Mostrando postagens com marcador Tamil Nadu. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tamil Nadu. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Alegra-me o dia, Jayalalithaa!

-

Não fosse nossa amiga do Grand Masala, este texto com este simpático título não teria vindo a nós e teríamos perdido a chance de agregar um tanto de coisas curiosas e não menos simpáticas, num post tão curto. Trata-se de um blog galego, chamado Sei o que nos figestes..., com vários colaboradores. Este texto que se segue é de autoria de Joaquim Reboiras, que teve a capacidade de escrever uma super curiosa postagem que eu não me contive em querer trazer aqui pra vocês. Fora o vídeo que ela traz, que é tão simpático quanto. E isso tudo num contexto ultra pertinente, quando a Catalunha, parte do mesmo país do qual a Galiza também faz parte - a Espanha -, aprovou o fim das touradas em seu território.

Não quis traduzir o texto ao nosso português, porque creio ser desnecessário. Leiam em galego, mesmo, que é mais rico pra todos nós. Alegra-me o dia, Jayalalithaa!:

"Estes dias em que a capital do Leres amanhece com o cham tingido de púrpura polo vinho das penhas e o sangue dos touros assassinados, lembramos de resgatar da rede e do desconhecimento do público esta curiosa visom das touradas que nos oferece a inesgotável fonte de surpresas que é o cinema indiano


O vídeo é um fragmento do filme do ano 1968 Kudiruntha Koil ("Templo de Refúgio"), realizado por K. Shankar e protagonizado pola super-estrela do cinema tâmil Maruthur Gopalan Ramachandran (mais conhecido pola siglas MGR), que chegaria a ser anos mais tarde ministro-chefe da Tamil Nadu (Terra dos Tâmiles), responsabilidade política que voltaria a ter em várias ocasions. O mesmo, curiosamente, podemos dizer de J. Jayalalithaa, a líndissima "touro" do filme, que ocupou também o posto de ministro-chefe e que de facto é na actualidade líder da oposiçom da Tamil Nadu.

A Índia, como é sabido, é um país com grande respeito pola diversidade linguística dos povos que a constituem, daí a existência deste cinema em língua Tâmil. E -como seguramente seja mais sabido- também guarda grande respeito polas vacas, animal que, como bem dizia Castelao, é o símbolo da Paz. Nada a ver com unha Espanha que, por direitas e por esquerdas, insiste em declarar a guerra à dignidade animal e à naçom galega.

Nom é por acaso, pensamos nós, que na simpática visom da Fiesta Nacional do vídeo de cima haja muitos toreros a mover trapinhos, mas nenhum com um estoque na mao. De facto, Jayalalithaa é 'derrotada' sem nenhum tipo de sofrimento e, o que é melhor, isto só acontece depois de levar por diante uns quantos 'matadores'. Oxalá fosse assim em todas as touradas, ou, ainda, oxalá que tudo isto nom existisse. Entretanto, nós gostamos mais de touradas como as da Índia, e nom a paletada de Ponte Vedra."
-

sábado, 31 de julho de 2010

Homenagem a Mani Ratnam no Festival de Veneza

-
Há menos de um mês falamos da importância de Mani Ratnam para o cinema indiano. Coincidentemente - ou não -, no Festival de Veneza deste ano ele receberá uma homenagem por sua obra, além de ter exibido lá seu mais recente filme, a megaprodução Raavan.

O prêmio Glória ao Cineasta (Glory to the Filmmaker) é dado àqueles que, de alguma forma, trazem uma contribuição mais significativa ao cinema que outros cineastas são capazes de fazer. No caso de Mani Ratnam, o júri do Festival de Veneza resolveu este ano reconhecer a capacidade que ele teve - e tem - de realizar um efetivo diálogo dentro dos cinemas regionais indianos.

Nascido e crescido no Tamil Nadu, sede de Kollywood, indústria que disputa com Bollywood o posto de maior indústria de cinema da Índia, Mani começou seu trabalho fazendo filmes em língua tamil, logo consagrando-se como cineasta de destaque. Mas tão logo começou incursões pelo cinema hindi, sem nunca abandonar o cinema de Chennai, estando, ainda por cima, sempre ao lado do incontestável e também tamil A.R. Rahman, dono das mais significativas trilhas sonoras do cinema indiano.

Os organizadores de Veneza acreditam, também, que Mani foi um dos grandes responsáveis pela atual cara do cinema indiano contemporâneo. Dizem, também, que o poder de seus filmes foi capaz de entrar no imaginário popular indiano ao longo dos últimos vinte anos, coisa que quase nenhum outro cineasta consegue fazer, num país de mais de 800 filmes por ano.

