- Estava eu na minha tranquilidade dominical, trabalhando no computador (sim, trabalhar em casa tem dessas também), quando algo me chamou a atenção na televisão. Era um comercial do Expansão SP, nome dado ao mega programa de investimentos que o governo estadual de São Paulo está fazendo na rede metro-ferroviária da capital paulista, que muito me interessa saber. Estava achando o comercial bem boladinho, apresentado por Dan Stulbach, até que ele chega ao final e... enfim, e foi que eu não sabia se ria ou se chorava.
O fato é que o comercial termina com um jingle que ele em si não é nada demais. O inusitado - e muito! - é a dancinha que acompanha o jingle. Obviamente inspirado no desfecho do filme Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire, 2008) esse comercial termina com uma multidão dançando na plataforma da nossa centenária Estação da Luz, aqui de São Paulo, tal qual no filme de Danny Boyle.
Se o diretor britânico fez no final de seu filme uma homenagem direta e explícita a Bollywood, o que os publicitários deste comercial estão fazendo é apenas embarcando na onda (que por aqui foi super incrementada com a novela Caminho das Índias). Não há absolutamente nenhuma referência direta à Índia ou a Bollywood nesta propaganda, mas como sabemos que influências são assim, da Índia à Inglaterra ao Brasil, aí está um pouquinho de Bollywood na campanha do Metrô de São Paulo.
E por isso achei interessante compartilhar com todos. Desde domingo que procuro todos os dias este comercial na internet, mas somente hoje apareceu, finalmente! Ah sim, e que fique claro que não estou fazendo propaganda do governo estadual - longe de mim e deste blog!
Depois de Azharuddin Ismail ter seu barraco destruído numa favela de Mumbai, agora Rubina Ali, que interpretou Latika criança no filme Quem Quer Ser um Milionário? também teve o mesmo destino. Igual o primeiro, que veio à mídia por ter levado uma surra do pai em público, Rubina também apareceu nos jornais com a notícia de que supostamente seu pai queria vendê-la (o que parece que foi posteriormente desmentido). Antes mesmo de o filme estrear no Brasil, nós já havíamos falado de Rubina nesta postagem, dizendo de seu sonho de virar estrela de Bollywood, com seu barraco - agora demolido - ao fundo.
Casa de atriz de "Quem Quer Ser um Milionário?" é demolida
Após a casa de um dos atores mirins de "Quem Quer Ser Um Milionário?" ser demolida na semana passada em Mumbai, a garota Rubina Ali, 9, que também estrelou o filme vencedor do Oscar, viu seu pequeno casebre cor-de-rosa se transformar em escombros.
"Eu estou me sentindo mal", disse Rubina à Associated Press. "Estou pensando onde irei dormir", completou a menina.
Um funcionário da companhia de trens da cidade disse que a demolição dos barracos onde a família vivia foi necessária para a construção de uma passarela elevada.
Na manhã desta quarta-feira, diversos policias patrulhavam a área da favela munidos de bastões de bambu, enquanto equipes de demolição davam início ao trabalho.
Segundo familiares da menina, o pai de Rubina, o carpinteiro Rafiq Qureshi, foi agredido por oficiais armados com porretes momentos antes da demolição começar, sendo encaminhado ao hospital.
Ao mesmo tempo que homens com marretas e barras de metal demoliam as paredes de sua casa, Rubina e sua madrasta resgatavam o que podiam dos escombros. No início da tarde, o ruído da última parede sendo derrubada foi ouvido.
De acordo com o pai de Rubina, os produtores do filme haviam se comprometido em ajudar a família a encontrar um novo lar. O diretor do filme vencedor de oito estatuetas no Oscar deste ano, Danny Boyle, firmou um acordo com os produtores que dava garantias de que os atores mirins teriam moradia e educação até terminarem os estudos.
Depois de ficar famoso com o filme Quem Quer Ser Um Milionário?, depois de ir parar na noite de gala do Oscar, depois de levar surra do pai em público, agora Azharuddin teve uma nova sorte: a prefeitura de Mumbai demoliu o barraco em que ele morava em uma favela, sem que a prometida casa fosse entregue. Leia a notícia: Casa de ator mirim de Milionário é derrubada em favela de Mumbai por Shilpa Jamkhandikar (Mumbai - Reuters); Último Segundo, 14 de maio
As autoridades municipais de Mumbai demoliram nesta quinta-feira a casa na favela em que vivia um dos atores mirins de "Quem Quer Ser Um Milionário?", deixando sua família na rua, meses depois de o filme premiado com o Oscar ter levado o menino à fama mundial.
