. Pra mim foi muito bom. Ninguém conhecia direito os atores, eles eram apenas atores, o público não sabia muito que eles eram estrelas de cinema. Então nesse sentido achei muito bom.

Mas isso também é um desafio pra gente. Eu geralmente faço peças que são muito mais físicas, visuais, e então se o espetáculo é em alguma língua específica não tem problema, já que pela linguagem corporal nós podemos nos comunicar com diferentes públicos. No entanto, essa peça é extremamente verbal, e é extremamente voltada ao público indiano, às suas memórias passadas. Então ela funciona muito bem na Índia, porque eles podem facilmente se comunicar a essas memórias, assim como nos locais fora da Índia onde haja a diáspora indiana.

Eu recebi uma oferta pra ir pro Festival de Edimburgo com esse espetáculo e eu tive de recusar. A peça não funcionaria ali simplesmente por ser muito verbal e ali haveria um público internacional que não se conectaria a ela. Se eu fosse levar a peça ao Festival Edimburgo eu teria de refazê-la, fazê-la menos verbal e deixá-la mais visual. Mas eu não quis fazer isso. Então a peça funciona nos Estados Unidos, vai funcionar no Reino Unido, quando formos em outubro pra lá, porque lá há a diáspora e o público vai poder se conectar às memórias... na África do Sul igual... mas com as plateias que não são indianas eu acho um tanto difícil de se comunicar nesse caso. As memórias são universais, mas eu tenho que encontrar a linguagem de cada público, talvez mais corporal, talvez mais visual, o que eu sempre costumo fazer com meus espetáculos, mas não nesse caso.

De repente eu poderia mudar o Blue Mug e deixá-lo sem falas, apenas linguagem corporal, apenas movimentos, alguma coisa que fizesse a plateia entender sobre a perda de memória... [nessa hora o Atul fez uma mímica com o corpo e o rosto mostrando como isso pode ser feito sem fala] Isso é memória, isso é perda de memória, entende o que digo? Não preciso falar nada pra fazer você me entender, porque a ideia é se comunicar, se eu perder alguma coisa eu posso te mostrar isso usando outras linguagens. Há milhões de maneiras de se comunicar, eu não preciso usar a fala.

CI: Você trabalha somente com teatro. Como é isso na Índia? No país do cinema, como é o público para o teatro?

A: Há um imenso público pra teatro em toda a Índia. Teatro é muito popular por lá. E há muitos tipos de teatro, também. Há o teatro clássico, que é basicamente o teatro religioso e que há em cada vila, há o teatro folclórico e que está sempre presente em festivais em toda a Índia, mas não estamos falando nem de teatro clássico e nem do folclórico. Estamos falando do teatro moderno. O teatro moderno era muito popular em Delhi pós-Independência, em 1947. Depois mudou-se pra Calcutá e agora é muito popular em Mumbai e Bangalore. Hoje, essas duas cidades abrigam o maior número de companhias de teatro e de espetáculos. Mas ainda assim há muito acontecendo em Pune, Delhi, Chennai, Hyderabad, Calcutá e em cidades menores. Há milhares de grupos de teatro. 

Eu li no guia cultural de São Paulo que vocês tem entre 50 a 60 peças acontecendo todos os dias na cidade! Em Mumbai e Bangalore é mais ou menos assim, há muitos espetáculos acontecendo... e lá nós temos a tradição antiga do teatro, o que ajuda muito a garantir nossa audiência. Mas o teatro não é profissional, quer dizer, cerca de 90% das pessoas que fazem teatro pagam do próprio bolso e na verdade acabam tirando o sustento de outra coisa. Então isso não é profissional, não é uma indústria, como é Bollywood, e acaba sendo necessário muito esforço pra sustentar isso, e mesmo assim as pessoas continuam fazendo teatro, porque sempre há maneiras de fazer tudo acontecer.

CI: Você já tinha trabalhado com atores famosos como agora? Você sente diferenças na maneira de atuar deles em relação a atores "comuns"?

A: Nunca, eles são os mais famosos com que já trabalhei. E... nenhum desses atores são apenas atores de teatro... há uma imensa diferença entre pessoas que apenas fazem teatro e pessoas que fazem outras coisa E teatro, mesmo se for cinema, há uma imensa diferença. Eu irei te responder em partes. Em primeiro lugar, o meu maior problema com esses atores são as datas, porque se preciso fazer mais apresentações eu tenho que pedir para cada um deles por mais dias... em algum lugar algum deles está gravando, então isso é um grande problema.

