quinta-feira, 15 de abril de 2010
Vidya Balan - வித்யா பாலன்
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Turbulências no Cinema Malayalam
Encontrei na net dois artigos que falam sobre os maus bocados por que passa a indústria de cinema malayalam, do Kerala, um dos quatro estados sulinos da Índia. A situação é tão grave que um dos artigos tem como tema a séria decisão que os maiores produtores malayalam estão pensando em tomar, de mudar seus escritórios pra Chennai, no estado vizinho de Tamil Nadu, onde o cinema, ao contrário, fortemente prospera com Kollywood. O outro artigo (o primeiro que aparece na ordem abaixo), fala justamente do desagravo dos trabalhadores do cinema do Kerala em relação aos produtores. Vale dizer que o Kerala é um estado com forte base socialista na política e na população, o que os fazem por um lado terem uma taxa de 100% de alfabetização (a maior da Índia), mas por outro lado um dos maiores índices de greves da Índia.
Bom, agora confiram os artigos já traduzidos:
A indústria de filmes malayalam passa por maus momentospor Akhel Mathew, da Gulfnews.com (30 de abril)
Thiruvananthapuram: A indústria de filmes malayalam, que anda em crises financeiras nos últimos anos, vem enfrentando crescentes brigas entre diversos setores dos trabalhadores dessa indústria.
O último grupo que levantou os braços foi o Malayalam Cinema Technicians' Association Federation (MACTA), que é afiliada à All India Trade Union Congress (AITUC). A Macta ameaça entrar em greve no meio de maio pra protestar contra um suposto não cumprimento das leis trabalhistas no setor de cinema do Kerala.
O presidente da Macta, Vinayan, e o secretário geral da AITUC, Kanam Rajendran, disseram que as demandas ainda incluem pedidos de aumentos salariais para os técnicos. Eles afirmam que a Associação dos Produtores de Filmes e a Câmara de Filmes do Kerala estão indo contra as necessidades laboriais de seus funcionários.
Uma rodada de conversas que havia sido marcada pra quarta-feira com a presença do Comissariado do Trabalho acabou não ocorrendo efetivamente já que os representantes da associação dos produtores não compareceram. Os representantes da Macta estão agora planejando dar um indicativo de greve à associação dos produtores e fazer uma convenção em Kochi, no dia 9 de maio, antes de decidirem realmente pela greve geral no meio do mês. A ideia da convenção em Kochi é ressaltar as necessidades de proteger os direitos dos trabalhadores do cinema, disseram os representantes da Macta.A indústria de cinema malayalam vem enfrentando sérios problemas desde o ano passado, quando a Macta rompeu e um novo grupo surgiu, chamado Film Employees Federation of Kerala. Mas isso, por sua vez, já ocorreu por causa dos problemas financeiros que já estavam na pauta do dia.
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Maiores produtores malayalam planejam mudar suas bases para o Chennai
por N.J. Nair, do The Hindu (24 de abril)
Thiruvananthapuram: Os maiores produtores da indústria de filmes malayalam estão seriamente pensando na possibilidade de mudarem suas operações para Chennai, por causa dos descontentamentos dos trabalhadores e das brigas entre as associações do Kerala.
Os distúrbios frequentes, brigas entre diferentes setores e o banimento imposto unilateralmente a alguns artistas está ameaçando gravemente o balanço financeiro do cinema malayalam, que tem um retorno anual de cerca de 3 bilhões de rúpias (cerca de 150 milhões de reais) e emprega cerca de 100 mil pessoas.
A produção de um filme custa algo em torno de 1,5 a 2 milhões de reais. Enquanto a indústria emprega 50 mil pessoas diretamente, outras 50 mil são indiretamente empregadas, se não for mais. De 60 a 70 filmes feitos no Kerala incentivaram a hospitalidade do povo malayalam, além de dar incremento a outros setores. Fontes do cinema malayalam disseram ao The Hindu que os benefícios oferecidos pelo governo local, aliados à vontade de produtores, atores e técnicos de produzirem em sua terra natal havia feito o cinema malayalam ser produzido no Kerala [nota do Ibirá: essa história de indústrias regionais produzirem em outros estados já não é de hoje, principalmente em relação à indústria malayalam, que outrora já produziu em Chennai].
Forte Ruptura
Mas as grandes diferenças de opinião entre as tantas organizações e os percalços por eles impostos às filmagens vêm fazendo os produtores pensarem bem a respeito da possibilidade de retornarem a Chennai mais uma vez. O encolhimento do mercado e a crise econômica já estava fazendo eles cogitarem esta possibilidade. A produção de filmes no Kerala caiu de 150 pra 60 por ano e os retornos das bilheterias têm caído na mesma proporção.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Cinco melhores filmes malayalam de 2008
Aakashagopuram (Castelo no Ar), de K.P. Kumaram. Esse filme não teve boa aceitação do público, já que é um filme sério e trata de um tema demais subjetivo para a mente indiana comum. Confira o trailer:
Thalappavu, de Madhupal. De novo um filme sério, mas dessa vez tratando-se de uma história real ocorrida na década de 70. Conta o caso de um assassinato provocado por um policial na época dos movimentos comunistas do sul da Índia. Essa história acabou sendo mais aceita pelo público já que o Kerala é tradicionalmente um estado socialista. Mas além disso, o papel principal é do famosíssimo ator malayalam Prithviraj.
