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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Bawarchi (1973) - बावर्ची

Nossa doce e briguenta família!

 

Bawarchi é absolutamente adorável, o que é esperado de um filme dirigido por Hrishkesh Mukherjee. Amo seu jeito delicado de tratar questões sociais em seus filmes, mas sem deixar de lado o entretenimento.


O filme conta a história da família Sharma, que nunca consegue manter um cozinheiro (Bawarchi, em hindi) por muito tempo. Logo no ínicio somos apresentados a conturbada casa (que ironicamente se chama Shanti Nawaz, a casa da paz): Primeiramente, ao carteiro aposentado e viúvo, Shivnath (Harindranath Chattopadhyay). Ele tem três filhos: o mais velho, Ramnath (A. K. Hangal), trabalha num escritório e vive preocupado com o trabalho e a casa. Para aliviar isso, traz todas as noites um pouco de bebida barata para o seu lar. Ele é casado com Seeta (Durga Khote) uma mulher reclamona e com complexo de vítima, que vive com dores nos pés.

O do meio, Kashinath, é um professor cuja esposa, Shobha (Usha Kiran), assim como sua cunhada, se recusa a colaborar com as tarefas domésticas. Eles têm uma filha (e um filhinho): Meeta (Kali Bannerje), uma preguiçosa e egocêntrica dançarina de kathak.


E finalmente temos o mais novo: Vishwanath (Asrani), mais conhecido como Babbu, um assistente de compositor de trilhas de filmes que  nunca compôs uma única canção — só copiou canções em inglês. Por último, e não menos importante, temos a adorável Krishna (Jaya Bhaduri). Órfã do 4º filho de Shivnath, além de estudar, têm que cuidar de tudo na casa. Depois de um dia em que a casa parou de funcionar devido a partida do cozinheiro, chega Raghu (Rajesh Khanna), que assusta a família com seus antecedentes e múltiplas habilidades.


Uma coisa que adorei nesse filme é como ele não tem um "herói" ou uma "heroína". Os personagens principais são a família Sharma, que se odeia sem motivo nenhum, e seu cozinheiro. Embora não seja o foco, há um romance entre Krishna e seu professor, que é muito doce. É interessante (e lindo) as pessoas da família irem redescobrindo seus laços e o amor que haviam esquecido. A moral do filme pode ser resumida na frase dita em inglês pelo Raghu:
"É tão simples ser feliz, mas é tão díficil ser simples..."
Quanto às atuações, todos os atores são ótimos, mas com destaque para o Rajesh — que faz um papel sem par romântico, o que achei muito legal. O Raghu dele é super cativante, e seu plano para ir resolvendo os problemas da família, encantador.




A trilha de Madan Mohan é bem simples e graciosa, combinando bem com o clima do filme.  A de que mais gostei foi  Bhor Aayee Gaya Andhiyara, em que temos direito a ver a família reunida e feliz durante uma manhã (e de brinde temos Meeta dançando kathak e , no final, todas as mulheres da casa dançando com ela). As letras foram escritas por Kaifi Azmi, o pai da maravilhosa Shabana Azmi.
Bawarchi é sensivel, doce sem ser piegas ou exagerado. Por isso, aqui fica a recomendação!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

58th Filmfare Awards




Aconteceu ontem, em Mumbai, a festa de entrega dos prêmios do 58th Filmfare Awards. É a maior premiação de Bollywood e como a votação é aberta ao público, mostra quem está em evidência na indústria.

A grande surpresa da noite foi a repetição da dobradinha nas categorias Melhor Ator e Melhor Atriz, também vencidas por Vidya Balan e Ranbir Kapoor no ano passado. Desta vez, ela venceu por sua irrepreensível atuação em Kahaani, e ele pelo aclamado Barfi!.