Em segundo lugar, eles me dão data, mas há também os ensaios que são ultra importantes. Daí há mais dias necessários e de novo isso se torna um problema. De qualquer forma, tudo é questão de termos um calendário pra isso. Mas o maior dos problemas é: esses atores não são somente atores de teatro. Porque, normalmente, o que atores de teatro fazem é estarem constantemente treinando, ou ao menos atores sérios de teatro fazem isso. Eles estão sempre treinando, praticando, nunca param, nem quando se consolidam como atores reconhecidos. Significa que por toda a vida eles treinam a voz, o corpo, todas as suas capacidades, porque eles têm que estar constantemente vivos, constantemente mudando com o tempo. Eles são rascunhos, rascunhos de atores, mudando com o tempo.

E sobre os atores do Blue Mug, eles são bons, mas para por aí, eles não mudam. Eles são o que eram em 2002, são exatamente os mesmos. Não há treinamento, não há prática, não há workshops, não há estudos... apenas aprendem com a experiência, apenas isso. Então, nesse sentido, nas minhas outras peças, eu trabalho só com atores de teatro, não com eles, porque é muito diferente, é uma experiência diferente.

CI: E agora falando da apresentação em São Paulo, como foi que isso aconteceu no meio de uma turnê pelos Estados Unidos?

A: Quando começamos a planejar a turnê pelos EUA, nossa agente lá falou da possibilidade de virmos também ao Brasil, já que ela tinha contato com o cônsul de São Paulo. E isso foi muito inesperado pra nós. E todos nós tínhamos uma vontade imensa de visitar o Brasil, então dissemos "sim! Por que não??".

CI: Vocês chegaram aqui há apenas dois dias e já irão hoje à noite. Nem tiveram tempo de andar pela cidade direito. Mas mesmo assim, o que você pode dizer sobre o que viu e o que sente daqui?

A: Eu estou amando o Brasil. Estou amando estar aqui esses dias, amando essa sensação de estar no Brasil, muito mais do que é sentir estar na Europa, por exemplo. Não consigo explicar direito essa sensação, mas é muito boa, é como se eu me sentisse em casa. Quero muito voltar, seja com algum espetáculo de novo, seja apenas para visitar, mesmo.
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sábado, 15 de maio de 2010

As Brasileiras de Bollywood

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Caros, na edição de hoje da revista Época saiu uma interessante reportagem sobre as brasileiras que estão invadindo Bollywood. A versão digital traz o artigo integralmente disponível, então passo abaixo para que vocês também possam conferir.

As Brasileiras de Bolywood
A Índia foi invadida por atrizes e modelos brasileiras que começam a fazer carreira no cinema de Bollywood
Juliana Resende, de Londres - Revista Época

O caso de amor do Brasil com a Índia está longe de acabar com o fim da novela Caminho das Índias. A boa-nova é que o interesse dos brasileiros está sendo correspondido, apaixonadamente. Gisele Bündchen na capa da Vogue India, em outubro do ano passado, assinalou um fenômeno que já virou até tema de filme: a invasão de Bollywood por atrizes e modelos brasileiras. Na semana passada, foi exibida no Festival do Cinema Brasileiro de Paris a primeira coprodução indo-brasileira. O Sonho Bollywoodiano (Bollywood Dream). O longa-metragem de ficção narra a experiência de três atrizes brasileiras que vão à Índia tentar fazer a fama e fortuna em Bollywood.

"Por incrível que pareça, o filme é anterior a este boom", diz a diretora Beatriz Seigner, de 25 anos. Ela é tão apaixonada pela Índia que morou no país por seis meses, em 2006. Foi nessa época que teve a ideia de fazer o filme, o segundo mais votado pelo público na 33a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2009. "As brasileiras são sensuais, dançam bem, usam biquíni e são um ingrediente estrangeiro nos filmes", diz Beatriz. Para a diretora, filmar na Índia foi uma experiência "fascinante e difícil". "Por eu ser mulher, tinha de falar com a equipe por meio de um homem e sentia que não me levavam a sério", afirma.