Azharuddin Ismail, de 9 anos, representou o personagem de Salim quando criança no filme, a história de um rapaz indiano pobre que compete por amor e dinheiro num programa de televisão.
O barraco em que Ismail vivia numa favela apinhada de pessoas foi um entre vários construídos ilegalmente ao lado de um esgoto que foram demolidos pelas autoridades locais em Mumbai, a capital financeira e do entretenimento da Índia.
"Quando eles chegaram eu estava dormindo. Me sacudiram para me acordar, e um policial até me ameaçou", contou à Reuters Ismail, cercado de malas semiquebradas cheias de roupas e utensílios domésticos.
"O que posso fazer se demoliram minha casa? Vou dormir na rua", acrescentou.
Um pôster de "Quem Quer Ser Um Milionário?", autografado pelo diretor do filme, Danny Boyle, ainda estava colado à única parede do barraco que continuava de pé. Ao lado do lugar corria esgoto ao céu aberto, e o barraco não tinha água corrente.
As autoridades disseram que os barracos já tinham sido demolidos anteriormente, mas foram reerguidos no mesmo lugar.
"Os barracos estão todos encostados num esgoto que precisa ser limpado antes da chegada das monções", disse U.D. Mistry, o funcionário local responsável pelas demolições.
No início do ano houve ultraje público quando foram divulgadas fotos dos astros mirins de "Quem Quer Ser Um Milionário?" ainda vivendo na miséria, apesar do sucesso do filme nas bilheterias e de ter recebido oito Oscar.
O filme também causou controvérsia na Índia devido a seu título original, "Slumdog Millionaire" (que pode ser traduzido como "milionário favelado"), visto por alguns como ofensivo aos moradores de favelas, e pelo tratamento dado ao elenco. Partes da mídia apelidaram de "pornografia da miséria" o retrato traçado da vida de indianos pobres.
Em fevereiro as autoridades habitacionais do Estado de Maharashtra, do qual Mumbai é a capital, anunciaram que dariam casas novas a Ismail e a Rubina Ali, a menina que contracenou com ele no filme. Mas a mãe de Ismail, Shameem, disse que a família agora está à mercê das chuvas.
"Também ouvimos falar que o governo nos prometeu casas, mas o que foi feito? Ainda estamos sem casa", disse ela. "Meu filho deu glória ao país. Será que não deveria receber algum crédito por isso?"
- No dia 30 de março, segunda-feira próxima, a Cultura Inglesa fará uma exibição gratuita do filme Slumdog Millionaire sem legendas (por isso não escrevi Quem Quer Ser um Milionário?), para seus alunos, convidados e curiosos treinarem o inglês (mas eu fiquei pensando cá comigo, como pode ser esse filme exibido sem legendas se a maior parte dele é em hindi? Espero que tenham legendas em inglês quando falarem hindi!).
A Sessão Cultura Inglesa realizar-se-á no Espaço Unibanco de Cinema, no dia 30/3, às 21h30, na sala 1 (Rua Augusta, 1475).
Apesar de a sessão ser gratuita, a Cultura Inglesa pede que levem um quilo de alimento não perecível que será doado à Casa de Apoio e Casa Caio. Para fazer a RESERVA DO INGRESSO, é necessário ligar para o seguinte número: (11) 3095-4466
_ Recebi de uma leitora uma reportagem que saiu no jornal Times of India, falando da fama passageira de atores-mirim de filmes que ficam famosos. A reportagem, na verdade, encontrou Shafiq Syed, que foi estrela de Salaam Bombay!, filme de Mira Nair indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, em 1989. Mas a despeito do sucesso internacional do filme, e do papel de protagonista do então criança Shafiq, ele é hoje um motorista de riquixá em Bangalore. Esse tema tem tudo a ver com o momento, enquanto discutimos sobre os atores-mirim de Quem Quer Ser um Milionário?. Leiam a reportagem:
"Salaam" estrela agora um motorista de riquixá 05/03/09, Seethalakshmi S., do Times of India
BANGALORE: O mundo não pode tanto quando as crianças de rua de Quem quer ser um milionário?. Rubina Ali e Azharuddin vivem agora o brilho de que são feitos os sonhos. Bajulados com os Oscars e prêmios do Filmfare, elogiados pelos Shah Rukhs e Brad Pitts, você tem certeza que, como Jamal, eles também terão um lindo destino.
Terão mesmo? Essa é a pergunta do milhão. E se a vida de Shafiq Syed é um exemplo, então o pó de ouro desaparecerá rápido de suas vidas. A história de Syed é impressionantemente semelhante à das crianças de Milionário. Ele foi a estrela-mirim do filme indicado ao Oscar de Mira Nair, Salaam Bombay!. Ele ganhou a medalha do presidente pela melhor atuação de uma criança, mas caiu no obscurantismo - e na pobreza.
Em Bangalore, se você pegar um riquixá com a placa KA-01-9770, pare e veja o motorista de perto. Ele é "Krishna", o garoto de 12 anos que vendia paav e chá e roubou corações no premiado filme. Hoje, ele ganha a vida com miseráveis 150 rúpias por dia (pouco menos de 4 dólares), dirigindo seu auto pelas ruas de Bangalore.
Syed diz que foi por uma grande sorte que ele acabou ganhando o papel de Krishna. "Em 1986, junto de alguns amigos, eu fugi de casa apenas pra ver como era Mumbai. Nós não tínhamos casa, então ficamos nas calçadas da Churchgate", diz.
Um dia, a vida mudou dramaticamente pra vida dos garotos. Uma mulher aproximou-se deles dizendo que pagaria 20 rúpias por dia se eles participassem da oficina de drama dela. "Meus amigos disseram que isso seria um negócio pra explorar crianças e foram embora. Eu fui com ela. Eu estava muito feliz de ganhar 20 rúpias por dia, pois assim eu poderia ir ver filmes e comer bhelpuri. Havia cerca de 120 garotos como eu na oficina. Eles fizeram uns testes de gravação e eu acabei ganhando o principal papel do filme".
"Nós gravamos por 52 dias e eles pagaram-me 15.000 rúpias. Eu estava muito emocionado. Após as gravações, eu poderia assistir filmes e saborear as comidas de rua de Mumbai. O filme foi o maior sucesso e quando o presidente tirou fotos comigo era como se eu estivesse num sonho."
Mas sonho acabou rapidamente. A equipe de filmagem encerrou-se e desapareceu. "Eu percorri as ruas de Mumbai batendo nas portas de produtores por cerca de oito meses, mas a sorte não sorriu pra mim. Em 1993, eu voltei pra Bangalore e recomecei a vida. Eu tenho três filhos que estão estudando", diz Syed, cogitando se o "reconhecimento é temporário".
_ E finalmente fui assistir ao filme Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire, 2008), em pré-estreia, pois não aguentei esperar que ele estreasse oficialmente aqui em São Paulo (o que ocorrerá na sexta-feira próxima). Conforme prometido, farei aqui a minha crítica a esse filme, ganhador de 8 Oscars.
Bom, antes repetirei algumas informações já ditas. O filme é dirigido por Danny Boyle, um diretor britânico, com codireção do indiano Loveleen Tandan. É baseado no livro Q&A (2005), do indiano Vikas Swarup. No elenco do filme, temos o famoso Anil Kapoor como apresentador do Show do Milhão indiano (que embora não tenha feito nada de muito sucesso em Bollywood, atua desde 1979 e já recebeu alguns prêmios na Índia) e o outro também famoso Irrfan Khan, como o delegado. Eu também não posso deixar de lembrar que o ator que faz Jamal Malik (o protagonista) quando jovem, Tanay Hemant Chheda, é também quem faz Rajan Damodaran, o amigo de Ishaan Awasthi, em Taare Zameen Par.
Bom, e Quem Quer Ser um Milionário? acabou por ganhar 8 Oscars: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Canção Original e Melhor Mixagem de Som. Ambos os prêmios de trilha sonora e canção original foram entregues ao indiano A.R. Rahman de Chenai, Tamil Nadu, sucesso absoluto nas trilhas de Bollywood, virando orgulho nacional. Aliás, Rahman fez de fato um bom trabalho, em se considerando o que é o "normal" dele em Bollywood. As músicas desse filme, embora não se destaquem tanto, são bem sensíveis e bem construídas. "Jai Ho", a música que ganhou o Oscar de Melhor Canção, é até cativante, mas na minha opinião o próprio Rahman já fez coisa muito mais bonita e empolgante em Bollywood. Mas em se considerando o que se costuma premiar em Hollywood (músicas a la "My Heart Will Go On"), "Jai Ho" é divertidíssima e merecia o prêmio. No final dessa postagem vai o clipe dela.
