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quinta-feira, 15 de abril de 2010

Vidya Balan - வித்யா பாலன்

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Vidya Balan é uma das atrizes mais simpáticas e carismáticas do cinema indiano, tendo conquistado o público desde seu começo no cinema, no ano de 2003.

Vidya, diferentemente da maior parte dos atores e atrizes de Bollywood, não é nativa da língua hindi. Ela nasceu no sul da Índia, no estado do Kerala, cuja língua é o malayalan, embora sua família falasse a língua tamil, do vizinho estado do Tamil Nadu. Nasceu na cidade de Palakkad, vindo de presente no dia primeiro de janeiro de 1978.

Seu pai, P.R. Balan, é vice-presidente do canal de televisão ETC e isso foi a porta de entrada garantida para Vidya. Logo cedo foram morar em Mumbai, onde Vidya estudou na escola St. Anthony e depois cursou sociologia na St. Xavier College. Posteriormente, enquanto fazia seu mestrado na Universidade de Mumbai, recebeu seu primeiro de uma série de convite confusos pra fazer um filme.

O primeiro convite foi para o filme malayalam Chakram, que acabou sendo cancelado antes que começasse. No entanto, em seguida, ela foi chamado pro filme tamil Run, mas acabou sendo trocada pela atriz Meera Jasmine, sem mais, nem menos. Pouco depois, Chakram foi resgatado e, de novo, ela acabou sendo trocada por Meera Jasmine de novo. Daí, na sequência, ela foi chamada pra outro filme tamil, Manasellam, mas foi de novo trocada, dessa vez pela atriz Trisha Krishnan.

O processo pra entrar no cinema estava tão bichado que ela então migrou pra comerciais de televisão. De 1998 em diante, ela conseguiu aparecer em dezenas de comerciais, grande parte deles dirigidos por Pradeep Sarkar. Ao mesmo tempo, apareceu também como coadjuvante em clipes de música.

Finalmente, em 2003 ela foi convidada para o filme benaglês Bhalo Theko, de Goutam Halder, que não só deu certo, como ela levou um prêmio local de melhor atriz pela atuação. E daí já foi direto pra Bollywood com o sucesso Parineeta, em 2005, ao lado de Sanjay Dutt e Saif Ali Khan, pelo qual levou o Filmfare e o IIFA de melhor atriz estreante.

Após o duplo sucesso, o mesmo produtor que havia lhe rejeitado em Manasellam correu atrás dela pra que ela protagonizasse a superprodução tamil Dasvathaaram. Mas Vidya devolveu com a mesma moeda e recusou o convite. Ela tinha agora olhos pra outra produção de Bollywood, Lage Raho Munna Bhai, com Sanjay Dutt, que, embora não tenha lhe garantido prêmio algum, foi o segundo maior sucesso de 2006 e um marco social na história da Índia.

Em 2007, então, Vidya foi escalada para o filme Guru, de Mani Ratnam, ao lado de Abhishek Bachchan e Aishwarya Rai, no qual ela fazia uma mulher com esclerose múltipla. Em seguida, ainda no mesmo ano, apareceu em mais quatro filmes: Salaam-E-Ishq: A Tribute to Love, Eklavya: The Royal Guard, Heyy Babyy e Bhool Bhulaiyaa. Os dois primeiros fracassaram na bilheteria, mas os dois últimos foram muito bem recebidos,  sobretudo porque ambos contaram também com a presença de Akshay Kumar como protagonista.

Em 2008, então, Vidya apareceu em Halla Bol e em Kismat Konnection, que foram razoáveis. No ano seguinte, ela apareceu com um papel em Paa, ao lado de Amitabh e Abhishek Bachchan, levando, finalmente, seu primeiro Filmfare de melhor atriz. Em seguida ela fez Ishqiya, tendo boas críticas de novo.

Nesse momento, a Vidya está concluindo o filme Chenab Gandhi, filmando Chand Bhai e Mukti e já se prepara para No One Killed Jessica.

