quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

E que venha 2010





Meus queridos, eu poderia agora fazer uma retrospectiva, como já fiz outrora, mas dessa vez quero fazer somente um agradecimento e olhar pro futuro.

2009 foi um ano e tanto para o cinema indiano no Brasil, mas ele representou o início de uma grande guinada que na verdade ainda está por acontecer. Não fossem mãos mais do que empenhadas em fazer a coisa acontecer por aqui, ainda estaríamos escrevendo para uma meia dúzia de gatos pingados, fãs de algo um tanto estranho que vem lá do outro lado do mundo.

Mas essa coisa meio estranha não é tão esquisita assim. O cinema indiano provou em 2009 ser algo que muitos já esperavam aparecer mas não sabiam ainda de onde viria. Daqui pra frente, apenas faremos mais e mais pessoas terem a mesma descoberta.

Pode parecer uma vontade utópica de fazer justiça, mas, ainda que seja isso, o que fazemos é mesmo uma tentativa clara de ampliar o prisma das possibilidades culturais da humanidade.

E que venha 2010; e que neste novo horizonte que se abre possamos definitivamente encontrar o que tanto buscamos.

A todos, um imenso e muito sincero obrigado.

Shub Naya Baras ;)

Kirron Kher - किरॉन खेर

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Há atores que raramente aparecem como protagonistas, mas muito comumente estão ao lado dos atores principais dos grandes filmes. Um desses casos é Kirron Kher, esta atriz que recorrentemente faz papel de mãe dos atores principais, ou algo sempre parecido. Portanto, merecidamente, vamos hoje saber mais sobre ela.


Nascida Kiran Thakar Singh no dia 14 de junho de 1955, em Mumbai, Kirron é de família sikh originária do Punjab. Ela cresceu na cidade de Chandigarh, onde estudou na Panjab University. Durante seus anos de escola, Kirron era uma das mais proeminentes jogadoras de badminton, onde jogava com sua irmã, Kanwal Thakar Singh, que é hoje uma premiada atleta nesta modalidade, assim como foi sua mãe, Diljit Singh. O irmão de Kirron, Amardeep Singh, era um pintor reconhecido pelo país, falecido em 2003.

Em 1983, Kirron Kher aparecia em seu primeiro filme em Punjwood, chamado Aasra Pyar Da, pelo qual ela recebeu boas críticas pela performance. No entanto, após esse filme, ela acabou ficando um bom tempo fora dos cinemas devido à gravidez, ao divórcio de seu primeiro marido, ao casamento em seguida com Anupam Kher (quando recebeu o sobrenome Kher) e para cuidar do filho, Sikander Kher.

Nesse meio tempo, ela acabou trabalhando para Anupam Kher como figurinista de seus filmes, tendo também entrado pra história do cinema indiano ao sugerir o nome do filme Dilwale Dulhania Le Jayenge (1995), um dos mais importantes de todos os tempos da Índia.

Na realidade, em 1988 ela apareceu no filme Pestonjee, ao lado de seu marido, sem, no entanto, ter tido um papel de importância.

Antes de retornar ao cinema, Kirron foi experimentar a atuação no teatro, fazendo um papel na peça Saalgirah, escrita por Javed Siddiqui e dirigida por Feroz Abbas Khan. Em seguida, ela foi para a televisão com o programa Kiron Kher Today e o Jagte Raho with Kiron Kher, ambos na Zee TV. Seus programas tornaram-se muito famosos ao trazerem, pela primeira vez na Índia, discussões sobre a sexualidade e sobre questões da mulher.

Em 1995, finalmente, ela voltou ao cinema com o filme Karan Arjun, seguido pelo premiado filme Sardari Begum, de Shyam Benegal, pelo qual ela recebeu o prêmio especial do júri no National Film Awards. Em 1997 ela fez Darmiyan para só fazer outro filme de novo em 2000, mas dessa vez na obra bengalesa Bariwali, de Rituparno Gosh. Por esse filme ela ganhou o prêmio de melhor atriz, de novo pelo National Film Awards, mas que acabou sendo alvo de uma polêmica: Kirron, não sabendo falar bengalês, foi dublada pela atriz Rita Koiral, que exigiu que o prêmio fosse dividida com ela. Kirron, no entanto, negou dividir a premiação, já que todo o esforço de decorar os diálogos e de atuar foi dela e somente dela.


Em 2002 ela apareceu no aclamadíssimo Devdas, de Sanjay Leela Bhansali, ao lado de Shahrukh Khan, Madhuri Dixit e Aishwarya Rai. No ano seguinte ela fez Khamosh Pani, um dos mais importantes de sua história. Por seu papel no filme, ela recebeu o prêmio de melhor atriz nos festivais de Locarno, na Suíça, de Karachi, no Paquistão, de Ciepie, na Argentina e no da Cidade do Cabo, na África do Sul.

De 2003 a 2004, entremeada em papéis de séries de TV indianas, Kirron apareceu em filmes como Main Hoon Na, Hum Tum e Veer-Zaara (2004). Em 2005 ela fez Mangal Pandey, pelo qual recebeu ótimas críticas. No ano seguinte, seu papel em Rang De Basanti rendeu-lhe uma indicação ao prêmio de melhor atriz coadjuvante. No mesmo ano de 2006 ela apareceu também em Fanaa e Kabhi Alvida Naa Kehna, recebendo também boas críticas.

Em 2008, Kirron apareceu em Singh Is Kinng, Saas Bahu Aur Sensex e em Dostana. E agora em 2009 ela apareceu em Kurbaan. Ela também foi júri do India's Got Talent de 2009.

Bom, e como ninguém se salva de esquisitices e afins, Kirron adicionou um erre ao originalmente "Kiron", devido a razões numerológicas, muitíssimo influentes na Índia. Além disso, ela é uma colecionadora compulsiva de joias e saris, tanto que na maior parte dos filmes que ela faz, as roupas e joias que usa são quase sempre dela mesma.


domingo, 20 de dezembro de 2009

Cinema indiano no Orkut

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Até um ano atrás, era possível contar nos dedos as comunidades do Orkut dedicadas ao cinema indiano, em português. Hoje, no entanto, após a novela Caminho das Índias, após o filme Quem Quer Ser um Milionário? e após outros fenômenos e eventos particulares e isolados, já quase não é mais possível contar quantas comunidades existem.

Grande parte delas não passam de 10 membros. Outras - as mais antigas - podem ultrapassar as centenas de participantes. E então, como bons brasileiros que são a maior parte de nossos leitores, acredito que para muitos será de grande valia saber quais são estas comunidades.

Embora o próprio blog Cinema Indiano possua a sua comunidade própria (atualmente com 50 membros), é uma outra que cumpre a principal função de interlocutora entre os desejos dos fãs brasileiros do cinema indiano e o acesso aos filmes e coisas afins. E foi nesta mesma comunidade, chamada Quero cinema indiano no Brasil, que eu pedi aos dedicados membros que fizessem um levantamento de tudo o que eles encontrassem em português sobre o cinema indiano no orkut. E a compilação do que achamos está agora aqui.