Barfi!, Kahaani e Gangs Of Wasseypur foram os grandes vencedores da noite. Barfi! ficou com os prêmios de Melhor Ator, Melhor Trilha Sonora, Melhor Direção de Arte, Melhor Atriz Estreante, Melhor Direção de Arte, Melhor Som de Fundo, o esquisito "Lançador de Tendência" (algo como "quem ditou a moda no ano") e o maior prêmio da noite, Melhor Filme. Kahaani levou os prêmios de Melhor Diretor, Melhor Atriz, Melhor Cinematografia, Melhor Edição e Melhor Edição de Som. Nas categorias populares, Gangs Of Wasseypur ganhou apenas o prêmio de Melhor Diálogo. Nas da crítica e técnicas, levou Melhor Atriz Estreante, Melhor Filme e Melhor Ação.

A lista de premiados mostra diferenças claras em relação ao padrão visto em outros anos. Não há predomínio de nenhum filme dos Khans (Aamir, Shahrukh e Salman) e entre as escolhas do público há filmes menos românticos e com propostas mais inovadoras do que temos visto recentemente — Barfi! traz Ranbir no papel de um rapaz surdo e mudo e Kahaani é um thriller que relata a jornada de uma mulher grávida em busca de seu marido desaparecido. Também me agradou ver Anushka Sharma finalmente ganhando um prêmio (Melhor Atriz Coadjuvante) no Filmfare. Ela tem aumentado seu público desde o ótimo Band Baaja Baaraat e é uma das melhores atrizes da nova geração de Bollywood.

Vidya Balan ser a vencedora por dois anos seguidos na categoria popular em função de papéis não-românticos é muito significativo. Mostra que está ficando ultrapassada a ideia de que heroínas não conseguem atrair o público sozinhas. Os dois filmes — The Dirty Picture e Kahaani — tiveram apenas Vidya como protagonista e apresentaram personagens fortes, complexas e ousadas.

O prêmio pelo conjunto da obra é dado anualmente a algum artista consagrado, cuja carreira ajudou a definir o cinema hindi como é. O homenageado do ano foi Yash Chopra, diretor que faleceu em setembro de 2012, pouco após finalizar seu último filme (Jab Tak Hai Jaan).

Esta é a lista completa dos vencedores:

Melhor Filme: Barfi!

Melhor Filme pela Crítica: Gangs Of Wasseypur

Melhor Diretor: Sujoy Ghosh (Kahaani)

Melhor Ator: Ranbir Kapoor (Barfi!)

Melhor Ator pela Crítica: Irrfan Khan (Paan Singh Tomar)

Melhor Atriz: Vidya Balan (Kahaani)

Melhor Atriz pela Crítica: Richa Chadda (Gangs Of Wasseypur)

Melhor Ator Coadjuvante: Annu Kapoor (Vicky Donor)

Melhor Atriz Coadjuvante: Anushka Sharma (Jab Tak Hai Jaan)

Melhor Atriz Estreante: Ileana D' Cruz (Barfi!)

Melhor Ator Estreante: Ayushmann Khurrana (Vicky Donor)

Melhor Trilha Sonora: Pritam (Barfi!)

Melhor Cantora de Playback: Shalmali Kholgade (Pareshaan, de Ishaqzaade)

Melhor Cantor de Playback: Ayushmann Khurrana (Paani Da Rang, de Vicky Donor)

Diretor Estreante Mais Promissor: Gauri Shinde (English Vinglish)

Melhor Ação: Sham Kaushal (Gangs Of Wasseypur)

Melhor Direção de Arte: Rajat Podar (Barfi!)

Melhor Som de Fundo: Pritam (Barfi!)

Melhor Cinematografia: Setu (Kahaani)

Melhor Coreografia: Bosco-Caesar (Aunty Ji, de Ek Main Aur Ekk Tu)

Melhor Edição de Som: Sanjay Maurya e Allwin Rego (Kahaani)

Melhor Edição: Namrata Rao (Kahaani)

Melhor Figurino: Manoshi Nath e Rushi Sharma (Shanghai)

Melhor Letra de Música: Gulzar (Challa, de Jab Tak Hai Jaan)

Prêmio RD Burman para Novo Talento na Música: Neeti Mohan (Jiya Re, de Jab Tak Hai Jaan)

Melhor História Original: Juhi Chaturvedi (Vicky Donor)

Melhor Roteiro: Sanjay Chouhan e Tigmanshu Dhulia (Paan Singh Tomar)

Melhor Diálogo: Anurag Kashyap, Akhilesh Jaiswal, Sachin K Ladia e Zeishan Qadri (Gangs Of Wasseypur)

Prêmio Sony de "Lançador de Tendência" do Ano: Barfi!

Prêmio pelo Conjunto da Obra: Yash Chopra

quinta-feira, 31 de maio de 2012

1º Flash Mob de Bollywood no Brasil!




No último sábado, dia 26/05, aconteceu o primeiríssimo flash mob de bollywood no Brasil. A inesperada intervenção (que na verdade já vinha sendo planejada há tempos) aconteceu em São Paulo, em plena Avenida Paulista, atraindo a atenção de algumas dezenas de pessoas que passavam por lá.

Acho que não preciso falar muito, o que importa mesmo é ver como foi o resultado. Vamos torcer pra que mais flash mobs de bollywood aconteçam, não só em São Paulo, mas em todo Brasil!

E fiquem com o vídeo, que tá lindo:




sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Festival de Cinema Indiano em Brasília - 23 a 28 de Janeiro

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Brasilienses e passantes pelo coração do Planalto Central, no próximo dia 23 de janeiro começa a mostra Luz, Câmera, Bollywood, no Teatro Oi Brasília. Serão seis filmes, um por dia até o dia 28 de janeiro, sempre às 19h30. Todos valem muito a pena, mas faço um destaque em particular a Como Estrelas na Terra, 3 Idiotas e Sholay.

Confiram a programação e avisem os amigos!

Teatro Oi Brasília
SHTN Trecho 1, Conj. 1B - Bloco C
Vizinho ao Palácio da Alvorada

23/01 - Segunda-Feira
Como Estrelas na Terra (Taare Zameen Par, 2007), de Aamir Khan

24/01 - Terça-Feira
Taal (1999), de Subhash Ghai

25/01 - Quanrta-Feira
Sholay (1975), de Ramesh Sippy

26/01 - Quinta-Feira
Iqbal (2005), de Nagesh Kukunoor

27/01 - Sexta-Feira
Escuridão (Black, 2005), de Sanjay Leela Bhansali

28/01 - Sábado
3 Idiotas (3 Idiots, 2009), de Rajkumar Hirani

Mais informações podem ser encontradas no site do Teatro Oi Brasília.
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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Dhoom 2 (2006) no CineÍndia - 25/09

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E chegamos à terceira edição do ciclo As Mariores Bilheterias de Bollywood no CineÍndia, trazendo a superprodução Dhoom 2 a vocês. Em 2006, esse filme bateu os recordes de bilheteria do cinema do país, com uma ação divertidíssima rodada em grande parte no Rio de Janeiro.

Dirigido por Sanjay Gadhvi, o filme é quase uma sacanagem estelar. Explico: ele é protagonizado por nada mais que Hrithik Roshan, Aishwarya Rai, Abhishek Bachchan, Bipasha Basu e Uday Chopra. Enfim, a foto acima já diz tudo. 

O curioso é que o diretor, Sanjay Gadhvi, embora já tivesse ficado famoso pelo primeiro Dhoom e tenha fincado sua bandeira no cinema indiano com esta sequência, ele logo em seguida caiu no esquecimento. Chegou a fazer um outro filme em 2008, chamado Kidnap, mas que super mal sucedido e depois não lançou nada mais nos cinemas.

Ainda assim, Dhoom 2 não deixa nada a desejar quando que o que se deseja é um verdadeiro Bollywood moderno. Imperdível pra entender e mergulhar ainda mais a fundo neste universo.

Não deixem de confirmar suas presenças no facebook, aqui.

Cineclube CineÍndia - "Dhoom 2"
25 de setembro de 2011, às 18h00
CECISP - Centro Cineclubista de São Paulo
Rua Augusta, 1239 - sala 13/14
Próximo ao Metrô Consolação

*GRÁTIS*

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domingo, 31 de julho de 2011

Mostra de Cinema Indiano no Rio de Janeiro

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Caríssimos, no próximo dia 5 de agosto começa na Cinemateca do MAM, no Rio de Janeiro, a mostra Anos 2000 - A Década que Mudou a Cara do Cinema Indiano. Com uma seleção de dez filmes de Bollywood, essa mostra percorre os principais caminhos por onde andou o cinema indiano, mudando de uma vez por todas os rumos da maior indústria cinematográfica do mundo.