E falando em orgulho nacional, devo dizer que os indianos tiveram uma reação muito estranha com esse filme. Por um lado, a primeira reação foi de ódio e raiva pela obra de Danny Boyle. Ódio por não verem o que há de bonito na Índia ali na telona, segundo eles mesmos. Ódio por mostrar uma Índia muito feia; feia no sentido material, suja, bagunçada, fedida... mas mais feia ainda no sentido espiritual, rompendo com uma imagem por muitos ainda solidificada, e revelando uma estrutura social e espiritual pra lá de corrompida, mais suja e fedida que a própria realidade material. E os indianos não gostam de saber que eles são assim, não gostam mesmo. Indiano só gosta do que há de progresso na Índia, da Índia que constroi o futuro, e também da Índia que já foi, a que inventou a matemática, a medicina, a astrologia e astronomia, a navegação, a universidade, a música e muito mais. Mas a realidade presente, feita por eles neste momento, isso eles não querem saber. E nem sabem que são responsáveis também.
Eu falo isso, mas sei também do que temos por aqui. Digo isso antes que receba críticas por falar dos outros. Eu reconheço, por exemplo, o que aparece nos filmes nossos que tanto sucesso fizeram, como Central do Brasil e Cidade de Deus, de Walter Salles e Fernando Meirelles, respectivamente. Ambos vão pra estética da pobreza, é verdade, mas mostram a realidade e reconhecemos isso, não temos ódio. E o filme de Meirelles, tanto dito ter inspirado Danny Boyle, eu discordo. São formas diferentes de direção e edição. Pode ter havido alguma coisa inspirada, mas só alguma coisa.
E finalmente, minha opinião é que o filme é bom e somente bom. Eu não daria um Oscar de Melhor Filme a ele. Fiquei com a profunda sensação que a Academia quer agora tirar o foco mundial da China e tranferir para a Índia. Me pareceu demais uma grande jogada política-econômica, isso sim. O roteiro não é assim tão complexo, muito pelo contrário. A direção não achei tão original, muito pelo contrário. A trilha sonora é mesmo boa, mas nada excepcional (ou será que esse ano não havia nada melhor mesmo?). E a fotografia, daí sim, essa merecia.
Eu acho que talvez Danny Boyle tenha um mérito que seja de fato uma tentativa de convergência entre as estéticas do cinema ocidental e de Bollywood. Muitas das técnicas de edição utilizadas nesse filme são mesmo de Bollywood. Algumas cenas com a câmera acelerada, de maneira um pouco tosca até, lembra muito o tosco que por vezes faz Bollywood em cenas de ação. A história, ou seja, o enredo, é muito simples, na verdade. O filme é muito simples, tentando ser bonito, até. Se por um lado os indianos odeiam a realidade mostrada no filme, eu diria que é muito mais interessante a realidade que mostra Quem Quer Ser um Milionário?. O filme inteiro se desenrola com o personagem principal, Jamal Malik (Dev Patel), provando que as duras circunstâncias de sua vida construíram a sua sabedoria. Pra mim essa é a grande beleza do filme, embora chegue a tender até pra um tanto brega. Mas isso é universal, e é também muito bonito vermos como o ser humano é de fato igual em qualquer lugar. Somos muito bonitos e muito horrosos em qualquer lugar do planeta. Em alguns locais temos algumas complexidades sociais a mais, e a Índia é um campo fértil pra complexidades.
E na questão da direção ter-se baseado em alguns fatores de Bollywood, eu diria até que há inspirações além. Num dado momento do filme, Jamal combina com sua amada que ele estará sempre na mesma estação de trem, no mesmo horário. E no mesmo momento que vi isso, imediatamente lembrei-me do filme alemão Sombras do Passado (Shadows of Time, 2004), também rodado na Índia, que tem como enredo os desencontros de um casal apaixonado, e que em um dado momento o garoto combina com a amada que estará todos os dias no mesmo local e no mesmo horário, até o dia que ela aparecer.
Mas fora tudo isso, o filme mostra uma realidade muito interessante - e muito real. Eu vi com meus próprios olhos a polícia corrupta da Índia, e mais de uma vez. Eu sofri as consequências diretas da malandragem indiana, friamente mostrada no filme, e me assustei com as favelas de Mumbai. Na vida real, o pai do pequeno Azharuddin Mohammed Ismail, que fez o pequeno Salim quando criança, surrou o coitado em pleno público (veja aqui). Na vida real, a mãe da pequena Rubina Ali, que fez Latika criança, reclamou que Danny Boyle poderia também dar uma casa a eles, não apenas o generoso salário, educação e saúde até que fiquem adultos (veja aqui). Parece-me que o diretor acatou a "sugestão".
