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terça-feira, 8 de junho de 2010

IIFA Awards 2010

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No último dia 5 de junho, além de ter sido o Dia do Meio Ambiente, encerrou-se a décima primeira premiação do International Indian Film Academy - IIFA. O IIFA foi criado no ano 2000, com um claro objetivo de consolidar e ampliar a presença de Bollywood fora da Índia, realizando o evento cada ano em uma cidade do mundo onde haja presença significativa de comunidades indianas - e consequentemente de consumo de filmes de Bollywood. Desta forma, embora não possua a mesma importância que o Filmfare Awards, o IIFA vem passo a passo ganhando seu destaque na agenda de premiações anuais de Bollywood, criando, inclusive uma disputa pelas cidades que querem sediar o evento seguinte.

Neste ano, portanto, a premiação do IIFA ocorreu entre os dias 3 e 5 de junho, na cidade de Colombo, capital do Sri Lanka. No ano que vem o evento terá lugar em Toronto, no Canadá. E já deixo lançada desde já a candidatura de São Paulo para um futuro incerto, mas não duvidoso. Mas se preferirem o Rio, pela projeção internacional que a cidade possui - sobretudo em Bollywood -, defenderei a causa na mesma medida.

Pois vamos aos resultados. Digo já que o grandíssimo vencedor da noite foi 3 Idiots, que bateu os recordes do IIFA, levando um total de 16 prêmios. O filme merece, talvez mais por sua mensagem - necessária pra Índia - do que pelo filme em si, mas como sempre alguém achará algum filme injustiçado, eu mesmo não me conformo com o fato de Dev.D, por exemplo, não ter levado prêmio algum. No fim das contas, o IIFA acabou indo num caminho diferente da premiação deste ano do Filmfare, que, além de também ter valorizado 3 Idiots, deu relevância a Delhi-6 que, aqui,  só levou um prêmio. Para quem quiser ver a lista dos indicados, clique aqui (em inglês). A lista dos vencedores segue abaixo:

Melhor Filme: 3 Idiots

Melhor Diretor: Rajkumar Hirani (3 Idiots)

Melhor Ator: Amitabh Bachchan (Paa)

Melhor Atriz: Kareena Kapoor (3 Idiots) e Vidya Balan (Paa)

Melhor Ator Coadjuvante: Sharman Joshi (3 Idiots)

Melhor Atriz: Divya Dutta (Delhi-6)

Melhor Ator (papel cômico): Sanjay Dutt (All The Best)

Melhor Ator (papel negativo): Boman Irani (3 Idiots)

Melhor Ator Estreante: Jacqueline Fernadez (Aladin), Mahi Gill (Dev.D), Omi Vaidya (3 Idiots) e Jakkie Bhagnani (Kal Kissne Dekha)

Melhor Trilha Sonora: Pritam (Love Aaj Kal)

Melhor História: Abhijat Joshi, Raj Kumar Hirani e Vidu Vinod Chopra (3 Idiots)

Melhores Letras de Música: Swanand Kirkire (3 Idiots)

Melhor Cantor de Playback: Shaan (Behti Hawa Sa Tha Woh, 3 Idiots)

Melhor Cantora de Playback: Kavita Seth (Iktara, Wake Up Sid)

Green Global Award: Vivek Oberoi

Melhor Edição: Rajkumar Hirani (3 Idiots)

Melhor Roteiro: Abhijat Joshi, Raj Kumar Hirani e Vidu Vinod Chopra (3 Idiots)

Melhor Cinematografia: C.K. Muraleedharan (3 Idiots) 

Melhor Diálogo: Rajkumar Hirani (3 Idiots)

Melhor Mixagem de Som: Sanjay Wandrekar, Atul Raninga e Shantanu Moitra (3 Idiots)

Melhor Edição de Som: Bishwadeep Chatterjee, Nihal Ranjan Samel e Sachi K. Sanghvi (3 Idiots)

Melhor Coreografia: Bosco Martis, Caesar Gonsalves (Love Aaj Kal)

Melhor Figurino: Anahita Shroff Adajania, Dolly Ahluwalia (Love Aaj Kal)

Melhor Direção de Arte: Sabu Cyril (Aladin)

Melhores Efeitos Especiais: Charles Darby (Aladin)

Melhor Ação: Shyam Kaushal (Kaminey)

Melhor Maquiagem: Christien Tinsley (Paa)
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domingo, 28 de março de 2010

Water (2005) - वाटर

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Na última segunda-feira (22/03) foi comemorado o Dia Mundial da Água e, mesmo não tendo nada a ver além do próprio nome em si, lembrei-me do filme Water (que significa "água"), de Deepa Mehta, o terceiro de sua trilogia dos elementos. Ainda não falei de nenhum dos filmes da trilogia, mas começar pelo terceiro não é problema algum, já que a trilogia não é sequencial e cada filme é um filme em si.