E a Vidya é uma pessoa muito recatada e não tem a vida pessoal escancarada. Rumores disseram que ela estava saindo com o Vivek Oberoi, que foi logo desmentido. Depois disseram que ela estava de caso com Shahid Kapoor, também prontamente desmentido. Ao que parece, ela não está com ninguém, portanto. Alguém se habilita? E o sortudo tem que já saber de antemão que a Vidya é uma religiosa declarada, comparecendo a templos toda sexta-feira, ao menos.
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quinta-feira, 30 de abril de 2009

Turbulências no Cinema Malayalam

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Encontrei na net dois artigos que falam sobre os maus bocados por que passa a indústria de cinema malayalam, do Kerala, um dos quatro estados sulinos da Índia. A situação é tão grave que um dos artigos tem como tema a séria decisão que os maiores produtores malayalam estão pensando em tomar, de mudar seus escritórios pra Chennai, no estado vizinho de Tamil Nadu, onde o cinema, ao contrário, fortemente prospera com Kollywood. O outro artigo (o primeiro que aparece na ordem abaixo), fala justamente do desagravo dos trabalhadores do cinema do Kerala em relação aos produtores. Vale dizer que o Kerala é um estado com forte base socialista na política e na população, o que os fazem por um lado terem uma taxa de 100% de alfabetização (a maior da Índia), mas por outro lado um dos maiores índices de greves da Índia.

Bom, agora confiram os artigos já traduzidos:

A indústria de filmes malayalam passa por maus momentos
por Akhel Mathew, da Gulfnews.com (30 de abril)

Thiruvananthapuram: A indústria de filmes malayalam, que anda em crises financeiras nos últimos anos, vem enfrentando crescentes brigas entre diversos setores dos trabalhadores dessa indústria.

O último grupo que levantou os braços foi o Malayalam Cinema Technicians' Association Federation (MACTA), que é afiliada à All India Trade Union Congress (AITUC). A Macta ameaça entrar em greve no meio de maio pra protestar contra um suposto não cumprimento das leis trabalhistas no setor de cinema do Kerala.

O presidente da Macta, Vinayan, e o secretário geral da AITUC, Kanam Rajendran, disseram que as demandas ainda incluem pedidos de aumentos salariais para os técnicos. Eles afirmam que a Associação dos Produtores de Filmes e a Câmara de Filmes do Kerala estão indo contra as necessidades laboriais de seus funcionários.

Uma rodada de conversas que havia sido marcada pra quarta-feira com a presença do Comissariado do Trabalho acabou não ocorrendo efetivamente já que os representantes da associação dos produtores não compareceram. Os representantes da Macta estão agora planejando dar um indicativo de greve à associação dos produtores e fazer uma convenção em Kochi, no dia 9 de maio, antes de decidirem realmente pela greve geral no meio do mês. A ideia da convenção em Kochi é ressaltar as necessidades de proteger os direitos dos trabalhadores do cinema, disseram os representantes da Macta.

A indústria de cinema malayalam vem enfrentando sérios problemas desde o ano passado, quando a Macta rompeu e um novo grupo surgiu, chamado Film Employees Federation of Kerala. Mas isso, por sua vez, já ocorreu por causa dos problemas financeiros que já estavam na pauta do dia.
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Maiores produtores malayalam planejam mudar suas bases para o Chennai
por N.J. Nair, do The Hindu (24 de abril)

Thiruvananthapuram: Os maiores produtores da indústria de filmes malayalam estão seriamente pensando na possibilidade de mudarem suas operações para Chennai, por causa dos descontentamentos dos trabalhadores e das brigas entre as associações do Kerala.

Os distúrbios frequentes, brigas entre diferentes setores e o banimento imposto unilateralmente a alguns artistas está ameaçando gravemente o balanço financeiro do cinema malayalam, que tem um retorno anual de cerca de 3 bilhões de rúpias (cerca de 150 milhões de reais) e emprega cerca de 100 mil pessoas.

A produção de um filme custa algo em torno de 1,5 a 2 milhões de reais. Enquanto a indústria emprega 50 mil pessoas diretamente, outras 50 mil são indiretamente empregadas, se não for mais. De 60 a 70 filmes feitos no Kerala incentivaram a hospitalidade do povo malayalam, além de dar incremento a outros setores. Fontes do cinema malayalam disseram ao The Hindu que os benefícios oferecidos pelo governo local, aliados à vontade de produtores, atores e técnicos de produzirem em sua terra natal havia feito o cinema malayalam ser produzido no Kerala [nota do Ibirá: essa história de indústrias regionais produzirem em outros estados já não é de hoje, principalmente em relação à indústria malayalam, que outrora já produziu em Chennai].