E então, durante o Festival de Veneza, que ocorre de 1 a 11 de setembro próximos, o filme Raavan terá sua premiere, com direito ao próprio Mani Ratnam presente, além dos dispensa apresentações Abhishek Bachchan, Aishwarya Rai e Vikram. A.R. Rahman também estará lá.

E pouco a pouco o cinema indiano vai ganhando mais reconhecimento por aí. O caminho é natural, basta agora torcermos pra que esse reconhecimento também ajude a quebrar certas barreiras aqui e ali, fundamentais pro cinema da Índia ganhar o espaço que efetivamente merece.
-

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Kanchivaram (2008) - காஞ்சிவரம்

-

Fazia um certo tempinho que eu não via filmes fora do circuito hindi e de repente fui ver nada mais que a obra tamil que ganhou o prêmio de Melhor Filme no National Film Awards desse ano, premiação esta entregue pelo governo indiano para toda a produção de cinema do país.

Kanchivaram é um belíssimo filme, escrito e dirigido por Priyadarshan. Prakash Raj, protagonista do filme e que na mesma premiação levou o prêmio de Melhor Ator, é fantástico. Isso sem falar na trilha sonora, de M.G. Sreekumar, que é deliciosa. A fotografia, então, é linda. E o enredo é delicado, sensível, denso e poético. Ufa, basta de elogios?

Esse filme conta um caso fictício num fato histórico real que se passou no Tamil Nadu, à época da Índia recém-independente. Naquele período - e quiçá talvez até hoje, confesso que não sei - aquela região da Índia produzia as melhores e mais bonitas peças de seda, cobiçadas pelo mundo inteiro e que por séculos teve o comércio controlado pelo Reino Unido. O município de Kanchivaram (atual Kanchipuram), em especial, era um centro notório dessa produção.

Acontece que enquanto os líderes locais lucravam horrores com a comercialização da seda (sem falar nos britânicos que compravam e depois revendiam a preços ainda mais absurdos), os tecelões - fonte de toda a criatividade dos belos tecidos - seguiam absolutamente pobres, pra não falar miseráveis. Enfim, a estrutura que conhecemos bem.

Quando o filme começa, um prelúdio em texto nos informa da importância da seda no hinduísmo, dizendo que, por sua pureza, recomenda-se usá-la ao menos em dois momentos da vida: no casamento e na morte. Acontece que até mesmo pra comprar um novelo de fios de seda já é caro demais pra um mero tecelão. Para eles, possuir um pedaço de seda é tão absolutamente impossível que nem em sonho isso passa na cabeça deles.

Mas Vengadam (Prakash Raj) resolveu sonhar o impossível. No nascimento de sua primeira filha, ao cumprir o ritual de fazer uma promessa no ouvido da neonata, promete-lhe um sari de seda em seu casamento. Todos que estão presentes entreolham-se e a esposa de Vengadam, Annam (Shreya Reddy), recolhe-se, entristecida. Mas Vengadam tenta convencê-la de que se eles pouparem dinheiro o tanto quanto puderem, na hora do casamento de Thamarai (Shammu), a filha, eles teriam dinheiro suficiente para comprar o sari de seda prometido.

Acontece que o próprio Vengadam trai o acordo, ao dar ao seu cunhado uma bela quantia do dinheiro guardado, já que ele passava por problemas. Para contornar, e tentar garantir que a promessa se cumprisse, Vengadam começa a roubar fios de seda todos os dias ao sair da tecelagem, enfiando os novelinhos na boca e evitando ser descoberto. Assim, dia após dia, e por 16 anos, Vengadam tecia um sari de seda pra sua filha no velho tear de seu pai, sem que ninguém soubesse.

A história vai se passando em flash back. Vengadam está sendo levado da prisão, de Koimbatore a Kanchivaram, num dia de muita chuva. Os policias que o acompanham levam-no num ônibus, e de tudo acontece durante essa viagem, que se torna angustiantemente longa. Enquanto tudo vai acontecendo, o pensativo Vengadam vai lembrando-se de toda sua vida, até chegar onde chegou - e o filme são suas lembranças. Assim percebemos que a maior parte da história se passa com a Índia ainda dominada pelos britânicos, durante o período da Segunda Guerra Mundial.

