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domingo, 27 de junho de 2010

Boman Irani - बोमन इराणी

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Boman Irani é no mínimo uma pessoa curiosa. Considerando sua idade, começou bem tarde no cinema, mas conseguiu consolidar seu lugar ali dentro - e em muitos (vários!) casos, decisivos. Seus papéis costumam ser muito caricatos, mas isso não tira dele o mérito da qualidade do que faz, conseguindo construir personagens cômicos e ao mesmo tempo vilões com uma destreza que só ele. 

E o cinema indiano precisa - e vive - de pessoas com essa qualidade. E acho que, talvez mais do que todos que conheço, Boman tem a capacidade de construir personagens que escondem de tal maneira o Boman que, se não sabemos de antemão quem é o ator, podemos seguir sem saber.

Boman nasceu em uma família parsi, lá nos idos do dia 1 de outubro de 1956, em Mumbai. Formou-se na Mithibai College, em Mumbai, pela qual conseguiu um diploma de engenheiro. No entanto, ele acabou indo trabalhar como camareiro (isso mesmo) no famosíssimo Taj Mahal Palace And Tower Hotel. Mais tarde, uniu-se à sua mãe pra trabalhar com ela em uma antiga padaria da família. Nessa época, ele criou uma franquia da Uncle Chips, mas que logo fechou em prejuízo.

Isso era já no final da década de 80. Naquele momento, Boman acabou virando um fotógrafo profissional, coisa que faz até hoje. Mas também naquela época, ele iniciou sua carreira no teatro, embora já tivesse bastante contato com isso desde os tempos de escola.

Seu primeiro grande mestre no teatro foi Ayque Padamsee (que fez Jinnah no filme Gandhi). De lá pra cá, Boman já conta com cerca de 40 peças de teatro na bagagem, embora tenha diminuído bastante o ritmo desde que entrou pro cinema.

Inicialmente, Boman começou atuando em alguns comerciais televisivos. Não muito depois, ele já estava de coadjuvante no primeiro filme, Josh (2000), protagonizado por Shahrukh Khan e Aishwarya Rai. No ano seguinte, apareceu na estreia de Rahul Bose na direção, no filme Everybody Says I'm Fine. Em 2002, então, veio Let's Talk.

E então chegou 2003 e sua vida mudou. Boman apareceu na comédia Munna Bhai M.B.B.S., de Rajkumar Hirani, ao lado de Sanjay Dutt, com um papel tão cômico que lhe rendeu uma indicação ao prêmio de melhor comediante, no Filmfare Awards.

Em 2004, então, ele já estava sendo indicado de novo ao prêmio de melhor comediante por seu papel em Main Hoon Naa. No mesmo ano, Boman também apareceu em Lakshya e  Veer-Zaara. Daí veio 2005 e ele apareceu em nada menos que 10 filmes, dos quais se destacam Page 3, Waqt: The Race Against Time, No Entry, Maine Gandhi Ko Nahin Mara e Being Cyrus.

No ano seguinte, Boman repetiu a dose na continuidade da série Munna Bhai, sendo, dessa vez, indicado ao prêmio de melhor vilão em Lage Raho Munna Bhai. Sua performance em Khosla Ka Ghosla e Don - The Chase Begins Again foram também bastante elogiadas.

Em 2007, ele estava em Heyy Babyy, Eklavya: The Royal Guard e Dhan Dhana Dhan Goal. No ano seguinte, destacou-se em Dostana, Yuvvraaj, Kismat Konnection e Sorry Bhai!. Até que, em 2009, repetindo de novo seu recorde de 10 filmes em um mesmo ano, Boman Irani levou seu primeiro Filmfare Award de melhor ator coadjuvante por seu papel no excelente 3 Idiots, também de Rajkumar Hirani, ao lado de Aamir Khan.

Em 2010, o terceiro episódio da série Munna Bhai traz Boman de volta, em Munnabhai Chale Amerika. Também está em Banda Yeh Bindaas Hai, ao lado de Salman Khan, em Teen Patti, ao lado de Amitabh Bachchan e Sir Ben Kingsley, e também em Mirch, Jaane Kahan Se Aayi Hai e em Housefull.
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domingo, 17 de janeiro de 2010

3 Idiots (2009) - थ्री इडीयट्स

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3 Idiots nasceu para quebrar recordes. Tendo estreado no último dia 25 de dezembro de 2009, já no dia 4 de janeiro de 2010 ele havia quebrado todos os recordes do cinema indiano, não só de arrecadação dentro e fora do país, mas também com o número de salas, como já havia sido adiantado aqui no Cinema Indiano. Os recordes foram quebrados numa velocidade assustadora dentro da Índia, além de rápido também ter ultrapassado os sucessos anteriores nos Estados Unidos, nos países do Oriente Médio, na África do Sul, no Quênia, em Fiji, no Paquistão e na Austrália. Neste último país, os exibidores foram obrigados a tirar o filme Avatar de algumas salas para atender à demanda imensa por 3 Idiots. A previsão é que esse filme também entre pra história por ser o primeiro filme indiano a ser oficialmente lançado no Youtube, após 12 semanas de sua estreia.

A obra é escrita e dirigida por Rajkumar Hirani, que só tem em sua bagagem a trilogia Munna Bhai. Ele se inspirou no livro de Chetan Bhagat Five Point Someone - What not to do at IIT (Cinco Ponto Alguém - O que não fazer no IIT-Instituto Indiano de Tecnologia), mas o filme não é a história do livro. A produção é da Vinod Chopra Productions e o filme estrela Aamir Khan, Sharman Joshi, R. Madhavan e Kareena Kapoor.

O filme é contado em flahsbacks. Logo no começo, Farhan Qureshi (R. Madhavan) recebe uma ligação no celular, de dentro do avião que taxiava pra levantar voo, avisando-lhe que sabiam onde estava Rancchoddas Shyamaldas Chanchad (Aamir Khan), mais conhecido por Rancho. No mesmo instante ele faz o que pode pra sair do avião e corre pra pegar Raju Rastogi (Sharman Joshi) pra irem juntos atrás de Rancho.


E assim, a partir das lembranças de Farhan, passamos a conhecer a história da amizade dos três, pouco mais de dez anos antes. Tudo começou quando foram admitidos na fictícia Imperial College of Engineering (inspirada no IIT) e calharam de cair no mesmo quarto do dormitório da faculdade. Muito cedo a irreverência de Rancho é notada por todos e tão cedo ele passa a ser perseguido pelos professores, sobretudo Viru Sahastrabudhhe (Boman Irani), diretor da faculdade (inevitavelmente apelidado de ViruS). Por outro lado, Chatur Ramalingan (Omi Vaidya) é o aluno preferido dos professores, o mais dedicado e inteligente. Mas a grande inteligência de Chatur é colocada à prova tão logo o primeiro exame acontece e quem fica em primeiro lugar é... Rancho. Farhan e Raju, no entanto, ficam nos dois últimos lugares do ranking, respectivamente.

Rancho, no entanto, não está nem aí para rankings, ao contrário do pensamento comum que permeia a tudo e a todos. Seu posicionamento quanto a isso é deixado muito claro em vários momentos, mas o ponto mais importante aparece ainda mais ou menos no começo do filme, quando um aluno não consegue permissão do diretor Virus para prolongar seu tempo pra conclusão de seu projeto, já que seu pai havia sofrido um acidente. Como isso resultaria em sua não conclusão do curso, para a vergonha da família e da sociedade, ele acaba cometendo suicídio.

Aos poucos, o professor Virus passa a adverter Raju e Farhan para que não andem mais com Rancho, dizendo ser ele uma má influência. Ele chega, inclusive, a mandar cartas aos pais dos dois dizendo sobre isso, apelando ainda ao fato de que Rancho vem de família ultra rica, enquanto que os outros dois, ao contrário, são muito pobres - principalmente Raju, cujo pai está de cama, a meio fio para morrer, cuja irmã não casou até agora por falta de dote para tal e cuja mãe não compra um sari novo há mais de cinco anos.

