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sábado, 10 de outubro de 2009

Nascidos como Estrelas

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Há pouco mais de um mês, a Yahoo Movies, em sua página dedicada a Bollywood, publicou uma simpática reportagem sobre alguns dos astros indianos que já nasceram em célebres berços e, tal qual seus pais, seguiram brilhando. Chama-se Born Like Stars.

Nem todos foram abordados, mas os que aqui estão formam um bom apanhado. Fiz uma tradução livre dos textos, originalmente em inglês. Além disso, compilei mais fotos do que as que estavam na reportagem. Por fim, decidi incluir Saif Ali Khan ao lado do tópico de sua irmã, Soha Ali Khan. Achei estranho falarem dela e deixarem ele totalmente de lado. E achei engraçado a reportagem ter deixado no final alguém que, na verdade, não é filha de uma personalidade do cinema. É famosa, e seu pai é mais ainda, mas não são do cinema.

Bom, aí vai:

Essas pequenas estrelas são seguras, bonitas e talentosas, mas ainda assim deve ser difícil brilharem por conta própria, com as críticas sempre fazendo comparações entre eles e seus pais. Vejam esses filhos de estrelas que deram a volta por cima e provaram eles mesmos serem capazes.

Shruti Hassan: Shruti Hassan, filha dos atores Kamal Hassan e Sarika, apareceu pela primeira vez na telona no filme Luck. Ela é tão talentosa quanto seus pais, se não mais. Alguns dizem que ela é a cara da mãe, Sarika. Nós temos certeza que ela é muito grata por seus genes e definitivamente orgulhosa também.

Ranbir Kapoor: Você nunca verá tudo o que tem para oferecer esse jovem destruidor de corações. Ranbir é filho dos talentosos Neetu e Rishi Kapoor. Ele fez sua marca em Bollywood com o filme Saawariya, de Sanjay Leela Bhansali. Há um dito que diz que os filhos são reflexo da mãe, e Ranbir não tem como não provar que isso está mais do que certo. Não apenas suas maneiras são comparadas às da sua mãe, mas ele é a cara dela.

Esha Deol: Esha Deol é filha da antiga dream girl Hema Malini. São seus olhos ou seu sorriso que a fazem lembrar tanto sua mãe? Ela pode ainda não ser tão famosa quanto a mãe, mas certamente tem a beleza para encantar seus fãs.

Raima Sen: Raima Sen pode não ter encontrado o caminho pra fama tão facilmente quanto a mãe, Moonmoon Sen, mas essa linda atriz encaixa-se perfeitamente na beleza glamurosa das atrizes clássicas, tal qual sua mãe.

Soha Ali Khan e Saif Ali Khan: Soha Ali Khan, a filha de Nawab Pataudi e Sharmila Tagore, é a cópia escarrada de sua mãe. E certamente ela deve ter muito orgulho de ser comparada a ela, já que herdou toda sua beleza. Embora Soha seja um pequeno bebê quando comparada à carreira de mais de 200 filmes de Sharmila, ela demonstra-se confiante em seu próprio caminho. [do Ibirá: ok, e Saif é Saif, precisa dizer mais?]

Hrithik Roshan: Ele tem todos os atributos de um superstar. Os olhos claros, o rosto de Deus grego, além de ser gostosão. Agora, como você pode tirar os olhos dele e pensar que ele pode lembrar alguma outra pessoa? Mas espere, ele se parece com seu pai. Os mesmos olhos claros e o andar viril. Sim, estamos falando de Rakesh Roshan. Não surpreende que Hrithik tenha seguido os mesmos passos do pai, porém para ser muito mais bem sucedido que ele como um ator.

Abhishek Bachchan: Filho dos versáteis atores Amitabh Bachchan e Jaya Bachchan, Abhishek não demorou muito pra provar que herdou todas as habilidades de atuação que tiveram seus pais. Ele não apenas anda e fala quase como seu pai, mas também parece com ele. Abhishek pode não ser recebido como um superstar à altura de Amitabh, mas nós sabemos que ele está aqui pra ficar.

Sunny Deol: Não há outra dupla de pai e filho que se pareça tanto quanto essa. Sim, estamos falando do pai Dharmji e seu elegante filho Sunny Deol. Os fãs de Dharmendar não ficaram desapontados quando ele resolveu abandonar a carreira de ator, já que eles poderiam consolar-se olhando para seu reflexo, Sunny Deol. Ninguém esperava que "Garam" Dharam - como é conhecido em Bollywood - seria substituído por uma cópia em carne e osso.