Nesse cenário, Vengadam acaba entrando em contato com os ideais comunistas, primeiro clandestinamente, mas depois "liberados" após a União Soviética lutar ao lado dos Aliados, dos quais a Grã-Bretanha pertencia. Ele torna-se um líder revolucionário dos tecelões, e comanda a primeira greve entre eles. No entanto, ele se vê entre a cruz e a espada ao receber um ultimato para casar sua filha. O problema era que o sari ainda não estava pronto e para terminá-lo o único jeito seria voltar a trabalhar nas tecelagens para seguir roubando a seda e cumprir sua promessa.

A verdade é que até esse ponto já estamos relativamente próximos ao final do filme. Muito se passa nesse meio tempo, e omiti fatos um tanto pesados na história - assim garanto um certo efeito surpresa. Mas o desfecho da história surpreende um bom tanto, ao mesmo tempo em que a delicadeza da trama é mantida do começo ao fim.

A parte real da história é que os tecelões de Kanchipuram existem até hoje, e de fato eles passaram por uma micro-revolução nos primeiros anos da independência do país, eliminando as estruturas opressoras e formando cooperativas.

Não vi todos os filmes que concorreram no National Film Awards de 2009, mas esse filme tamil é totalmente merecedor, sem sombras de dúvidas.

Ah, e vale muito dizer que esse filme pode ser visto completo no YouTube, em 13 partes, com qualidade boa da imagem e legendas em inglês. E por hora, fiquem com o trailer:



domingo, 26 de abril de 2009

A.R. Rahman - ஏ.ஆர்.ரகுமான்

_

Estou devendo já faz tempo uma postagem sobre o mestre indiano das trilhas sonoras, A.R. Rahman.

Rahman nasceu no dia 6 de janeiro de 1966 e foi batizado como A.S Dileep Kumar, em Chennai (antiga Madras), capital do Tamil Nadu, no sul da Índia. Seu pai, R.K. Shekhar, era um músico e trabalhava há tempos na produção de trilhas sonoras para os filmes malayalam, no estado vizinho do Kerala. Embora seu pai fosse hindu, sua mãe, Kareema, era de família muçulmana. Seu pai morreu cedo e Rahman ficou somente aos cuidados de sua mãe. Em 1989, como forma de agradecer a todo o carinho que dela recebeu, converteu-se ao islamismo, seguinto a linha Sufi, sendo então rebatizado como Allah Rakha Rahman. Hoje é casado com Saira Banu e tem três filhos: Khadijah, Rahima e Aameen.

Ainda jovem, começou a trabalhar tocando teclado em bandas de rock do Chennai e fundou o grupo Nemesis Avenue. Nessa banda, tocava teclado, piano, harmônica e violão, além de ter aprendido a dominar o sintetizador. E foi aprendendo a usar o sintetizador que ele ficou mais curioso com o mundo da música, experimentando o que a tecnologia podia fazer.

Logo cedo também foi ter aulas com o Mestre Dhanraj, um famoso professor de música do Chennai. A partir dele, acabou sendo tecladista do grupo de Ilaiyaraaja aos 11 anos de idade. Em seguida, com seu reconhecimento, foi tocar na orquestra de M.S. Viswanathan e Ramesh Naidu, que rodou o mundo fazendo apresentações. Finalmente, o seu talento rendeu-lhe uma bolsa na Trinity College of Music, no Reino Unido, onde graduou-se em Música Clássica Ocidental.

De volta pra Índia, Rahman criou seu estúdio nos fundos de sua casa, em 1992, chamado Panchathan Record Inn, que posteriormente tornou-se o mais avançado estúdio de música de toda a Índia. Incialmente, seu estúdio compunha jingles para peças publicitárias e para programas de televisão da Índia. No entanto, no mesmo ano, o diretor de cinema tamil Mani Ratman convidou-o a fazer a trilha do filme Roja. A trilha foi tão bem sucedida que Rahman levou o prêmio Rajat Kamal de Melhor Trilha Sonora no National Film Awards, a primeira vez que isso ocorria para um compositor estreante. Depois disso, ele levou o mesmo prêmio mais três vezes (também recorde pra um compositor indiano), para Minsaara Kanavu (1997), Lagaan (2002) e Kannathil Muthamittal (2003).

A trilha de Roja, na verdade, criou um novo marco na história do cinema indiano, com letras e composições mais trabalhadas. Como o filme foi filmado também em outras línguas indianas para ser passado em todo o país, da mesma maneira Rahman fez as mesmas músicas nas diferentes línguas. Ele foi em seguida premiado pelas trilhas de Gentleman, Kandhalan e Bombay, este último que disparou sua fama, com a música tema do filme.

