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sábado, 9 de maio de 2009

Sholay (1975) - शोले

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Hoje, finalmente, vamos falar do maior sucesso de todos os tempos na história de Bollywood, Sholay, que, ajustando com a inflação, arrecadou cerca de 88 milhões de dólares. Embora o filme Ghajini (2008) tenha arrecadado mais em rúpias, no ajuste Sholay ainda não foi ultrapassado.

O último filme que ganhou uma postagem aqui no Cinema Indiano foi AAG (2007), uma releitura de Sholay que tinha pretensões de ser um mega sucesso e converteu-se no maior fracasso de bilheteria na história de Bollywood, uma interessante dialética bollywoodiana. Assistindo Sholay, porém, muita coisa fica óbvia e que justifica diretamente o fracasso de AAG.

Não que Sholay, que é de 1975, seja um bom filme - e eu não acho que seja. Ao ser lançado na Índia, ele inicialmente foi um fracasso e cogitou-se logo tirá-lo de cartaz para não dar prejuízo. No entanto, por algum fenômeno ainda um pouco inexplicado, o boca-a-boca fez com que o filme pouco a pouco tivesse cada vez mais público em suas sessões até que ficasse pouco mais de cinco anos em cartaz na sala Minerva, em Mumbai.

Bom, e vamos ao que importa. Sholay foi escrito por Javed Akhtar e Salim Khan e dirigido por Ramesh Sippy. Conta a história de uma dupla de bandidos imbatível, Veeru (Dharmendra) e Jai, que acabam sendo recrutados pelo próprio policial que os prendeu para uma missão quase impossível: capturar o terrível Gabbar Singh. No começo do filme, algumas coisas típicas do cinema indiano estragam um pouco a história completa do filme, como o policial chefe da prisão em que está presa a dupla ser semelhante a Hitler, ser todo atrapalhado, e ter indícios de que é gay. Isso seria tranquilo caso o filme fosse uma comédia e o tempo todo pudéssemos dar risada dessas piadas; mas o eixo central do filme é outro, com momentos fortes, inclusive. Mas cinema indiano é isso mesmo, geralmente uma bela mistura.

Quando disse que Sholay tem uma diferença fundamental com sua refilmagem AAG, estava dizendo em relação à construção dos personagens, que em Sholay é feita de maneira muito mais cuidadosa e delicada. Ao longo das 3h18 de filme, cada um dos personagens principais são relativamente bem construídos, trabalhados, sem exageros e excessos, (quase) sem concessões, embora, por ser Bollywood (e por ser cinema, sejamos justos), muitos absurdos aparecem. Até o vilarejo é cuidadosamente bem retratado, com os camponeses fazendo os trabalhos artesanais na vila, na coletividade. Isso simplesmente não ocorre em AAG, onde não há espaço direito aos personagens e nem aos ambientes, mas sim às ações e a um certo megalomanismo que recentemente Bollywood vem pecando em usar. E não havia dito antes, mas Jai é Amitabh Bachchan. Não disse antes porque ele simplesmente ainda não era nada do que é hoje - ainda bem! Em Sholay não há superexposição de nenhum personagem; todos aparecem ao seu tempo e cada qual tem sua função clara e na medida certa.

Ao serem recrutados à dura missão, a dupla muda-se a um pequeníssimo vilarejo rural no meio do nada, onde mora o policial Thakur que os recrutou e que agora está aposentado. Gabbar e sua gangue rondam e infernizam a região a uns tempos, hora ou outra aparecendo na vila para recolherem suas provisões periódicas. Assim que chegam, conhecem Basanti (Hema Malini), uma bela moça que trabalha com sua charrete e que Veeru logo se encanta. Ficam hospedados na casa de Thakur, onde além dele mora somente mais uma viúva. Um mistério ronda a história dessa viúva e do próprio Thakur.

Com o desenrolar dos fatos, porém, após uma grande investida da gangue de Gabbar na vila, descobrimos que Thakur havia sofrido uma seríssima vingança de Gabbar, após este conseguir escapar da prisão. Gabbar havia simplesmente matado toda a família de Thakur (menos a esposa de um de seus filhos) e, para arrematar, corta os seus braços. É por isso que a dupla havia sido recrutada. E claro, se Veeru se apaixona pela moça da charrete, Jai acaba por se encantar pela viúva misteriosa.

O resto da história eu não preciso contar. Vejam por vocês mesmos que este filme, sim, merece - mesmo que eu tenha dito que ele não é um bom filme. E Sholay tem uma moral muito clara por trás dessa história toda, que é a lealdade entre dois amigos. A dupla de bandidos, no final, revela-se não só uma dupla de pessoas de muito caráter, mas também mostra como o amor e dedicação entre os dois supera qualquer coisa. Para nós pode parecer um pouco estranho, mas na Índia é isso mesmo. Além disso, notei outra característica nesse filme, que não sei se relaciona-se com o momento histórico com que o filme foi feito ou se há algo proposital por trás, mas no vilarejo hindus e muçulmanos convivem de maneira absolutamente pacífica, tolerante e fraterna. E nem parece haver tentativa de mostrar que isso é possível, como fazem propositadamente outros filmes mais recentes, isso simplesmente aparece de maneira super natural. E sim, Dharmendra e Hema Malini dão o toque todo especial à obra.