Anoushka Shankar: Anoushka, filha do lendário citarista Ravi Shankar, pode ter herdado o talento e a aparência de seu pai, mas ela também galgou o seu próprio reconhecimento. Anoushka começou a tocar por volta dos oito anos, sob supervisão do pai, e nunca mais quis parar. Mas não tem como não ver nela o reflexo do mestre da música clássica indiana.

Colaborou: Sandra Bose

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Os 5 atores mais bem pagos de Bollywood

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Hoje achei no site Bollywood Mantra a lista dos atuais cinco atores mais bem pagos de Bollywood. Essa lista inclui apenas os cinco primeiros, o que significa que na verdade a lista das celebridades milhonárias de Bollywood há de ser bem maior. Os salários pagos por filme apenas pra esses primeiros colocados mostra um pouco de quanto a indústria indiana de cinema lucra com seus filmes, algo realmente a não ser desprezado! E fiquei surpreso com o número 1 da lista, confesso que não esperava!

Veja:

5 - Salman Khan

O bad boy de Bollywood pode até ter boa reputação e uma tendência a reverter controvérsias, mas quando se trata de receber, ele não aceita baixos valores. Ele é conhecido por levar entre 4 e 5 milhões de reais por filme. E mesmo com sua atuação (e sua pronúncia) sempre sendo discutível, seus filmes são sempre um sucesso e ele tem uma enorme orda de fãs.


4. Hrithik Roshan

Depois do enorme sucesso de Koi Mil Gaya e Krrish, esse garoto de olhos verdes subiu rápido no ranking de Bollywood. Jodhaa Akbar teve ótima recepção da crítica (embora seja muito longo). Hrithik leva cerca de 5 milhões de reais por filme.


3. Shahrukh Khan

O rei de Bollywood é conhecido por escolher bem os filmes que faz e assim ser dignamente pago. Com milhares de comerciais e programas de TV, os ventos são bons pra ele. Ele em média leva 6 milhões de reais por filme.


2. Aamir Khan

O perfeccionista de Bollywood é um dos que mais recebem. Geralmente fazendo um filme por ano, todos os seus filmes viram mega sucessos. Com Ghajini batendo todos os recordes, Aamir provou de novo a sua capacidade. E assim ele leva em torno de 7 milhões de reais por filme.


1. Akshay Kumar

Tcharaaam! A sua subida na lista é certamente algo a se considerar. Silenciosamente, mas lentamente sobrepondo-se à supremacia Khan, Akki só vem fazendo sucessos. Ele vem provando ser o rei das comédias estúpidas e produtores correm atrás dele pra qualquer papel cômico. Ele leva pra casa quase 8 milhões de reais por filme, o mais alto salário já pago na história de Bollywood.

domingo, 28 de junho de 2009

Jodhaa Akbar (2008) - जोधा-अकबर - جودھا اکبر

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Nesse último sábado, na novela da rede Globo Caminho das Índias, alguns personagens foram ao cinema na Índia assistir ao filme Jodhaa Akbar. Foi então que lembrei que assisti a esse filme ainda quando estava na Índia e que até hoje não tinha feito uma postagem sobre ele - e olha que é um dos meus filmes favoritos de Bollywood!

Bom, pra começar, Jodhaa Akbar é quase um épico que conta mais ou menos a história real da paixão do imperador mogol Jalaluddin Muhammad Akbar, muçulmano, por Hira Kunwari (posteriormente chamada de Jodhabai), uma princesa hindu, filha do marajá de Amber (atual Jaipur), em 1562. É dirigido por Ashutosh Gowariker, o mesmo que dirigiu Lagaan e Swades. Akbar é ninguém mais que Hrithik Roshan e Jodhaa é a fabulosa Aishwarya Rai. E pra completar, a música é do mestre A.R. Rahman. Ou seja, tudo pro filme ser realmente bom.

Ah sim, e essa produção é uma das mais longas já feitas em Bollywood, com 3 horas e 31 minutos de duração (onze minutos menos que Lagaan, do mesmo Ashutosh).

Além disso, Akbar construiu a cidadela de Fatehpur Sikri, perto de Agra, que foi um dos lugares na Índia em que mais fiquei encantado quando visitei. Ela foi ocupada por apenas 12 anos e em seguida abandonada devido à seca, mas permanece intacta, 400 anos depois. De Jodhaa e Akbar nasceu Jahangir, que sucedeu seu pai no Império Mogol e que, por sua vez, foi sucedido por seu filho Shahjahan, que acabou por entrar na história pela construção do Taj Mahal, uma das atuais 7 maravilhas do mundo. E Shahjahan é, por sua vez, bisneto de Humayun (pai de Akbar), que reinou em Delhi e reside hoje sob a mais bela tumba da atual capital da Índia.