Na prática, Water não é um filme indiano, mas canadense, assim como são os outros dois filmes da trilogia dos elementos de Deepa Mehta, Earth (1998) e Fire (1996). Mas Deepa é uma diretora emblemática e com forte presença nos debates indianos a respeito da liberdade de se fazer filmes na Índia, não só no sentido da censura governamental, mas também da censura pública imposta pela própria sociedade com as próprias mãos.

E Water encarna tudo isso. O primeiro filme da trilogia de Deepa, Fire, provocou muita polêmica no país por tratar da questão do lesbianismo. Veio Earth e aparentemente não houve muitos problemas. Mas quando ela resolveu filmar o terceiro filme da trilogia, no ano 2000, ela chegou a escalar para seu elenco Shabana Azmi, Nandita Das (ambas que haviam protagonizado o filme Fire) e Akshay Kumar. Estava já tudo acertado e os sets de filmagens estavam quase prontos em Varanasi, quando um grupo de cerca de dois mil hindus radicais destruíram tudo e prometeram incendiar salas de cinema que exibissem o filme quando fosse lançado.

Assim, todo o cronograma das filmagens foram totalmente alterados até que os problemas se resolvessem. O governo indiano impôs sutilmente à Deepa que se ela quisesse mesmo fazer o filme, então que não o fizesse na Índia. Somente no ano de 2003 os nós foram desfeitos e Deepa resolveu filmar Water no Sri Lanka, vizinho à Índia. No entanto, o atraso de três anos nas filmagens obrigou o elenco a seguir em outros projetos e abandonar o filme de Deepa. Um novo elenco foi composto, ficando como protagonistas Seema Biswas, Lisa Ray, Sarala Kariyawasam e John Abraham.

Quando o filme começa, uma frase já nos indica em parte a carga do que iremos ver. De acordo com as Leis de Manu (que há mais de dois mil anos regula boa parte das leis sociais hindus), uma mulher, ao perder seu marido, tem somente três opções: queimar-se viva na pira de cremação com o marido; casar-se com o irmão mais novo do marido; ou confinar-se num retiro (ashram) para viúvas, isolada de todos os contatos com o mundo externo. E então o que se segue a esta frase é o casamento de uma garota de oito anos, chamada Chuiya (Sarala Kariyawasam), com um velho bem velho mesmo. E, evidentemente, ele em seguida morre. Estamos no ano de 1938.

Chuiya é então enviada para o retiro de viúvas, em Varanasi. A viúva-chefa do local é Madhumati, gorda e já nos seus 70 anos de idade. Ela mantém contato com o mundo externo através de uma janela, onde pode conversar com seu amigo e ponte com o mundo, o eunuco Gulabi. E a função de Gulabi é fundamental para a manutenção do ashram, já que, além de atualizar Madhumati das fofocas e trazer-lhe maconha, ele arranja clientes a Kalyani (Lisa Ray). Kalyani, por sua vez, é uma linda viúva do local, com uns vinte anos, e a única com cabelos (todas as outras, de acordo com o que mandam as Leis de Manu, têm os cabelos raspados). Desde que chegou ali, ainda nova, Kalyani foi forçadamente escalada por Madhumati para prostituir-se e, assim, conseguir dinheiro para a manutenção do ashram.

Dentre as catorze viúvas dali, Chakuntala (Seema Biswas) é muito séria, brava, misteriosa e uma das poucas que sabe ler. Ninguém tem coragem de se relacionar com ela, nem mesmo Madhumati. 

Um dia, Kalyani encontra, na rua, Narayan (John Abraham) e eles se apaixonam um pelo outro imediatamente. Mas ela era viúva e casar-se com outro homem comprometeria todas as outras viúvas do ashram. Mesmo assim, os dois, secretamente, combinam o casamento. Kalyani, tendo a pequena Chuiya como sua melhor amiga e espécie de pombo-correio do casal, conta tudo a ela. No entanto, Chuiya, inocentemente, acaba contando o plano a Madhumati, enquanto massageava suas pernas. E então a casa cai. Madhumati tranca Kalyani num quarto do andar superior do lugar, raspando-lhe o cabelo.

A parte mais tensa do filme desenrola-se a partir daí e é melhor, então,que vocês vejam o filme.

Water foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pelo Canadá, em 2007. A trilha do filme foi composta por Mychael Danna em parceria com A.R. Rahman. A música Aayo Re Sakhi (Chanchan), cantada por Sukhwinder Singh e Sadhana Sargam, foi também indicada ao Oscar de Melhor Canção Original.

No Brasil, este filme foi lançado pela Focus com o título Às Margens do Rio Sagrado e pode ser encontrado à venda e em algumas videolocadoras. 

A seguir, fiquem com o trailer:

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