Em 1995, o filme Rangeela, de Ram Gopal Varma, marcou sua estreia em Bollywood e seus primeiros prêmios pelo Filmfare Awards, de melhor trilha sonora e melhor compositor estreante. Depois fez sucesso com Taal e Dil Se (a música Chaiyya Chaiyya, desse último filme, foi classificada como a nona música entre as dez melhores de todos os tempos, de acordo com o BBC World Service), ambos rendendo de novo prêmios de melhor trilha sonora pelo Filmfare Awards. Alguns diretores confessam que não conseguem mais fazer filmes sem ter Rahman como o compositor das músicas. O próprio Ratnam, do estreante Roja, nunca usou outro músico além de Rahman. Ashutosh Gowariker, após tê-lo em Lagaan, permaneceu com ele em Swades e em Jodhaa Akbar. As trilhas dos três filmes da Trilogia dos Elementos de Deepa Mehta foram feitas por Rahman. Rakesh Omprakash Mehra, também após chamá-lo para a trilha de Rang De Basanti, tornou a chamá-lo para Delhi 6. Foi Rahman que fez a trilha de filmes como Mangal Pandey, Guru, Jaane Tu Ya Jaane Na e o sucesso Ghajini.

Neste ano de 2009, porém, A.R. Rahman ficou internacionalmente conhecido por ter feito a trilha sonora de Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire) e levar consigo os Oscars de melhor trilha sonora e de melhor música, por Jai Ho. Mas essa não foi a estreia de Rahman no Oscar e menos ainda em um filme não indiano. Duas de suas músicas em Rang De Basanti concorreram ao Oscar de melhor música original, mas não levaram o prêmio. Em 2003, fez a trilha para o filme chinês Warriors of Heaven and Earth. E o filme americano
Elizabeth: The Golden Age, com Cate Blanchett, teve trilha sonora composta conjuntamente com Rahman e Craig Armstrong, em 2007.

Em 2005 ele resolveu ampliar seus estúdios, criando a AM Studios, em Chennai, agora considerado o melhor estúdio de toda a Ásia. No ano seguinte ele criou também seu próprio selo, o KM Music.

Nas suas músicas, Rahman tenta fazer uma convergência das músicas clássicas indianas, com a música ocidental, seja a clássica, sejam as populares, como o rock, o reggae, o jazz e o rap. No total, já levou até agora 34 prêmios, sendo 2 óscares.

Assim como o trio SEL, Rahman também está envolvido com obras sociais, focando desde as crianças desprotegidas da Índia, até as famílias afetadas pelo tsunami em 2004. Ele também criou uma composição para o hino nacional indiano, o Jana Gana Mana, que hoje passa nos cinemas da Índia antes de os filmes começarem. Em 2006, fez a música do vídeo de campanha do projeto The Banyan, que resgata mulheres de rua com problemas mentais em Chennai. Em 2008, criou a música Jiya se Jiya, para a campanha Free Hugs na Índia, que hoje passa em quase toda a Índia.

E aqui vai o site oficial de Rahman.

sábado, 21 de março de 2009

The Terrorist - Theeviravaathi (1999) - த டெரரிஸ்ட்

_

Outro filme que está na mostra aqui em São Paulo é o surpreendente The Terrorist, escrito e dirigido por Santosh Sivan (o mesmo de Asoka e Before the Rains). Esse filme também é feito no Tamil Nadu e falado em tamil, mas não é de Kollywood, já que Santosh Sivan bancou toda a produção sozinho.

Eu fui assistir a esse filme sem muitas expectativas e me surpreendi positivamente. A única coisa que eu sabia é que esse filme tratava da questão do terrorismo, mas acho que não precisava de muita inteligência para supor isso. Mas o fato é que, embora é óbvio que seja esse mesmo o tema do filme, o eixo central da história é outro.

O que mais me surpreendeu nessa obra de Santosh Sivan é a simplicidade com que ele tratou um tema tão denso. E muito além da simplicidade, o filme é extremamente sensível. Fico até com medo de falar muito sobre ele, correndo o risco de criar expectativa e estratagar a surpresa de quem for ver.

Limitar-me-ei a contar um pouco do que se trata, mas não falarei muito. The Terrorist conta a história de um grupo terrorista não identificado que planeja o assassinato de um líder político também não identificado. O plano é assassiná-lo com uma mulher-bomba, mulher essa que é personagem central do filme.

Logo no começo Malli (Ayesha Dharkar) é apresentada em uma cena de violência fria, porém não explícita. Conhecemos ali uma mulher-macho, indiferente em relação à vida, plenamente disposta a dar sua própria existência pelos seus ideiais, pela libertação de sua nação, como diz. Ao ser escalada para cumprir a maior das missões que o grupo planeja, inicia-se uma jornada até que o dia do assassinato chegue. Nesse processo, Malli recebe da vida o que ela não esperava nem de longe receber, mostrando que há muita sensibilidade por trás daquela alma com sede de vingança.

Em nenhum dos momentos do filme, porém, Sivan utiliza recursos de filmagem que possam intensificar a violência do tema, ou mesmo a tensão. Ao contrário, ele faz de suas lentes um recurso poético que coloca inclusive a onipresente floresta tamil como protagonista ao lado de Malli. O foco inverso de várias imagens, deixando o tema central das cenas desfocados, acaba por realmente tirar da prioridade o que deveria ser o tema central do filme: o terrorismo e o que há por trás dele. Mas acontece que não é esse o tema central do filme. Malli é o filme. E Malli é uma mulher sensível. E aliás, consta que todo o filme foi rodado em 15 dias somente e que a produção custou meras 5o mil rúpias, ou cerca de 2.500 reais.

Em muitos momentos, aliás, a cena se alonga centrada no rosto dos personagens principais, carregados de medo e ideais, mas as cenas nunca cansam. Mas o mais interessante é quando "entra" em cena uma senhora que supostamente está em coma há vários anos. Essa senhora é esposa da pessoa que hospeda Malli no local em que ela deverá cumprir sua missão. Por uma fresta na parede de seu quarto, de repente Malli vê a senhora deitada na cama do quarto ao lado, olhando-a, e descobre que ela está daquele jeito, deitada de olhos abertos, há anos. E eis que essa senhora de olhos fundos e (in)expressivos desempenha um papel fundamental no desenrolar da história, amplificando o valor que o subjetivo tem nessa obra.

E por fim, é importante que eu diga duas coisas sobre o filme. A primeira é que Santosh Sivan fez essa obra baseada no assassinato de Rajiv Gandhi (filho da também assassinada Indira Gandhi), em 1991, perto de Chennai, capital do Tamil Nadu, por uma mulher-bomba. O assassinato de Rajiv foi atribuído aos Tigres Tâmeis (LTTE), um dos mais antigos grupos terroristas do mundo, que defende a divisão da porção norte e oeste do Sri Lanka, de maioria tamil. Mas o LTTE tem uma outra importância muito maior para a história da humanidade. Foram eles os idealizadores de duas coisas concomitantes: o homem-bomba e a mulher-bomba. Por causa deles, hoje praticamente todos os grupos terroristas utilizam a técnica da pessoa-bomba, antes não pensada.

A outra coisa a respeito desse filme é que quando o ator John Malkovitch o viu pela primeira vez, no Festival Interncacional de Cinema de Cairo, em 1998, ficou tão impressionado que comprou os direitos para sua distribuição nos EUA.

Vejam o trailer abaixo:



sábado, 4 de outubro de 2008

O Cinema Proibido


Então quer dizer que você pensa que os indianos são santinhos e puros? Que são recatados e bem comportados? Pois fique sabendo que, embora neguem até não poderem mais, a Índia é também uma prolífica indústria de cinema pornográfico. São os "XXX-Rated movies"... e, lógico, eu não poderia deixar de falar também sobre eles.

É óbvio que não colocarei aqui nenhum trailer de filme pornô indiano, mas apenas essa foto aí acima. Também não considero correto de minha parte colocar aqui links para que vocês chequem por vocês mesmos a existência de tal indústria. Acho que, aos realmente interessados, não há nada que um Google não possa resolver de maneira bem precisa.

No entanto, para tais interessados, é necessário que eu diga algumas coisas, evitando, assim, sustos desnecessários. No padrão indiano de ser (salvo mudanças muito recentes conduzidas por Bollywood) não há exatamente aquela preocupação com a beleza física que o ocidente está acostumado. Quero dizer que você poderá facilmente encontrar excesso de peso, de pelo... enfim, são apenas questões culturais.

Provavelmente também por questões culturais que eu não tenho domínio para explorar, a maior parte da produção pornográfica da Índia está concentrada nos estados do sul, como Kerala, Tamil Nadu e Andhra Pradesh. Um fato é que os povos deste estados são mesmo mais alegres e um pouco mais tolerantes - ainda que este "tolerantes" seja bem relativo. Outro fato é que o sul é mais quente, mas também não necessariamente um "quente" levaria a outro tipo de calor...

