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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Mithya (2008) - मिथ्या

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Mithya (Falso) é uma excelente comédia de ação escrita e dirigida por Rajat Kapoor (sim, ele também dirige!) e com produção totalmente independente. Isso significa que, apesar de ser falado em hindi, o filme não pertence a Bollywood.

E sim, como seria praticamente inevitável, sendo escrito e dirigido por Rajat Kapoor, é evidente que o filme estrele Ranvir Shorey e Vinay Pathak, após o sucesso dos três em Bheja Fry. E Mithya também conta com Naseeruddin Shah e Neha Dhupia.

Ranvir Shorey é VK, um ator de segunda classe que sonha em ser grande estrela de Bollywood, além de ser encantado por Sonam (Neha Dhupia), esta sim uma estrela do cinema. Mas sua obsessão não ajuda em nada para alavancar sua carreira, que na verdade nem existe.

Acontece que, um dia, ele é então sequestrado. Logo fica sabendo que ele é idêntico a um chefão mafioso, o Raje Bhai, e quem o sequestra é uma gangue inimiga, cujo chefão é Gavde (Naseeruddin Shah) e que, coincidentemente, tem Sonam como sua amante. E o plano é ambicioso: matariam Raje Bhai e, sem que sua gangue soubesse, VK seria colocado no lugar dele para, então, acabar com a máfia de Raje Bhai. Nada melhor do que se infiltrar no lado inimigo sendo o próprio mandante, afinal.

E VK logo se anima com a ideia, porque seria uma excelente oportunidade de colocar à prova toda sua capacidade de atuação. De fato, ele até se supera tão logo o plano é colocado em prática. Raje Bhai é assassinado e ele encarna o don de maneira perfeita. Ninguém percebe que ele não é de fato ele, por mais que VK temesse profundamente que o reconhecessem pela voz.

Mas quem disse que a história deve ser simples? O destino se impõe a todos no momento em que, num acidente banal, VK, travestido de Raje Bhai, cai, bate a cabeça e perde a memória por completo.

É daí que entra em cena o terceiro personagem de Ranvir Shorey no filme. Não é mais VK, nem Raje Bhai; é um ser humano sem lembranças, sem bagagem. E, definitivamente, o filme é mesmo de Ranvir Shorey. Os outros atores aparecem totalmente de maneira secundária, embora também brilhem no que façam - sobretudo Vinay Pathak e Naseeruddin Shah, sempre incríveis.

E Rajat Kapoor, que já havia dirigido oito filmes antes desse, fez aqui sua obra prima, sem sombra de dúvidas. Tanto na direção quanto no roteiro (escrito também por Saurabh Shukla), deixando o filme imprevisível a cada segundo. Mas, curiosamente, apesar das críticas super positivas, nem o filme, nem Rajat e nem nenhum ator receberam indicação alguma a prêmios.

Mas isso não importa. Mithya entrou como um grande exemplar do que a Índia vem fazendo paralelamente à grande indústria, sem, porém, ter que fazer filmes muito sérios para ser de arte. Assistam. O trailer abaixo não condiz exatamente com o filme, mas coloco mesmo assim. Confiram:

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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Bheja Fry (2007)

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Bheja Fry é um filme totalmente independente em língua hindi, mas que surpreendentemente conquistou uma respeitável admiração pelo público comum de Bollywood, fazendo um sucesso razoavelmente inesperado no país.

Dirigido por Sagar Ballary, o filme estrela o inseparável - e hilário - trio Rajat Kapoor, Ranvir Shorey e Vinay Pathak, contando ainda com a participação de Sarika e Milind Soman. Sem pretensão alguma de ser original, Bheja Fry é na verdade uma refilmagem da comédia francesa Le Dîner de Cons. E é uma comédia bem simples, muito simples, aliás, mas brilhantemente interpretada pelos três.

E então Ranjeet Thadani (Rajat Kapoor) é um produtor musical que tem como hobby com os amigos realizar jantares às sextas-feiras, nos quais sempre convidam algum artista de segunda linha, apenas para zoarem com a cara do coitado. Um desses amigos de Ranjeet, um belo dia, está viajando de ônibus e tem a (in)feliz sorte de sentar ao lado de Bharat Bhushan (Vinay Pathak) , um cantor semi-profissional, ingênuo de tudo, e que adora mostrar seus talentos pra quem estiver por perto - o que inclui revelar um bem cuidado livro de recortes e afins sobre sua carreira. O amigo de Ranjeet não tarda em pegar o contato de Bharat e repassá-lo a Ranjeet, acreditando que ele possa ser uma ótima atração pro jantar de sexta.