Mas a amizade permanece, embora Raju revolte-se por um breve tempo. Eles seguem aprontando como bons recém-ex-adolescentes e, numa dessas, conhecem  por acaso Piya (Kareena Kapoor), por quem Rancho se apaixona, mas é noiva do riquíssimo Suhaas. No entanto, Piya, por ironia do destino, é filha de nada mais que o professor Virus. Rancho não se intimida e tenta mostrar a ela que Suhaas não é um bom partido, pois tudo o que lhe interessa é o status e a ostentação.

Numa noite, bêbados, os três invadem a casa do professor Virus para que Rancho se declare a Piya. Mas Virus acorda e, antes de fugirem, eles urinam na porta de sua casa. O resultado é que, no dia seguinte, o professor Virus chama Raju a seu escritório e anuncia-lhe que ele está sendo expulso da faculdade (ele faz isso somente com Raju, pois é ele quem tem as piores notas). Raju retruca dizendo que seu pai está vivo até hoje apenas para ver seu diploma, ao que Virus contesta advertendo que ele deveria ter pensado nisso antes. Ainda assim, Virus dá uma segunda chance a ele propondo que, em seu lugar, Rancho seja então expulso. Raju, muito desesperado e não sabendo que decisão tomar, pula da janela do escritório de Virus, no terceiro andar da faculdade.

Ele não morre, mas entra em coma e fica assim por muitos dias. Durante esse tempo, Farhan, Rancho, Piya e a mãe de Raju fazem o que podem para alegrar Raju que, mesmo em coma, poderia escutar e ver tudo, segundo o médico. No fim das contas, Raju acorda.

Esse ocorrido, no entanto, finalmente desperta em todos o que Rancho sempre vinha dizendo, que o que fazemos raramente é o que queremos realmente fazer, mas sim o que nossos pais querem, o que a sociedade quer. O verdadeiro sonho de Farhan, por exemplo, era ser fotógrafo de natureza. Na mesma onda, Piya joga na cara de seu pai, o professor Virus, que o irmão dela (logo, filho dele) havia morrido atropelado por um trem não por causa de um acidente, mas que havia sido um suicídio, já que ele não aguentava a pressão do pai para ser engenheiro, pois seu sonho era ser escritor.

Voltando ao presente, quando Farhan e Raju (junto de Chatur, que é que havia ligado para Farhan no começo do filme) chegam ao local em que deveria estar Rancho, em Shimla, eles encontram, na realidade, outra pessoa. Descobrem logo que essa outra pessoa era na verdade o verdadeiro Rancho e que o que eles haviam conhecido era um filho dos empregados da casa que, de tão inteligente que era, foi "contratado" pela família para se passar por Rancho e conseguir os diplomas devidos a ele. E o contrato previa que assim que ele concluísse a faculdade ele deveria simplesmente desaparecer. Descobrem, portanto, que o Rancho que eles conheciam era agora professor numa escola remota no meio do Ladakh, na Caxemira.

A partir daí já não conto mais nada. Já contei demais da história, embora eu tenha omitido vários e vários fatos que deixam a história toda mais divertida e simpática.

Preciso dizer que gostei bastante de 3 Idiots. Ele está longe de ser o melhor filme do mundo, mas seu enredo super simples, seu contexto super irreal - caricato na maior parte das vezes -, as atuações também simplórias, as poucas músicas pouco elaboradas, mas delicadas e divertidas em alguns momentos, tudo isso fez com que o filme se tornasse muito agradável de se ver, além de cativante e muito sensível. Nem se vê as quase três horas de filme passando.

Conhecendo um bocado da sociedade indiana, podemos imaginar um pouco do porquê do estrondoso sucesso. O país possui hoje um dos maiores números de estudantes de engenharia no mundo, grande parte dos quais ingressa nessas universidade justamente contra a vontade. As estatísticas mostram também que a Índia é um dos países com maior índice de suicídio dentre os estudantes universitários, graças, sobretudo, ao cruel sistema de ranqueamento. Além disso, desde que o tema da juventude universitária foi trazido à tona no cinema indiano, com o revolucionário Rang De Basanti (que conta com o protagonismo dos mesmos Aamir Khan, R. Madhavan e Sharman Joshi), essa mesma juventude passou a ser inevitavelmente o principal público do cinema no país.