Ah sim, e na trilha sonora ainda temos o direito e honra de ouvir a legendária Lata Mangeshkar. Numa das cenas de música, inclusive, o tema central é o Holi, como recorrentemente tem que aparecer em Bollywood. Bom, então vejam o trailer do filme a seguir e em seguida a cena do Holi, com música cantada por Lata Mangeshkar. O melhor trailer que encontrei é esse, que está com legendas em alemão. Mas o que importa são as imagens.





segunda-feira, 20 de abril de 2009

AAG (2007) - आग

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Eu já disse algumas vezes que tem filmes que simplesmente nem mereciam ter sido feitos. E claro, sou um pouco chato pra filmes, alguns de vocês já devem ter percebido, mas a questão aqui é que dessa vez quem diz isso são os próprios pouquíssimos exigentes indianos. E esse filme foi mais um dos que estiveram na III Mostra Bollywood e Cinema Indiano de São Paulo, realizada em março.

AAG, ou na verdade Ram Gopal Varma Ki Aag, é uma refilmagem do super sucesso de Bollywood Sholay, de 1975. O diretor, Ram Gopal Varma, colocou seu próprio nome no título do filme, deixando claro que, embora refilmagem, o filme é antes de tudo uma releitura sua. Originalmente, o filme chamaria-se Ram Gopal Varma Ki Sholay, mas problemas com os direitos autorais do nome original fez com que ele mudasse a última palavra pra aag, ou fogo, em hindi, pois sholay significa brasa.

Antes mesmo de eu fazer uma breve sinopse desse filme, preciso dizer outros dados que são importantíssimos. O primeiro dado é em relação ao filme Sholay, que simplesmente foi o filme que mais arrecadou na história de Bollywood, sendo ultrapassado somente agora, por Ghajini. Varma tinha certeza que faria de novo um grande sucesso. No entanto, após grande mistério da espera do lançamento, quando o filme estreou o fracasso foi tão grande que não durou nem duas semanas nos cinemas da Índia. Considerando isso mais o custo de produção e o total arrecadado, dizem que AAG pode ter sido o maior fiasco da história de Bollywood.

O filme conta a história de dois jovens sem escrúpulos na vida, Heero e Raj, que inicialmente trabalhavam de guarda-costas de um político, mas se metem em roubadas e acabam mudando-se pra Mumbai. Lá eles vão trabalhar pra um mafioso chamado Shambhu, até que são presos pelo Inspetor Narsimha. O inspetor, por sua vez, convence os dois a ajudá-lo a prender Shambhu e a missão é bem sucedida. No final, porém, ambos são presos de volta. No entanto, após um ano de prisão, o Inspetor Narsimha volta a falar com eles, mas dessa vez para recrutá-los a uma tarefa muito mais importante: capturar o temível Babban Singh, que havia matado sua esposa e seu filho, além de ter amputado seus braços.

Eles então iniciam a dura empreitada. Mas como Bollywood não pode deixar de ter momentos de grandes descontrações, eis que aparece em cena Ghungroo, uma garota motorista de auto-riquixá, que logo cai nas graças de Heero. Raj, por sua vez, apaixona-se pela viúva do filho do Inspetor Narsimha, Durga, interpretada por Sushmita Sen (e eu diria que se em alguma parte o filme teve algum traço de beleza, ele veio da interpretação de Sushmita).

Mas até agora ninguém viu Babban, o terrível. Na cena em que ele aparece, em seu galpão obscuro e sujo, todo um mistério é feito antes de mostrá-lo, na desnecessária tentativa de sobrevalorizar o ator que o interpretaria: Amitabh Bachchan. O filme então vira uma espécie de "duro de matar", onde todos morrem, menos Babban, que permanece o tempo todo imbatível, chegando a dar um pouco de angústia, até - eu confesso. O final eu não preciso contar, já que tem mesmo cara de ser super previsível. Ah sim, e no meio disso tudo, como se Bollywood já não tivesse feito o seu "melhor", numa das músicas do filme aparece nada mais que Abhishek Bachchan, o filho, em mais uma das muitas vezes totalmente desnecessárias special appearances dos filmes de Bollywood.

Acabo de descobrir que Varma, muito descontente com o fracasso de AAG, disse que fará de novo uma refilmagem do filme. Nas palavras dele, a refilmagem dessa vez será de AAG, não de Sholay, porque ele acredita que se a releitura do primeiro foi um fracasso, então refazer o segundo pode trazer de volta o sucesso do filme de 1975. É ver pra crer, não tenho mais o que dizer.

Vejam o trailer do filme e em seguida a música em que aparece Abhishek, o filho: