
É um tanto difícil encontrar filmes indianos de excelente qualidade, fora das produções do circuito comercial das grandes indústrias de cinema do país. No entanto, no boca a boca, alguma coisa sempre acaba chegando até nós, confirmando o que já sabemos a respeito da capacidade que a Índia tem de fazer filmes muito bons.

Bom, o filme é um tanto antigo, de 1994, é estrelado por Seema Biswas, dirigido por Shekhar Kapur e produzido pela Kaleidoscope Entertainment, uma produtora que inicialmente financiou obras não comerciais, mas que posteriormente acabou entrando no mundo mais propriamente bollywoodiano.
O filme começa com uma frase dizendo que a história é real, e em seguida vem uma frase extraída do livro sagrado das "Leis de Manu", um dos mais importantes do hinduísmo e que até hoje dita as regras comportamentais e sociais da maior parte da sociedade indiana.

E é daí que o filme começa, logo mostrando a pequena Phoolan, com 11 anos, sendo entregue pelo pai a um cara que queria casar pois já estava na hora, mais ou menos simples assim. E simples assim ela é colocada a cumprir as funções de uma mulher casada, como fazer a comida, pegar água no poço e lavar a roupa. Mas pior que isso, estando casada, ela deveria submeter-se ao que é mais cruel num casamento com uma criança: o sexo. E sofrendo tudo isso, inclusive a rejeição de ser sudra (a casta mais baixa), Phoolan foge e retorna à casa de seus pais. Acontece que, na Índia, essa é a pior coisa que uma mulher pode fazer, mesmo sendo ela ainda uma criança.

Com o tempo, ela revela-se uma mulher muito forte e capaz de ser tão boa bandida - ou até melhor - quanto os homens da gangue. E é assim que ela vira a "Rainha dos Bandidos" e sua fama atinge toda a Índia.





Ela é presa em 1983 e o filme acaba nesse momento. Em seguida, um texto aparece dizendo que em 1993 o governo do Uttar Pradesh mudou e entrou no poder um grupo de casta baixa. Esse novo governo anulou todas as sentenças contra Phoolan, incluindo a morte das 22 pessoas de Behmai, e a soltou. Phoolan virou política e ativista social.

Assistam ao filme, que vale muito a pena. A atuação de Seema Biswas no papel de Phoolan é impressionante, como raramente se vê. Impressiona ver um sistema social que para nós parece ser tão arcaico, mas que é ainda hoje totalmente presente na Índia. As cenas de espancamento público que aparecem no filme algumas vezes parecem muito primitivas, mas são recorrentes por lá. Eu mesmo enquanto na Índia estive vi na TV uma cena dessas, como se fosse algo normal. Mas acima de tudo, dói ver o conflito entre castas, dói ver o maltrato das mulheres, dói ver tamanha ignorância.
No Youtube não há trailer desse filme, mas ele está disponível inteiro, em 13 partes. Veja abaixo a Parte 1 de Bandit Queen:
11 comentários:
Muito bom! Já tinha ouvido falar desta história mas não sabia que havia um filme.
Chorei de odio e me descabelei vendo este filme!! Como a sociedade indiana eh PODRE!!!!! Ai que nojo!
Achei que tu tinha esquecido pois anda tao ocupado. Que grata surpresa, vc nunca me decepciona!!
Orgulho de ser sua amiga!!!!!!!!
Om Shanti
Compromisso é compromisso, né! ;)
Já tenho o filme! Vou ver um dia desses. Grata pela lembrança desse filme, Ibirá. Já tinha ouvido falar nele, mas estava esquecido em algum recanto da minha memória. :-)
Abraços,
Bru Lyrio.
:)
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Uau! Muito obrigado! :D
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