Forte Ruptura

Mas as grandes diferenças de opinião entre as tantas organizações e os percalços por eles impostos às filmagens vêm fazendo os produtores pensarem bem a respeito da possibilidade de retornarem a Chennai mais uma vez. O encolhimento do mercado e a crise econômica já estava fazendo eles cogitarem esta possibilidade. A produção de filmes no Kerala caiu de 150 pra 60 por ano e os retornos das bilheterias têm caído na mesma proporção.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Cinco melhores filmes malayalam de 2008

O site OneIndia fez uma lista dos cinco melhores filmes de 2008 no estado do Kerala, em língua malayalam. Eles dizem que 2008 não foi um ano "memorável" para o cinema de lá, mas que ao menos cinco obras poderiam ser destacadas, a saber:

Aakashagopuram (Castelo no Ar), de K.P. Kumaram. Esse filme não teve boa aceitação do público, já que é um filme sério e trata de um tema demais subjetivo para a mente indiana comum. Confira o trailer:



Thalappavu, de Madhupal. De novo um filme sério, mas dessa vez tratando-se de uma história real ocorrida na década de 70. Conta o caso de um assassinato provocado por um policial na época dos movimentos comunistas do sul da Índia. Essa história acabou sendo mais aceita pelo público já que o Kerala é tradicionalmente um estado socialista. Mas além disso, o papel principal é do famosíssimo ator malayalam Prithviraj.



Thirakkatha (Roteiro), de Renjith. Esse filme teve também boa aceitação do público ao fazer uma homenagem às atrizes que fizeram a história no cinema Malayalam.



Veruthe Oru Bharya, de Akku Akbar. O segundo maior sucesso o cinema malayalam no ano, essa comédia conta sobre as confusões de uma dona de casa e seu marido.



Twenty:20, de Joshy. Eu falei sobre este filme no dia 15 de julho de 2008. Na época o filme ainda não havia sido lançado e o título da postagem era "Twenty:20 - O Mega Sucesso ainda não lançado no Kerala". E de fato o filme, ao ser lançado, foi o maior sucesso do ano. É uma superprodução com os maiores astros do cinema malayalam, feito para resgatar o cinema do Kerala. É o mais bollywoodiano dos cinco filmes dessa lista; a receita dá certo, fazer o quê...

sábado, 4 de outubro de 2008

O Cinema Proibido


Então quer dizer que você pensa que os indianos são santinhos e puros? Que são recatados e bem comportados? Pois fique sabendo que, embora neguem até não poderem mais, a Índia é também uma prolífica indústria de cinema pornográfico. São os "XXX-Rated movies"... e, lógico, eu não poderia deixar de falar também sobre eles.

É óbvio que não colocarei aqui nenhum trailer de filme pornô indiano, mas apenas essa foto aí acima. Também não considero correto de minha parte colocar aqui links para que vocês chequem por vocês mesmos a existência de tal indústria. Acho que, aos realmente interessados, não há nada que um Google não possa resolver de maneira bem precisa.

No entanto, para tais interessados, é necessário que eu diga algumas coisas, evitando, assim, sustos desnecessários. No padrão indiano de ser (salvo mudanças muito recentes conduzidas por Bollywood) não há exatamente aquela preocupação com a beleza física que o ocidente está acostumado. Quero dizer que você poderá facilmente encontrar excesso de peso, de pelo... enfim, são apenas questões culturais.

Provavelmente também por questões culturais que eu não tenho domínio para explorar, a maior parte da produção pornográfica da Índia está concentrada nos estados do sul, como Kerala, Tamil Nadu e Andhra Pradesh. Um fato é que os povos deste estados são mesmo mais alegres e um pouco mais tolerantes - ainda que este "tolerantes" seja bem relativo. Outro fato é que o sul é mais quente, mas também não necessariamente um "quente" levaria a outro tipo de calor...

