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domingo, 26 de abril de 2009

A.R. Rahman - ஏ.ஆர்.ரகுமான்

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Estou devendo já faz tempo uma postagem sobre o mestre indiano das trilhas sonoras, A.R. Rahman.

Rahman nasceu no dia 6 de janeiro de 1966 e foi batizado como A.S Dileep Kumar, em Chennai (antiga Madras), capital do Tamil Nadu, no sul da Índia. Seu pai, R.K. Shekhar, era um músico e trabalhava há tempos na produção de trilhas sonoras para os filmes malayalam, no estado vizinho do Kerala. Embora seu pai fosse hindu, sua mãe, Kareema, era de família muçulmana. Seu pai morreu cedo e Rahman ficou somente aos cuidados de sua mãe. Em 1989, como forma de agradecer a todo o carinho que dela recebeu, converteu-se ao islamismo, seguinto a linha Sufi, sendo então rebatizado como Allah Rakha Rahman. Hoje é casado com Saira Banu e tem três filhos: Khadijah, Rahima e Aameen.

Ainda jovem, começou a trabalhar tocando teclado em bandas de rock do Chennai e fundou o grupo Nemesis Avenue. Nessa banda, tocava teclado, piano, harmônica e violão, além de ter aprendido a dominar o sintetizador. E foi aprendendo a usar o sintetizador que ele ficou mais curioso com o mundo da música, experimentando o que a tecnologia podia fazer.

Logo cedo também foi ter aulas com o Mestre Dhanraj, um famoso professor de música do Chennai. A partir dele, acabou sendo tecladista do grupo de Ilaiyaraaja aos 11 anos de idade. Em seguida, com seu reconhecimento, foi tocar na orquestra de M.S. Viswanathan e Ramesh Naidu, que rodou o mundo fazendo apresentações. Finalmente, o seu talento rendeu-lhe uma bolsa na Trinity College of Music, no Reino Unido, onde graduou-se em Música Clássica Ocidental.

De volta pra Índia, Rahman criou seu estúdio nos fundos de sua casa, em 1992, chamado Panchathan Record Inn, que posteriormente tornou-se o mais avançado estúdio de música de toda a Índia. Incialmente, seu estúdio compunha jingles para peças publicitárias e para programas de televisão da Índia. No entanto, no mesmo ano, o diretor de cinema tamil Mani Ratman convidou-o a fazer a trilha do filme Roja. A trilha foi tão bem sucedida que Rahman levou o prêmio Rajat Kamal de Melhor Trilha Sonora no National Film Awards, a primeira vez que isso ocorria para um compositor estreante. Depois disso, ele levou o mesmo prêmio mais três vezes (também recorde pra um compositor indiano), para Minsaara Kanavu (1997), Lagaan (2002) e Kannathil Muthamittal (2003).

A trilha de Roja, na verdade, criou um novo marco na história do cinema indiano, com letras e composições mais trabalhadas. Como o filme foi filmado também em outras línguas indianas para ser passado em todo o país, da mesma maneira Rahman fez as mesmas músicas nas diferentes línguas. Ele foi em seguida premiado pelas trilhas de Gentleman, Kandhalan e Bombay, este último que disparou sua fama, com a música tema do filme.

Em 1995, o filme Rangeela, de Ram Gopal Varma, marcou sua estreia em Bollywood e seus primeiros prêmios pelo Filmfare Awards, de melhor trilha sonora e melhor compositor estreante. Depois fez sucesso com Taal e Dil Se (a música Chaiyya Chaiyya, desse último filme, foi classificada como a nona música entre as dez melhores de todos os tempos, de acordo com o BBC World Service), ambos rendendo de novo prêmios de melhor trilha sonora pelo Filmfare Awards. Alguns diretores confessam que não conseguem mais fazer filmes sem ter Rahman como o compositor das músicas. O próprio Ratnam, do estreante Roja, nunca usou outro músico além de Rahman. Ashutosh Gowariker, após tê-lo em Lagaan, permaneceu com ele em Swades e em Jodhaa Akbar. As trilhas dos três filmes da Trilogia dos Elementos de Deepa Mehta foram feitas por Rahman. Rakesh Omprakash Mehra, também após chamá-lo para a trilha de Rang De Basanti, tornou a chamá-lo para Delhi 6. Foi Rahman que fez a trilha de filmes como Mangal Pandey, Guru, Jaane Tu Ya Jaane Na e o sucesso Ghajini.

Neste ano de 2009, porém, A.R. Rahman ficou internacionalmente conhecido por ter feito a trilha sonora de Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire) e levar consigo os Oscars de melhor trilha sonora e de melhor música, por Jai Ho. Mas essa não foi a estreia de Rahman no Oscar e menos ainda em um filme não indiano. Duas de suas músicas em Rang De Basanti concorreram ao Oscar de melhor música original, mas não levaram o prêmio. Em 2003, fez a trilha para o filme chinês Warriors of Heaven and Earth. E o filme americano
Elizabeth: The Golden Age, com Cate Blanchett, teve trilha sonora composta conjuntamente com Rahman e Craig Armstrong, em 2007.

Em 2005 ele resolveu ampliar seus estúdios, criando a AM Studios, em Chennai, agora considerado o melhor estúdio de toda a Ásia. No ano seguinte ele criou também seu próprio selo, o KM Music.

Nas suas músicas, Rahman tenta fazer uma convergência das músicas clássicas indianas, com a música ocidental, seja a clássica, sejam as populares, como o rock, o reggae, o jazz e o rap. No total, já levou até agora 34 prêmios, sendo 2 óscares.