A Aishwarya Rai é um fenômeno à parte. Passam de 20 as comunidades brasileiras criadas especialmente para ela, sendo que muitas, no entanto, não passam de 5 membros, enquanto que a maior de todas tem mais de mil. Portanto, não listarei todas sobre ela aqui, só colocarei as de maior relevância. De qualquer forma, é importante que fique claro que o número de membros que aparecem nessa lista (entre parêntesis, ao lado dos nomes das comunidades) vem crescendo em grande parte dos casos e, portanto, o que aparece aqui represente unicamente um retrato deste final de 2009.

Pois então fiquem com a lista, em ordem alfabética:

Aamir Khan Brasil (78)
Abhishek Bachchan (31)
Aishwarya Rai (50)
Aishwarya Rai - Brasil (627)
Aishwarya Rai - Brasil (19)
Aishwarya Rai Fanz - Official (102)
Aishwarya Rai - Kajra Re (729)
Aishwarya Rai - Salaam (1053)
Amo o Cinema Indiano (269)
AR Rahman - Brasil (7)
Ashutosh Gowariker é foda! (3)
Asoka (187)
Bipasha Basu - Dolls (133)
Bollywood (870)
Bollywood (75)
Bollywood - Brasil (569)
Bollywood Bhangra Brasil (219)
Bollywood - Florianópolis (18)
Bollywood/RS (80)
Bunty Aur Babli - Brasil (9)
"Cinema Indiano" DVDs e CDs (19)
Cinema Indiano (comunidade do blog, hoje com 51 membros)
Deepika Padukone - Brasil (5)
Delhi-6 - Brasil (6)
Devdas-Brasil (9)
DislexiaComo Estrelas na Terra (72)
Dostana - Brasil (45)
Eu Amo a Aishwarya Rai (37)
eu amo a aishwarya rai (22)
Eu amo a Priyanka Chopra (15)
Ghajini - Brasil (9)
Hrithik Roshan Brasil (130)
Jodhaa Akbar - Brasil (15)
Kabhi Alvida Naa Kehna - BR (10)
Kajol Devgan - Brasil (10)
Kareena Kapoor Brasil (74)
Kirron Kher (3)
Lagaan - Era uma vez na Índia (74)
Om Shanti Om - Brasil (3)
Preity Zinta Brazil (31)
Priyanka Chopra - Brasil (30 membros)
Quero cinema indiano no Brasil (comunidade mais ativa sobre o cinema indiano, funcionando como um fórum sobre o assunto; conta com 73 membros atualmente)
Rani Mukerji - Brasil (17)
Saif Ali Khan Brasil (5)
Salaam-e-ishq BRASIL (348)
Salman Khan (58)
Salman Khan - ator indiano (41)
Sanjay Leela Bhansali (7)
Shahrukh Khan Brasil (91)
Shahrukh Khan Brasil (13)
Shah Rukh Khan (13)
Shahrukh Khan - Die Hard Fans (13)
shahrukhkhan (9)
Sunidhi Chauhan (18)
Taare Zameen Par - No Brasil (103)
Taare Zameen Par - O Filme (29)
Umrao Jaan-Brasil (4)
Urmila Matondkar Brasil (9)

Um muitíssimo e merecido obrigado a todos que ajudaram nesta compilação!

sábado, 19 de dezembro de 2009

Trilogia de Apu agora em Florianópolis

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Amigos de Florianópolis e catarinenses em geral, a caravana de Apu que vem rodando o Brasil, tendo passado por São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília (nos respectivos CCBB - Centro Cultural Banco do Brasil), agora irá ao SESC de Florianópolis, em Santa Catarina, depois de também já ter ido ao SESC de Cuiabá, no Mato Grosso.

Os três filmes de Satyajit Ray - Pather Panchali, Aparajito e Apur Sansar - passarão, respectivamente, nos dias 21, 22 e 23 de dezembro, às 20h. Presente de natal pros barriga-verdes!

Aos interessados - e embora o texto que se segue seja praticamente o mesmo que já saiu nas outras vezes -, repasso o que está escrito no site do SESC Prainha, de Florianópolis:

"O cinema estrangeiro, aquele feito fora dos Estados Unidos como cita Nestor Canclini, com ironia, em seu livro Culturas Híbridas, está em cartaz no SESC Prainha, de segunda (21) a quarta (23), com sessões às 20 horas. Ótima oportunidade para conferir uma faceta interessante do rico cinema indiano. A entrada é franca.
A mostra é dedicada ao diretor Satyajit Ray (1921-1992), considerado o pai do cinema indiano e apresenta a trilogia Apu, praticamente inédita no Brasil. Ele baseou-se no romance Aparajito, de Bibhutibhushan Bandopadhyay, para criar essa obra do cinema marginal indiano, que foi fortemente influenciado pelo realismo e também pela Nouvelle Vague. A indústria cinematográfica indiana entrou em crise e só voltou a respirar na segunda metade dos anos 90 com Bollywood.
Para adaptar Aparajito para o cinema, Satyajit dividiu o livro em três filmes, produzidos entre 1955 e 1959. A Canção do Caminho, Aparajito e Mundo de Apu fazem parte da trilogia Apu, criada com música de Ravi Shankar, baixo orçamento e elenco amador. O Mundo de Apu ganhou três prêmios nacionais de cinema e arrebatou os festivais de Cannes, Berlim e Veneza.
A trilogia de Ray foi tão importante que o crítico Tiago Bacelar ressalta: “repercutiu, principalmente no quesito iluminação, nos trabalhos de Martin Scorcese, François Truffaut, Carlos Saura, Isao Takahata, Wes Anderson, Akira Kurosawa e Jean-Luc Godard, dentre outros. A cena final de O Mundo de Apu foi repetida na produção My Family, de 1995, dirigida por Gregory Nava”.
Pelo seu brilhante trabalho, Ray tornou-se a segunda personalidade do cinema, depois de Chaplin, a receber o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Oxford e recebeu em 1992 um Oscar honorário da Academia, poucas semanas antes do seu falecimento, em Calcutá, na Índia, aos 70 anos."
O SESC Prainha fica na Travessa Syriaco Atherino, 100, centro de Florianópolis. Entrada Franca.

sábado, 12 de dezembro de 2009

My Brother... Nikhil (2005)

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Quando fiz a postagem sobre o filme I Am, fui investigar um pouco sobre o diretor Onir e vi que ele havia estreado no cinema paralelo indiano com o filme My Brother... Nikhil, realizado em 2005. Achei o tema - AIDS e homossexualidade - raro e interessante em termos de Índia e, como achei para baixar, o que é incomum para filmes do cinema independente indiano, pus para fazer download no mesmo instante.

E então assisti e foi uma enorme surpresa. Digo já que o filme é muito triste, muito mesmo, mas também muito bonito e extremamente sensível.