Por mais que a Índia sempre tenha feito filmes de qualidade excepcional ao longo do século XX, tais produções nunca eram feitas pra agradar o grande público, que em grande parte das vezes nem sequer sabiam que estes filmes eram lançados. Nos anos 2000, no entanto, foi do coração das indústrias de cinema indianas que as mudanças começaram a acontecer.

O primeiro e incontestável marco desta mudança é o filme Lagaan - O Imposto (Lagaan, 2001), dirigido por Ashutosh Gowariker e produzido pela então estreante Aamir Khan Productions. Ao longo de quase quatro horas de filme (um dos mais longos de toda a história do cinema indiano), Lagaan revolucionou Bollywood e todas as outras indústrias de cinema da Índia ao investir em um cidade cenográfica e em centenas de figurantes pra contar uma história que não era de amor. A aposta de Aamir Khan, até então “somente” uma das grandes estrelas do cinema indiano, deu tão certo que o filme foi o segundo da história do cinema indiano a concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro. E a Aamir Khan Productions nasceu revolucionando, indicando o que viria nos anos seguintes.

Mas, na verdade, foi em 2006 em que as mudanças ganharam ainda mais força. E não foi somente um filme que indicou esse caminho. Somente em Bollywood, ao menos quatro diferentes filmes surgiram nesse mesmo ano e, cada qual com sua forma, influenciou produções seguintes, guinando de uma vez por todas o caminho trilhado pelo cinema indiano ao longo das últimas décadas do século XX.

O primeiro a aparecer naquele ano foi Omkara (Omkara, 2006), de Vishal Bhardwaj, que já tinha mostrado ao que viria com um outro filme seu, de 2002, chamado Maqbool. Se este do começo dos anos 2000 era uma releitura de Macbeth, de Shakespeare, o segundo foi uma releitura de Othello, do mesmo legendario escritor britânico. E foi que Omkara consagrou de uma vez por todas a capacidade de Vishal Bhardwaj de construir releituras com um roteiro extremamente complexo e com uma direção impecável, coisa que, definitivamente, a audiência indiana não conhecia.

Mas foram outros dois filmes do mesmo ano de 2006 que fizeram história na Índia. O primeiro, A Cor do Sacrifício (Rang De Basanti, 2006), dirigido por Rakeysh Omprakash Mehra, trouxe Aamir Khan interpretando um estudante universitário, ao lado de seus colegas. Por incrível que pareça, esse filme foi o primeiro a trazer como personagens centrais jovens universitários. De novo, a história central não era de amor e o roteiro não girava em torno do mundo dos adultos. Isso, de imediato, conquistou a imensidão de estudantes universitários Índia adentro, que naquele momento já era grande parte do público dos cinemas indianos. Um novo nicho havia sido descoberto.

Acontece que não foi somente esse fator que colocou A Cor do Sacrifício na história do país. Ele levou os personagens de seu filme a lutarem por direitos, numa escalada dramática tão impressionante e inesperada que acabou por instar os jovens indianos a fazerem o mesmo, coisa que eles não tinham nunca aprendido a fazer. Na época, a série de protestos de jovens pedindo por inúmeros direitos foi chamado pela mídia indiana de “efeito RDB”, em alusão à sigla do filme, no nome original.