Assim como o trio SEL, Rahman também está envolvido com obras sociais, focando desde as crianças desprotegidas da Índia, até as famílias afetadas pelo tsunami em 2004. Ele também criou uma composição para o hino nacional indiano, o Jana Gana Mana, que hoje passa nos cinemas da Índia antes de os filmes começarem. Em 2006, fez a música do vídeo de campanha do projeto The Banyan, que resgata mulheres de rua com problemas mentais em Chennai. Em 2008, criou a música Jiya se Jiya, para a campanha Free Hugs na Índia, que hoje passa em quase toda a Índia.

E aqui vai o site oficial de Rahman.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Roja (1992) - ரோஜா

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Outro filme que estava na III Mostra Bollywood e Cinema Indiano de São Paulo foi Roja (1992), escrito e dirigido por Mani Ratnam e com música de A.R. Rahman. Esse filme é originalmente tamil, mas foi em seguida refilmado em hindi, malayalam, marathi e telugu.

Roja teve uma importância especial para ambos Ratnam e Rahman. Para Ratnam, esse filme foi responsável por colocá-lo no mapa do cinema indiano, dando a ele o prêmio Nargis Dutt, dado pelo National Film Awards para o melhor filme no tema da integração nacional, e também os prêmios de melhor diretor e melhor filme pelo Filmfare Awards South (a premiação do cinema indiano para os estados do sul). Além disso, Roja foi indicado ao prêmio de melhor filme no Festival Internacional de Cinema de Moscou. Para Rahman, esse filme foi nada mais que sua estreia à frente de uma trilha sonora, já dando a ele o prêmio de melhor trilha sonora pelo National Film Awards e pelo Filmfare Awards South. No ano de 2005, a revista estadunidense divulgou uma lista das dez melhores trilhas sonoras de todos os tempos, na qual a trilha deste filme estava incluída. A partir de então A.R. Rahman saltou de Tamil Nadu e tornou-se a referência suprema das trilhas sonoras de todas as indústrias cinematográficas indianas, sobretudo após o sucesso do filme Bombay (1995).

Bom, mas apesar disso tudo, eu não gostei muito do filme. A história é a seguinte: Roja (Madhoo) é da pequena vilda de Sundarapandianpuram, no Tamil Nadu, e casa-se com Rishi Kumar (Arvind Swamy), com quem vai morar na capital Chennai (tudo isso após algumas confusões familiares antes do casamento, típico do cinema indiano). Rishi é um renomado criptologista e é chamado pelo governo indiano pra passar um tempo na Caxemira para ajudá-los a decodificar algumas mensagens trocadas pelos terroristas islâmicos paquistaneses de lá, que lutam pela autonomia da região. Mas como fazia apenas uma semana que Rishi e Roja haviam se casado, ela insiste muito em ir junto e acaba conseguindo. Na Caxemira, Rishi acaba sendo sequestrado pelos terroristas, que exigem a libertação do Wasim Khan, um terrível terrorista preso pela Índia. A partir desse ponto, a história desenrola-se mostrando a luta de Roja para encontrar Rishi e a fidelidade de Rishi por sua pátria-mãe, a Índia.

Acontece que a maneira com que toda essa parte acontece é tão falsa que eu não conseguia sensibilizar-me pelo tema. Um exemplo de absurdo é quando Roja simplesmente vai junto do exército indiano dentro da vila em que estão os terroristas, louca pra encontrar seu marido, percorrendo, sozinha, as vielas repletas de terroristas com metralhadoras. Além de tudo, ainda que o filme tente mostrar que a luta dos paquistaneses pela Caxemira resulte em muito mais sofrimento desnecessário do que qualquer outra coisa, Ratnam pecou em fazer uma apologia muito forte da supremacia indiana que também não é real. Quem conhece a história da Índia sabe que a partição de Índia e Paquistão não foi simples, muito pelo contrário. E pior, o filme passou - ao menos pra mim - uma imagem terrível dos muçulmanos, em benefício dos hindus, supostamente bonzinhos. Existe também um certo debate a respeito de até que ponto o governo deve ceder aos pedidos dos terroristas, mas como o próprio filme chama-se Roja, é óbvio que os desejos e a devoção incondicional de Roja têm que falar mais alto. E indiano simplesmente adora ver no cinema o amor incondicional e o patriotismo. Deu certo.

As músicas de Rahman que o projetaram são de fato bonitas, mas configuraram-se quase que como hinos nacionais da Índia, de embasamento fortemente patriótico. As músicas falam da supremacia indiana, da unidade na diversidade, coisas que os indianos tanto se gabam, mas o problema maior de tudo é o fato de deixar os muçulmanos com uma imagem muito negativa. Tanto é que no lançamento do filme Bombay, três anos depois, a casa de Ratnam foi atingida por uma bomba.

Como não encontrei um trailer do filme, resolvi colocar aqui uma cena que ficou clássica desse filme, em que Rishi, ainda preso com os terroristas, vê que um dos caras pega uma tocha e vai botar fogo da bandeira indiana. Revoltadíssimo com o que estava acontecendo, Rishi arrisca a própria vida e sai correndo pra impedir que a bandeira de sua pátria fosse queimada, atirando-se em cima dela, que já estava em chamas. E a música de fundo fica repetindo que a Índia não pode ser dividida, que ela é da Caxemira ao Kerala, do Gujarat ao Assam... quase um Jana Gana Mana.