
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Rakhi - राखी

domingo, 10 de agosto de 2008
Sing is Kinng - सिंह इज़ किंग

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sexta-feira, 8 de agosto de 2008
Dil Apna Punjabi
Cinema Punjabi - ਪੰਜਾਬੀ ਸਿਨੇਮਾ

Vamos agora falar sobre o cinema punjabi, ou Punjwood, feito e falado na língua do estado do Punjab, noroeste da Índia. Preciso dizer que, por motivos que direi a seguir, não foi fácil recolher informações muito concisas e confiáveis sobre este cinema regional.
Para explicar este problema, sou obrigado a remeter à história da independência da Índia. Após os esforços conjuntos de diversas pessoas, dentre elas Gandhi, a Inglaterra cedeu e aceitou a autonomia indiana, nos idos do ano de 1947, pondo fim ao poderoso British Raj, ou reinado britânico. No entanto, na independência, muçulmanos quiseram para si um país próprio, separado da Índia, que se chamaria Paquistão. Assim sendo, ainda de posse daquelas terras, a coroa britânica teve a brilhante idéia de dar a incumbência de desenhar o traçado de fronteira entre os dois novos países a uma pessoa que nada sabia de Índia. O resultado disso foi que a mais fértil de todas as províncias do Império Indiano, o Punjab, foi brutalmente cortado ao meio, entre Índia e Paquistão. De um lado ficou Lahore, no Punjab paquistanês, e de outro ficou Amritsar, na Índia. Na separação, as mais sangrentas cenas da independência indiana solidificaram os mais profundos ódios existentes até hoje entre hindus e muçulmanos.
E eis que, do ódio que ainda sangra na ferida indiana, cada qual escreve uma história diferente de um cinema que tem língua dividida entre estados de mesmo nome em países diferentes.
Pela pesquisa que pude fazer, consta que o primeiro filme na língua punjabi chamava-se Heer Hanjha e foi lançado em 1932, ainda na época do domínio britânico. No entanto, o diretor, Abdul Rashid Kardar, era muçulmano e a história toda trata de um amor entre um homem e uma mulher também muçulmanos. Justamente por isso que em muitos locais sobre a história do cinema punjabi é atribuído o primeiro lançamento a Sheila (1935), do diretor hindu Krishna Dev Mehra, que teve, inclusive, mais sucesso. Uma curiosidade da produção deste filme, aliás, é que ele foi inteirinho produzido em Calcutá, onde havia mais recursos, e foi lançado em Lahore, que era a então capital do estado do Punjab.
Lahore acabou tornando-se um centro importante do cinema indiano, na época, atraindo diretores e produtores de outras províncias da colônia, além de tornar-se base de muitos jornalistas que escreviam sobre a produção cinematográfica nacional. Porém, 1947 trouxe consigo o destino e levou do Punjab a prosperidade que Deus havia lhe dado. A produção de cinema da região caiu drasticamente e, ao que consta, muitos desses produtores, diretores e jornalistas mudaram-se para Mumbai e ali fizeram a diferença na criação de Bollywood.
A história que agora se segue tratará apenas do cinema punjabi indiano. O produzido do lado paquistanês será tratado especialmente numa postagem só sobre o cinema do Paquistão. Nas décadas de 50 e 60 pouco se fez na região. Na realidade, em 1969 foi lançado o primeiro grande sucesso do cinema punjabi pós-independência: Nanak Naam Jahaz Hai, de Ram Maheshwari. Além de ser o primeiro grande sucesso, resgatou o tema religioso, comum na época, contando uma ficção entremeada na religião Sikh, predominante no Punjab. A partir de então, novos filmes passaram a ser lançados muito mais recorrentemente do que antes.