E então um outro filme veio para coroar todo esse movimento do ano de 2006. Siga em Frente, Munnabhai (Lage Raho Munnabhai, 2006), de Rajkumar Hirani, tinha tudo pra ser uma comédia normal, talvez com um pouco mais de qualidade em relação ao “normal” das comédias indianas - e ainda por cima tendo como eixo um amor aparentemente impossível. No entanto, ao inserir de maneira genial o Mahatma Gandhi e seus ideais na história, o inesperado aconteceu de novo. A juventude indiana, que acabara de descobrir o poder do protesto, entrou em contato com os mais importantes princípios de Gandhi, que já estavam totalmente esquecidos pela imensa maioria dos jovens. E não tardou pra que eles levassem esses princípios aos protestos desencadeados pelo “efeito RDB”, agora somado com o “efeito Munnabhai”. E mais uma vez, mais um filme veio aos cinemas da Índia pra mostrar que roteiros pensados e com conteúdo poderiam, sim, ter efeitos muito maiores do que pensavam.

Em 2007, Aamir Khan voltou não só com sua produtora e sua atuação, mas resolveu também arriscar-se na direção. O resultado dessa soma foi Como Estrelas na Terra (Taare Zameen Par, 2007), um absoluto sucesso não só na Índia, como também no mundo. O que Aamir fez, dessa vez, foi construir uma história que questionasse o modelo educacional da Índia, mas de forma tão eficaz que a mensagem pudesse ser pro mundo. Com um apelo emocional muito forte, Como Estrelas na Terra não parou até hoje de mandar sua mensagem.

No ano seguinte, Ashutosh Gowariker voltou com outra obra mais do que grandiosa. Jodhaa Akbar (Jodhaa Akbar, 2008) trouxe de volta ao cinema indiano não só a potência dos épicos, como também resgatou as lendárias histórias vividas no país durante o domínio do império Mogol. Também com incríveis 3 horas e meia de duração, Jodhaa Akbar foi uma superprodução histórica como não se via há tempos.

E então 2009 trouxe a obra seguinte, e bombástica, de Rajkumar Hirani, desta vez com a atuação e já indiscutível capacidade de influência - e manipulação, diríamos? - de Aamir Khan. 3 Idiotas (3 Idiots, 2009) bateu todos os recordes de bilheteria da história do cinema indiano, trazendo de volta jovens universitários como personagens centrais, mas desta vez questionando o próprio modelo de ensino superior do país. Mas a história do filme talvez não levasse a obra ao recorde, não fosse a inusitada estratégia de marketing imposta por Aamir Khan nos meses antecedentes ao lançamento de 3 Idiotas. Na autointitulada “maior caça humana” da história da Índia, Aamir Khan desapareceu dos olhos do público e da mídia, reaparecendo disfarçado nos mais inesperados lugares do país.

No mesmo ano, Anurag Kashyap apresentou uma obra difícil de ser aceita pela maior parte do público indiano, mas que mostrou ser capaz de fazer escola e consolidar um caminho sem volta no seio de Bollywood. Ao fazer Dev.D (Dev.D, 2009), Anurag realizou a décima primeira versão cinematográfica indiana do romance bengalês “Devdas”, de Sharat Chandra Chattopadhyay. No entanto, ao contrário das dez versões anteriores, Dev.D foi, na verdade, uma releitura contemporânea da obra, inovando em vários aspectos na direção, no roteiro e nas atuações.

Em 2010, finalmente, dois foram os filmes que também chegaram ampliando os rumos do cinema indiano e fechando a década das mudanças. O primeiro, Amor, Sexo e Traição (Love, Sex aur Dhokha, 2010), de Dibakar Banerjee, inovou impressionantemente na linguagem e na condução do roteiro. A partir do descontrole que temos hoje das câmeras que estão por todos os lados, LSD, como é chamado, explora essa questão pra contar três diferentes histórias reveladas por esses “olhos”.

O último filme desta seleção é Peepli ao Vivo (Peepli Live, 2010), da Aamir Khan Productions. Desta vez, a inovação não está mais nem na qualidade do roteiro, nem da direção, nem da produção, que são todos ótimos e seguem a escola construída. O que se inova, desta vez, é em quem dirige e em quem atua. Anusha Rizvi, a diretora, era uma completa desconhecida até cair nas graças de Aamir Khan, que topou investir suas fichas nelas, ao contrário do que fazem as outras produtoras. E os atores, seguindo o mesmo rumo, são também completos desconhecidos, alguns deles com carreira somente no teatro, até então. Peeli ao Vivo, desta forma, apresenta um cinema com tanta qualidade de conteúdo e forma, que simplesmente não depende de nomes pra fazer sua fama. E isso o cinema indiano também não conhecia.

