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domingo, 9 de maio de 2010

L'India a Torino - Filmes indianos no Salão do Livro de Turim

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A Itália receberá mais uma vez produções indianas em seu território, dessa vez no Salão Internacional do Livro de Turim (Salone Internazionale del Libro di Torino), que vai de 13 a 17 de maio. Como vem ocorrendo desde 2001, o Salão do Livro de Turim elege um país para acolher e realizar uma ampla programação envolvendo o país escolhido. 

Neste ano, portanto, o país acolhido é a Índia e, dentro da extensa programação de palestras e afins, teremos também alguns filmes, cujos nomes, dias e horários seguem abaixo. Com 10 produções, a programação está bem variada, com filmes de Bollywood, documentários e produções independentes. Todas as obras de Bollywood escolhidas são excelentes e fazem um perfeito retrato do que vem ocorrendo no cinema indiano contemporâneo, embora os filmes de apelo popular tenham sido excluídos. Confiram:
Terça-feira, 11 de maio
20h
Quarta-feira, 12 de maio
20h

- Anthardwani 
Quinta-feira, 13 de maio
20h
Quinta-feira, 13 de maio
22h

- Superman of Malegaon
Sexta-feira, 14 de maio
20h
Sexta-feira, 14 de maio
22h

- Land Gold Women
Sábado, 15 de maio
20h
Sábado, 15 de maio
22h

- Remembering Bimal Roy
Domingo, 16 de maio
20h

- A Wednesday
Domingo, 16 de maio
22h

Os filmes serão exibidos na Sala Movie, à Via Cagliari, 42, em Turim. Os ingressos são gratuitos. Mais informações sobre a programação dos filmes (em italiano), clique aqui.
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Bilal (2008) - বিলাল

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Hoje foi o dia de ir ver Bilal na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Já adianto que será um pouco difícil escrever sobre este documentário. Pra começar, não sendo um filme, não há aqui espaço pra ficar contando a historinha, descrevendo o roteiro. Não, Bilal é um documentário e, assim sendo, mostra um caso real. E o que vi não é tão fácil de descrever.

Bilal é um menino de três anos de idade, filho de pais cegos e irmão de um menininho de um ano e meio. Moram todos dentro de um pequeno cômodo num bairro pobre de Calcutá. O próprio fato de pai e mãe serem cegos já merecia um documentário, mas a realidade é mais cruel ainda. O fardo dos pais cegos recai-se sobre o pequeno garoto, que tem sobre si a imensa responsabilidade de ser, na prática, os olhos da casa.

A incrível inteligência de Bilal surpreende, mas é também responsável por fazer dele uma criança muito travessa, pra não dizer violenta mesmo. O que vem primeiro não importa, mas o fato é que assim como ele apronta muito, na mesma medida ele apanha também muito. E antes fosse somente dos pais cegos que ele apanhasse; o garoto leva também da criançada da vizinhança, do menino que vai em casa ensiná-lo a ler, da avó, do tio... e ele revida como pode.

A cena chave do documentário é num momento em que, após ver a violência subjetiva instaurada por todos os lados, ele vai pra um canto com um ursinho de pelúcia e uma caneta e simplesmente enfia a caneta na cabeça do ursinho.

Num dado momento a mãe é questionada do por quê bater tanto no menino, e a resposta é seca e objetiva: "você não está aqui o tempo todo; eu sei o que acontece e o que tem que ser feito. Ele é muito levado e precisa aprender". Curiosamente, em muitos outros momentos os pais parecem ser muito carinhosos e isso percebe-se ser algo realmente natural também. É também real o fato de que Bilal consegue divertir-se no meio disso tudo, com muita espontaneidade e muita simplicidade.

É apenas uma criança.

Tudo o que se vê é angustiante do começo ao fim. A sala do Cine Olido, no centro de São Paulo, não estava muito cheia e umas cinco pessoas levantaram-se e foram embora antes de o filme terminar. Ver tudo isso não é fácil, mas mais difícil ainda é aceitar a realidade, é aceitar a violência humana levada de maneira tão natural.

Este documentário foi produzido e dirigido por Sourav Sarangi, com apoio do Ministério das Relações Exteriores da Finlândia. Sourav diz, no começo do filme, que conheceu Bilal quando sua esposa disse à ele que havia num hospital um bebê de oito meses com traumatismo craniano, cujos pais eram cegos. O desenrolar da história resultou nesse documentário.

Vejam abaixo o trailer deste documentário. E quem quiser, é possível assisti-lo inteiro, com legendas em inglês, aqui.



sexta-feira, 6 de março de 2009

Smile Pinki

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Estamos todos falando de Quem Quer Ser um Milionário? e ninguém fala da produção que levou o Oscar de Melhor Curta-Documentário, Smile Pinki (2008), ou "Sorria Pinki", "O Sorriso de Pinki". Exceção seja feita ao blog Indi(a)gestão, da professora Sandra Bose, que fez uma postagem sobre ele. Aliás, foi por sugestão dela que estou fazendo essa postagem.

O documentário de 39 minutos é dirigido por Megan Mylan. Smile Pinki conta a história real de uma menina de oito anos, Pinki Kumari, que nasceu com lábio leporino, na zona rural de Uttar Pradesh, numa das regiões mais pobres da Índia. Devido à sua deformidade, ela é impedida de estudar e leva uma vida inevitavelmente triste. A solução seria uma cirurgia plástica que corrigisse o defeito labial, mas sua família não podia nem sonhar com isso, de pobres que são.

Mas eis que aparece na vila uma pessoa comunicando o trabalho social realizado pelo fantástico projeto
The Smile Train, que anualmente realiza milhares de cirurgias plásticas gratuitas em crianças com lábios leporinos. Como diz a professora Sandra Bose em seu blog, esse documentário mostra uma realidade que poucos têm a coragem de mostrar, assim como fez Quem Quer Ser um Milionário? e os indianos odiaram.

Esse defeito labial, dependendo da gravidade, de fato impede a criança de comer bem e falar, mas a cirurgia para a correção é relativamente simples e barata. E esse documentário revela como uma deformidade pode acabar com uma infância e com um sorriso. Isso em grande parte por causa do descaso e da ignorância.

Vale também dizer que, embora a Índia tenha muitos trabalhos sociais e muita gente trabalhando pelo bem, o grande senso comum que existe ali é o da não-ajuda. Isso significa que uma ação social como essa, exposta em
Smile Pinki, tem um peso ainda mais importante naquele país.

Coloco a seguir o trailer do documentário, e espero que ao menos alguns de vocês se interessem pela realidade e o baixem na internet. O trailer está em inglês.