Em 1980, o filme Chann Pardesee, de Chitraart, é, até hoje, o único filme do cinema punjabi a ganhar um prêmio do National Film Awards. E confesso, digo “um prêmio”, porque não consegui encontrar que prêmio foi esse em nenhum lugar e se alguém souber me dizer eu agradeço muito! No decorrer da década de 80 muitos outros filmes foram lançados, na rabeira de Chann Pardesee. No entanto, os anos 90 viram a completa decadência do cinema regional do Punjab, que voltou a respirar somente agora, no século XXI. Poucos destacaram-se, porém, mas podemos citar Waris Shah e Dil Apna Punjabi (2006), este último com boa recepção da crítica. Este filme, também, marcou a entrada dos investimentos de produtoras bollywoodianas em terras punjabis, com o investimento da famosa Yash Raj Films na produção da película.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Shwaas
Não encontrei um trailer desse filme, mas aqui estão os primeiros dez minutos, sem legendas. A produção ganhou o prêmio de melhor filme pelo National Film Awards, depois de 50 anos sem um igual no cinema marathi. O reconhecimento da obra, do diretor estreante Sandeep Sawant, acabou resultando em reproduções da mesma história também em hindi, tamil e bengali. E como já citado, por pouco Shwaas compete pelo Oscar de melhor filme estrangeiro, ficando em sexto lugar na disputa.
Valu - The Wild Bull
Sant Dnyaneshwar e Sant Tukaram
No Maharshtra é também possível encontrar uma estátua de Dnyaneshwar na entrada das universidades, pois ele também é considerado o pai do conhecimento naquele estado.
Este filme, de 1940, foi uma produção da própsera Prabhat Films, que filmou também Sant Tukaram, citado na última postagem. Rodado em marathi, Sant Tukaram foi a primeira produção indiana a ganhar o prêmio de melhor filme no Festival de Veneza, em 1936.
Tukaram foi outra alma iluminada do estado do Maharashtra, que viveu entre os séculos XVI e XVII. Tukaram acabou ganhando também maior relevo nas páginas da história daquele estado após Shivaji tomar conhecimento dele. Shivaji é considerado o mais importante marajá que o Maharashtra já teve, aponto de ser possível encontrar estátuas suas até nas mais insignificantes vilas, sem contar o nome do aeroporto e da antiga e famosíssima Victoria Terminus de Mumbai (Chhatrapati Shivaji International Airport e Chhatrapati Shivaji Terminus). Tukaram acabou tornando-se guru de Shivaji e é até hoje amado pelo povo marathi. Numa feliz coincidência, eu tive a grande sorte de visitar seu templo, próximo a Pune, bem no dia em que comemoravam-se os 400 anos de sua morte, e vi a fé do povo por esse santo.
Pela forte devoção do povo pelos mitos do hinduísmo e pelos gurus de sua história, somente esses tipos de filmes poderiam fazer sucesso nessa época. Hoje, porém, a ocidentalização acaba por trazer novas necessidades, novos conceitos, novos gostos. Os filmes de hoje, portanto, feitos como produtos a serem consumidos, acompanham e ditam o rumo das tendências culturais. Não que as religiões e culturas locais fiquem em segundo plano, mas a cultura se movimenta, agrega e desagrega o que lhe convém, trazendo para a pauta o amor que eles não podem sentir, ou sentem mas não podem expressar.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Cinema Marathi - मराठी चित्रपट

O cinema marathi, embora antigo, talvez seja o mais reprimido e secundário da Índia. Não por falta de recursos, não por falta de público, não por falta de incentivo. Sediado na terra dos Marathas, no estado da Grande Nação, o Maharashtra, o cinema marathi disputa seu público com nada mais nada menos que Bollywood. Sediada em parte em Mumbai, em parte em Pune, a indústria do Maharashtra tenta, quase em vão, produzir o cinema de sua própria língua, ofuscado pelo megalomanismo da indústria do cinema hindi que, por força do destino (leia-se elite anglo-indiana da primeira metade do século vinte), também decidiu fincar bases na capital financeira da Índia, ainda que a língua dali não seja aquela que falam seus filmes. Para piorar a situação, é óbvio que o governo do Maharashtra vai ajudar ($$$) Bollywood em detrimento da indústria marathi, que praticamente não dá retorno.
O que importa é que apesar de Bollywood estar instalado em um estado que não fala sua língua, o Maharashtra tenta a todo custo mostrar que também sabe fazer filmes próprios e que toda a sua população possa compreender. E tenta, também, roubar para si alguns méritos do cinema hindi, como por exemplo o lançamento do primeiro filme na Índia, o Raja Harishchandra (1913), de Dadasaheb Phalke. A polêmica reside no fato de que o diretor deste filme era marathi, mas o filme era mudo. Como a película foi produzida nos embriões do que viria a ser a grande indústria cinematográfica de filmes hindi em Mumbai, Bollywood toma para si o título de indústria mais antiga do cinema indiano. Vamos, então, dizer, que Bollywood e o cinema marathi caminharam lado a lado naqueles princípios.
Algo que aí sim é incontestável é que o primeiro filme realmente marathi foi lançado em 1932, já falado, chamando-se Ayodhyecha Raja, produzido pela próspera Prabhat Film Company que, quatro anos depois, lançava Sant Tukaram, o primeiro filme indiano a ganhar o prêmio de melhor filme no festival de Veneza. Como em toda a Índia nos princípios das experiências de cinema, os temas dos filmes eram sempre relacionados aos mitos e lendas do hinduísmo. Sant Tukaram, por exemplo, conta a história de vida de Tukaram, um guru que viveu próximo a Pune e é um dos santos mais adorados no Maharashtra. Eu mesmo estive em seu templo, coincidentemente nas comemorações dos 400 anos de seu nascimento, e pude ver como até hoje o povo segue suas palavras.
Bom, voltando ao cinema, outro fato importante é que muitas indústrias de cinema criadas no Maharashtra acabaram fazendo mais filmes em hindi do que em marathi, em consequência principalmente de Mumbai ter-se posicionado como capital financeira e cultural de um país cuja língua do governo e da elite é o hindi. Somente lá pelos anos 60 mais nos 70 é que se destacaram alguns diretores de filmes marathi, como Anant Mane e Dada Kondke.
Nos anos 80 em diante, o cinema marathi consolidou-se (embora bem em segundo plano) como um cinema de qualidade, porém apenas tecnicamente falando. Embora o estado tenha produzido bons filmes de arte enquanto ainda engatinhava, hoje as produções marathi estão apenas preocupadas em ganhar público – o que os leva à velha fórmula família-jovens-ação-luta-song-and-dance-tudo-junto. Destacam-se, nessa época, Mahesh Kothare, Sachin Pilgaonkar, Ashok Saraf e Laxmikant Berde.
Mas justiça seja feita. No ano de 2004, o cinema marathi viu um filme seu ser indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Shwaas, do diretor estreante Sandeep Sawant, fugiu às regras de sucesso indiano e fala sobre a história real de um garoto de oito anos que tem câncer no olho e cuja única cura é a remoção dos olhos. Seu avô, ao saber disso, tenta a todo custo descobrir se não há mesmo outra maneira e, ao mesmo tempo, passa a mostrar ao neto tudo o que existe na realidade deste mundo, antes que a criança perca sua visão. O filme ficou em sexto lugar na lista dos indicados ao Oscar, em 2004, mas apenas cinco entram oficialmente na disputa. Mesmo assim, ganhou o prêmio Golden Lotus, dado no National Film Awards para o melhor filme.
Desde então – mas veja, em anos bem recentes – o cinema marathi passou a ser mais bem visto e a receber mais recursos, ainda que tímidos comparados a outras grandes indústrias indianas. Porém, num país em que o cinema faz parte da vida íntima do povo, um estado de língua próxima ao hindi e que sedia a maior e mais prolixa indústria de cinema da nação, é difícil galgar o seu reconhecimento, independentemente de sua qualidade.