É assim que, quando se olha para os últimos dez anos do cinema indiano, o que se vê foram mudanças intensas que deram início a um novo patamar de se fazer filmes na Índia. Vários nomes podem ser citados, mas a liderança de Aamir Khan, hoje o mais bem pago astro do cinema indiano, é unânime. Afrouxando a camada grossa que sempre separou o cinema industrial do chamado “cinema paralelo”, ou de arte, indiano, Aamir apresentou ao público comum novas possibilidades de se contar histórias na tela grande.

E o êxito desta mudança está sendo agora apresentado com uma retrospectiva de cinco dos mais proeminentes filmes em que Aamir Khan participou, seja como ator, seja como produtor, seja como diretor, ou tudo isso junto, ao longo desta última década.


Clique aqui e confirme sua presença na mostra em nosso evento no facebook e mande convites pros seus amigos!


Confira aqui a programação ou pelo site do MAM:


05/08 - Sexta
18h30 - DEV.D (2009), de Anurag Kashyap. 144'

06/08 - Sábado
16h - PEEPLI AO VIVO (Peepli Live, 2010), de Anusha Rizvi. 95'
18h -
SIGA EM FRENTE, MUNNA BHAI (Lage Raho Munna Bhai, 2006), de Rajkumar Hirani. 144'

07/08 - Domingo
16h - O IMPOSTO (Lagaan, 2001), de Ashutosh Gowariker. 224'

11/08 - Quinta
18h30 - A COR DO SACRIFÍCIO (Rang De Basanti, 2006), de Rakeysh Omprakash Mehra. 157'

12/08 - Sexta
18h30 - OMKARA (2006), de Vishal Bhardwaj. 155'

13/08 - Sábado
16h - JODHAA AKBAR (2008), de Ashutosh Gowariker. 213'

14/08 - Domingo
16h - COMO ESTRELAS NA TERRA (Taare Zameen Par, 2007), de Aamir Khan. 165'

19/08 - Sexta
18h30 - AMOR, SEXO E TRAIÇÃO (Love, Sex aur Dhokha, 2010), de Dibakar Banerjee.

21/08 - Domingo
16h - 3 IDIOTAS (3 Idiots, 2009), de Rajkumar Hirani. 170'

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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Bollywood pra Iniciantes - Lição 3

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Vamos hoje com a terceira lição do Bollywood pra Iniciantes, essa prática série criada pela Filmigirl e que eu trago aqui traduzido a vocês!

Personagens arquetípicos de Bollywood: O Herói

De longe a figura mais importante do cinema indiano é o herói. Basicamente, o herói é o personagem principal de qualquer filme, mas, mais importante, ele é o espelho do público. Os fãs de Bollywood não perguntam qual é seu gênero favorito, mas sim de qual herói você mais gosta, e isso dirá muito sobre sua identidade sobre o cinema.

O herói leva a audiência a uma viagem da infância à maturidade, da ordem ao caos. Isso significa que ele é sempre jovem - embora os atores que interpretam os heróis não sejam jovens, eles protagonizam a quintessência do fenômeno de Bollywood em que atores acima de 40 anos façam ingênuos estudantes universitários.

Os fãs não ligam se esses atores façam personagens velhos que ainda vivam em casa com os pais, ou se são vinte anos mais velhos que suas pretendentes (na verdade nos acostumamos com isso). A 'jornada do herói' dos filmes indianos pode ser a correção de erros do passado, ajustes de erros do presente, aniquilação de maldades ou apenas o caminho pro amor romântico perfeito.

Ele sempre conseguirá ficar com a mulher e irá sempre triunfar sobre os obstáculos, ainda que o triunfo seja apenas moral. O mais importante disso é que o herói aprenderá qual é seu lugar na comunidade e como ser produtivo pro mundo. Ele é como Luke Skywalker e Han Solo combinados em um homem incrível. Isso tudo parece uma super fórmula, o que na real é, mesmo, mas na prática há centenas de tipos de heróis - assim como haverá uma dezena de atores pra fazê-los.