As modelos convertidas em atrizes que mais fazem sucesso em Bollywood são Giselli Monteiro [direita, na foto], Maria Gomez e Bruna Abdullah [esquerda]. Cada uma delas a sua maneira. Enquanto o rebolado de Bruna Abdullah, numa dança no filme Cash (Dinheiro), a alçou ao status de celebridade de Bollywood, Giselli Monteiro conseguiu transcender a barreira da língua e está fazendo uma sólida carreira na Índia. "Vim primeiro com a intenção de trabalhar como modelo, pois em todos os outros países que havia visitado as pessoas sempre me perguntavam se era indiana", diz. Nos primeiros 20 dias na Índia, ela conheceu Imtiaz Ali, que viria a ser o diretor de seu primeiro filme, Love Aaj Kal (Amor Ontem e Hoje). "Depois que eu fiz o teste, ele disse que que eu me encaixava perfeitamente no papel da típica indiana dos anos 60, para o qual ele havia procurado uma atriz no país inteiro", diz Giselli, de 22 anos. "Não é uma tremenda ironia?". Depois dessa estreia bem-sucedida, outras oportunidades surgiram. A brasileira já acertou sua participação no próximo filme do diretor Ravi Chopra, Puraani Jeans (Jeans Surrados), e se prepara para outros papéis. "Estou estudando híndi", afirma Giselli. Ela acredita que portas se abrem para as brasileiras pelo fato de a "fisionomia ser parecida com a das indianas" e pela união do "jeitinho brasileiro com o modo de ser indiano". Para a modelo, adaptar-se é natural, mas difícil. "Amo os indianos. Posso dizer que achei uma família aqui", diz. "Mas eles fazem uma comida muito apimentada, e com isso eu ainda não em acostumei."

Bruna Abdullah, de 23 anos, também tinha como planos trabalhar como modelo e participar de reality shows na Índia. Agora, se divide entre campanhas publicitárias - o mercado indiano atende à demanda local e global - e um papel no filme I Hate Luv Storys (Odeio Histórias de Amor), do diretor Karan Johar. Outra morena que está prosperando em Bollywood é Maria Gomez, de 22 anos, cuja semelhança com a mexicana Salma Hayek é constantemente apontada pela imprensa indiana, e constitui um diferencial a seu favor. Leena Yadav, diretora do filme Teen Patti (o título se refere a um jogo de cartas indiano), no qual Maria atuará, diz que a brasileira está sendo procurada para várias outras produções.

Teen Patti terá sir Ben Kingsley no elenco. Será a estreia do ator britânico descendente de indianos em Bollywood. Adorado na Índia pela interpretação do líder pacifista Ghandi, pelo qual ganhou o Oscar em 1982, Kingsley se prepara para filmar na Índia o romance Taj, em referência ao palácio Taj Mahal. O projeto é de sua produtora, Lavender Films, que leva o sobrenome de sua mulher, a atriz brasileira radicada em Londres Daniela Lavender. Na produção britânica, Daniela, de 35 anos, fará a mulher do imperador Shah Jahan (1628 - 1658), vivido por Kingsley. Jahan construiu o Taj Mahal para sua esposa mais amada, Mumtaz Mahal.

"Estivemos na Índia recentemente e é impressionante algumas semelhanças com o Brasil", diz Daniela. "O povo indiano cultua a família e a alegria de viver. Eles têm uma atitude relaxada e positiva perante as adversidades de uma sociedade longe do ideal, assim como os brasileiros". Ela mesma uma estrangeira, premiada no Reino Unido pela atuação no filme Emotional Backgammon (Gamão Emocional), de 2003, Daniela diz que admira o triunfo das brasileiras na Índia. "Isso é resultado de trabalho duro", afirma.

Se o mundo está descobrindo Bollywood, como acredita a diretora Beatriz Seigner, Bollywood está descobrindo o Brasil - e vice-versa. Para o expert e autor do blog cinemaindiano.blogspot.com, Ibirá Machado, o olhar dos produtores indianos está convergindo para o Brasil desde 2006, quando o longa-metragem Dhoom (Explosão) foi parcialmente filmado no Rio de Janeiro. "A indústria de cinema indiano quer novos rostos bonitos" - coisa que há de sobra no país de Juliana "Maya" Paes.
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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Atrizes mais famosas dos anos 60

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A gente assiste aos filmes atuais do cinema indiano e fica com uma ideia praticamente fixa de que aqueles atores e atrizes mais recorrentes são a verdade inquestionável de Bollywood e afins e que sempre será assim, oras! Mas ei, daqui dez ou quinze anos os atores principais provavelmente não serão mais os mesmos de hoje, assim como há dez ou quinze anos não tínhamos grande parte das estrelas atuais. 

Eu sei que é meio óbvio o que estou dizendo, mas pra quem acha que Aishwarya Rai é Bollywood e vice-versa, pois há pouco mais de quarenta anos, quando Bollywood já era inegavelmente Bollywood, as estrelas eram outras - se não ainda mais adoradas que as de hoje! Aliás, a Aish nem tinha nascido, nem nenhuma das Top 5 do momento. E hoje, enquanto a Aish e outras sobem no pódio da fama, algumas daquelas dos anos 60 seguem fazendo filmes aqui e ali, mas pra muitos passam desapercebidas. Ou seja... é, acho que entenderam o que quero dizer quanto ao futuro.