Enfim, a informação já está dada. Divirtam-se aos que acharem tais informações úteis para tais fins. Para os outros, nunca esqueçam que mais sábios são aqueles que reconhecem a diversidade humana, sem porém julgá-la!

sábado, 13 de setembro de 2008

Cinema Independente



Muito além dos infinitos “woods” das indústrias regionais de cinema da Índia, existe também o cinema paralelo indiano, como chamam. São criações de diretores independentes, em sua maioria com produtoras próprias, mas nem sempre classificados como cinema de arte (muito embora, ao menos no Brasil, as videolocadoras coloquem até mesmo filmes de Bollywood na sessão de Arte). Apesar de grande parte do cinema independente indiano ter sido produzido em estados como West Bengal (bengalês) e Kerala (malayalam), são os diretores de filmes em hindi que acabam fazendo, hoje, mais sucesso no exterior, destacando-se Mira Nair e Deepa Mehta.


Dos anos 50 aos 80, havia apoio financeiro, por parte do governo, para as produções paralelas do cinema indiano. Foi desse período que saiu a obra que até hoje é reconhecida como o melhor exemplo do cinema de arte indiano, a Trilogia de Apu, de Satyajeet Ray (veja postagem exclusiva sobre este diretor bengalês). Mas antes de Ray, foram pioneiros no cinema paralelo indiano os diretores Khwaja Ahmad Abbas, Chetan Anand, V. Shantaram e Bimal Roy. Também já citado anteriormente, destacaram-se no cinema de arte os malayalam Adoor Gopalakrishnan e M.T. Vasudevan, dentre outros já mencionados.


Principalmente nos anos 50 e 60, primeiras décadas pós-independência, o governo tinha interesse no financiamento de filmes sérios, que pudessem retratar, de modo realista, a vida indiana, e, eventualmente, construir uma identidade nacional, ou regional. Em verdade, esse era um movimento mundial, num planeta pós-guerra. No Brasil, nossa suposta identidade nacional foi, também, forjada nesse mesmo momento.


Hoje a produção independente da Índia não é mais tão produtiva quanto já foi um dia. Em parte, isso é reflexo da falta de investimentos públicos para isso, em parte por falta de interesse do próprio público indiano e, talvez, em parte também pela recente mudança nos filmes comerciais, que estão, gradualmente, ficando mais sérios e bem elaborados. Os antigos filmes de arte acabam, hoje, servindo como ótimos instrumentos de análise para os estudantes universitários e pesquisadores, que os utilizam como referências para estudos de mudanças demográficas, comportamentais e socioeconômicas da população indiana, tal eram seus realismos.


Como já ressaltado, o cinema paralelo da Índia é hoje reconhecido pelas obras de duas indianas, Deepa Mehta e Mira Nair. A primeira ficou famosa por sua trilogia Fire, Earth e Water, este último indicado ao Oscar de melhor filmes estrangeiro em 2007. Já os filmes de Nair são bem mais ao estilo ocidental de Hollywood (ela mesma mora hoje em Nova Iorque) e, de forma geral, seguem um tema comum que é mostrar o conflito sociedade indiana-sociedade ocidental. No entanto, o que mais fez sucesso é Monsoon Wedding (Um Casamento à Indiana), de tema completamente indiano.

sábado, 12 de julho de 2008

Cinema Malayalam - മലയാളം സിനിമ

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Não, a foto acima não é no nordeste brasileiro, mas no estado indiano do Kerala, na costa sudoeste do país. As palmeiras de coco são originais dali, trazidas ao Brasil pelos portugueses na época das grandes navegações. Em troca, os portugueses levaram à Índia o nosso caju e a nossa mandioca, que são por lá chamados kaju e tapyok.

O cinema malayalam está sediado neste estado das palmeiras de coco. Embora menor e mais pobre que seu estado vizinho do Karnataka, o cinema malayalam é muito mais próspero e também um pouco mais antigo.

