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sábado, 3 de abril de 2010

Aaja Nachle (2007) - आजा नचले

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Esses dias assisti ao filme Aaja Nachle, depois de muito postergar, e tive uma agradável surpresa. Confesso que esperava menos, em parte pelas sinopses que eu lia, em parte pelo fracasso na Índia. O que me surpreendeu - e isso já adianto - foi a homenagem feita à tradição oral das lendas do mundo indiano/árabe, além de eu reconhecer ali uma homenagem também ao próprio cinema indiano. E sim, é clara a também homenagem a Madhuri Dixit, protagonista do filme. Aaja Nachle significa "vamos dançar"; e não temo em dizer que, se Madhuri não for sozinha a maior dançarina do cinema indiano, ela certamente divide o topo do pódio.

Diya (Madhuri Dixit) vivia em Shamli, no oeste do Uttar Pradesh, onde aprendeu danças indianas com seu mestre, Guru Makarand, no Ajanta, um antigo teatro a céu aberto local. Um dia, Diya apaixona-se por um fotógrafo estadunidense que passava por lá e logo muda-se com ele para Nova Iorque. Acontece que ela estava prometida para outro rapaz e essa decisão dela arruinou a vida de seus pais, que foram obrigados e se mudarem para longe dali.

Em Nova Iorque, Diya tem uma filha com o fotógrafo, mas eles acabam se separando. Alguns anos mais tarde, enquanto dava aula de dança num estúdio novaiorquino, Diya recebe uma ligação dizendo que seu guru estava no leito de morte. Ela volta correndo à Índia, mas não consegue chegar a tempo. No entanto, seu guru deixa a ela uma mensagem de vídeo onde ele diz que o Ajanta havia sido abandonado desde que ela partira e agora corria o risco de ser demolido para a construção de um shopping. E somente ela poderia salvá-lo.

Raja Uday Singh (Akshaye Khanna) é o político local por trás dos planos do shopping; Farooque (Irrfan Khan), por sua vez, é o empresário com o dinheiro. Ele, aliás, casou-se com Najma (Divya Dutta), a melhor amiga de Diya. Bom, e então Diya vai conversar com o político e ele dá a ela dois meses para ela resgatar o Ajanta com uma peça que teria que ser encenada com moradores de Shamli, e não dançarinos profissionais. E se ela fracassasse, o Ajanta seria demolido.

E então começa o trabalho hercúleo de Diya. Ela decide montar um musical baseado na história de Laila e Majnu, uma espécie de "Romeu e Julieta" do mundo árabe, que, ao que consta, existiu de verdade nos idos do século VII.

Pouco a pouco, consegue montar seu elenco e Laila será Anokhi (Konkona Sen Sharma) e Majnu será Pathan (Kunal Kapoor). Os ensaios começam e tudo indica que jamais conseguirão ficar bons a tempo. Pra dar a tensão básica, um outro político que estava do lado de Diya, Chaudhary Om Singh, é comprado por 5 milhões de rúpias, prejudicando - e muito - o andamento dos ensaios.

Mas Diya é determinada. Nem mesmo o senso comum local, que a vê praticamente como uma prostituta, pelo seu passado, a impede de encarar o desafio e transpor os obstáculos. E chega, então, a grande noite. 

Ok, é tudo previsível e óbvio. Mas (quase) nada ali é verossímil. O espetáculo, que ocorre num teatro a céu aberto e sem verbas, é grandiosíssimo, os cenários mudam a todo instante, é uma superprodução que jamais poderia ocorrer naquela estrutura. Mas isso não importa; a inverossimilhança é completamente proposital e é isso que encanta.

Passamos o filme todo ansiosos pelo espetáculo que, no filme, não dura mais de vinte minutos. A espera vale a pena. É nessa hora que a grande homenagem é feita. Ali celebra-se a narração oral de lendas em versos, tradição antiquíssima no subcontinente indiano, celebra-se a tradição da dramatização com música e, nesse ponto, o cinema da Índia acaba sendo homenageado como o grande acolhedor desse momento mágico que é ouvir histórias através de músicas e danças.

Aliás, as músicas são, de forma geral, muito boas. Composta pelos irmãos Salim-Sulaiman, a trilha sonora oficial acabou não incluindo algumas das músicas que aparecem na sequência da peça Laila-Majnu.

Bom, e como quase sempre tem que ocorrer, o filme foi banido por um tempo no Uttar Pradesh, Haryana e Punjab por uma polêmica provocada na letra de uma música, onde fica implícito que uma casta é inferior a outra. Após desculpas oficiais da produção, o banimento caiu. Com banimento ou sem banimento, o filme não fez sucesso no país. No entanto, para os que tem Madhuri como a deusa suprema de Bollywood, daí, sim, esse filme foi um grande sucesso e uma linda homenagem a ela.

Pelo sim, ou pelo não, é um filme muito peculiar e que vale a pena ser visto, não esperando, porém, pela coerência dos fatos, mas sim pelo próprio encanto em si.



Colaboraram: Isabela Lundeen e Pedro Custódio
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