Mas como toda história tem seus mistérios e invenções (quem conta um conto aumenta um ponto, não é?), a própria existência de Jodhaa é controversa. Pra começar, o nome Jodhaa, ou Jodhabai, jamais apareceu em qualquer documento que fosse da época. Ao que consta, apareceu muito tempo depois, em contos recentes sobre o imperador, que é venerado até hoje por muitos. O fato é que ele casou-se mesmo com Hira Kunwari, posteriormente rebatizada com o nome muçulmano de Mariam-uz-Zamani Begum Sahiba, após um acordo diplomático com o marajá de Amber. Mas como esses acordos eram comuns na época, incluindo casamentos como forma de aliança, essa história de Mariam-uz-Zamani e Akbar é apenas mais uma. A cena piora ainda mais quando sabemos que ela era apenas mais uma do harém de Akbar.

Ou seja, dizer se Jodhaa realmente existiu e se ela era Mariam-uz-Zamani é uma tarefa em verdade impossível de ser confirmada. Mas nada disso tira a beleza do filme, que não deixa também de ser uma ficção. Ashutosh confessou que 70% da história do filme é obra de sua cabeça.

Logo no começo do filme, o pequeno Akbar assiste a sangrentas batalhas e é coroado imperador de um dos maiores impérios do planeta até então. Através de um acordo com o marajá Bharmal, de Amber, Akbar acerta o casamento com Jodhaa. Todo esse momento pré-nupcial é todo recheado de desafios a ambos, o que inclui uma cena ímpar em que Akbar deve descobrir quem é Jodhaa entre várias - se descobrisse ele poderia então casar com ela. E, na verdade, os desafios prosseguem mesmo depois do casamento.

A forte personalidade de Jodhaa faz Akbar sentir-se muito desafiado. Mas é justamente com esse desafio que ele mergulha na paixão - e é isso que o filme explora do começo ao fim. Pra começar, ela própria coloca como condição ao casamento a permissão de ela seguir hindu e devota de Krishna, o que significaria levar ao palácio de Akbar uma estátua do deus hindu. E numa cena do filme, quando Akbar entra em seu quarto, nota que suas araras haviam sido soltas da gaiola, certamente pela condolida Jodhaa.

Mas como nem tudo são flores, Jodhaa enfrenta fortes resistências no reino de Akbar, e até mesmo rejeição. Ela passa a encontrar-se secretamente com seu irmão, mas Akbar descobre e fica furioso, na verdade por ciúmes, não sabendo quem era aquele homem misterioso com quem Jodhaa se encontrava.

O filme desenrola-se com todos esses entreveros, mas não cansa. A beleza dos figurinos, dos cenários, das músicas e das coreografias mantém a nossa atenção na obra. Aliás, a coreografia de Azeem-o-Shaan Shahenshah é simplesmente fantástica (essa música ficou famosa por fazer parte da trilha sonora indiana de Caminho das Índias). E Aishwarya e Hrithik estão absolutamente excelentes em seus papéis.

Na premiação do Filmfare Awards desse ano, Jodhaa Akbar levou o prêmio de melhor filme, além de melhor diretor pra Ashutosh Gowariker, melhor ator pra Hrithik Roshan, melhor escritor de música para Javed Aktar e melhor edição de som para A.R. Rahman. No total, o filme já soma onze prêmios, dentre eles o de Melhor Filme Estrangeiro votado pelo público na 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (2008). Aliás, no site oficial do filme, esse último prêmio aparece em destaque na página de abertura, dada a importância que nosso festival tem hoje para o cinema.

Para a produção do filme, que custou algo em torno de 15 milhões de reais, foram usados 80 elefantes, 100 cavalos e 55 camelos para cenas de guerra e cerimônias reais. Na coreografia de Azeem-o-Shaan Shahensha, cerca de mil figurantes foram utilizados, todos com figurinos de época, cuidadosamente detalhados e confeccionados. E Ashutosh é tão preocupado com os pequenos detalhes, que além de ter contratado uma grande equipe de historiadores, exigiu que as joias utilizadas no filme fossem todas de ouro de verdade, e não bijuteria. No total, mais de 400kg de ouro foram usados. E na minha opinião, até mesmo a trilha sonora, de A.R. Rahman, é uma das mais bem cuidadas e bonitas que já vi em Bollywood. Também pudera, Akbar era seguidor da linha Sufi no Islamismo, a mesma que segue Rahman, e essa influência pode ser notada em algumas músicas.