E nós já tínhamos visto que Bollywood, em verdade, teve seus saudosos anos dourados, lá nas décadas de 50 e 60. Hoje, portanto, vamos ver um vídeo de nove minutos que faz um pequeno resumo sobre quem eram as principais atrizes de Bollywood nos anos 60. O vídeo está em inglês, mas dá pra acompanhar, já que basicamente aparece o rosto da atriz com seu respectivo nome, sendo seguido por algumas imagens de filmes que ela fez. Alguns desses filmes, aliás, são simplesmente clássicos que um verdadeiro fã de cinema indiano não pode ficar sem ver!

Preparado pela Bollywood Hungama, o vídeo chama-se Vintage Touch - Top Actresses of 1960's. Pois então confiram:

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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Trilogia de Apu em Guarapuava

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E então a Trilogia de Apu pegou a estrada mais uma vez e foi parar em Guarapuava, no interior do Paraná, ainda no circuito SESC.

Eu sei que estamos super em cima da hora, já que o primeiro filme da Trilogia começa daqui a pouco, mas ainda há tempo ao menos de se programar para as próximas exibições. E aconselho que quem estiver pelo centro-oeste paranaense não deixe de conferir essa obra prima do mestre Satyajit Ray.

A programação da mostra diz o seguinte: "O cinema indiano, marcado por sensibilidades e realismos, deve muito de sua história a Satyajit Ray, cineasta e responsável pela Trilogia de Apu: 'A Canção da Estrada' (1955), 'O Invencível' (1956) e 'O Mundo de Apu' (1959). O diretor baseou-se no romance 'Aparajito', de Bibhutibhushan Bandopadhyay para contar a história de Apu, personagem que aparece em diferentes fases da vida ao longo dos três filmes, retratado com a beleza e a crueza do estilo inspirado no neorrealismo italiano e na nouvelle vague francesa, acompanhado da trilha sonora original composta por Ravi Shankar."

E a programação é a seguinte:

- Segunda-Feira - 10 de maio, às 19h30
A Canção da Estrada (Pather Panchali, 1955), 122min

- Terça-Feira - 11 de maio, às 19h30
O Invencível (Aparajito, 1956), 110min

- Quarta-Feira - 12 de maio, às 19h30
O Mundo de Apu (Apur Sansar, 1959), 105min

Na quarta feira, dia 12 de maio, após a exibição do filme haverá o Cinefórum com o professor Francismar, que falará sobre o cinema indiano.

Os filmes serão exibidos no cinema da UNICENTRO, em Guarapuava, Paraná, no bairro Santa Cruz. Os ingressos são gratuitos.
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domingo, 9 de maio de 2010

L'India a Torino - Filmes indianos no Salão do Livro de Turim

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A Itália receberá mais uma vez produções indianas em seu território, dessa vez no Salão Internacional do Livro de Turim (Salone Internazionale del Libro di Torino), que vai de 13 a 17 de maio. Como vem ocorrendo desde 2001, o Salão do Livro de Turim elege um país para acolher e realizar uma ampla programação envolvendo o país escolhido. 

Neste ano, portanto, o país acolhido é a Índia e, dentro da extensa programação de palestras e afins, teremos também alguns filmes, cujos nomes, dias e horários seguem abaixo. Com 10 produções, a programação está bem variada, com filmes de Bollywood, documentários e produções independentes. Todas as obras de Bollywood escolhidas são excelentes e fazem um perfeito retrato do que vem ocorrendo no cinema indiano contemporâneo, embora os filmes de apelo popular tenham sido excluídos. Confiram:
Terça-feira, 11 de maio
20h
Quarta-feira, 12 de maio
20h

- Anthardwani 
Quinta-feira, 13 de maio
20h
Quinta-feira, 13 de maio
22h

- Superman of Malegaon
Sexta-feira, 14 de maio
20h
Sexta-feira, 14 de maio
22h

- Land Gold Women
Sábado, 15 de maio
20h
Sábado, 15 de maio
22h

- Remembering Bimal Roy
Domingo, 16 de maio
20h

- A Wednesday
Domingo, 16 de maio
22h

Os filmes serão exibidos na Sala Movie, à Via Cagliari, 42, em Turim. Os ingressos são gratuitos. Mais informações sobre a programação dos filmes (em italiano), clique aqui.
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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Comentários a respeito de The Blue Mug

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Em primeiro lugar, perdoem-me os que esperaram esta postagem já ontem, mas preciso dizer que ontem eu precisava da minha cabeça descansada e por isso não fiz postagem alguma. Aos que não estão sabendo de nada, explico: na última quarta-feira, 5 de maio, tivemos aqui em São Paulo uma apresentação única de uma peça de teatro indiana, chamada The Blue Mug, com atores que também estão presentes em alguns filmes de Bollywood e do cinema independente indiano. Foi uma oportunidade raríssima e eu fui lá conferir.

