As coisas conspiram a favor de 3 Idiots. Quando ele foi exibido em fevereiro no CineÍndia, como belo exemplo para o ciclo de então ("A Sociedade Indiana"), a comocão foi geral e os pedidos para que exibíssemos essa obra de novo foram unânimes. Até aquele momento ainda não tínhamos fechado qual seria o ciclo seguinte, mas estávamos convencidos de que provavelmente teríamos que realizar uma sessão especial só para reexibir 3 Idiots.
Acontece que mês vai, mês vem, decidimos que o novo ciclo traria nada mais que As Maiores Bilheterias de Bollywood. E isso não é pouco! Tanto não é pouco que a maior bilheteria dentre todas foi conquistada por este filme que será, finalmente, mostrado mais uma vez no CineÍndia. Assim matamos vários coelhos numa cajadada só (simbólicos, porque sou vegetariano), abrindo com pompa o novo ciclo, e atendendo aos veementes pedidos desse povo querido que quase não se controla quando ouve "aal izz well".
Pois bem, 3 Idiots é mesmo muito especial e se você ainda não conhece é agora a hora de desfazer esse terrível débito. Embora a presença de Aamir Khan seja supostamente "apenas" como ator, é evidente que sua genialidade e capacidade transformadora fez toda diferença tanto no filme, quanto no fato dele ter quebrado os recordes de bilheteria. Em resumo, é imperdível.
Pra quem puder, peço que confirme presença em nossa página no Facebook, aqui.
Queridos, depois de uma longa ausência, reapareço para anunciar não só o meu retorno, mas também o retorno do nosso querido CINEÍNDIA - e em grandíssimo estilo.
Agora em 2011, dando início ao ciclo "A sociedade indiana", começaremos com a maior bilheteria do cinema indiano de todos os tempos: 3 Idiots. Última obra até o momento de Rajkumar Hirani, este filme estreou no começo de 2009 e foi um absoluto fenômeno, provavelmente impossível de ter sido tão bem sucedido não fosse a presença do mestre Aamir Khan no elenco.
3 Idiots conta a história de três amigos que se conhecem na faculdade de engenharia: Rancho, Raju e Farhan. Após terminar o curso, Rancho some e Raju e Farhan saem em busca dele. A genialidade do filme está na capacidade de, com um enredo muito bem humorado e leve, fazer uma crítica muito objetiva ao sistema educacional indiano. E a crítica é tão óbvia que um dos efeitos colaterais da obra - talvez nem tanto inesperado - foi o aumento na taxa de suicídios entre os jovens universitários indianos, que não conseguiram transpor às suas próprias vidas a esperança oferecida por 3 Idiots.
Cineclube CINEÍNDIA 20 de Fevereiro de 2011, às 17h30 Local: CECISP - Centro Cineclubista de São Paulo Rua Augusta, 1239, sala 13 Próximo ao metrô Consolação *GRÁTIS* Informações: 11.9804.4835 (Ibirá) ou 11.9562.5273 (Heber)
Sobre o diretor:
Rajkumar Hirani é jovem diretor, roteirista e montador. Com apenas três filmes no cargo de diretor, seu último trabalho alcançou a maior bilheteria da Índia. Raju, como é carinhosamente conhecido, tem uma característica forte em seus filmes: ele não gosta de prolongar emoções. É comum em seus filmes haver cortes em momentos de emoção, fazendo o expectador rir e chorar logo em seguida. E ele faz isso com maestria.
O Cineclube:
O CINEÍNDIA tem como proposta definir um novo olhar sobre a maior indústria de cinema do mundo. Só em 2009, a Índia contou com 1288 produções, contra apenas 600 da poderosa Hollywood. Rende 1 bilhão de dólares anuais e recebe uma média de 3 bilhões de espectadores por ano.
E engana-se quem pensa que tamanha produtividade significa baixa qualidade. Após pesquisa intensa feita após quatro anos, queremos mostrar a forca e as peculiaridades deste cinema, que difere bastante dos padrões com os quais estamos acostumados, seja americano, latinoamericano ou europeu.
-
Hoje, 2 de outubro de 2009, Mohandas Karamchand Gandhi, o Mahatma, faria seus 140 anos. Há apenas três feriados nacionais fixos na Índia, e hoje, não por menos, é um deles - o Gandhi Jayanti.
Poucos podem dizer sobre a real importância de Mahatma Gandhi na constituição da atual Índia, mas o que realmente importa para hoje é que Gandhi é amado por metade da Índia - a outra metade, porém, o odeia. Mesmo dentre os que o amam, no entanto, a ignorância em relação ao o que ele foi e representou é grande.
E eis que no ano de 2006, a continuação do filme Munna Bhai M.B.B.S (2003) resolveu trazer Gandhi ao tema central de seu roteiro, causando uma pequena revolução silenciosa na juventude indiana. Lage Raho Munna Bhai é uma típica comédia bollywoodiana, mas conseguiu tocar fundo nos indianos, de maneira talvez inesperada. E desde que fundei esse blog prometo falar desse filme e finalmente estou cumprindo!
O filme conta mais uma história do bizarro Murli Prasad Sharma, o Munna Bhai, interpretado por nada mais que Sanjay Dutt, que desta vez apaixona-se por Jhanvi (Vidya Balan), uma locutora de rádio de Mumbai. Todos os dias de manhã, era religioso para Munna Bhai escutar o "Gooooood mooooooorniiiiiiing, Mumbaaaiii" de Jhanvi; ele se derretia.