Enfim, a informação já está dada. Divirtam-se aos que acharem tais informações úteis para tais fins. Para os outros, nunca esqueçam que mais sábios são aqueles que reconhecem a diversidade humana, sem porém julgá-la!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Antha Naal (1954)

Antha Naal (1954) - Filme noir tamil


Cinema Tamil / Kollywood - கோலிவுட்

.

Hoje, retomando nossa série sobre os cinemas regionais da Índia, vamos falar sobre o cinema do estado de Tamil Nadu, completando, assim, os quatro estados do sul da Índia. O nome popular da indústria tamil é Kollywood, derivado de Hollywood com Kodambakkam, o bairro em Chennai (antiga Madras) onde estão instalados os principais estúdios.

A história do cinema por ali é antiga. Consta que, em 1909, para celebrar a visita do Rei George V, uma grande exibição foi organizada em Madras, com projeções de pequenos filmes. Após esse evento, um fotógrafo indiano conseguiu ficar com os equipamentos (que vieram da Inglaterra) e montou ele mesmo a primeira sala de cinema de Tamil Nadu, em 1912, que existe até hoje, embora com outro dono. Tão logo também começaram os esforços para que os primeiros filmes fossem feitos naquele estado. Na década de 20, porém, embora filmes mudos já fossem produzidos em Tamil Nadu, o processamento das imagens e de edição tinha que ser realizado ou em Pune (Maharashtra), ou em Calcutá (West Bengal). Foi somente a partir da década de 30 que foram montados estúdios propriamente e, nos anos 40, Chennai era já o principal centro de produção cinematográfica de todo o sul da Índia.

Em 1931 era lançado Kalidaas, o primeiro filme falado em tamil, no mesmo ano que era lançado Alam Ara, em hindi, que é considerado o primeiro filme falado de toda a Índia. O sucesso de Kalidaas marcou o início da produção em massa de filmes no Tamil Nadu. Em 1939, Thyagaboomi, de K. Subramaniam, acabou ficando famoso por toda a Índia por um duplo motivo. Seu tema, muito polêmico para a época, glorificava a luta de Mahatma Gandhi e seus companheiros pela independência do país. E, por causa disso, acabou sendo banido pelo governo britânico, tornando-se, assim, o primeiro filme indiano a ser banido. Esses dois motivos – o tema e a censura – acabaram trazendo a ele maior fama.

Nas décadas seguintes a produção intensificou-se e diversificou-se. Antha Naal, do diretor S. Balachander, foi lançado em 1954 em um novo modelo: o cinema noir. Contando os diferentes pontos de vista sobre uma morte, o filme baseia-se na produção Rashômon, de Akira Kurosawa, e não tem nenhuma música sequer. Em anos recentes vários filmes de arte vêm sendo produzidos em tamil; mas além disso, reconhece-se que haja uma preocupação mais refinada com técnicas de direção, mesmo em filmes populares, que não aparecem nas outras indústrias regionais. O filme Iyarkai, de 2003, acabou ganhando o prêmio de melhor filme pelo National Film Awards, como reconhecimento pela não usual maneira com que o filme é rodado.

Hoje Tamil Nadu impõe-se como grande centro de produção cinematográfica não só no sul do país, mas também em toda a Índia. Muitas de suas produções são refilmadas em outras indústrias, ou ao menos são lançadas nos outros estados com legendas ou dublagens. Suas grandes produtoras também fazem o mesmo com filmes de sucesso de outros estados, refilmando-os em tamil. Além disso, algumas dessas produtoras, como a Madras Talkies, já produziu filmes de sucesso de outras indústrias, como Guru (2007), sucesso de Bollywood.


quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Enquanto isso...

A partir de hoje (13/08), ausentarei-me novamente, dessa vez até o dia 24/08. Mas enquanto retiro-me momentaneamente, nada impede que vocês continuem informando-se sobre o cinema indiano e participando com suas opiniões, comentários e dúvidas! Por isso também aproveito para deixar aqui para vocês trailers de Kollywood, a próxima indústria regional a ser tratada aqui, e penúltima da série que se iniciou com o cinema bengalês.


Estes filmes são bons exemplos do que Kollywood - o cinema de Tamil Nadu - sabe fazer de bom.

Dasvathaaram (2008)


Veyyil (2005)