Onir optou por um recurso diferente para o filme, embora não seja nada muito novo. Construído como se fosse um documentário, pessoas vão dando seus depoimentos sobre Nikhil e, a partir disso, a história vai sendo contada. Esse suposto documentário está sendo realizado em 1994 e a primeira lembrança que vemos remonta a 1987. Obviamente, os principais depoimentos vêm de sua irmã, Anamika, interpretada por Juhi Chawla, além de sua mãe, Anita Rosário Kapoor (Lillete Dubey), seu pai, Navin Kapoor (Victor Banerjee) e por Nigel De Costa (Purab Kohli), que posteriormente vemos ser o namorado de Nikhil.

Nikhil Kapoor (Sanjay Suri) era o melhor nadador de Goa, para orgulho do pai, que desde cedo investiu na carreira do filho. Logo no princípio do filme vemos quando Nikhil ganha uma bolsa pelo ministério dos esportes para ir a Calcutá, como nadador. No entanto, para a bolsa ele realiza um exame de sangue que acaba acusando a presença do vírus HIV.

Nesse meio tempo, os pais de Nikhil preparam para ele o noivado com a antiga amiga de infância, Leena Gomes (Dipannita Sharma), que havia acabado de retornar de Nova Iorque, após anos e anos por lá. Ela diz a Nikhil que sempre o amou, mas ele retruca dizendo que só gosta dela como amiga, e que não quer se casar.

Em princípio, Nikhil não é informado do vírus, embora o médico tenha feito perguntas a ele que o deixaram desconfiado que algo de muito estranho havia em seu sangue. Pouco depois, seu treinador o informa que ele estava sendo desligado da equipe para dar chance aos nadadores mais novos. Revoltado, ele sai correndo e mergulha na piscina, onde vários rapazes treinavam. No mesmo instante em que ele entra na água, todos saem de lá imediatamente.

Nikhil vai pra casa e fica visivelmente deprimido. De princípio a família não entende o que se passa. No entanto, mais rápido do que se esperaria, Goa inteira fica sabendo da existência da primeira pessoa do estado com o vírus do HIV (antes mesmo que o próprio Nikhil e seus familiares soubessem), o que resulta numa onda de preconceito extremo que acaba por envolver toda a família Kapoor. Numa dessas, quando os pais de Nikhil vão almoçar no clube que a vida toda almoçaram, o garçom vem pedir para que eles se retirem pois não poderiam mais frequentar aquele local. Eles vão embora pra casa e, chegando lá, o pai de Nikhil espanca-o dizendo que ele havia desonrado a família e acaba expulsando-o de casa.

Ele vai pra casa de Nigel, que morava sozinho já que os pais moravam em Dubai. Nigel cuida de Nikhil, mas na manhã seguinte, quando Nigel retorna pra casa após ter saído pra comprar medicamentos, ele não encontra Nikhil. A polícia havia ido ali e levado Nikhil preso, por representar uma ameaça à população. Ele é então mantido preso numa sala de um manicômio, ou algo assim, que há dois anos não era mais utilizada por ninguém.

Todos os amigos de Nikhil haviam se afastado dele, além de ter sido deserdado pelo pai, que mudou-se com Anita para Mumbai. Permanecem ao seu lado somente a irmã, carinhosamente chamada de Anu, com seu namorado Sam Fernandes (Gautam Kapoor), e Nigel. É nesse momento que Anu fica sabendo que Nikhil é homossexual, dando-lhe todo o apoio a ele e a Nigel. Ela sugere que Nigel vá fazer um exame de sangue também, pois era muito certo que ele também estivesse contaminado. O resultado deu negativo.

Os três conseguem encontrar uma advogada sensível que aceita lutar pela libertação de Nikhil. Enquanto o processo começa a correr, eles iniciam uma árdua batalha de conscientização da população sobre o que é realmente o HIV e que as pessoas não precisariam ter todo esse medo de Nikhil. Ao fim, Nikhil é finalmente solto e eles todos então fundam um instituto para dar apoio aos soropositivos. Essa passa a ser a ocupação de Nikhil, que obviamente havia sido rejeitado de todo e qualquer emprego, sobretudo da natação.

O tempo vai passando e vários problemas aparecem relacionados ao fortíssimo preconceito da população, não somente relacionado à AIDS, mas também em relação à orientação sexual de Nikhil e Nigel, que acabou chegando a toda a população.

Um ano depois disso tudo, Anu e Sam marcam o casamento e é somente nesse momento que seus pais retornam de Mumbai e reveem Nikhil. O pai de Nikhil, no entanto, não olha para seus olhos, ao mesmo tempo em que a mãe se corrói por inteira de ver seu filho sofrendo e não conseguindo mais ser o rapaz expansivo e alegre que sempre foi. Ela o pede para que ele volte pra casa, mas ele diz que está bem na casa de Nigel e que só faria isso se o pai fizesse o pedido.

Depois de um tempo, Nikhil acaba conseguindo trabalhar dando aulas de música em uma escola, cujo dono sensibilizou-se com a causa. O tempo passa e os primeiros sintomas da AIDS começam a aparecer. Tudo vai ficando mais difícil, mais depressivo e mais triste. No meio tempo, nasce o filho de Anu e Sam, trazendo mais alegria à família. E talvez por isso, chega um momento em que o pai de Nikhil não aguenta mais tanta rudez em seu próprio coração e o chama de volta pra casa, simpatizando-se, inclusive, com Nigel.

O final é óbvio, nem vou dizer. E é lindo, muito lindo.

My Brother... Nikhil é possivelmente o primeiro filme indiano a ter um protagonista homossexual, como diz o site do filme. E achei muito bonita a maneira com que a relação entre Nikhil e Nigel foi mostrada, com muito amor e carinho, sem que qualquer cena de beijo ou algo do gênero aparecesse. Também é lindo todo o amor de Anu por seu irmão, passando a dedicar sua vida para que ele e todos os outros iguais a ele pudessem ser vistos pela sociedade de outra maneira.

Onir optou também por fazer somente uma música pro filme, que aparece ao longo do filme em diferentes vezes e formas. Os cantores que cantam essa música nessas diferentes vezes são Sunidhi Chauhan, Shaan e K.K..

E não deixem de ver essa obra. A direção não é das melhores, mas o filme vale por todo o resto. Sanjay Suri, que estou descobrindo ser um nome mais do que presente nos recentes filmes do cinema paralelo indiano, atua muitíssimo bem, assim como os outros.