Mas por mais que seja evidente o apoio em Rang De Basanti, por vários cantos da mídia indiana havia inevitáveis comparações dessa obra com Taare Zameen Par, o que foi um pouco exagerado, mas justificado. Se em TZP o foco era a educação infantil a partir do problema de uma criança com dislexia e em 3 Idiots o foco é a educação universitária, em ambos, porém, a maior e principal mensagem transmitida é que, não importando o nível educacional, o que nunca é explorado é o potencial inerente de cada ser humano - e que é inevitavelmente acompanhado de dificuldades não menos inerentes. E o filme deixa de lado revolucionismos e realismos, trazendo, no entanto, uma esperança à juventude. E isso de uma maneira muito leve e tranquila.

O filme tem cinco músicas compostas por Shantanu Moitra e escritas por Swanand Kirkire. Das cinco, somente duas viraram cenas de song-and-dance, Aal Izz Well e Zoobi Doobi - e ambas são muito divertidas! E Rajkumar Hirani, o diretor, foi chamado de o mais idiota de todos por pela primeira vez na história do cinema indiano ter pedido para os protagonistas homens perderem peso e músculos e a protagonista engordar.

Fiquem agora com o trailer do filme:



sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Lage Raho Munna Bhai (2006) - लगे रहो मुन्नाभाई

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Hoje, 2 de outubro de 2009, Mohandas Karamchand Gandhi, o Mahatma, faria seus 140 anos. Há apenas três feriados nacionais fixos na Índia, e hoje, não por menos, é um deles - o Gandhi Jayanti.

Poucos podem dizer sobre a real importância de Mahatma Gandhi na constituição da atual Índia, mas o que realmente importa para hoje é que Gandhi é amado por metade da Índia - a outra metade, porém, o odeia. Mesmo dentre os que o amam, no entanto, a ignorância em relação ao o que ele foi e representou é grande.

E eis que no ano de 2006, a continuação do filme Munna Bhai M.B.B.S (2003) resolveu trazer Gandhi ao tema central de seu roteiro, causando uma pequena revolução silenciosa na juventude indiana. Lage Raho Munna Bhai é uma típica comédia bollywoodiana, mas conseguiu tocar fundo nos indianos, de maneira talvez inesperada. E desde que fundei esse blog prometo falar desse filme e finalmente estou cumprindo!

O filme conta mais uma história do bizarro Murli Prasad Sharma, o Munna Bhai, interpretado por nada mais que Sanjay Dutt, que desta vez apaixona-se por Jhanvi (Vidya Balan), uma locutora de rádio de Mumbai. Todos os dias de manhã, era religioso para Munna Bhai escutar o "Gooooood mooooooorniiiiiiing, Mumbaaaiii" de Jhanvi; ele se derretia.

E então, na oportunidade do Gandhi Jayanti, ela lança um concurso de perguntas sobre o Mahatma e quem acertasse teria a oportunidade de conhecê-la. É a chance de ouro para Munna Bhai, mas... "... quem é Gandhi? Aquele cara que está em todas as notas de rúpia? Ah, ok." Essa observação feita é tipissíssima dentre os jovens indianos, que veem Gandhi em suas rúpias todos os dias, que todos os anos ficam felizes por mais um feriado nacional, mas nada sabem sobre aquele que outrora uniu o país e cuspiu fora os britânicos de lá.

Mas daí Munna Bhai e sua gangue (sim, porque como tanto gosta Bollywood, Munna Bhai pertence ao submundo de Mumbai) raptam alguns professores universitários para que eles ajudassem a responder às perguntas sobre Gandhi. O resultado é que Munna Bhai "acerta" todas as perguntas e então Jhanvi o convida para dar uma espécie de palestra sobre Gandhi a um grupo de idosos.