Outra coisa interessante é o fato de os atores serem chamados de heróis pela imprensa mesmo em sua vida pessoal. Ou seja, eles são tão importantes pra sociedade, que deixam de ser "meros" atores pra encarnar um herói pra sociedade, que, por sua vez, interpretam heróis nas telonas. 

Bollywood desenvolveu um amplo vocabulário pra tratar de seus heróis. O herói ideal é o herói masala, ou seja, que deve ser bom em tudo, de lutas a romances, de patriotismos a cenas de dança. Mas ainda assim, como pessoas comuns, os heróis também têm suas especialidades. 

Um ator jovem, com cara novinha e especializado em papéis românticos é chamado de herói chocolate (ou, às vezes, de garoto chocolate). O termo vem da época em que caixas de chocolate traziam fotos de garotos bonitinhos na capa. Mas esse termo também não é assim tão positivo. Um herói chocolate pode ser popular com as mulheres, mas por não saber fazer muito mais que romances e por ser somente um rosto bonitinho, seus filmes não farão um sucesso tão grande.

Outros heróis são os heróis de hoje e sempre [nota CI: evergreen, no termo original] - referindo-se aos heróis nos seus 40 ou 50 anos. O mais famoso herói de hoje e sempre do cinema indiano foi Dev Anand, até hoje chamado por muitos de Evergreen Dev Anand. 

Há ainda o Jovem Homem Bravo, frase originalmente dada a Amitabh Bachchan que, nos anos 70, fez uma série de filmes nos quais ele interpretava homens jovens e muito bravos, buscando a justiça contra chefões e governos. Também existem os heróis cult, obviamente típicos de filmes cult, ou cabeça, ou de arte, e ainda os heróis trágicos, ou seja, especializados em filmes tensos.


Mas não pensem que seja simples aparecer um novo herói, a verdade é que um novo herói deve ser lançado - não como um foguete, mas como uma marca - e rios de dinheiro são despendidos em sua promoção. Quanto mais sucesso um novo herói faz em seu lançamento, mais rápida será a formação de seu séquito de fãs e maior será o retorno financeiro a seus lançadores. E, ainda, dependendo de quão poderoso for o pai de um ator, se seu lançamento fracassa uma vez, ele será relançado uma segunda vez com uma nova identidade.


Um bom exemplo de relançamento (e re-relançamento) é o de Harman Baweja. Harman é filho do produtor de Bollywood Harry Baweja e, em 2008, Harman foi lançado no filme Love Story 2050, um filme exagerado de ficção científica e orçamento caro. O filme foi construído pra lançar Harman como um herói masala e, graças ao dinheiro e contatos do pai, ele foi anunciado como o próximo rostinho de Bollywood, inclusive já direto assinando novos contratos antes mesmo da estreia do filme.


No entanto, infelizmente pros Bawejas, o filme foi um fracasso e silenciosamente Harman foi excluído de vários dos projetos que ele já tinha assinado. Um ano depois, Harman reapareceu chamando Hurman (por razões numerológicas), e depois de volta como Harman, quando Hurman também provou não funcionar, e estrelou em What's Your Rashee. Infelizmente, de novo, seu relançamento como herói chocolate também falhou, mas agora uma nova chance será dada a ele em It's My Life.


Atores sem contatos (ou poucos, que seja) podem chegar ao nível de heróis secundários, ou às vezes como "protagonista secundário" (ou seja, ele não é o protagonista, mas também não admite ser coadjuvante). Algumas vezes, um herói secundário aparece pra dar o tom cômico à trama, ou mesmo pra dar mais ação, pra ser um rostinho bonitinho, ou até pra dar mais emoção e morrer na hora correta. Mas ser um herói secundário não é de todo mal, ainda que alguns estrelinhas rejeitem o título ou outros acabam conquistando o posto de herói 'primário' graças aos seus carismas.


Finalmente, filmes com dois heróis são chamados - sim - de filmes com dois heróis. Um a mais e o filme será um multiestrelado.