O resumo é que o filme vale a pena ser visto. Se não há assim tanta coisa que o destaque efetivamente, vale muito pelo que ele vem representando nessa mobilização mundial que se criou. A reação é mesmo ambígua, mas as vezes a ambiguidade tras mais coisas a nós do que aquilo que identificamos mais facilmente.
Abaixo vão o trailer do filme e a música que ganhou o Oscar (com a letra, em hindi).
A professora Sandra Bose, do Indi(a)gestão, enviou-me agora mesmo uma reportagem que saiu no site do Jornal do Brasil, sobre a agressão que uma das crianças do filme Quem Quer ser Milionário? sofreu do próprio pai. Acho que vale a pena postá-la aqui, já que estamos todos discutindo sobre isso, não só no Brasil, mas em todo o mundo.
Astro de filme ganhador de Oscar leva surra do pai em público Portal Terra
MUMBAI - O ator-mirim Azharuddin Mohammed, que interpreta o Salim em Quem quer ser um Milionário?, foi surrado pelo pai em público depois que se recusou a dar entrevistas a uma rede de televisão em Mumbai, na Índia. Segundo o tablóide The Sun, Ismail Mohammed, deu tapas no rosto da criança e a chutou na barriga. As imagens foram registradas pela mídia indiana.
Depois da surra, Azharuddin caiu no choro e disse aos repórteres que estava cansado para dar entrevistas. Na quarta-feira, ele passou quase 24 horas entre o aeroporto de Los Angeles e a viagem para a Índia.
A mãe do garoto chorou diante das câmeras e pediu desculpas pelo marido, que depois disse estar "arrependido".
- Eu estava confuso e estressado com o retorno do meu filho e não me controlei. Eu amo ele e estou feliz que ele tenha voltado - declarou.
Devido ao esgotamento da maratona, Azharuddin não foi à escola nesta sexta-feira. O diretor Danny Boyle e os produtores do filme prometeram acompanhar todas as crianças que participaram de Quem Quer ser um Milionário? até a idade adulta. O cachê foi trocado por serviços de saúde, alimentação e educação.
Enquanto não assisto ao filme do momento, Quem Quer ser Milionário? (ou Bilionário, em Portugal) - por pura falta de tempo e ainda de horários do cinema (porque sim, quero ver no cinema e ainda estava em pré-estreia essa semana em São Paulo) -, deixo aqui um artigo que encontrei sobre o filme, escrito após a entrega do Oscar.
Aliás, aos mais desinformados, esse tal filme do momento a que me refiro acaba de ganhar, no domingo dia 22/02, 8 Oscars, acabando por ser o filme mais premiado pela academia neste ano. Os prêmios foram: Melhor Filme, Melhor Diretor (Danny Boyle), Melhor Roteiro Adaptado (Simon Beaufoy), Melhor Fotografia (Anthony Dod Mantle), Melhor Edição (Chris Dickens), Melhor Trilha Sonora Original (A.R. Rahman), Melhor Canção Original (Jai Ho, A.R. Rahman) e Melhor Mixagem de Som (Resul Pookutty, Richard Pryke e Ian Tapp).
Então aproveito para dizer que agora, mais do que nunca, é hora de também fazer uma postagem sobre A.R. Rahman, que disputa com o trio SEL o posto de melhor compositor de trilhas sonoras de Bollywood. Eu já havia feito a postagem sobre os SEL e faria logo sobre Rahman, mas eis que o cara me ganha 2 Oscars e é agora que ele merece sua postagem. Então prometo falar dele assim que escever minha crítica do filme, ok? Agora fiquem com o artigo que saiu no site do O Globo, que trás um pouco do que vem sendo falado a respeito do filme, sobretudo em relação à aproximação de Hollywood com Bollywood.
RIO - "Quem quer ser um milionário?" levou para casa oito Oscars na noite de domingo, um resultado surpreendente para um filme que quase foi lançado direto em DVD nos Estados Unidos. A história, que mistura a dura vida dos habitantes da periferia de Mumbai com as aspirações cheias de esperança da nova Índia, tem como protagonistas astros completamente desconhecidos do público ocidental e apenas um famoso em sua terra natal. Então, será que chegou o momento em que Bollywood - como é chamada a grande indústria cinematográfica de Mumbai - vai invadir a América?
- O cinema internacional chega em ciclos aos Estados Unidos. Agora é a vez de Bollywood - disse ao site da CNN o crítico Frank Lovece, do "Film Journal International".