Munna Bhai se vê numa enrascada e percebe que a única solução será estudar profundamente sobre Gandhi - até porque ele não queria de modo algum desapontar sua amada! Ele então entra numa biblioteca especializada em Gandhi (abandonada às traças) e lá fica por três dias e três noites, sem comer e nem dormir. Num dado momento, eis que o espírito de Gandhi aparece para Munna Bhai, tentando convencê-lo de que o melhor seria contar a verdade a Jhanvi. Diz ainda que, quando necessário, bastaria cantar o Raghupati Raghava Raja Ram para chamá-lo (essa música ficou famosa nos tempos de Gandhi, pois era um dos seus hinos devocionais preferidos).

Munna Bhai não consegue contar a verdade, mas mesmo assim Gandhi vai ajudando-lhe a dizer sobre ele próprio, o que acaba por conquistar o coração de Jhanvi, que acredita que Munna Bhai é realmente um profundo conhecedor do Mahatma. Assim, ela o convida para participar com ela de um novo programa na rádio, que seria ajudar as pessoas a sair de seus problemas a partir do pensamento gandhiano. Essa parte é o coração do filme. Tão logo ambos iniciam o programa e Mumbai inteira para todos os dias para escutá-los, ansiosos para ver e emocionarem-se com cada caso solucionado (e Gandhi dizendo tudo o que fazer por trás dos ombros de Munna Bhai).

Mas nem tudo são flores. Enquanto tudo isso acontece, porém, Lucky Singh (Boman Irani), um inescrupuloso empresário, quer casar sua filha com o filho (Abhishek Bachchan, totalmente secundário, ou melhor, terciário, no filme) de outro empresário, Kkhurana. O astrólogo de Kkhurana diz que seria muito auspicioso se a casa em que eles morassem fosse a Second Innings House. Acontece que tal casa é justamente onde mora Jhanvi. Para despistar Jhanvi e Munna Bhai, Lucky manda ambos para Goa, junto dos velhinhos, enquanto a própria gangue de Munna Bhai esvazia a casa de Jhanvi.

A partir daí a história entra pra parte mais crítica e também mais emocionante. E não vou contar!

O filme foi um super sucesso em 2006, ficando apenas atrás de Dhoom 2 em arrecadação no ano. Na lista dos fillmes que mais arrecadaram na história de Bollywood, Lage Raho Munna Bhai está em sexto lugar.

Como eu disse no início, esse filme é um dos poucos que mudam o rumo social da Índia. Curiosamente, no mesmo ano estava no cinema o filme Rang De Basanti, que também teve um impacto social profundo no país. Os dois, juntos, levantaram a juventude indiana e fizeram-na acordar para as injustiças e para as possibilidades de transformações socioeconômicas e políticas. Rang De Basanti teve o impacto de trazer os jovens para o centro da "revolução", enquanto que Lage Raho Munna Bhai trouxe a eles os valores gandhianos da não-violência e da desobediência civil. Os anos se passaram e muito já ficou pra trás, mas ainda hoje existem manifestações organizadas pela juventude indiana, fruto do que provocou ambos os filmes na alma deles.

Vale muito a pena assistir. A despeito dos comportamentos escusos de Sanjay Dutt, sua atuação nesse filme é indubitavelmente ótima e convincente. Não dá pra negar o valor que seu papel teve para a Índia - e isso devemos venerar. E também a atuação de Arshad Warsi, como Circuit, o fiel escudeiro de Munna Bhai, é imprescindível, tendo ele levado o prêmio de melhor ator coadjuvante num papel cômico, pelo Filmfare Awards. Além deste prêmio, o Lage Raho Munna Bhai levou o prêmio de melhor filme pela crítica e de melhor roteiro. No National Film Awards, levou o estranho Best Popular Film Providing Wholesome Entertainment, além dos prêmios de melhores letras de música, melhor roteiro e melhor ator coadjuvante para Dilip Prabhavalkar, que fez o Gandhi no filme.

Ah sim, e a trilha sonora do filme (a cargo de Shantanu Moitra) é bem divertidinha, com alguns song-and-dances também divertidos. A direção dessa obra é de Rajkumar Hirani, com produção de Vidhu Vinod Chopra.

Não achei nenhum trailer decente do filme, mas decidi colocar o clipe da música-título, que embora não seja um resumo do filme, é bem engraçadinha. E não deixem de ver!