Na Índia, Jodhaa Akbar foi um sucesso. No entanto, devido às polêmicas ligadas aos fatos reais ou não reais da história de Jodhaa e Akbar, aliada à rígida intolerância religiosa indiana, os estados de Uttar Pradesh, Rajastão, Haryana e Uttarakhand proibiram a exibição desse filme em seus territórios, como forma sobretudo de evitar problemas mais graves de ataques terroristas a salas de cinema que exibissem essa obra- que chegou a ocorrer em poucos casos.

Abaixo veja o trailer do filme:



sábado, 23 de maio de 2009

Hrithik Roshan - ऋतिक रोशन

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Seguindo nossa série das celebridades do cinema indiano, agora é a vez de um ator ser contemplado, já que na última vez tivemos uma atriz. O escolhido foi Hrithik Roshan, atualmente um dos mais famosos de Bollywood. Hrithik representa a grande mudança estética de Bollywood a partir dos anos 2000, com evidente exploração da imagem do corpo. Ele é um dos maiores símbolos sexuais masculinos da Índia.

Nascido no dia 10 de janeiro de 1974, Hrithik Rakesh Roshan também vem de uma família que há tempos já estava no mundo dos cinemas, tal qual muitas das outras celebridades. Seu pai, Rakesh Roshan, hindu do Punjab, é diretor de cinema que, por sua vez, é filho do diretor musical Roshan. Sua mãe, Pinky, é filha de J. Om Prakash, produtor e diretor. Seu tio, Rajesh Roshan, é também diretor de música.

Estudou a infância toda na Bombay Scottish School. Depois entrou na Sydenham College, onde graduou-se em comércio (pra quê essas pessoas ainda fazem uma faculdade que em nada tem a ver com o que elas já sabem que seguirão a gente não sabe). Mas antes de contar que logo ele entrou pro mundo do cinema, deixe-me dizer um pouco mais de sua vida particular.

No dia 20 de dezembro de 2000, ele casou-se com Sussane Khan (hoje Sussane Roshan), uma designer de interiores, filha do ex-ator Sanjay Khan. Eles tiveram o primeiro filho, Hrehaan Roshan, em 2006, e o segundo, Hridhaan Roshan, em 2008. Agora neste mês de maio foi anunciado que Sussane está grávida do terceiro filho.

Bom, nos anos 80, ainda criança, Hrithik apareceu em três filmes, mas passou toda a década de 90 por trás das câmeras, como assistente do pai. No ano 2000, porém, veio com tudo. Estrelou no filme Kaho Naa... Pyaar Hai, dirigido por seu pai, aparecendo como protagonista masculino ao lado de Amisha Patel. O filme acabou sendo o maior sucesso do ano, além de ter levado o prêmio de melhor filme no Filmfare Awards. Hrithik virou estrela da noite pro dia, levando ambos os prêmios de melhor ator estreante e melhor ator no mesmo Filmfare Awards. No mesmo ano ele ainda estrelou nos filmes Fiza, que embora tenha fracassado nas bilheterias, também deu a Hrithik uma indicação ao prêmio de melhor ator, e em Mission Kashmir, que foi o terceiro maior sucesso do ano.

Em 2001 estrelou em Yaadein e Kabhi Khushi Kabhie Gham. Esse último foi o segundo maior sucesso do ano e deu a Hrithik várias indicações, mas nenhum prêmio. Em 2002, todos os três filmes em que ele apareceu fracassaram. Foram eles Mujhse Dosti Karoge!, Na Tum Jaano Na Hum e Aap Mujhe Achche Lagne Lage.

No ano 2003, apareceu no filme de ficção científica Koi... Mil Gaya, dirigido por seu pai. Foi o maior sucesso do ano e deu a Hrithik o segundo prêmio de melhor ator no Filmfare Awards, além do prêmio de melhor ator dado pela crítica.

Depois em 2004 estrelou o fracassado Lakshya, embora sua performance tenha sido elogiada. Fez uma pausa em 2005, para em 2006 estrelar um dos maiores sucessos de sua carreira até agora, Krrish, uma continuação de Koi... Mil Gaya. Nesse filme ele interpreta um super-herói, o que foi super bem recebido pela indianada que já via ele naturalmente como tal. Krrish deu a ele vários prêmios, mas não do Filmfare Awards.