Eu não achei um trailer propriamente, mas encontrei uma espécie de clipe da música Le Chale, unindo imagens de diferentes momentos do filme, ao mesmo tempo que intercalando com a cena em que Nikhil canta essa música num bar, além de dois outros momentos em que ela é cantada por Anu e por Nigel. Os cantores também aparecem fazendo a gravação. Aí vai:



terça-feira, 8 de dezembro de 2009

I Am - Eu Sou

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Hoje descobri sem querer algo que me deixou feliz. Está em fase final de produção e filmagens a obra I Am (Eu Sou), concebida e dirigida por Onir. Este filme trata-se de uma sequência de quatro curtas diferentes que, juntos, compõem um quadro que fala sobre a questão da identidade na Índia, mas cujos valores e conflitos são, antes de tudo, universais. Onir é um diretor do cinema paralelo indiano e que vem recentemente ganhando renome. Além disso, ele reuniu em sua equipe pessoas já de peso no cinema independente da Índia, como o próprio produtor do filme, Sanjay Suri, que já esteve como ator na obra Firaaq, de Nandita Das. E os atores, como vocês verão a seguir, também não deixam nada a desejar.

No site do filme, lemos o seguinte:

"I AM é uma iniciativa do diretor e produtor Onir e do ator e também produtor Sanjay Suri para levantar certas questões de nossa sociedade. A ideia de usar os principais meios do cinema para ampliar a conscientização, ao mesmo tempo popularizando a cultura de ver filmes mais intelectualizados.

Quatro curtas serão dirigidos por Onir. Cada um com aproximadamente 20 a 25 minutos, com histórias únicas e quatro diferentes diretores de música. Todos os filmes têm o tema comum do medo e da identidade. Os personagens vêm pra dentro e pra fora das histórias e entre elas, ligando-as através do conteúdo, da estrutura, formando, então, um único filme. Todos os curtas, juntos, serão chamados I AM.

Com esse projeto, esperamos trazer outra dimensão ao cinema independente indiano. Esse projeto oferece a oportunidade de diferentes coprodutores fazerem parte dos curtas, juntos dos produtores principais. Nós acreditamos que o cinema independente existe para dar voz a esses trabalhos que vão contra a maré e por fora do sistema."

Lendo isso, fui investigar melhor o que isso tudo queria dizer. Assim, descobri que cada um que quisesse poderia - e pelo que vi ainda pode - contribuir financeiramente para a produção desse filme. Existe uma escala que, de acordo com a contribuição, a retribuição será proporcional - ou com o nome aparecendo nos agradecimentos, ou recebendo a divisão dos lucros.

E por fim, fui descobrir de que se tratavam cada um dos curtas e acabei chegando nos trailers provisórios que lhes passo a seguir. Não sei bem se a ordem será essa mesma, mas é assim que está no site, então acompanhem:


Abhimanyu, sobre o abuso infantil;

Esse filme fala sobre um tema extremamente sensível em todo o mundo e que, a mim particularmente, é dos mais cruéis que conheço. Um ser humano que ousa violar a inocência de um pequeno ser humano tem dentro de si a ausência do próprio ser. O trailer a seguir apresenta estes dados: "Na Índia, uma em cada cinco meninas e um em cada dez meninos sofrem algum tipo de abuso sexual ou psicológico. Tristemente, a maior parte desses incidentes não são nunca revelados e as vítimas sofrem em silêncio. O filme Abhimanyu traz o som desses silêncios". Vem então um rapaz que diz ter sido vítima de abuso sexual infantil e que Abhimanyu é uma história sobre ele e muitos outros como ele.





Omar, sobre o homossexualismo;

Este curta vem sendo o mais alardeado e promete causar na Índia. Ele já está pronto, mas por enquanto é mantido em segredo, enquanto as filmagens dos outros não terminam e a obra não fica completa. Tudo porque o personagem principal, Omar, é interpretado por nada mais que Rahul Bose e o vídeo terá uma cena de homossexualismo explícito, o que, neste caso, se entende por uma cena de beijo entre dois homens. Onir exibiu esse filme a Mira Nair, que ficou encantada com a qualidade do curta e com o profissionalismo de Rahul, prometendo fazer o que puder pela divulgação de I Am. E ao que consta, também pelo curta Omar, I Am já foi selecionado para ser exibido no festival de Rotterdam, logo no começo de 2010. O trailer provisório faz um jogo de luz e sombras com homens nus, e com frases dizendo que eles têm todas as mesmas características de todos os outros, ou seja, os mesmos medos, as mesmas esperanças, encerrando com uma frase que diz que "a sexualidade não transforma um ser humano num alien".




Afia, sobre o desvio de dinheiro destinado a ONGs;

Esse filme também promete causar um tanto de polêmica, por revelar um esquema de transferência de dinheiro que deveria ser destinado a ONGs na Índia, mas que acabam no bolso de certos europeus. O vídeo, em clima de filme apocalíptico, diz o seguinte: "1,1 bilhões de pessoas, 1,2 milhões de ONGs. Você dá dinheiro para ajudar. No entanto, nem todo o dinheiro chega a eles. Organizações da sombra; uma conspiração global. Baseado na história real de Rima Kohli, dirigido por Onir, produzido por Sanjay Suri e Onir. Uma mulher irá arriscar-se para desvendar a verdade". Rima será interpretada por Kalki Koechlin, que fez Chanda, em Dev.D.




Megha, sobre o conflito na Caxemira.

Por fim, este último filme fala sobre o eterno conflito da Caxemira, envolvendo Índia e Paquistão, islamismo e hinduísmo, o deserto e a água doce... e o vídeo provisório, mostrando imagens da linda e contraditória Caxemira, mostra este texto: "Caxemira. Uma história de duas amigas: Rubina e Megha. Contudo, em 1990, 400 mil caxemires pundits foram obrigados a fugir do vale da Caxemira devido a razões políticas... foram forçados a viver a vida de exilados dentro do próprio país. E foram esquecidos pelo governo e pelas organizações de direitos humanos. Milhares de caxemires pundits decidiram fugir de suas terras natais para salvarem suas vidas. E Megha partiu... Agora, depois de 20 anos, Megha irá confrontar-se com o passado, numa terra que ainda permanece reprimida pelas guerrilhas, pela religião, pelo governo e pelo exército. Curta dirigido por Onir e produzido por Sanjay Suri e Onir. Um filme sobre um lar perdido; um filme sobre um futuro perdido; um filme sobre uma identidade perdida". E pelo que entendi, Rubina será interpretada por Manisha Koirala e Megha será o papel de Juni Chawla.



segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Mann (1999) - मन

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Tem alguns filmes que, se me pedem a recomendação, eu não dou jamais. O Cinema Indiano já deu alguns poucos desses exemplo e hoje vocês terão mais um. No entanto, na mesma esteira desses filmes, há obras que merecem serem vistas por um certo caráter histórico que elas representam. E Mann é uma delas, unicamente por ter Aamir Khan como protagonista. Não fosse a presença de Aamir, esse filme jamais teria surgido como possibilidade de ser visto.

Além de Aamir Khan, no papel do playboy mulherengo Karan Dev Singh, o filme ainda conta com Manisha Koirala, como Priya, e ainda com Anil Kapoor, como Raj, noivo de Priya, e Sharmila Tagore, como avó de Dev. O elenco é de peso, mas a história de Aatish Kapadia e a direção de Indra Kumar deixam muito a desejar. Pra piorar, os 160 minutos de filme são intermináveis.