Mas "Slumdog millionaire" (no original) está muito distante dos grandiosos musicais feitos em Bollywood, que lança cerca de 1.000 filmes por ano. E o longa não é autenticamente indiano - foi dirigido pelo britãnico Danny Boyle e o ator principal, Dev Patel, é nascido e criado na Inglaterra. De qualquer forma, o filme é uma celebração à Índia - desde as favelas até o Taj Mahal. Ele faz uma homenagem a Bollywood ao incorporar muitos do elementos daquela indústria - cores vibrantes, edição ágil, uma história de amor de conto de fadas e uma animada coreografia de encerramento.
- "Quem quer ser um milionário?" tem as razões pelas quais as pessoas vão ao cinema. É um pacote completo. É uma história incrível... e faz você se sentir bem - explica à CNN Gene Newman, diretor editorial do site "Premiere.com".
Priya Joshi, professora substituta de Inglês na Temple University e autora do livro que está para ser lançado "Crime and Punishment: Nationalism and Public Fantasy in Bollywood Cinema" ("Crime e castigo: Nacionalismo e fantasia pública no cinema de Bollywood") afirma que o enredo sobre "pobres que ficam ricos" tem muito a ver com o grande apelo comercial do filme.
Hollywood frequentemente se aproveita de estilos e cineastas de outros países em seu benefício. Nos primórdios do cinema, o capital da indústria cinematográfica americana abraçou diretores europeus como Fritz Lang e Jean Renoir. Os anos 60 viram a influência da Nouvelle Vague francesa. Os filmes japoneses influenciaram sucessos como "Guerra nas estrelas", enquanto produções de Hong Kong inspiraram arrasa-quarteirões como "Os infiltrados" e "Matrix".
E "Slumdog" não é o primeiro filme centrado na Índia a chamar a atenção de Hollywood.
- O cinema indiano tem circulado nos Estados Unidos desde Satyajit Ray no início dos anos 40 - explica Lovece.
Ray, que recebeu um Oscar pelo conjunto de sua obra em 1992, produziu filmes em bengali, uma língua falada ao leste da Índia. Além disso, seus filmes, principalmente "O mundo de Apu", tiveram apelo universal. Desde Ray, vários atores indianos emergiram no cenário hollywoodiano. Aishwarya Rai, uma das principais atrizes de Bollywood, estrelou o musical "Bride and prejudice", em 2004, e apareceu recentemente em "A Pantera Cor-de-Rosa 2".
- Os astros de cinema da Índia são essencialmente embaixadores do país. Muitas pessoas que assistirem a "A Pantera Cor-de-Rosa 2" vão aprender sobre Bollywood por causa de Aishwarya Rai - explica Gitesh Pandya, analista de bilheteria e fundador do site "BoxOfficeGuru.com".
De Ray a Rai, a influência indiana no cinema americano é vasta. Muitos filmes de Hollywood também foram influenciados por Bollywood, como o musical de Baz Luhrman "Moulin Rouge", de 2001, um romance trágico contado através de música e dança, repleto de elementos dos musicais indianos.
Joshi afirma ainda que as diferenças culturais entre Bollywood e Hollywood poderiam dificultar a entrada do cinema indiano na América.
- A Índia ainda está muito presa a seus valores sociais, o que explica o sucesso de Bollywood no mundo todo, menos nos Estados Unidos. Os filmes de Bollywood não têm ou tendem a não ter cenas de beijo. A Warner Bros. costumava fazer filmes como esses no passado. Se Hollywood está preparado para voltar a suas raízes, então está preparada para Bollywood - afirma.
Nesta sexta-feira entra em cartaz na maior parte do Brasil o polêmico filme Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire), do britânico Danny Boyle. Em São Paulo entrará ainda em pré-estreia em 28 salas espalhadas pela cidade, mas em outras capitais já entra na programação oficial.
Para quem está por fora e nem sequer sabe do que estou falando, explico. Em linhas gerais, Slumdog Millionaire é um filme que fala sobre um garoto de uma favela de Mumbai que participa do "Show do Milhão" da Índia e vence. Por ser favelado, duvidam da veracidade de sua vitória. Nos entremeios, um enredo grotesco percorre o submundo das favelas indianas à la Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, mostrando uma Índia um tanto... assustadora.
Só que o filme não é indiano, mas britânico, e concorre agora a 8 Oscar, além de já ter ganhado dezenas de outros prêmios. Ao ser exibido na Índia, o filme causou repulsa nacional, em parte porque indianos odeiam que suas realidades sejam exibidas ao mundo, em parte porque ficaram com ciúme de o filme ter tantas indicações (pois, dizem, se fosse produção indiana o mundo desconheceria), e em parte porque parece que o filme realmente pega muito pesado e exagera quase sempre.