Em 2006, finalmente, fez seu primeiro papel de vilão no filme Dhoom 2, no qual fez par com Aishwarya Rai. Esse filme foi o maior sucesso do ano e um dos maiores sucessos da história de Bollywood e deu a Hrithik o terceiro prêmio de melhor ator no Filmfare Awards. O sucesso desse filme, porém, é controverso. Muitos acreditam que se dá muito mais pelo fato de em parte se passar no Rio de Janeiro (na praia Cocabanana, como diz um dos personagens), onde aparecem mulheres de biquínis, além de ter uma cena raríssima de aparecer no cinema indiano: um beijo, aqui entre Hrithik e Aishwarya.

Pausou de novo em 2007 para dedicar-se ao filho, mas retornou em 2008 com o de novo sucesso Jodhaa Akbar, de Ashutosh Gowariker, onde fez par de novo com Aishwarya Rai. Ele levou o quarto prêmio de melhor ator no Filmfare Awards com esse filme. Neste momento ele está nas filmagens do filme Kites, no qual fará par com a atriz mexicana Bárbara Mori, e acaba de assinar um contrato com Sanjay Leela Bhansali para parear de novo com Aishwarya no filme Guzarish. Também está prometido para 2010 o filme Krrish 2.

sábado, 30 de agosto de 2008

Bollywood - बॉलीवुड - Primeira Parte


Finalmente, encerrando nossa série sobre os cinemas regionais da Índia, falaremos sobre a quase onipotente, onipresente e onisciente Bollywood (mistura de Bombay com Hollywood). Tive que utilizar o “quase”, pois embora haja um megalomanismo único nesta indústria, ela ainda não conquistou os quatro cantos do planeta. Mesmo assim, ainda que restem alguns passos para a divindade de Bollywood, seus atores são mesmo deuses para os indianos.


Bom, então vamos ao que interessa. Embora Bollywood seja conhecida por quase que a totalidade de nossos leitores, estou certo que muitos não sabem o que é realmente essa indústria. Diferentemente de outras regiões da Índia, Bollywood não tem um espaço físico próprio, uma sede, ou um complexo de estúdios. A verdade é que Bollywood é sustentada por uma rede de estúdios, diretores e produtoras espalhados por Mumbai, capital do estado do Maharashtra, cuja língua oficial é o marathi. Mas não é do marathi que Bollywood faz sua fama, mas sim do hindi, a língua predominante no norte do país.


Consta que Bollywood produz, sozinha, mais filmes que Hollywood. Os números não são precisos, mas nem sequer os próprios indianos têm noção de quantos filmes estão sendo lançados a cada semana. Embora Bollywood faça filmes em hindi e acabe servindo principalmente à porção norte do país, toda a Índia curva-se à sua magia. As indústrias do sul, na maioria dos casos, conseguem ter maior audiência com as populações locais, mas os grandes sucessos do cinema hindi são, de fato, grandes sucessos de toda a Índia.


E vamos agora falar de história. Quem vem acompanhando esta série talvez se lembre da postagem sobre o cinema marathi, em que se dizia que seu primeiro filme foi lançado em 1913, com o título de Raja Harichandra, feito por Dadasaheb Phalke, um diretor marathi por nascimento. Acontece que Bollywood também pega pra si como sendo este o seu primeiro filme, uma vez que o filme era mudo e que ele tenha sido feito nos embriões desta futura grande indústria. O fato é que o primeiro filme definitivamente hindi foi Alam Ara (1931), de Ardeshir Irani, o primeiro filme falado nesta língua. Foi um grande sucesso.


Embora nos anos 30 e 40 a Índia tenha sofrido os efeitos da Grande Depressão e da Segunda Guerra Mundial, as indústrias de cinema puderam resistir, aproveitando inclusive o cenário externo e os temas relevantes ao país no momento, como a luta pela independência. Nas décadas seguintes a indústria hindi foi caminhando a passos nem tão largos assim. Alguns atores ficaram muito famosos e ganharam projeção nacional, como Dev Anand, Dilip Kumar e Meena Kumari. Os temas eram desde romances até filmes de ação, passando até para filmes sobre gângsters – foi em um desses que surgiu o hoje divindade Amitabh Bachchan, ainda nos princípios dos anos 70.