E então, na oportunidade do Gandhi Jayanti, ela lança um concurso de perguntas sobre o Mahatma e quem acertasse teria a oportunidade de conhecê-la. É a chance de ouro para Munna Bhai, mas... "... quem é Gandhi? Aquele cara que está em todas as notas de rúpia? Ah, ok." Essa observação feita é tipissíssima dentre os jovens indianos, que veem Gandhi em suas rúpias todos os dias, que todos os anos ficam felizes por mais um feriado nacional, mas nada sabem sobre aquele que outrora uniu o país e cuspiu fora os britânicos de lá.
Mas daí Munna Bhai e sua gangue (sim, porque como tanto gosta Bollywood, Munna Bhai pertence ao submundo de Mumbai) raptam alguns professores universitários para que eles ajudassem a responder às perguntas sobre Gandhi. O resultado é que Munna Bhai "acerta" todas as perguntas e então Jhanvi o convida para dar uma espécie de palestra sobre Gandhi a um grupo de idosos.
Munna Bhai se vê numa enrascada e percebe que a única solução será estudar profundamente sobre Gandhi - até porque ele não queria de modo algum desapontar sua amada! Ele então entra numa biblioteca especializada em Gandhi (abandonada às traças) e lá fica por três dias e três noites, sem comer e nem dormir. Num dado momento, eis que o espírito de Gandhi aparece para Munna Bhai, tentando convencê-lo de que o melhor seria contar a verdade a Jhanvi. Diz ainda que, quando necessário, bastaria cantar o Raghupati Raghava Raja Ram para chamá-lo (essa música ficou famosa nos tempos de Gandhi, pois era um dos seus hinos devocionais preferidos).
Munna Bhai não consegue contar a verdade, mas mesmo assim Gandhi vai ajudando-lhe a dizer sobre ele próprio, o que acaba por conquistar o coração de Jhanvi, que acredita que Munna Bhai é realmente um profundo conhecedor do Mahatma. Assim, ela o convida para participar com ela de um novo programa na rádio, que seria ajudar as pessoas a sair de seus problemas a partir do pensamento gandhiano. Essa parte é o coração do filme. Tão logo ambos iniciam o programa e Mumbai inteira para todos os dias para escutá-los, ansiosos para ver e emocionarem-se com cada caso solucionado (e Gandhi dizendo tudo o que fazer por trás dos ombros de Munna Bhai).
Mas nem tudo são flores. Enquanto tudo isso acontece, porém, Lucky Singh (Boman Irani), um inescrupuloso empresário, quer casar sua filha com o filho (Abhishek Bachchan, totalmente secundário, ou melhor, terciário, no filme) de outro empresário, Kkhurana. O astrólogo de Kkhurana diz que seria muito auspicioso se a casa em que eles morassem fosse a Second Innings House. Acontece que tal casa é justamente onde mora Jhanvi. Para despistar Jhanvi e Munna Bhai, Lucky manda ambos para Goa, junto dos velhinhos, enquanto a própria gangue de Munna Bhai esvazia a casa de Jhanvi.
A partir daí a história entra pra parte mais crítica e também mais emocionante. E não vou contar!
O filme foi um super sucesso em 2006, ficando apenas atrás de Dhoom 2 em arrecadação no ano. Na lista dos fillmes que mais arrecadaram na história de Bollywood, Lage Raho Munna Bhai está em sexto lugar.
Como eu disse no início, esse filme é um dos poucos que mudam o rumo social da Índia. Curiosamente, no mesmo ano estava no cinema o filme Rang De Basanti, que também teve um impacto social profundo no país. Os dois, juntos, levantaram a juventude indiana e fizeram-na acordar para as injustiças e para as possibilidades de transformações socioeconômicas e políticas. Rang De Basanti teve o impacto de trazer os jovens para o centro da "revolução", enquanto que Lage Raho Munna Bhai trouxe a eles os valores gandhianos da não-violência e da desobediência civil. Os anos se passaram e muito já ficou pra trás, mas ainda hoje existem manifestações organizadas pela juventude indiana, fruto do que provocou ambos os filmes na alma deles.
Vale muito a pena assistir. A despeito dos comportamentos escusos de Sanjay Dutt, sua atuação nesse filme é indubitavelmente ótima e convincente. Não dá pra negar o valor que seu papel teve para a Índia - e isso devemos venerar. E também a atuação de Arshad Warsi, como Circuit, o fiel escudeiro de Munna Bhai, é imprescindível, tendo ele levado o prêmio de melhor ator coadjuvante num papel cômico, pelo Filmfare Awards. Além deste prêmio, o Lage Raho Munna Bhai levou o prêmio de melhor filme pela crítica e de melhor roteiro. No National Film Awards, levou o estranho Best Popular Film Providing Wholesome Entertainment, além dos prêmios de melhores letras de música, melhor roteiro e melhor ator coadjuvante para Dilip Prabhavalkar, que fez o Gandhi no filme.
Ah sim, e a trilha sonora do filme (a cargo de Shantanu Moitra) é bem divertidinha, com alguns song-and-dances também divertidos. A direção dessa obra é de Rajkumar Hirani, com produção de Vidhu Vinod Chopra.
Não achei nenhum trailer decente do filme, mas decidi colocar o clipe da música-título, que embora não seja um resumo do filme, é bem engraçadinha. E não deixem de ver!
Neste blog não são aceitos comentários que envolvam crimes de calúnia, difamação, injúria, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal ou familiar a qualquer pessoa.
Também o proprietário não se responsabiliza por opiniões e comentários emitidos por leitores deste blog.
Cópias de nosso conteúdo podem ser feitas livremente conquanto seja disponibilizado o link deste blog. A não referência dos devidos créditos é roubo intelectual.