Também preciso já logo dizer o que muitos já estão sabendo e tantos outros devem estar ansiosos por saber. Nossa querida Konkona Sen Sharma, tão aguardada, não veio ao Brasil, infelizmente. No meio da turnê nos Estados Unidos uma apendicite atacou a atriz, que teve de ser operada e, consequentemente, foi proibida de viajar de avião. Cogitou-se cancelar o evento aqui em São Paulo, mas como tanto esforço já tinha sido feito pra trazê-los, tudo foi mantido e a peça foi realizada sem ela. Posteriormente eu soube que nos últimos três espetáculos nos EUA ela já não estava presente. Mas mesmo com essa ausência, os outros atores, Ranvir Shorey, Rajat Kapoor, Vinay Pathak, Sheeba Chaddha e Munish Bhardwaj, porém, conseguiram se virar no palco perfeitamente.

Pois vamos lá. Eu simplesmente adorei o espetáculo. Embora quase metade das falas tenham sido em hindi e o restante que foi em inglês tenha sido por vezes difícil de entender, foi uma experiência e tanto. O espetáculo é inteirinho composto por memórias reais dos próprios atores, contadas mais ou menos de forma improvisada. Não há um roteiro escrito, mas há uma ordem das memórias a serem contadas, e as memórias são sempre as mesmas. O que muda - e isso o diretor Atul Kumar revelou-me posteriormente - é a maneira com que os atores decidem contar suas lembranças no momento em que estão no palco.

O espetáculo é emoldurado por uma cenografia composta unicamente por luzes, cuidadosamente posicionadas e dirigidas de maneira a proporcionar efeitos cênicos únicos e tocantes. Há também uma trilha sonora muito bem selecionada que não deixou a desejar e tampouco se sobrepôs aos atores.

Ao que parece, a parte mais engraçada do espetáculo, e aparentemente o eixo da peça, era liderada por Ranvir Shorey. O problema, no entanto, é que ele falava somente em hindi. Pelo que entendi, Ranvir era o único que tinha especificamente um personagem, interpretando uma pessoa que sofre de amnésia momentânea, embora se recorde de muitas coisas de sua infância. De tempos em tempos ele aparecia sozinho no meio do palco, todo vestido de branco, e se punha a falar com o médico, que se manifestava somente pelas caixas de som (a voz era do diretor, mas quem cumpria anteriormente esse papel era a Konkona, que aparecia junto no palco). E então Ranvir falava e falava e falava, e rápido, muito rápido, e nos pouquíssimos momentos em que o "médico" falava em inglês podíamos entender que o que estava ali acontecendo era uma tentativa de mostrar que nós só somos nós mesmos porque temos memória.

E então é mais ou menos essa a ideia do espetáculo. É dizer que nós construímos nossa própria identidade a partir de nossas lembranças, e que a partir delas podemos ter um acesso universalizado a todos os outros seres humanos. E é óbvio que a capacidade dos atores permite que o espetáculo seja um sucesso por onde passe, mas, antes, ele tem a capacidade de tocar o cerne de nossas próprias personalidades, de nossas próprias identidades, únicas, mas universais.

E por fim, o nome "blue mug" (caneca azul) vem de uma das lembranças compartilhadas por Rajat Kapoor. Ele conta o caso de sua caneca azul preferida, que só nela ele tomava seu chá matinal, até o dia em que ele a perde.

Sem mais delongas, aguardem para logo uma entrevista que o diretor do espetáculo concedeu-me e, depois uma com o ator, diretor e produtor do cinema indiano, Rajat Kapoor. Ah, sim, e em seguida ao espetáculo tivemos a oportunidade de desfrutar de um coquetel ao lado dos atores e da comunidade indiana de São Paulo, que compôs basicamente 80% da plateia, ocupando metade do teatro. (ATUALIZAÇÃO: Clique aqui para ler a entrevista com Atul Kumar, diretor da peça)

E o que torcemos e queremos é que esta tenha sido somente a primeira oportunidade desse tipo no Brasil, não?

Fotos: Primeira com Vinay Pathak e segunda com  Ranvir Shorey. Créditos: Geni Macedo.
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