Ranjeet de fato convida Bharat ao jantar e o pobre obviamente fica muito feliz, acreditando ser uma oportunidade de deslanchar sua carreira. Acontece que no dia combinado as costas de Ranjeet travam, obrigando-o a cancelar o jantar com os amigos. Mesmo assim, decide receber Bharat.

E é daí que as coisas começam - e parecem que nunca mais vão parar. Pra começar, pouco antes de Bharat chegar na casa de Ranjeet, Ranjeet discute com sua esposa, Sheetal (Sarika), que não coincidentemente é também uma cantora. E ela então sai de casa quando o médico chega pra olhar a situação das costas de Ranjeet. E depois disso é que chega Bharat.

Mal o coitado chega e Ranjeet já vê o nível da inteligência de Bharat. Pra ajudar, suas costas decidem travar ainda mais e Ranjeet pede pra que Bharat ligue novamente ao médico, pois ele não conseguia nem se mexer. Mas Bharat confunde o número da agenda e liga pra amante de Ranjeet. E antes que ele percebesse que era engano (ele pensou que fosse a esposa do médico ao telefone), Bharat conta à amante que Ranjeet está não só travado, como também sua esposa havia ido embora depois de uma briga.

Não demora pra que percebam o engano, mas já era tarde demais e a amante decide ir à casa de Ranjeet. Nesse meio tempo, Ranjeet quer saber onde está sua esposa, e Bharat se oferece para ajudar, ligando ao ex-namorado de Sheetal, Anant (Milind Soman), fingindo ser outra pessoa. E pra variar Bharat fala mais do que deveria e Anant percebe o que se passa - e vai à casa de Ranjeet. Anant então diz a Ranjeet que é muito possível que Sheetal esteja com Keval Arora, outro produtor musical e concorrente de Ranjeet.

Bharat então diz que um amigo dele, Asif (Ranvir Shorey), um dedicadíssimo funcionário da Receita indiana, poderia conseguir o contato de quem quer que fosse. E acho melhor eu ir parando por aí, senão vou contar demais e as melhores partes seriam reveladas. 

E como disse no começo, o filme não tenta ser original e digo agora que menos ainda ele tenta ser verossímil. Mas isso definitivamente não importa. Os personagens de Ranvir e Vinay são particularmente caricatos, em exagero, aliás, e é isso que deixa tudo tão hilário. Não deixem de conferir.

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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Comentários a respeito de The Blue Mug

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Em primeiro lugar, perdoem-me os que esperaram esta postagem já ontem, mas preciso dizer que ontem eu precisava da minha cabeça descansada e por isso não fiz postagem alguma. Aos que não estão sabendo de nada, explico: na última quarta-feira, 5 de maio, tivemos aqui em São Paulo uma apresentação única de uma peça de teatro indiana, chamada The Blue Mug, com atores que também estão presentes em alguns filmes de Bollywood e do cinema independente indiano. Foi uma oportunidade raríssima e eu fui lá conferir.

Também preciso já logo dizer o que muitos já estão sabendo e tantos outros devem estar ansiosos por saber. Nossa querida Konkona Sen Sharma, tão aguardada, não veio ao Brasil, infelizmente. No meio da turnê nos Estados Unidos uma apendicite atacou a atriz, que teve de ser operada e, consequentemente, foi proibida de viajar de avião. Cogitou-se cancelar o evento aqui em São Paulo, mas como tanto esforço já tinha sido feito pra trazê-los, tudo foi mantido e a peça foi realizada sem ela. Posteriormente eu soube que nos últimos três espetáculos nos EUA ela já não estava presente. Mas mesmo com essa ausência, os outros atores, Ranvir Shorey, Rajat Kapoor, Vinay Pathak, Sheeba Chaddha e Munish Bhardwaj, porém, conseguiram se virar no palco perfeitamente.

Pois vamos lá. Eu simplesmente adorei o espetáculo. Embora quase metade das falas tenham sido em hindi e o restante que foi em inglês tenha sido por vezes difícil de entender, foi uma experiência e tanto. O espetáculo é inteirinho composto por memórias reais dos próprios atores, contadas mais ou menos de forma improvisada. Não há um roteiro escrito, mas há uma ordem das memórias a serem contadas, e as memórias são sempre as mesmas. O que muda - e isso o diretor Atul Kumar revelou-me posteriormente - é a maneira com que os atores decidem contar suas lembranças no momento em que estão no palco.

