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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Anupam Kher - अनुपम खेर

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Eu confesso que falar sobre grandes nomes do cinema indiano não é muito simples. E Anupam Kher é, pra mim, um imenso nome.

Embora tenha nascido lá no dia 7 de março de 1955, sua carreira no cinema começou somente em 1982, quando ele já tinha seus quase trinta anos de idade. Nasceu e cresceu na simpática Shimla, no estado de Himachal Pradesh, proveniente de uma família de raízes brâmanes da Caxemira. Ao concluir o colegial, foi pra Nova Delhi estudar na National School of Acting, o mais importante instituto público de atuação da Índia.

No início dos anos 80, então, ele iniciou as gravações de seu primeiro filme, Aagman, que estreou em 1982. Dois anos depois ele já protagonizava um personagem complexo no filme Saaransh, que lhe garantiu um prêmio de melhor ator pelo Filmfare Awards, o que é muito raro ocorrer pra um ator tão estreante como ele. No mesmo ano ele também apareceu no filme Utsav, um semi-clássico, mas que por ser até então praticamente desconhecido, ficou com um papel bem coadjuvante.

Na segunda metade da década foi que ele consolidou sua capacidade de ator, realizando um vilão no filme Karma, em 1986, e depois mais todos os tipos de personagens nos anos seguintes, coroando-se com seu papel no filme Daddy (1991), pelo qual levou o prêmio de melhor ator pelo National Film Award e pelo Filmfare Awards pela crítica. Até hoje há quem diga que sua atuação nesse filme foi uma das melhores da sua carreira.

E quando chegou a década de 90 Anupam Kher já era quem é e passou a ser efetivamente disputado pras grandes produções, mas nem sempre como protagonista. Um exemplo foram os inúmeros filmes em que ele apareceu ao lado de Shahrukh Khan, por exemplo. Foi em Darr (1993), Dilwale Dulhaniya Le Jayenge (1995), Chaahat (1996), Kuch Kuch Hota Hai (1998), Mohabbatein (2000) e Veer-Zaara (2004). Nesse período ele também acabou sendo muito chamado pra papéis cômicos, pelos quais ele levou vários Filmfare Awards de melhor comediante, como em Ram Lakhan (1989), Lamhe (1991), Khel (1991), Darr (1993) e Dilwale Dulhania Le Jayenge (1995).

No ano de 2003 Anupam aventurou-se na direção com o filme Om Jai Jagadish, que também foi produzido por ele. Dois anos depois, com Maine Gandhi Ko Nahin Mara, ele levou o prêmio do júri de melhor ator pelo National Film Award e, embora não tenha levado nenhum outro prêmio por esta atuação, também há quem defenda que esta seja um de seus melhores papéis até hoje.

Anupam é também um dos atores de Bollywood com maior número de participações em filmes estrangeiros. O primeiro deles foi Bend It Like Beckham (2002), seguido por Banana Brothers (2003), Bride and Prejudice (2004) e The Mistress of Spices (2005), todos em inglês. Depois, em 2007 ele apareceu em Lust, Caution, do chinês Ang Lee. No ano seguinte fez mais um filme em inglês, chamado The Other End of the Line.

Nesse meio tempo, Anupam apareceu em outros filmes de grande sucesso e/ou de boa recepção da crítica, o que não necessariamente significou sucesso de público. Foram eles Kaho Naa... Pyaar Hai (2000), Paheli (2005), Rang De Basanti (2006), Khosla Ka Ghosla (2006), Jaan-E-Mann (2006), Vivah (2006), Laaga Chunari Mein Daag (2007), Dil Bole Hadippa! (2009), Wake Up Sid (2009). E agora pra 2010, Está previsto para Anupam aparecer em nada mais que dez filmes, repetindo o número de 2009. É uma das maiores médias entre os atores de Bollywood.

Anupam também esteve e está muito presente em programas de televisão. Ele apresentou, por exemplo, o predecessor do Kaun Benega Crorepati (o Jogo do Milhão indiano), chamado Sawaal Dus Crore Ka. Antes, apresentou também o programa Say Na Something To Anupam Uncle. Ele também estava apresentando o programa para a campanha do Lead India, levada adiante pelo jornal Times of India.

Ele também foi o presidente do Indian Film Censor Board, que na prática realiza as polêmicas censuras nos filmes produzidos na Índia. Hoje ele foi substituído pela Sharmila Tagore. Também de 2001 a 2004, Anupam foi diretor da National School of Drama, onde se formou em 1978.

E por fim, no ano de 2007, Anupam fundou uma produtora, chamada Karol Bagh Productions, dirigida hoje por ele e por sua esposa, a atriz Kirron Kher, com quem se casou em 1985, após divorciar-se de sua primeira esposa, Madhumalati.
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terça-feira, 28 de julho de 2009

Lead India

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Há tempos que muita gente chega no Cinema Indiano procurando no google pelo vídeo do menino indiano empurrando uma árvore, graças à postagem que fiz sobre o trio SEL (Shankar-Ehsaan-Loy), onde citei esse vídeo feito por eles.

Como a procura vem crescendo e como oficialmente nós agora também publicamos as peças publicitárias da Índia, resolvi fazer esta postagem exclusivamente para falar sobre a campanha Lead India criada pelo jornal The Times of India (TOI) nas comemorações dos 60 anos da independência da Índia.

Essa campanha surgiu com o intuito de encontrar escondido na imensa população indiana um novo líder capaz de dar voz às necessidades do povo e transformar o país. Para tanto, um programa de TV foi criado na STAR One (aos sábados, às 20h), onde pessoas de 25 a 45 anos participam de competições de perguntas e respostas e desempenho pessoal. Esse tipo de atividade não é novidade na Índia; nas universidades por todo o país os estudantes costumam realizar esses tipos de competições para definir um líder dentre eles.

O programa de TV já selecionou até agora oito pessoas - homens e mulheres -, de todos os cantos do país, e que serão por fim colocados à prova para ver quem será o grande líder. E quem apresenta o programa é o veterano de Bollywood, Anupam Kher, por alguns reconhecido por seu excelente papel em Maine Gandhi Ko Nahin Mara.

Quando o TOI iniciou a campanha, ela chamava-se Poison India e o trio SEL foi contratado para criar o tema da campanha, que se chamou Tum Chalo To Hindustani Chale e acabou resultando nesse vídeo:



Depois desse primeiro vídeo, que o próprio trio SEL aparece cantando no alto de um prédio, a segunda fase da campanha veio com mais força e mais motivação. Foi daí que foi criado o novo vídeo com uma nova música do trio, dessa vez com um apelo motivacional muito maior. É justamente o vídeo que acabou ficando famoso, do menino empurrando uma árvore que está caída no meio da rua, impedindo por completo o trânsito. Até que o menino decida por si mesmo empurrar a árvore, todas as pessoas estavam paradas e irritadas, como se a solução para o problema não pudesse estar em suas mãos - e isso é uma característica fortemente indiana, que pode chegar ao cúmulo de uma pessoa recém-atropelada não receber ajuda de ninguém. A ideia da campanha é justamente tentar reverter esse aspecto cultural em verdade muito vergonhoso. E aqui vai o vídeo, chamado Tree (Árvore):



Ambos os vídeos foram feitos pelo escritório indiano da gigante multinacional de publicidade JWT, em Mumbai. Em 2008, a campanha Lead India ganhou um prêmio no Festival de Cannes dado a peças integradas, ou seja, que têm ampla difusão por diferentes mídias ao mesmo tempo, como TV, cinema e internet. No mesmo ano, a campanha também levou o prêmio do The CUP Awards, dado a produções que tenham como eixo central aspectos da cultura local.

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sábado, 31 de janeiro de 2009

Maine Gandhi Ko Nahin Mara (2005) - मैंने गाँधी को नहीं मारा




Neste último dia 30 de janeiro de 2009 fez exatos 61 anos o assassinato de Mohandas Karamchand Gandhi - o Mahatma. E de repente lembrei de um filme muito interessante que aborda esse fato de uma maneira bem diferente da usual, sobretudo vindo de onde veio - Bollywood.

Este filme chama-se Maine Gandhi Ko Nahin Mara (Eu não matei Gandhi) e foi lançado na Índia no ano de 2005. Escrito e dirigido por Janhu Barua, o filme conta com o excelente Anupam Kher, no papel principal do professor de hindi Uttam Chaudhary, e Urmila Matondkar, interpretando Trisha, a filha do professor.

O professor Chaudhary é viúvo, está já aposentado e mora com seus dois filhos, Trisha e Karan, já grandes. Aos poucos, ele começa a se comportar de maneira estranha, sobretudo relacionado à imagem de Gandhi. Em um dado momento, alguém coloca uma xícara sobre a foto de Gandhi em um jornal e ele tem um ataque. Logo sua insanidade vai ficando evidente e ele começa a repetir "Eu não matei Gandhi! Eu não matei Gandhi!". Preocupados, seus filhos o levam ao médico, que diz nada poder ser feito. Num certo dia, Uttam diz que ele pode ter matado Gandhi sem querer com sua arma de brinquedo, que poderia ter balas reais.

Com essa informação, Trisha vai à procura de seus tios para tentar descobrir alguma coisa da infância de seu pai, à época da morte de Gandhi. Seus tios lhe dizem que quando criança, Uttam costumava brincar com seus amigos de jogar bexigas com água em fotos de pessoas. Um dia uma das crianças achou uma foto de Gandhi, que ainda era vivo, e Uttam logo arremessou a bexiga nele. Neste mesmo instante, seu pai, um fanático venerador de Gandhi, viu a cena e duramente repreendeu a atitude do filho, dizendo que aquilo era uma extrema falta de respeito ao Mahatma. O menino Uttam ficou profundamente chateado com isso, mas o pior vinha depois. Neste mesmo dia Gandhi foi assassinado. Seu pai prepara uma homenagem em sua casa chamando outros veneradores, e em certo momento, enquanto estão todos entoando mantras em honra à alma de Gandhi, Uttam aparece na sala e seu pai olha para ele com cara de que culpava seu filho pelo que havia ocorrido.

E agora, décadas depois, esse fato saía do inconsciente de Uttam, deixando-o louco por realmente achar que foi ele quem matou Mahatma Gandhi, em 1948. O filme é razoavelmente simples, mas muito bom e com excelentes atuações. No entanto, por não ter nenhum ator de peso e por tratar de um tema EXTREMAMENTE complexo pra um indiano comum, ele não fez sucesso nenhum. Alguns indianos que entenderam um pouquinho mais sobre a complexidade da mente, ficaram super empolgados com o filme e adoravam discutir entre si sobre a "profundidade" do tema. Para nós, que a realidade da psicologia está presente, o filme é fácil de compreender; mas para os indianos, que não sabem nem o que faz um psicólogo, esse filme não faz muito sentido. Ah, e além de tudo, esse filme não tem as tradicionais cenas de song-and-dance típicas de Bollywood, e nem sequer clipes com músicas não há. Isso já basta pra fazer com que um filme seja lançado fadado ao fracasso na Índia.

Anupam Kher ganhou o Prêmio Especial do Juri no National Film Awards, por sua atuação. Já Urmila Matondkar foi agraciada com o prêmio de Melhor Atriz pelo Bollywood Movie Awards. Eu gostaria de postar aqui o trailer do filme pra vocês, mas como o YouTube depende das pessoas para ter seus vídeos publicados e como as pessoas não gostaram desse filme, então não haverá aqui o vídeo pra vocês. Existe lá, na verdade, um vídeo com as últimas cenas do filme e uma outra parte em que é recitado um poema conhecido na Índia. Mas ambos os vídeos estão em hindi, então não os postarei. De qualquer maneira, embora simples, o filme é, sim, bom. Eu recomendo!