Thirakkatha (Roteiro), de Renjith. Esse filme teve também boa aceitação do público ao fazer uma homenagem às atrizes que fizeram a história no cinema Malayalam.
Veruthe Oru Bharya, de Akku Akbar. O segundo maior sucesso o cinema malayalam no ano, essa comédia conta sobre as confusões de uma dona de casa e seu marido.
Twenty:20, de Joshy. Eu falei sobre este filme no dia 15 de julho de 2008. Na época o filme ainda não havia sido lançado e o título da postagem era "Twenty:20 - O Mega Sucesso ainda não lançado no Kerala". E de fato o filme, ao ser lançado, foi o maior sucesso do ano. É uma superprodução com os maiores astros do cinema malayalam, feito para resgatar o cinema do Kerala. É o mais bollywoodiano dos cinco filmes dessa lista; a receita dá certo, fazer o quê...
sábado, 4 de outubro de 2008
O Cinema Proibido
sábado, 13 de setembro de 2008
Cinema Independente


Muito além dos infinitos “woods” das indústrias regionais de cinema da Índia, existe também o cinema paralelo indiano, como chamam. São criações de diretores independentes, em sua maioria com produtoras próprias, mas nem sempre classificados como cinema de arte (muito embora, ao menos no Brasil, as videolocadoras coloquem até mesmo filmes de Bollywood na sessão de Arte). Apesar de grande parte do cinema independente indiano ter sido produzido em estados como West Bengal (bengalês) e Kerala (malayalam), são os diretores de filmes em hindi que acabam fazendo, hoje, mais sucesso no exterior, destacando-se Mira Nair e Deepa Mehta.
Dos anos 50 aos 80, havia apoio financeiro, por parte do governo, para as produções paralelas do cinema indiano. Foi desse período que saiu a obra que até hoje é reconhecida como o melhor exemplo do cinema de arte indiano, a Trilogia de Apu, de Satyajeet Ray (veja postagem exclusiva sobre este diretor bengalês). Mas antes de Ray, foram pioneiros no cinema paralelo indiano os diretores Khwaja Ahmad Abbas, Chetan Anand, V. Shantaram e Bimal Roy. Também já citado anteriormente, destacaram-se no cinema de arte os malayalam Adoor Gopalakrishnan e M.T. Vasudevan, dentre outros já mencionados.
Principalmente nos anos 50 e 60, primeiras décadas pós-independência, o governo tinha interesse no financiamento de filmes sérios, que pudessem retratar, de modo realista, a vida indiana, e, eventualmente, construir uma identidade nacional, ou regional. Em verdade, esse era um movimento mundial, num planeta pós-guerra. No Brasil, nossa suposta identidade nacional foi, também, forjada nesse mesmo momento.
Hoje a produção independente da Índia não é mais tão produtiva quanto já foi um dia. Em parte, isso é reflexo da falta de investimentos públicos para isso, em parte por falta de interesse do próprio público indiano e, talvez, em parte também pela recente mudança nos filmes comerciais, que estão, gradualmente, ficando mais sérios e bem elaborados. Os antigos filmes de arte acabam, hoje, servindo como ótimos instrumentos de análise para os estudantes universitários e pesquisadores, que os utilizam como referências para estudos de mudanças demográficas, comportamentais e socioeconômicas da população indiana, tal eram seus realismos.
Como já ressaltado, o cinema paralelo da Índia é hoje reconhecido pelas obras de duas indianas, Deepa Mehta e Mira Nair. A primeira ficou famosa por sua trilogia Fire, Earth e Water, este último indicado ao Oscar de melhor filmes estrangeiro em 2007. Já os filmes de Nair são bem mais ao estilo ocidental de Hollywood (ela mesma mora hoje em Nova Iorque) e, de forma geral, seguem um tema comum que é mostrar o conflito sociedade indiana-sociedade ocidental. No entanto, o que mais fez sucesso é Monsoon Wedding (Um Casamento à Indiana), de tema completamente indiano.
sábado, 12 de julho de 2008
Cinema Malayalam - മലയാളം സിനിമ

Não, a foto acima não é no nordeste brasileiro, mas no estado indiano do Kerala, na costa sudoeste do país. As palmeiras de coco são originais dali, trazidas ao Brasil pelos portugueses na época das grandes navegações. Em troca, os portugueses levaram à Índia o nosso caju e a nossa mandioca, que são por lá chamados kaju e tapyok.