Foi somente nos anos 90 que a Bollywood deu a volta por cima e transformou-se na grande indústria de cinema da Índia, com o tema que até hoje ainda se repete como fórmula de sucesso: família - amor “impossível” - song-and-dance. O primeiro a surgir assim foi Hum Aapke Hain Kaun (1994), seguido pela unanimidade Dilwale Dulhania Le Jayenge – DDLJ (1995). Foi aí que surgiu nada mais nada menos que a outra divindade Shahrukh Khan. Durante esta década nenhum filme fez mais sucesso que DDLJ, que segue até hoje como o “grande filme” hindi. Mas nos anos 2000 uma nova série de produtoras, diretores e atores surgiram com novas idéias e tecnologias – na verdade aproveitando-se da onda de crescimento econômico indiano que ainda não terminou.


A era dos efeitos especiais e das mega produções estava só começando na Índia, liderada por Bollywood. Produtoras como Yash Raj Films e Dharma Productions encabeçaram os lançamentos. Ao mesmo tempo, novos shoppings eram construídos pelo país, e novas salas multiplex eram inauguradas, dando respaldo para o lançamento de filmes cada vez mais bem elaborados e mais caros. Foi nesses anos recentes que lançaram os mega sucessos Devdas, Koi... Mil Gaya, Kal Ho Na Ho, Veer-Zaara e a série Dhoom. Também surgiram e se consolidaram novas divindades, como o próprio Shahrukh Khan, Amitabh Bachchan, Hrithik Hoshan, Aamir Khan, Aishwarya Rai, Karina Kapoor e Rani Mukerji.


No entanto, nesta segunda metade dos anos 2000, uma nova mudança vem sendo notada em Bollywood. Após a grande onda de euforia e entrada de dinheiro em caixa, a repetição de temas e fórmulas parece estar se esgotando; ou ao menos irão se manter, ao mesmo tempo que um novo estio começa a aparecer. Alguns diretores, na maior parte novatos, estão aproveitando um novo terreno que surge na Índia, ao mesmo tempo que ajudam a construí-lo com a força que o cinema tem nessa país. Um processo de ocidentalização acelerado na Índia – que ocorre graças ao crescimento econômico também acelerado – está trazendo novos padrões sociais, quebrando alguns dogmas, regras e preconceitos. Os filmes estão ficando mais sérios, embora às vezes mantenham cenas de song-and-dance, ou ao menos apenas cenas com música, como se fossem clipes no meio da trama. São exemplos recentes disso o próprio premiado Taare Zameen Par e Shaurya. O primeiro trata sobre a dislexia (veja as postagens que já existem sobre este maravilhoso filme) e o segundo sobre a tensa relação hinduísmo-islamismo e a Caxemira. Também não posso deixar de citar Black, já comentado também neste blog, que nem sequer cena de música tem, embora tenha apoiado-se sobre as ótimas atuações de Amitabh Bachchan e Rani Mukerji.


E nos tempos mais recentes ainda, talvez eu possa afirmar que agora, no ano de 2008, filmes ainda mais ousados para aquela indústria estão surgindo, como adiantou a Sandra no Indi(a)gestão (www.indiagestao.blogspot.com). São filmes que talvez causem polêmica, ou talvez ninguém nem fique sabendo. A produção Hostel tratará sobre um garoto que é estuprado; It's a Man's World contará sobre a prostituição masculina no país; e Pankh revelará o drama de um jovem em relação à sua opção sexual. É importante que vocês saibam que na Índia os indianos afirmam com unhas e dentes não haver homossexualidade por lá, o que é a mais profunda mentira. Até mesmo indianos esclarecidos falam que por lá não há gays como no ocidente, o que é de novo uma mentira. Ainda que estes filmes não façam sucesso, talvez sejam o início de um processo de aceitação sobre uma realidade presente para eles.


Bollywood, mais que outras indústrias indianas, tem um importantíssimo papel de trazer novos valores para a sociedade indiana. Alguns podem afirmar que isso é negativo, que é um processo de aculturação, ocidentalização e descaracterização da verdadeira cultura indiana. Pode até ser que seja mesmo isso que esteja ocorrendo, mas prefiro pensar que se a característica de um povo é ser hipócrita e preconceituoso, então que mudem mesmo para melhor; não por mim, não pelo mundo globalizado, mas por eles mesmos.


Falar sobre Bollywood dá muito pano pra manga. Este post já está muito grande e, por isso, continuarei numa segunda postagem. Clique aqui e leia a continuação!