Para quem não sabe, o Kerala se destaca na Índia por três características bem distintas: praias, medicina ayurvédica e socialismo. Praias e ayurveda estão mais ou menos relacionadas no sentido que são esses os dois principais fatores que atraem turistas estrangeiros para aquele estado (para quem não sabe o que é ayurveda, sugiro pesquisar no blog da Prof. Sandra Bose; procurando o tag com esse nome você encontrará bons artigos sobre isso). O socialismo, no entanto, não tem a ver com os últimos dois fatores, embora os turistas costumem perceber o apelo comunista nas bandeiras por vezes espalhadas pelas ruas das maiores cidades malayalis. Mas, é este o principal tema por trás dos filmes produzidos no Kerala, reproduzindo temas sociais e problemas familiares, sendo, assim, considerados mais realistas do que os filmes de Bollywood.

O primeiro filme malayali, Vigathakumaran, foi lançado em 1928, dirigido e produzido por um empresário que nunca tinha tido experiências na área. O segundo, chamado, Marthanda Varma, foi produzido em 1933, mas jamais foi lançado devido a problemas legais na época. Em 1938, finalmente, o primeiro filme falado do Kerala foi lançado e chamava-se Balan. O diretor S. Nottani, porém, não tinha escolha e teve que filmar sua produção no estado vizinho, de Tamil Nadu. Assim ficou por mais uma década quando, em 1947, foi fundado o primeiro estúdio no Kerala, chamado Udaya.

Desde os tempos do Império Britânico os filmes malayalis eram feitos com temas de abordagem social. Jeevithanauka (1951), abordava a questão da briga de egos dentro de uma casa indiana típica, ou seja, uma joint family (duas famílias ou mais vivendo juntas, geralmente de irmãos que casaram e permanecem na casa). O filme foi o primeiro grande sucesso no Kerala. Ironicamente, porém, os filmes feitos após Jeevithanauka copiaram a mesma fórmula de sucesso, o que acabou minando a criatividade que vinha se desenvolvendo no cinema malayalam.

Em 1954 foi lançado Neelakkuyil, filme que se tornou nacionalmente reconhecido após receber a medalha de prata do Presidente e foi considerado o primeiro filme autenticamente malayali. Ele foi escrito por Uroob e dirigido pela dupla P. Bhaskaran e Ramu Kariat. À parte a falta de criatividade que ainda vingava, em 1955 foi lançado o Newspaper Boy, contando a história de um garoto que trabalhava numa gráfica e sua família extremamente pobre, utilizando-se de recursos do neorealismo italiano. Dez anos depois, o filme Chemmeen, dirigido por Ramu Kariat, ganhou as ruas da Índia após ganhar um prêmio nacional. O filme conta a história de um pescador, numa vila de pescadores, que acredita que a boa pescaria depende da fidelidade de sua esposa o aguardando na praia no final de todo dia – remontando, assim, ao mito da mãe-mar que preserva e destrói a vila.

Como nos outros estados indianos, nos anos 70 surge a nova era do cinema malayalam, com diretores apontando para o cinema de arte. Swayamvaram (1972), de Adoor Gopalakrishnan, ficou internacionalmente conhecido, mas foi Nirmalyam (1973), de M.T. Vasudevan, que ganhou a medalha de ouro do Presidente para o melhor filme do ano. Em 1981, Gopalakrishnan lançou Elipathayam, que ganhou o prêmio de melhor filme do British Film Institute.

No entanto, os filmes produzidos na segunda metade da década de 80 é que criaram a era de ouro no cinema malayalam. As produções dessa época primaram em detalhes e sensibilidade nos temas abordados, aliados às boas técnicas de filmagem e direção. Destacam-se os filmes Namukku Parkkan Munthiri Thoppukal (1986), de Padmarajan, e Perumthachan (1990), de Ajayan. Os filmes da era de ouro renovaram a criatividade malayali, percorrendo desde temas melancólicos até boas comédias.

Na década de 90, porém, o cinema malayalam adotou o apelo popular de Bollywood, mas sem perder em qualidade. O filme Swaham (1994), por exemplo, foi o primeiro do Kerala a ser indicado no Festival de Cannes. Nos anos recentes, a produção da região voltou a perder a criatividade e começou a produzir apenas comédias sem qualidade, com pouquíssimas exceções. O resultado disso é que as produções de Bollywood e do estado vizinho de Tamil Nadu estão, no momento, na preferência do povo malayali.