Esta já é a terceira postagem que faço sobre esse filme e ainda farei ao menos mais uma após assisti-lo, dando minha crítica (veja a crítica aqui). A primeira que fiz falava sobre a declaração de Amitabh Bachchan sobre o filme (clique aqui); a segunda falava sobre uma das atrizes-crianças do filme (clique aqui). E nossa amiga do blog Grand Masala, que também se presta a falar do cinema indiano, já fez sua postagem sobre o filme. Além dela, nossa outra amiga do Goriji também falou sobre o filme.
Hoje mesmo saiu uma crítica grande no jornal Folha de São Paulo, praticamente acabando com o filme (para ler minha crítica, clique aqui). Enfim, agora é ir pro cinema e darmos nossas próprias opiniões! E enquanto isso, vejam o trailer:
Rubina Ali já é estrela de Hollywood. Agora, a garota de 9 anos, que atuou em "Quem Quer Ser um Milionário?" ("Slumdog Millionaire") e vive com sua família num barraco de um cômodo numa favela de Mumbai, quer virar estrela de Bollywood.
Seu sonho vem sendo alimentado pela atenção intensa da mídia e as festas que se seguiram à premiere em Mumbai do filme indicado ao Oscar, a história do enriquecimento de um jovem de uma favela de Mumbai, em que Ali faz a personagem feminina principal quando criança.
"Gosto de cinema. Gosto de poesia e da minha escola", disse a garota de olhos vivos e cabelo preso com maria-chiquinhas, mascando um chiclete e recitando poemas em inglês para visitantes.
Ali está na primeira série de uma escola onde as aulas são dadas em inglês. A escola é um presente do "Tio Danny", o diretor Danny Boyle, que desmentiu que as crianças faveladas que atuam no filme tenham sido mal pagas, conforme noticiou o jornal britânico Daily Telegraph.
A escola -- a primeira em que Ali estuda --, as fotos da premiere e um passeio de helicóptero para as crianças do filme estão entre as poucas recordações que a mãe da menina, Munni, tem do filme, que continua a receber prêmios enquanto a atriz mirim e sua família seguem vivendo num barraco igual a dezenas de outros na favela, sem janelas, banheiro ou água corrente.
"Ela ficou muito feliz por atuar no filme. Agora ela quer estar em outros filmes que Danny Boyle fizer e quer virar estrela", disse Munni, falando do filme que vem suscitando polêmica na Índia por seu título original -- devido à palavra "cão" -- , pelo retrato que faz dos pobres e pelo tratamento dado ao elenco.
Em junho do ano passado, Boyle matriculou Ali e Azharuddin Ismail, que também representa uma criança favelada, em escolas de língua inglesa. O diretor também se reuniu com os professores das escolas.
Boyle se comprometeu a pagar cerca de 1.500 rúpias (31 dólares) mensais pelas mensalidades escolares e outras despesas, além dos valores pagos pelo trabalho das crianças no filme. A Fox Star Studios, que lançou o filme na Índia, disse que o salário mensal que as crianças receberam foi três vezes o salário local anual médio de um adulto, mas não revelou cifras.
Boyle e o produtor do filme, Christian Colson, vão pagar pelos estudos das crianças até completarem 18 anos, e "um valor substancial" será dado a eles quando concluírem seus estudos, disse o diretor, para incentivá-los a continuar estudando.
Apesar disso, Munni, que trabalha como empregada doméstica, está incerta quanto ao futuro de sua filha e preocupada porque a família não tem como mudar-se para uma casa melhor.
"Somos pobres. Criar cinco filhos é duro", disse ela. "Danny Boyle é um ser humano bom... mas somos pobres e gostaríamos de comprar uma casa. Já dissemos que precisamos de ajuda. Ele pode nos demonstrar mais bondade se quiser."
Antes de publicar a segunda postagem sobre Amitabh Bachchan, vou falar sobre outra questão que envolve ele neste exato momento. Alguns de vocês já devem ter ouvido falar no filme Slumdog Millionaire, que acaba de entrar em cartaz em algumas partes do mundo e em outras partes ainda está por estrear.
O filme conta a história de um garoto que mora numa favela de Mumbai e decide inscrever-se no "show do milhão" indiano. Mas a verdade é que ele nem pretendia ganhar o prêmio, mas sim ser visto e reencontrado por seu grande amor, que sempre assiste ao programa. Acontece que ele acaba por ganhar o prêmio, levantando suspeitas de como um favelado poderia ganhá-lo.