Os anos 70 foram anos de ouro dos filmes com dois heróis e multiestrelados. Um dos mais amados dos indianos é Amar Akbar Anthony, estrelando três dos maiores heróis do momento - Amitabh Bachchan, Rishi Kapoor e Vinod Khanna - como irmãos que são separados quando crianças e, durante o filme, encontram namoradas, reencontram-se, salvam os pais e acabam com as pessoas maldosas.


Ufa! Na próxima sessão vamos falar das companheiras dos heróis... as heroínas!
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segunda-feira, 28 de março de 2011

Raajneeti (2010) na quinta edição do CINEÍNDIA

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Seguindo com o nosso Ciclo de Discussão para 2011, já estamos na terceira edição do CINEÍNDIA no ano, quinta desde que começamos, e desta vez vamos jogar as emoções “lá em cima”.

O filme escolhido é Raajneeti, do diretor Prakash Jha. Controverso, instigante e revelador. Trata de um tema muito delicado pra qualquer nação do mundo: a política.

O diretor foi acusado de ter feito diversas referências a acontecimento reais na Índia, tais como: As concessões que uma mulher deve fazer para ascender ao poder indiano, o forte preconceito a mulçumanos, violência, sabotagem e etc. Obviamente, Prakash negou tudo e editou o filme para que pudesse passar pelo órgão censor indiano e, mesmo assim, não removeu a carga que este possui.

As intenções do diretor são muito claras durante toda a história. Tanto que assumiu o cargo de produtor da obra, também chamou um elenco estelar para atuar e foi duro em suas críticas.

Infinitamente mais que em “Tropa de Elite”, Raajneeti levantou muita poeira com seu lançamento.

Agora teremos mais uma oportunidade de confirmar que política é igual em qualquer lugar do mundo, seja aqui no Brasil ou nos confins indianos.


Cineclube CINEÍNDIA – “RAAJNEETI”
03 de Abril de 2011, às 18h00.
Local: CECISP – Centro Cineclubista de São Paulo
Rua Augusta, 1239, sala 13
Próximo ao Metrô Consolação 
*Grátis*

Para mais informações: 11-9804-4835 (Ibirá) ou 11-9562-5273 (Heber)


Sinopse:

Pertencente à proeminete família de políticos cruéis (Família Uttar-Pradesh), Samar Pratap está prestes a voltar pros braços de sua namorada americana, Sarah, nos EUA; porém o inesperado acontece e seu pai, Chandra, é assassinado. Ele, por sua vez, decidi ficar na Índia e vingar a morte do pai. Pra isso, é obrigado a com a aspirante-política, Indu Sakseria. 

Seu irmão, Prithviraj, assume o controle do partido indiano que seu pai chefiava antes de morrer. Os irmãos, agora, ganham inimigos poderosíssimos, inclusive seu tio, Brij Gopal. De um lado os dois irmãos querendo vingança e do outro o tio influente e conseguindo cada vez mais a aliança dos povos das castas inferiores. 

Raajneeti surpreende a cada minuto e não deixa os arrepios cessarem em nenhum momento. Fortes cenas dramáticas, explosões, perseguições, atuações excelentes, o filme não fica para trás de nenhum filme de ação já produzido pelo mundo, muito menos pra Hollywood.

Sobre o diretor:

Prakash Jha é diretor, roteirista e produtor. É conhecido por sempre acordar temas sócio-políticos em suas obra. Com isso, durante sua extensa carreira de cineasta, já criou muita controvérsia na Índia. Talvez venha daí seu sucesso. Mas seria injusto tirar seus méritos como ótimo em tudo que faz, em qualquer cargo que assuma numa produção. Seu currículo é de causar inveja: 25 documentários, 9 longas pra cinema, 2 pra TV e 3 séries de TV.

E não é de se surpreender que ele já concorreu duas vezes às eleições em seu país, infelizmente, perdendo as duas vezes.


Organização: Ibirá Machado e Heber Souza, em parceria com o Centro
Cineclubista (CECISP).

O CinemaIndiano.com e o CINEÍNDIA são parceiros do CECISP e do Cinefusão.
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