O espetáculo é emoldurado por uma cenografia composta unicamente por luzes, cuidadosamente posicionadas e dirigidas de maneira a proporcionar efeitos cênicos únicos e tocantes. Há também uma trilha sonora muito bem selecionada que não deixou a desejar e tampouco se sobrepôs aos atores.

Ao que parece, a parte mais engraçada do espetáculo, e aparentemente o eixo da peça, era liderada por Ranvir Shorey. O problema, no entanto, é que ele falava somente em hindi. Pelo que entendi, Ranvir era o único que tinha especificamente um personagem, interpretando uma pessoa que sofre de amnésia momentânea, embora se recorde de muitas coisas de sua infância. De tempos em tempos ele aparecia sozinho no meio do palco, todo vestido de branco, e se punha a falar com o médico, que se manifestava somente pelas caixas de som (a voz era do diretor, mas quem cumpria anteriormente esse papel era a Konkona, que aparecia junto no palco). E então Ranvir falava e falava e falava, e rápido, muito rápido, e nos pouquíssimos momentos em que o "médico" falava em inglês podíamos entender que o que estava ali acontecendo era uma tentativa de mostrar que nós só somos nós mesmos porque temos memória.

E então é mais ou menos essa a ideia do espetáculo. É dizer que nós construímos nossa própria identidade a partir de nossas lembranças, e que a partir delas podemos ter um acesso universalizado a todos os outros seres humanos. E é óbvio que a capacidade dos atores permite que o espetáculo seja um sucesso por onde passe, mas, antes, ele tem a capacidade de tocar o cerne de nossas próprias personalidades, de nossas próprias identidades, únicas, mas universais.

E por fim, o nome "blue mug" (caneca azul) vem de uma das lembranças compartilhadas por Rajat Kapoor. Ele conta o caso de sua caneca azul preferida, que só nela ele tomava seu chá matinal, até o dia em que ele a perde.

Sem mais delongas, aguardem para logo uma entrevista que o diretor do espetáculo concedeu-me e, depois uma com o ator, diretor e produtor do cinema indiano, Rajat Kapoor. Ah, sim, e em seguida ao espetáculo tivemos a oportunidade de desfrutar de um coquetel ao lado dos atores e da comunidade indiana de São Paulo, que compôs basicamente 80% da plateia, ocupando metade do teatro. (ATUALIZAÇÃO: Clique aqui para ler a entrevista com Atul Kumar, diretor da peça)

E o que torcemos e queremos é que esta tenha sido somente a primeira oportunidade desse tipo no Brasil, não?

Fotos: Primeira com Vinay Pathak e segunda com  Ranvir Shorey. Créditos: Geni Macedo.
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sábado, 17 de abril de 2010

The Blue Mug em São Paulo

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Numa raríssima oportunidade - além de única -, uma peça de teatro indiana virá a São Paulo no próximo dia 5 de maio de 2010. E pra completar, ela contará com alguns dos mais finos atores de Bollywood em seu elenco.

Estamos falando do The Blue Mug Play, um espetáculo de Atul Kumar, como nada mais que Konkona Sen Sharma, Ranvir Shorey, Vinay Pathak, Rajat Kapoor, Sheeba Chaddha e Munish Bhardwaj. Os quatros primeiros têm uma lista extensa de filmes de Bollywood no currículo, sendo que Konkona, Ranvir e Vinay atuaram lado a lado em Aaja Nachle (2007) e Ranvir, Vinay e Rajat estiveram juntos em Bheja Fry (2007). Konkona Sen Sharma é a mais famosa de todos, tendo já recebido um National Film Awards de melhor atriz por Mr. and Mrs. Iyer (2002) e dois Filmfare Awards pra melhor atriz coadjuvante, por Omkara (2006) e LIfe in a... Metro (2007).

The Blue Mug é uma comédia que fala sobre a memória e o que fazemos com ela, usando como base experiências pessoais dos atores, que inclusive improvisam em alguns trechos do espetáculo.

Em turnê pelos Estados Unidos de 23 de abril a 16 de maio, o espetáculo dará uma espichada ao Brasil para uma apresentação única no Teatro Juca Chaves, em São Paulo, no dia 5 de maio, quarta-feira, às 20h30.

O Teatro Juca Chaves fica na rua João Cachoeira, 899, no Itaim Bibi, dentro do supermercado Extra. O ingresso inteiro sai por R$100,00 (há opção de meia-entrada) e após o espetáculo haverá um coquetel com salgadinhos indianos. Como a apresentação será única, recomenda-se a compra antecipada do ingresso. Compre seu ingresso aqui, ou pessoalmente na bilheteria do teatro.

*ATUALIZAÇÃO*: Leia aqui o comentário sobre o espetáculo.
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