O cinema malayalam está sediado neste estado das palmeiras de coco. Embora menor e mais pobre que seu estado vizinho do Karnataka, o cinema malayalam é muito mais próspero e também um pouco mais antigo.
Para quem não sabe, o Kerala se destaca na Índia por três características bem distintas: praias, medicina ayurvédica e socialismo. Praias e ayurveda estão mais ou menos relacionadas no sentido que são esses os dois principais fatores que atraem turistas estrangeiros para aquele estado (para quem não sabe o que é ayurveda, sugiro pesquisar no blog da Prof. Sandra Bose; procurando o tag com esse nome você encontrará bons artigos sobre isso). O socialismo, no entanto, não tem a ver com os últimos dois fatores, embora os turistas costumem perceber o apelo comunista nas bandeiras por vezes espalhadas pelas ruas das maiores cidades malayalis. Mas, é este o principal tema por trás dos filmes produzidos no Kerala, reproduzindo temas sociais e problemas familiares, sendo, assim, considerados mais realistas do que os filmes de Bollywood.
O primeiro filme malayali, Vigathakumaran, foi lançado em 1928, dirigido e produzido por um empresário que nunca tinha tido experiências na área. O segundo, chamado, Marthanda Varma, foi produzido em 1933, mas jamais foi lançado devido a problemas legais na época. Em 1938, finalmente, o primeiro filme falado do Kerala foi lançado e chamava-se Balan. O diretor S. Nottani, porém, não tinha escolha e teve que filmar sua produção no estado vizinho, de Tamil Nadu. Assim ficou por mais uma década quando, em 1947, foi fundado o primeiro estúdio no Kerala, chamado Udaya.
Desde os tempos do Império Britânico os filmes malayalis eram feitos com temas de abordagem social. Jeevithanauka (1951), abordava a questão da briga de egos dentro de uma casa indiana típica, ou seja, uma joint family (duas famílias ou mais vivendo juntas, geralmente de irmãos que casaram e permanecem na casa). O filme foi o primeiro grande sucesso no Kerala. Ironicamente, porém, os filmes feitos após Jeevithanauka copiaram a mesma fórmula de sucesso, o que acabou minando a criatividade que vinha se desenvolvendo no cinema malayalam.
Em 1954 foi lançado Neelakkuyil, filme que se tornou nacionalmente reconhecido após receber a medalha de prata do Presidente e foi considerado o primeiro filme autenticamente malayali. Ele foi escrito por Uroob e dirigido pela dupla P. Bhaskaran e Ramu Kariat. À parte a falta de criatividade que ainda vingava, em 1955 foi lançado o Newspaper Boy, contando a história de um garoto que trabalhava numa gráfica e sua família extremamente pobre, utilizando-se de recursos do neorealismo italiano. Dez anos depois, o filme Chemmeen, dirigido por Ramu Kariat, ganhou as ruas da Índia após ganhar um prêmio nacional. O filme conta a história de um pescador, numa vila de pescadores, que acredita que a boa pescaria depende da fidelidade de sua esposa o aguardando na praia no final de todo dia – remontando, assim, ao mito da mãe-mar que preserva e destrói a vila.
Como nos outros estados indianos, nos anos 70 surge a nova era do cinema malayalam, com diretores apontando para o cinema de arte. Swayamvaram (1972), de Adoor Gopalakrishnan, ficou internacionalmente conhecido, mas foi Nirmalyam (1973), de M.T. Vasudevan, que ganhou a medalha de ouro do Presidente para o melhor filme do ano. Em 1981, Gopalakrishnan lançou Elipathayam, que ganhou o prêmio de melhor filme do British Film Institute.
No entanto, os filmes produzidos na segunda metade da década de 80 é que criaram a era de ouro no cinema malayalam. As produções dessa época primaram em detalhes e sensibilidade nos temas abordados, aliados às boas técnicas de filmagem e direção. Destacam-se os filmes Namukku Parkkan Munthiri Thoppukal (1986), de Padmarajan, e Perumthachan (1990), de Ajayan. Os filmes da era de ouro renovaram a criatividade malayali, percorrendo desde temas melancólicos até boas comédias.
Na década de 90, porém, o cinema malayalam adotou o apelo popular de Bollywood, mas sem perder em qualidade. O filme Swaham (1994), por exemplo, foi o primeiro do Kerala a ser indicado no Festival de Cannes. Nos anos recentes, a produção da região voltou a perder a criatividade e começou a produzir apenas comédias sem qualidade, com pouquíssimas exceções. O resultado disso é que as produções de Bollywood e do estado vizinho de Tamil Nadu estão, no momento, na preferência do povo malayali.