Embora rodado na Índia, e com atores indianos, o filme, porém, não é indiano
, mas britânico. Dirigido por Danny Boyle, Slumdog Millionaire virou a grande atração da 66ª Premiação do Globo de Ouro, realizada no último dia 11 de janeiro. Super inspirado no filme brasileiro Cidade de Deus, de Fernando Meirelle
s, Slumdog não criou nada novo, mas fez de fato um bom cinema e por isso mereceu as premiações. Vou reproduzir o que colocou a Profª Sandra Bose em seu blog Indi(a)gestão:
O filme Slumdog Millionaire acaba de receber 4 Globos de Ouro nas seguintes categorias:
- Melhor filme de 2008 (Drama)
- Melhor Diretor - Danny Boyle
- Melhor Screenplay - Simon Beaufoy
- Melhor Musica - A. R. Rahman
Alem dos 4 Globos de Ouro Slumdog Millionaire venceu outros 26 premios cinematograficos!!
O filme trata da estoria de um menino favelado da cidade de Mumbai que vence no programa "do Milhao" e fica rico da noite para o dia, mas como nada em sua vida eh facil, ele eh acusado de ter trapaceado e entao......
Este filme promete ultrapassar o sucesso do Gajhini que atualmente eh o campeao de bilheteria aqui na India.
Daí que é neste ponto que entra a atuação de Amitabh Bachchan, o enciumado. Em seu blog (http://bigb.bigadda.com), Amitabh criticou a atenção dada a este filme, dizendo que toda essa aclamação é porque o diretor, Danny Boyle, é ocidental. Segundo ele, se o diretor fosse indiano o filme não seria tão aclamado pela crítica. Mas acho que ele não se lembra da repercussão que fez a Trilogia de Apu, do indiano bengalês Satyajeet Ray, na década de 50. Faz muito tempo e hoje as coisas não são mais as mesmas? Não acredito que seja assim. Se hoje um diretor indiano realmente fizer algo que seja cinema e não entretenimento, então sua obra será vista como tal.
A verdade é que Amitabh ficou não só com ciúme, mas sentiu-se ofendido com as imagens que o filme propôs-se a mostrar. Em seu blog ele diz: "Se SM projeta a Índia como uma nação desprotegida do terceiro mundo e causa dor e repulsa em patriotas e nacionalistas, que fique claro que mesmo na nações mais desenvolvidas também existem áreas sombrias e desprotegidas". Ele não deixa de ter razão - e nós brasileiros sabemos também de algumas inverdades que se projetam sobre nosso país -, mas o fato é que sua crítica, antes de ser bem embasada, tem outro nome: dor de cotovelo.
***ATUALIZAÇÃO*** (18/01)
Acabo de receber informações quentinhas da Profª Sandra Bose de que a grande crise de ciúme não atacou somente ao imperador Amitabh Bachchan. Parece que toda a população indiana está super revoltada com o filme! Motivos? Estão dizendo que este filme passa imagens feias e falsas da Índia, mostrando uma realidade que já não existe mais na Índia. Chegam ao absurdo de dizer que Mumbai não tem favelas! Pois eu mesmo digo, então, que se Mumbai não tem favelas, então São Paulo é o paraíso na Terra! Eu digo e reafirmo isso pois vi pessoalmente as infinitas favelas de Mumbai enfiadas entre prédios, avenidas e manguezais. E agora também assino embaixo mais uma vez às infinitas investidas da Profª Sandra Bose, em seu blog INDI(A)GESTÃO, em dizer que os indianos não assumem a realidade do próprio país. Então se não assumem e negam, que coloquem tapumes com cenários falsos para nós, supostos turistas, e contratem seus infinitos atores de cinema para encenarem uma Índia perfeita para gringo ver. Acontece que eu mesmo não fui à Índia para ver uma Índia falsa, eu fui pra ver justamente o que vi, e que é justamente o que negam. Ou será que não dormi com um camundongo no quarto? Ou será que não fui puxado por mendigos pelo braço? Aiaiai... longo caminho em direção à humildade...
E agora aproveite e veja a seguir o trailer deste filme que não é indiano, mas vale a pena conferir:
Neste blog não são aceitos comentários que envolvam crimes de calúnia, difamação, injúria, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal ou familiar a qualquer pessoa.
Também o proprietário não se responsabiliza por opiniões e comentários emitidos por leitores deste blog.
Cópias de nosso conteúdo podem ser feitas livremente conquanto seja disponibilizado o link deste blog. A não referência dos devidos créditos é roubo intelectual.