E a história é a seguinte. Karan Dev foi prometido a Anita (Deepti Bhatnagar), filha do riquíssimo Singhania (Dalip Tahil), a quem Karan Dev trabalha. A negócios em Singapura, Dev decide retornar a Mumbai de cruzeiro, ao invés de pegar um avião. E eis que no navio ele conhece Priya, que acabara de vencer uma competição de dança.

Uma certa confusão relacionada ao quarto de ambos aproxima os dois. Dev, mulherengo de carteirinha que é, inicia uma investida em cima de Priya, que o rejeita, dizendo que estava noiva, embora demonstre uma certa queda. Dev não se deixa vencer e há toda uma longa viagem de navio pra ele atuar.

No entanto, ele é, ao mesmo tempo, uma pessoa pública e muitos sabem que ele iria casar-se com Anita. Assim sendo, alguns babaquinhas do navio saem atrás de Dev para tirar fotos e pentelhar, ao mesmo tempo que um desses apaixonou-se por Priya e ia todo tempo atrás dela. O problema é que esse grupinho é tão caricato ao extremo que dava vontade de botar o filme pra frente toda hora que apareciam. A risada de um deles era insuportavelmente irritante!

E então o navio para por umas horas numa ilha a meio caminho, possivelmente na Tailândia, ou algo assim. Nesta ilha mora a avó (Sharmila Tagore) de Dev, já viúva, que havia se mudado para lá, com o marido, para viverem a velhice. Dev convida Priya para conhecer sua avó, e ambas se entendem de tal maneira que choram e se abraçam fortemente quando o navio anuncia que precisa partir para seguir viagem.

Já nessa altura Priya e Dev não podem negar que estão apaixonados. Mas ambos são noivos, com casamentos marcados. Quando o navio chega em Mumbai, eles então combinam de se encontrar em frente ao Gateway of India, em Mumbai, no dia 14 de fevereiro (dia de São Valentino, que é o dia dos namorados para a maior parte dos países). Assim, pouco antes do dia marcado, Dev aparece na TV dizendo que não iria se casar com Anita pois estava apaixonado por outra. Raj, sem nem imaginar que a amante secreta de Dev fosse sua própria noiva, parabeniza Dev por seguir o próprio coração.

Pouco depois, Raj acaba por descobrir que era Priya a amada de Dev, e diz a ela também seguir o coração, pois ele mesmo amargava no coração um amor que ele deixou em Londres, para casar-se com Priya. Ela então vai correndo atrás de Dev, no dia marcado, mas, na pressa, acaba atropelada e tem as pernas amputadas.

Dev não fica sabendo de nada e acha que havia sido deixado pra trás. Como ele também havia perdido o emprego com o milionário Singhania, acaba virando mendigo e ganha dinheiro fazendo bicos em pintura de faixas de rua e lombadas, já que seu hobby era pintar. Durante as madrugadas, fazia pinturas em telas em um barraco em que vivia. Pouco a pouco, com o dinheiro do emprego temporário e com a venda de algumas telas, acaba comprando um excelente apartamento. E assim vai vivendo como artista.

Enquanto isso, Priya segue com seu emprego como professora de um coral de crianças, mas acaba não se casando com Raj, embora eles sigam amigos.

Embora o final seja muito previsível, a pitada de dramalhão ainda consegue aparecer mais um pouco nos momentos finais. Mesmo assim, nada de especial acontece, nem mesmo de emocionante.

Depois de assistir ao filme, fui descobrir alguns fatos interessantes. Pra começar, o papel de Priya havia sido oferecido a Aishwarya Rai, que recusou e aceitou fazer Hum Dil De Chuke Sanam, que curiosamente acabou sendo um grande sucesso do ano (enquanto que Mann fracassou). Mann é "inspirado" no filme Tarde Demais pra Esquecer (O Grande Amor da Minha Vida, em Portugal), com Deborah Kerr e Cary Grant. A música "Tinak Tin Tana" foi plagiada da cantora Iwan, da Malásia, que abriu processo e venceu. A música "Nasha Hai Pyaar Ka Nasha" foi plagiada de "L'italiano", de Toto Cotugno. Outras quatro músicas da trilha sonora foram "inspiradas" de outras canções estrangeiras ou mesmo indianas.

Ah sim, e logo aos seis minutos de filme, o primeiro song-and-dance aparece e eis que a dançarina é Rani Mukerji, em aparição especial. E é isso.

Nem sequer encontrei trailer do filme, mas como vale sempre a pena compartilhar alguma coisa que seja, fiquem com a música Tinak Tin Tana, plagiada e vencedora de causa:



Colaborou: Sandra Bose

domingo, 6 de dezembro de 2009

TOP20 do Cinema Indiano

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No final desta semana que passou encerrou-se o 40th International Film Festival of India (IFFI, Festival Internacional de Cinema da Índia) e, no último dia, foi anunciada a lista final do TOP20 do Cinema Indiano, como havíamos antecipado aqui.

O site que dispunha os filmes para votação recebeu quase 2 milhões de visitas durante o festival, quantidade essa que não era esperada, segundo a organização. O resultado final das votações e da escolha do júri vocês podem conferir aqui. A única coisa que achei realmente muito estranha nessa lista foi a presença de Pather Panchali e da Trilogia de Apu, sendo que o primeiro é integrante da trilogia, de Satyajit Ray. Ou seja, na minha opinião, ou o ideal seria que os três filmes da trilogia competissem em separado, ou a Trilogia, como uma obra única, competisse sozinha. Mas enfim, até este momento não encontrei um documento que justifique que a lista contenha ambas as situações. A grande parte dos filmes desta lista são antigos, sendo que o mais recente que aparece é Nayagan, de 1987, dirigido por Mani Ratnam.

Eu preparei uma colagem com as fotos de todos os vinte filmes do TOP20, conforme podem ver nesta postagem. As imagens da colagem estão na ordem da lista, da esquerda pra direita. E aí vai:

1. Meghe Dhaka Tara (1960)
2. Charulata (1964)
3. Pather Panchali (1955)
4. Sholay (1975)
5. Do Bigha Zamin (1953)
6. Pyaasa (1957)
7. Bhuvan Shome (1967)
8. Garam Hawa (1973)
9. Mother India (1957)
10. Ghatashraddha (1977)
11. Elipathayam (1981)
12. Mughal-E-Azam (1960)
13. Nayagan (1987)
14. Kaagaz Ke Phool (1959)
15. Trilogia de Apu (1955 a 1959)
16. Sant Tukaram (1936)
17. Jaane Bhi Do Yaaron (1983)
18. Guide (1965)
19. Madhumati (1958)
20. Anand (1971)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Saif Ali Khan - سیف علی خان - सैफ़ अली ख़ान

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Lá em alguma hora do dia 16 de agosto de 1970 nascia, em Nova Delhi, Saif Ali Khan. Não só bastasse ser ele filho de uma família de origem muçulmana pashtun (do leste do Irã e parte do Afeganistão e Paquistão, e que são pouquíssimos na Índia), Saif é filho do último Nawab de Pataudi. Pataudi foi um pequeníssimo principado que existiu ao sul de Delhi durante o século XIX e perdurou até a independência da Índia, quando foi extinto. E "Nawab" é uma espécie de título de nobreza e que, neste caso, significaria que Mansur Ali Khan, o pai de Saif, seria o herdeiro do trono do extinto estado principesco. Ou seja, pra quem já desconfiava e tinha vergonha de se expressar - ou não -, agora é certo: Saif Ali Khan é mesmo um príncipe.

Mas Mansur, já sem chances de reinar efetivamente, virou jogador de críquete, que já era, a bem da verdade, a especialidade de seu pai. Após um tempo, foi também técnico da seleção indiana de críquete. Bom, e a mãe de Saif, Sharmila Tagore, não é e nunca foi qualquer uma. De origem bengalesa e parente de Rabindranath Tagore, desde cedo entrou para o mundo do cinema, estreando com nada mais que Satyajit Ray na sua Trilogia de Apu. Sharmila converteu-se do hinduísmo ao islã após casar-se com Mansur, quando foi rebatizada para Begum Ayesha Sultana. E as duas irmãs de Saif, Saba Ali Khan e Soha Ali Khan, são também atrizes.

Saif cresceu tendo a educação básica infantil dada a cargo de sua avó paterna, que lia o Corão para ele. Depois entrou na Lawrence School Sanawar e em seguida na Lockers Park Prep School. A faculdade foi feita no mesmo lugar que o pai, a Winchester College, no Reino Unido.

No cinema, Saif estreou em 1992, em Parampara, de Pratap Singh. Já no ano seguinte, ao aparecer no filme Aashiq Awara, levou o prêmio de melhor ator estreante, pelo Filmfare Awards. Em 1994, embora ele tenha sido indicado ao prêmio de melhor ator coadjuvante em Main Khiladi Tu Anari, foi seu papel em Yeh Dillagi que ele ganhou grande projeção. Também pudera, pois esse filme tinha como protagonistas a Kajol e o Akshay Kumar. No mesmo ano ele apareceu em mais três filmes além destes, mas somente Imtihaan conseguiu fazer um pouco de sucesso.

De 1995 a 1998 seus dez filmes fracassaram quase todos. Somente em 1999 ele conseguiu retornar ao sucesso de bilheteria com os filmes Kachche Dhaage e Hum Saath-Saath Hain: We Stand United. Pelo primeiro ele foi nomeado mais uma vez para o prêmio de melhor ator coadjuvante. No ano 2000, embora ele tenha aparecido somente em Kya Kehna, este filme foi de grande sucesso.

Daí, finalmente, Saif deslanchou. No ano seguinte, o filme Dil Chahta Hai foi um mega sucesso, pelo qual ele levou seu primeiro prêmio de melhor ator comediante. Seu único filme de 2002, Na Tum Jaano Na Hum, foi, de novo, bem sucedido.

E então em 2003 ele apareceu em Kal Ho Naa Ho, ao lado de Shahrukh Khan e Preity Zinta, levando o primeiro prêmio de melhor ator coadjuvante. Daí, em 2004, ele protagonizou o filme Hum Tum, seu primeiro pela Yash Raj Films, ao lado de Rani Mukerji. Pela segunda vez, Saif levou por esse filme o prêmio de melhor ator comediante pelo Filmfare Awards, mas também recebeu pela primeira vez o prêmio de melhor ator, desta vez pelo National Awards.

O sucesso prosseguiu em 2005, quando ele apareceu em Parineeta e em Salaam Namaste. O primeiro foi muito bem recebido, tendo ele sido indicado ao prêmio de melhor ator coadjuvante, enquanto que o segundo foi o que mais arrecadou fora da Índia.

Em 2006 ele fez seu primeiro filme em inglês, chamado Being Cyrus, de produção independente, cuja interpretação rendeu-lhe boas críticas. No mesmo ano, seu segundo filme foi Omkara, outro super sucesso de público e de crítica, dando a ele o primeiro prêmio de melhor ator em papel de vilão.

No ano de 2007, Saif apareceu em três filmes, sendo que Eklavya: The Royal Guard, no qual ele atuou ao lado da mãe, foi a indicação da Índia para o Oscar. No mesmo ano ele apareceu de novo ao lado de Rani Mukerji em Ta Ra Rum Pum, que foi muito bem recebido pelo público.

Em 2008, Saif apareceu em quatro filmes, taxa essa que ele havia atingido somente em 1999. Em realidade, foram quatro filmes e uma animação - Roadside Romeo - no qual ele faz a voz do personagem principal. Seu primeiro filme de 2008, Race, foi também o que fez mais sucesso. Os outros, Tashan, Thoda Pyaar Thoda Magic e o próprio Roadside Romeo, fracassaram todos.

Agora em 2009, Saif aparece em Love Aaj Kal - o primeiro também que ele mesmo produziu - e em Kurbaan. Para 2010, estão previstos Race 2 e Agent Vinod. E já que falamos que ele produziu Love Aaj Kal, vale dizer que sua produtora, Illuminati Films, acabou de ser criada, em 2009 mesmo, e já galgou bons degraus com a boa recepção do público de seu primeiro filme. Agent Vinod será o segundo filme produzido pela Illuminati Films.

Agora sobre a vida pessoal (ou leia "fofocas", se quiser). Em 1991, Saif casou-se com Amrita Singh, com quem teve dois filhos. Em 2004, porém, eles se divorciaram. Neste instante, Saif está namorando com Kareena Kapoor, oportunamente chamada por alguns de princesa Kapoor. As más línguas dizem que eles começaram a namorar durante as filmagens de Tashan. Em entrevistas recentes ele vem dizendo que quer se casar, enquanto Kareena finge não saber de nada.

Em 1998, enquanto filmava para Hum Saath-Saath Hain, uma denúncia acusava Saif de caçar ilegalmente uma espécie de antílope ameaçada. Saif negou as acusações e acabou sendo inocentado.

Em 18 de fevereiro de 2007, Saif foi internado após sentir fortes dores no peito. Na mesma noite ele voltou pra casa e nada foi dito muito claramente. Ao menos, Saif decidiu ali mesmo parar de fumar.

Ao lado de vários outros atores de Bollywood, Saif Ali Khan também apareceu no HELP! Telethon Concert, em 2005, para arrecadar fundos às vítimas do tsunami de 2004. Na mesma onda benfeitora, ele também participou do Heat 2006, uma série de shows realizados em várias partes da Índia e do mundo, pela conscientização do mundo sobre o aquecimento global.

E só uma curiosidade final: o nome Saif não se pronuncia SA-I-F, mas sim Séf. Para quem não sabia, pois passe agora a ler Séf Ali Khan (ok, eu sei que será difícil e confesso que nem eu consigo!).

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Hollywood e Bollywood se unem por Indira Gandhi

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Hoje encontrei num site português um artigo que merece ser partilhado a todos. Preciso dizer que fiz pequeníssimas alterações em algumas palavras, para que todo o texto esteja de acordo com a nova ortografia da língua portuguesa - conforme procura estar este blog. E entre colchetes coloquei traduções de algumas palavras ao português brasileiro, evitando que alguns de vocês possam não entender o que querem dizer certas palavras do português lusitano. Lá vai:

Indira Gandhi por Hollywood e Bollywood
por Alexandra Prado Coelho, do Ípsolon - 1/12/09

Uma estrela indiana, Madhuri Dixit, e muitas estrelas ocidentais, de Helen Mirren a Tom Hanks, numa grande produção sobre a vida da antiga primeira-ministra da Índia

Será a história de Indira Gandhi e será também, de certa forma, a história da Índia. "Indira era a Índia", disse ao Daily Telegraph Krishna Shah, o realizador que, ao fim de 20 anos a trabalhar no argumento [roteiro], vai finalmente começar a filmar Mother: Indira Gandhi Story, um épico sobre a antiga primeira-ministra da Índia, assassinada em 1984.

A "rainha de Bollywood", Madhuri Dixit, será Indira Gandhi, num elenco impressionante que deverá contar com Helen Mirren (que, se confirmar a sua presença, voltará a ser a rainha Isabel II), Tom Hanks (que será o presidente norteamericano Lyndon B. Johnson), Tommy Lee Jones (outro presidente dos EUA, Richard Nixon), Emily Watson (que fará da antiga primeira-ministra britânica Margareth Tatcher) e Albert Finney (que deverá assumir o papel do ator Peter Ustinov, que se encontrava em Nova Déli à espera de Indira no momento em que ela foi morta).

"Este é o projeto da minha vida, tanto em escala como no tema. Trabalhei no argumento durante mais de duas décadas, e esta é simplesmente uma história que tem de ser contada", disse Shah ao jornal britânico. "Demorei anos a encontrar o caminho na história, mas encontrei-o com o papel dela como mãe - tanto para a sua família como para a nação com os seus milhões de pessoas".

O filme - que será, na realidade, dois filmes - começará a ser filmado em abril do próximo ano na Índia, Reino Unido, Rússia e Estados Unidos. "Vai mostrar a vida dela desde os tempos em que era uma tímida dona-de-casa que tropeçou no papel de primeira-ministra, passando pela forma como conduziu o país à vitória na guerra de 1971 com o Paquistão, pelo seu compromisso com a secularização e com a necessidade de garantir maior poder para as mulheres e para as classes mais desfavorecidas", afirmou o realizador [diretor], nascido na Índia, mas que tem trabalhado nos Estados Unidos, tanto na Broadway como em Hollywood.

A guerra e o "martírio"

O épico sobre a primeira e única mulher a chegar na chefia do governo indiano marca, aliás, uma colaboração entre Hollywood e sua versão indiana, os estúdios de cinema conhecidos como Bollywood. "A distinção entre os dois está a começar a desvanecer-se", declarou Shah ao Telegraph. "Bollywood começou a transformar-se e isso é muito positivo, a diversificação é o futuro para o cinema indiano".

Shah confessa que um dos seus objetivos é conseguir agradar tanto às audiências ocidentais como à indiana, e uma das formas de o conseguir é "abordar o projeto a partir da escola de casting de [Richard] Attenborough (o realizador de Gandhi, outra biografia, esta sobre o Mahatma Gandhi, pai da independência da Índia). E isso significa que "haverá muitos nomes sonantes tanto de Bollywood como de Hollywood, para chamar audiências".

O momento alto do primeiro filme, revela o jornal, será uma sequência de guerra de 30 minutos sobre o conflito entre a Índia e o Paquistão, que contará com grandes efeitos especiais e que mostrará a emergência de Indira como Maa Durga, a deusa da guerra.

O segundo filme centrar-se-á nos esforços de Indira Gandhi para unir a Índia, e na ascensão do seu filho Sanjay Gandhi, e terminará com o "martírio" da líder indiana às mãos dos seus guardacostas sikh, em 1984. O orçamento previsto é de 44 milhões de euros [114 milhões de reais].

domingo, 29 de novembro de 2009

River to River - Florence Indian Film Festival

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Attenzione italianos, brasileiros, portugueses e afins que estiverem pelas bandas de Florença na primeira semana de dezembro! Dos dias 4 ao 10 do último mês do ano, a estonteante cidade italiana, berço do Renascimento, abrigará a nona edição do mais antigo festival de cinema exclusivamente indiano fora da Índia.

Batizado como River to River (Rio a Rio), a ideia é expressar uma conexão entre os rios Arno (que banha a cidade italiana) e o Ganges (o mais famoso e sagrado da Índia). E assim, estabelecer um diálogo além-Bollywood, mais como uma proposta de homenagear o que se faz na Índia no seio da sétima arte e que pode ser assimilado pelo mundo. O festival, de fato, pouco exibe do Bollywood comercial e tradicionalmente resgata obras antigas, lá dos anos 50, por exemplo. Além disso, também dá espaço a produções independentes, além de alguns curtametragens, todos recentíssimos.

Na programação, aparecem obras de diretores de peso, como o lendário Guru Dutt e Deepa Mehta. O mais bollywoodiano dos filmes a aparecer será Kaminey (2009), e a programação contará com uma exibição de Sita Sings the Blues (2008), que em verdade não é indiano - mas tá valendo!

E preciso também dizer que esse festival faz parte de uma mostra bem maior que acontece desde 2007 em Florença, chamada 50 Giorni di Cinema Internazionale a Firenze (50 Dias de Cinema Internacional em Florença), e que este ano está em andamento desde o dia 27 de outubro, indo até 17 de dezembro.

A programação do festival pode ser conferida aqui, em inglês ou italiano.

Andiamo via!

sábado, 28 de novembro de 2009

Abhi-Aish em comercial do sabonete Lux

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Pela primeira vez na história, o casal mais famoso da Índia, Aishwarya Rai e Abhishek Bachchan, estrelam juntos um comercial que está neste momento passando nas televisões indianas. Trata-se da nova linha de sabonetes Lux, com duas versões com óleos essenciais, de morango e de pêssego.

Não se fala em valores, mas nos bastidores dizem que o casal cobrou um cachê bem alto. Na verdade, eles já teriam sido abordados muitas vezes por várias empresas, mas dado o valor exigido, jamais conseguiram enfrentar o desafio. Dessa vez, a Unilever (dona da marca Lux) topou bancar o casal no lançamento desse novo produto. E obviamente que quem fizesse isso pela primeira vez se daria muito bem; o comercial já virou tema de reportagens em diferentes programas de televisão e em mídia impressa. Se as vendas do produto deslancharam ou não eu não sei, mas que a marca conseguiu grande exposição, isso certamente conseguiu.

De qualquer maneira, Aishwarya é garota propaganda do Lux há mais de dez anos, o que em princípio quebraria um pouco o ineditismo do comercial. Mas o fato de serem Aish e Abhi o casal mais desejado do país, daí as coisas mudam demais de perspectiva.

Bom, essa peça foi feita pela Short Films, de Londres, com direção de Stephen Mead. O dedo efetivamente indiano (além do casal, é óbvio) foi dado na música que acompanha o comercial, feita por nada mais que Shankar-Ehsaan-Loy.

Confiram:



Colaborou: Vinicius

terça-feira, 24 de novembro de 2009

40th International Film Festival of India - IFFI

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Nesta segunda-feira, dia 23/11, deu-se início o 40th International Film Festival of India - IFFI (quadragésimo festival internacional de cinema da Índia), que este ano está sendo sediado em Goa, estendendo-se até o próximo dia 3 de dezembro.

Este ano, além de celebrar quatro décadas redondas do mais importante festival de cinema do país, o IFFI 2009 guarda algo que vem criando muita expectativa entre os indianos: a divulgação da lista dos TOP20 do cinema indiano, que pode contar com a participação de todos. Entrando neste site, qualquer um pode fazer a lista dos vinte melhores filmes de todos os tempos, de acordo com uma lista já previamente selecionada por personalidades do mundo do cinema.

No final do festival, a média resultante das listas feitas pelo povo indiano será cruzada com as listas dos próprios jurados do festival (compostos por diretores, atores e afins do mundo cinematográfico), resultando no TOP20 final e definitivo.

Já agora, como não entendo e custo a entender o que se passa na mentalidade indiana, senti falta de vários filmes dentre os que podemos escolher para nosso próprio T20. Se, por exemplo, há ali Lage Raho Munna Bhai (2006), porque não há Rang De Basanti (2006), ou Black (2002)? Ok, LRMB trouxe de volta à juventude a sabedoria de Gandhi. Então será que a escolha é política? Afinal, Bandit Queen (1994) e Lagaan (2001) também estão lá. Mas veja, Sholay (1975) e Dilwale Dulhaniya Le Jayenge (1995), que de nada de políticos ou de mensagens de efeito têm, ali também estão. "Ah, mas o primeiro fez aparecer Amitabh Bachchan e o segundo lançou Shahrukh Khan e Kajol!". Ué, pois então, se é assim, que tenha também na lista o meu querido Taare Zameen Par (2007), que foi o primeiro filme indiano da história a ter os direitos de distribuição nos EUA comprado por uma produtora estadunidense, no caso a Disney.

Bom, reclamações feitas, em nada excluí minha alegria de saber que essa lista será anunciada. Nós aqui aguardaremos com muita ansiedade a sua divulgação!

sábado, 21 de novembro de 2009

Dev.D (2009) - देव-डी

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Vamos hoje falar de Dev.D, a décima versão cinematográfica já feita na Índia sobre o romance bengalês de Sarat Chandra Chattopadhyay, chamado "Devdas" (1917). Quem conhece o cinema indiano sabe bem que o filme bollywoodiano Devdas (2002), dirigido por Sanjay Leela Bhansali e estrelado por Shahrukh Khan, Aishwarya Rai e Madhuri Dixit, é um dos filmes mais emblemáticos da Índia dos últimos tempos, tendo sido, na época, a mais cara produção até então e a que mais arrecadou, sendo superada somente por Ghajini (2008).

Pois Dev.D não tenta superar o Devdas anterior. Escrito e dirigido por Anurag Kashyap, sua ideia era fazer uma releitura contemporânea da obra bengalesa do início do século XX. Dessa forma, o Devdas anterior, de Bhansali, aparece como homenageado declarado, em dois distintos momentos em que uma das personagens assiste à cena de Dola Re Dola na TV; nessas horas, Dev.D beira um meta-filme.

Pois bem, e então aqui Abhay Deol é Devendra Singh Dhillon, o Dev, filho de um rico empresário do Punjab. Mahi Gill é Paro. Ambos são amigos de infância e desde cedo gostaram muito um do outro. Acontece que Dev é um garoto dissimulado ao extremo, para desgosto do pai, que o envia a Londres para que ele fique lá por muitos e muitos anos, estudando.

No meio tempo ele segue se comunicando com Paro, pela internet e celular. Até que chega o momento de sua volta à Índia. Ambos se amam, mas é difícil consumar o que sentem por questões sociais que em princípio os impedem de ficarem juntos. Paro é então prometida por seu pai a outro rapaz. Nem Dev, em seu orgulho, e nem Paro, na sua fragilidade, conseguem reverter esse processo.

Dev vai então embora para, supostamente, sofrer menos. Mas ele jamais deixou de ser um ser dissimulado. Se afunda em drogas e bebidas e, nesse afundamento, vai parar em um prostíbulo de Delhi, onde acaba por conhecer Chanda. Pouco antes desse momento, somos apresentados a essa garota. Antes chamada Leni (Kalki Koechlin, nascida em Pondicherry, filha de pais hippies franceses que se mudaram pra lá), aos 17 anos envolveu-se desgraçadamente num escândalo, após um rapaz com quem teve relações sexuais filmar a cena e colocar na internet. Pelo que soube, essa parte do filme é baseada num caso real que ocorreu recentemente em Delhi. A história de Leni chega ao ápice quando seu pai comete suicídio por causa disso. O único caminho que ela encontra é aceitar um convite que fazem a ela, para trabalhar em um prostíbulo. Um dia, assistindo ao Dola Re Dola na TV, decide que seu nome artístico será Chandramukhi, mas vira então Chanda.

Chanda apaixona-se por Dev, que tem nela o seu refúgio, mas que ainda diz amar Paro. Paro, por sua vez, chega a demonstrar um certo carinho por Dev, mas visivelmente mostra-se feliz em seu casamento. Daí o final da história não vou dizer qual é, nem se é o mesmo do Devdas anterior, para quem conhece.

Eu gostei muito desse filme, foi uma bela surpresa. Todo o enredo é muito bem bolado, a direção é ótima, a atuação dos atores é excelente e as músicas são inusitadamente bem inseridas em todo o contexto e ritmo da história. Também achei bem divertida a presença um tanto onipresente do "The Twilight Players", um trio de dançarinos irreverentes e que fazem a vez do song-and-dance inexistente nesse filme.

Na Índia, Dev.D teve uma excelente recepção pelo público e a extensa trilha sonora (com 18 faixas e autoria de Amit Trivedi) fez bastante sucesso. Tendo estreado em fevereiro deste ano, eu posso dizer que essa obra vem numa linha muito semelhante à que veio Kaminey (2009), que estreou agora em agosto e que vem construindo novas facetas em Bollywood, sem, porém, querer substituir o que já existe e faz mais sucesso. É apenas um processo de grande enriquecimento que o cinema indiano vem vivendo.

E agora confiram o trailer de Dev.D: