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quarta-feira, 9 de junho de 2010

Mr. and Mrs. Iyer (2002)

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Hoje serei obrigado a iniciar este post repetindo as palavras já ditas sobre este filme no Grand Masala: que achado! Tenho que dizer que Mr. and Mrs. Iyer é um filme absolutamente lindo e extremamente sensível.

Escrito e dirigido por Aparna Sen, renomadíssima atriz e diretora bengalesa, o filme estrela dois dos mais refinados atores do cinema indiano atual: Rahul Bose e Konkona Sen Sharma (filha de Aparna). Tendo sido realizado num momento delicado para a Índia e para o mundo na questão do terrorismo e da intolerância (11/9, ataques ao parlamento indiano em 2001, massacres no Gujarat em 2002), Aparna Sen conseguiu transpor para uma realidade de extrema tensão e fragilidade a delicadeza da construção do amor, da tolerância e do desapego.

O filme começa com Meenakshi Iyer (Konkona Sen Sharma) embarcando num ônibus para ir embora da vila de seus pais, no interior do West Bengal, em direção a Calcutá. Meenakshi é apresentada a Raja Chowdhury (Rahul Bose), através de um amigo em comum, para que ele dê o suporte necessário a ela durante o trajeto, já que ela estaria com seu bebê, Santhanam. Seu marido a estaria esperando numa estação de trem, em Calcutá.

E então a viagem começa. O ônibus carrega um pouco de toda a Índia dentro de si: uns sikhs, um casal de velhinhos muçulmanos, alguns adolescentes barulhentos, alguns hindus, um judeu... Meenakshi e Raja não sentam juntos, mas o incômodo provocado pelo choro contínuo de Santhanam força a junção de ambos, até porque pensam que eles são casados.

Mas então, mais pra frente, a estrada está congestionada e o ônibus para. Logo chegam as informações de que hindus radicais estavam provocando aquilo, em resposta ao ataque de muçulmanos a uma vila hindu no dia anterior. Um pouco depois, então, é imposto um toque de recolher e todos devem permanecer dentro dos veículos, sob risco de serem atacados. E, neste momento, Raja conta a Meenakshi que é muçulmano, que seu nome é Jehangir e que Raja é apenas um apelido. Ela fica estarrecida e sentindo-se poluída e traída, por ter bebido água da garrafa dele, sendo ela uma brâmane.

Mas é então após isso que um dos radicais hindus força a porta do ônibus e entra, à procura de muçulmanos. Ninguém se entrega, obviamente, mas o terrorista começa a pedir para que os homens abaixem a calça para ver se são, ou não, circuncidados (característica do islamismo). Neste instante, o judeu que também estava no ônibus fica apavorado, já que ele também é circuncidado, e, num ato de desespero e defesa própria, aponta pro casal de velhinhos muçulmanos. O terrorista, então, imediatamente pega o velho indefeso para tirá-lo do ônibus. Raja fica revoltado, mas Meenakshi no mesmo instante coloca seu filho no colo dele. E é quando o terrorista pergunta a identidade deles, ao que Meenakshi responde "Sr. e Sra. Iyer". Crendo serem ambos hindus, o terrorista vai, então, embora do ônibus.

Os passageiros passam a noite no ônibus, privados de tudo. Na manhã seguinte, porém, todos vão à vila mais próxima a procura de acomodação, mas Raja e Meenakshi não encontram lugar. Um prestativo policial, no entanto, oferece a eles levá-los a um casarão semi-abandonado no meio da floresta, onde talvez eles pudessem se hospedar. Chegando lá, um senhor, habitante do local, mostra a eles a única cama disponível, no único quarto "habitável", sendo que tudo, porém, estava debaixo de muita poeira. Meenakshi fica inconformada que terá que dormir ali, mas aceita, rejeitando, contudo, que Raja dormisse no mesmo quarto que ela.

Ao acordar, na manhã seguinte, fica furiosa ao não encontrar Raja, pensando que ele tivesse ido embora, deixado ela e seu filho para trás, naquela situação. Mas eis que ela vê Raja deitado sob as árvores e fica realmente feliz. Ele é fotógrafo de vida selvagem, tendo viajado pra muitos lugares naturais, estando acostumado a dormir em condições precárias de habitação.

E vai, melhor parar por aqui. Digo que, de todos os filmes que vi com a Konkona, este considero seu melhor trabalho. Ela mesma justifica o mérito dizendo ter se dedicado à pesquisa do filme junto de sua mãe, durante a construção do roteiro, o que a garantiu tempo suficiente pra sentir a personagem e entregar-se durante as filmagens. Já Rahul Bose é sempre excelente.

Acho lindo o jeito com que Aparna construiu a história, fazendo com que as diferenças de religião de ambos se diluam em meio às imposições da realidade e, principalmente, do amor. A trilha sonora é também de uma delicadeza à parte, composta pelo excelente Ustad Zakir Hussain. A música Don't Look Away, marcando os minutos finais da obra, reforçam a que talvez tenha sido a maior angústia que já senti no fim de algum filme.

E, finalmente, Mr. and Mrs. Iyer levou alguns prêmios de melhor filme e melhor direção em alguns festivais de cinema ao redor do mundo. Dentro da Índia, o National Film Awards deu à Aparna o prêmio de melhor direção e de melhor roteiro, e à Konkona o prêmio de melhor atriz.
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domingo, 6 de junho de 2010

Omkara (2006) - ओमकारा

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É assim, Omkara é um filme muito bom, ou melhor, é incrível, mas não é fácil de se escrever sobre. Venho ensaiando iniciar esta postagem há semanas, mas sempre postergava, com preguiça de pensar como iria escrever. Mas vamos ver se hoje sai, e se vocês aprovam.

Omkara é uma releitura de Otelo, de Shakespeare, primorosamente realizada por Vishal Bhardwaj. E o elenco é vasto: Ajay Devgan, Kareena Kapoor, Saif Ali Khan, Vivek Oberoi, Konkona Sen Sharma, Bipasha Basu, Naseeruddin Shah e Deepak Dobriyal. E então, pra quem conhece Otelo, ou mesmo conhecendo Shakespeare o suficiente pra saber sobre sua complexidade, entende-se, em parte, porque enrolei pra escrever. É tragédia, é roteiro complexo e, somando-se à excelente direção de Vishal, permitindo aos atores extraírem partes fabulosas de seus dons interpretativos, o que me restava era apenas uma recomendação de "assista, por favor", sem saber com o que mais oferecer na frase.

Na prática, Vishal Bhardwaj não alterou o enredo de Otelo, mas conseguiu transpor a tragédia shakespeariana para uma Índia contemporânea de forma perfeita. O filme começa com Dolly (Kareena Kapoor) sendo sequestrada por Omkara, ou Omi (Ajay Devgan), no dia de seu casamento com Rajju (Deepak Dobriyal). Omkara, por sua vez, ocupa uma posição de destaque na hierarquia local, comandando uma espécie de gangue à serviço de um político da região, Bhaisaab (Saseeruddin Shah), e tem como fiéis escudeiros Langda (Saif Ali Khan) e Kesu (Vivek Oberoi). 

O pai de Dolly, o advogado e também muito influente Ragunath Mishra (Kamal Tiwari) vai tirar satisfações com Omkara. E então descobre-se que ele e Dolly se amam e que o sequestro, na verdade, era consentido por ambas as partes. E sendo Omkara braço direito de Bhaisaab, não há o que se fazer nessa situação senão aceitar. E pra piorar, Omkara ajuda Bhaisaab a se eleger no parlamento e, como "pagamento" pela ajuda, ele é colocado como mandatário regional.

Neste momento, então, Omkara deve escolher entre Langda e Kesu para ficar em seu lugar. O mais óbvio é que Langda fosse o escolhido, mas Omkara escolhe Kesu. Langda fica enfurecido e, abusando de sua inteligência, coloca em prática um inconsequente plano pra derrubar Kesu, inicialmente apelando por seu ponto fraco - a bebida.

Acontece que cai em seu colo uma arma tão mais poderosa e perfeita para seu plano. Sua esposa, Indu (Konkona Sen Sharma), rouba do quarto de Dolly uma joia de família que Omkara havia presenteado a sua amada e dá a Langda. Langda, por sua vez, repassa a joia a Kesu, que a dá a Billo (Bipasha Basu), sua prostituta preferida. A ideia, portanto, seria deixar Omkara totalmente desconfiado de que Dolly e Kesu tivessem um caso e, enciumado até a tampa, levasse tudo às últimas consequências.

E eu disse no começo, é uma tragédia e a história não é nova. Omkara é um filme que deve totalmente ser visto por quem não acredita que Bollywood é capaz de fazer filmes decentes. Não se trata do melhor filme do mundo, não é nada que nos deixe sem dormir, mas é suficiente pra dizermos uau.

Omkara veio num ano que, cada vez mais, acredito ser um ano e tanto para o cinema indiano. 2006 trouxe marcos importantes para o cinema da Índia, independente de suas qualidades.

Filmes como Rang De Basanti e Lage Raho Munna Bhai, que tiveram ambos importâncias de efeito transformador na sociedade indiana, vieram deste ano. Até o momento, dos oito filmes que mais lucraram na história de Bollywood, três são de 2006, sendo eles Dhoom 2, Krrish e o próprio Lage Raho Munna Bhai. São também deste ano Fanaa, Kabhi Alvida Naa Kehna, Vivah e Umrao Jaan, dentre outros de importância e/ou qualidades ímpar.

Mas voltando a Omkara, este filme perderia muito sem a perfeita trilha sonora, composta pelo próprio Vishal Bhardwaj. E não posso deixar de relembrar-vos de que é deste filme a música Beedi Jalaile, que foi tema de abertura da novela Caminho das Índias.

E finalmente, Omkara levou uma série de prêmios importantes. No Filmfare Awards, levou o prêmio de melhor atriz coadjuvante, para Konkona Sen Sharma (também ganho pelo National Film Awards), melhor ator num papel de vilão, para Saif Ali Khan (também ganho pelo IIFA), melhor atriz pela crítica, a Kareena Kapoor, melhor cantora de playback, para Sunidhhi Chauhan (também ganho pelo IIFA), por Beedi, melhor coreografia, para Ganesh Acharya (também ganho pelo IIFA), também por Beedi, melhor direção de arte, melhor figurino e melhor edição de som. Ainda pelo National Film Awards, também veio o prêmio especial do júri a Vishal Bhardwaj. E foram também vários outros prêmios em premiações menos importantes.

Hoje, excepcionalmente, peço que cliquem aqui para verem o trailer. Como já é sabido por muitos de nós, a Eros Entertainment não permite a incorporação de muitos - se não todos - de seus vídeos. Mas como considero este o melhor trailer disponível, peço que, quem quiser, vá lá conferir. E vejam o filme.
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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Wake Up Sid (2009)

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Dirigido por Ayan Mukerji, produzido por Karan Johar e estrelando Ranbir Kapoor e Konkona Sen Sharma, Wake Up Sid é um típico filme urbano-moderninho-romântico. E é bem agradável! Tendo ainda em conta que Ayan Mukerji estreou no cinema com esse filme, que ele mesmo escreveu e tendo somente 26 anos, ficamos até com a sensação que ele conta uma história de sua própria geração moderna de Mumbai. E pra dar uma pitada sempre bem vinda de curiosidade, Ayan é primo direto de Kajol e de segundo grau de Rani Mukerji, além de ser cunhado do diretor Ashutosh Gowariker.

E vamos ao filme. Wake Up Sid conta a história de Sid (Ranbir Kapoor), um riquinho filhinho de papai, que vive muito bem às custas do pai empresário Ram Mehra (Anupam Kher). Está no final da faculdade, mas Sid não está nem aí pros estudos. Crente que terminaria a faculdade, o pai de Sid chama o rapaz pra trabalhar em sua empresa. Relutante, Sid aceita com a promessa de ganhar um carro novo.

E ainda nesse momento, Sid conhece Aisha (Konkona Sen Sharma), uma garota moderna e independente que acaba de chegar em Mumbai, vindo de Calcutá, do outro lado do país.

O sonho de Aisha é trabalhar na também moderninha e independente revista Mumbai Beat - e mal chega à cidade e já consegue o emprego. Sid imediatamente apresenta Mumbai à Aisha e a ajuda a escolher um apartamento novo. Sid se encanta por Aisha desde o princípio, mas ela deixa muito claro que ele ainda é muito criança pra ela, embora goste da companhia dele.

E então acontece que Sid é reprovado nos exames finais da faculdade, pra ira de seu pai. Eles brigam e Sid, numa atitude bem infantil, pega a mochila e sai de casa. Não tendo pra onde ir e tendo ainda por cima o cartão de crédito bloqueado pelo pai, é óbvio que ele vai buscar refúgio no apartamento de Aisha. E Aisha, independente que é, dá refúgio, mas nem se preocupa se ele seria capaz ou não de se virar. E o começo é simplesmente um desastre.

Sid não tem capacidade nem de fritar um ovo. Bagunça a casa toda, incapaz de arrumar a própria cama. Aos poucos, porém, ele vai conquistando as mais simples habilidades de se cuidar de uma casa. E cada conquista é realmente uma vitória pra ser mostrada pro prédio todo.

Enquanto isso, ao passo que Aisha percebe que seu encantamento pelo chefe da Mumbai Beat - que ela já tinha desde os tempos de Calcutá - era pura projeção falsa, ela consegue um emprego de fotógrafo pra Sid na mesma revista e passa a, pouco a pouco, perceber o quanto ela é, na verdade, parecida com ele.

E então paramos por aqui. Por mais simplesinha e previsível que seja a história, ela conquista nossa atenção desde o princípio. Há também uma boa dose de empolgação com as sempre cativantes músicas do trio SEL e uma de Amit Trivedi que, aliás, foi premiada no Filmfare Awards pra melhor cantora de playback (pra Kavita Seth, pela agradável Iktara).

Ayan Mukerji também levou merecidamente o Filmfare de melhor diretor estreante e Ranbir Kapoor levou o prêmio de melhor ator pela crítica no mesmo Filmfare Awards. E por fim, justiça seja feita também à Konkona, que está excelente neste papel. Confiram o trailer:

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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Comentários a respeito de The Blue Mug

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Em primeiro lugar, perdoem-me os que esperaram esta postagem já ontem, mas preciso dizer que ontem eu precisava da minha cabeça descansada e por isso não fiz postagem alguma. Aos que não estão sabendo de nada, explico: na última quarta-feira, 5 de maio, tivemos aqui em São Paulo uma apresentação única de uma peça de teatro indiana, chamada The Blue Mug, com atores que também estão presentes em alguns filmes de Bollywood e do cinema independente indiano. Foi uma oportunidade raríssima e eu fui lá conferir.

Também preciso já logo dizer o que muitos já estão sabendo e tantos outros devem estar ansiosos por saber. Nossa querida Konkona Sen Sharma, tão aguardada, não veio ao Brasil, infelizmente. No meio da turnê nos Estados Unidos uma apendicite atacou a atriz, que teve de ser operada e, consequentemente, foi proibida de viajar de avião. Cogitou-se cancelar o evento aqui em São Paulo, mas como tanto esforço já tinha sido feito pra trazê-los, tudo foi mantido e a peça foi realizada sem ela. Posteriormente eu soube que nos últimos três espetáculos nos EUA ela já não estava presente. Mas mesmo com essa ausência, os outros atores, Ranvir Shorey, Rajat Kapoor, Vinay Pathak, Sheeba Chaddha e Munish Bhardwaj, porém, conseguiram se virar no palco perfeitamente.

Pois vamos lá. Eu simplesmente adorei o espetáculo. Embora quase metade das falas tenham sido em hindi e o restante que foi em inglês tenha sido por vezes difícil de entender, foi uma experiência e tanto. O espetáculo é inteirinho composto por memórias reais dos próprios atores, contadas mais ou menos de forma improvisada. Não há um roteiro escrito, mas há uma ordem das memórias a serem contadas, e as memórias são sempre as mesmas. O que muda - e isso o diretor Atul Kumar revelou-me posteriormente - é a maneira com que os atores decidem contar suas lembranças no momento em que estão no palco.

O espetáculo é emoldurado por uma cenografia composta unicamente por luzes, cuidadosamente posicionadas e dirigidas de maneira a proporcionar efeitos cênicos únicos e tocantes. Há também uma trilha sonora muito bem selecionada que não deixou a desejar e tampouco se sobrepôs aos atores.

Ao que parece, a parte mais engraçada do espetáculo, e aparentemente o eixo da peça, era liderada por Ranvir Shorey. O problema, no entanto, é que ele falava somente em hindi. Pelo que entendi, Ranvir era o único que tinha especificamente um personagem, interpretando uma pessoa que sofre de amnésia momentânea, embora se recorde de muitas coisas de sua infância. De tempos em tempos ele aparecia sozinho no meio do palco, todo vestido de branco, e se punha a falar com o médico, que se manifestava somente pelas caixas de som (a voz era do diretor, mas quem cumpria anteriormente esse papel era a Konkona, que aparecia junto no palco). E então Ranvir falava e falava e falava, e rápido, muito rápido, e nos pouquíssimos momentos em que o "médico" falava em inglês podíamos entender que o que estava ali acontecendo era uma tentativa de mostrar que nós só somos nós mesmos porque temos memória.

E então é mais ou menos essa a ideia do espetáculo. É dizer que nós construímos nossa própria identidade a partir de nossas lembranças, e que a partir delas podemos ter um acesso universalizado a todos os outros seres humanos. E é óbvio que a capacidade dos atores permite que o espetáculo seja um sucesso por onde passe, mas, antes, ele tem a capacidade de tocar o cerne de nossas próprias personalidades, de nossas próprias identidades, únicas, mas universais.

E por fim, o nome "blue mug" (caneca azul) vem de uma das lembranças compartilhadas por Rajat Kapoor. Ele conta o caso de sua caneca azul preferida, que só nela ele tomava seu chá matinal, até o dia em que ele a perde.

Sem mais delongas, aguardem para logo uma entrevista que o diretor do espetáculo concedeu-me e, depois uma com o ator, diretor e produtor do cinema indiano, Rajat Kapoor. Ah, sim, e em seguida ao espetáculo tivemos a oportunidade de desfrutar de um coquetel ao lado dos atores e da comunidade indiana de São Paulo, que compôs basicamente 80% da plateia, ocupando metade do teatro. (ATUALIZAÇÃO: Clique aqui para ler a entrevista com Atul Kumar, diretor da peça)

E o que torcemos e queremos é que esta tenha sido somente a primeira oportunidade desse tipo no Brasil, não?

Fotos: Primeira com Vinay Pathak e segunda com  Ranvir Shorey. Créditos: Geni Macedo.
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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Konkona Sen Sharma - কঙ্কনা সেন শর্মা

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Aproveitando o ensejo do momento, hoje é dia de falarmos de uma das mais refinadas atrizes indianas do momento: a bengalesa Konkona Sen Sharma. Uma das mais versáteis atrizes que o cinema indiano conhece no momento, Konkona transita entre filmes de grande sucesso em Bollywood e filmes do cinema paralelo indiano, aclamados pela crítica.

Filha do cientista e jornalista Mukul Sharma e da excelente e aclamada cineasta Aparna Sen, Konkona nasceu no dia 3 de dezembro de 1979, em Nova Delhi. Ainda pequena, no entanto, mudou-se pra Calcutá, no West Bengal, onde estudou na Calcutta International School e na Modern High School for Girls. Em seguida retornou a Delhi e graduou-se em inglês na St. Stephen's College. Konkona tem somente mais um irmão, mais velho, chamado Kamalini Chatterjee.

E as raízes do cinema em Konkona já vêm de antes. Seu avô materno, Chidananda Dasgupta é um crítico de cinema, professor, escritor e cofundador da Calcutta Film Society.

A estreia de Konkona no cinema foi no filme Indira (1983), de sua mãe, quando ela tinha somente de três pra quatro anos. Em 1989 ela fez uma participação num série de televisão, chamada Picnic, e em seguida, em 1994, apareceu no filme Amodini, também de sua mãe. 

Após isso ela ficou um tempo sem trabalhos no cinema pra poder focar nos estudos. Em 2001, então, ela apareceu no filme bengalês Ek Je Aachhe Kanya. Em seguida ela já estava no filme Titli (2002), de Rituparno Ghosh, também bengalês, filme este que foi muito bem recebido pela crítica.

Mas seu sucesso desbancaria num outro filme, ainda no ano de 2002. Mr. And Mrs, Iyer, dirigido por sua mãe, foi um sucesso de público e de crítica. Contracenando com Rahul Bose, Konkona ganhou projeção por fazer perfeitamente o sotaque de uma mulher tamil, ganhando o prêmio de melhor atriz pelo National Film Award. Em 2005 ela estava em Page 3, que levou o prêmio de melhor filme pelo mesmo National Film Awards, dando a Konkona mais consolidação em sua carreira.

No mesmo ano ela também apareceu em 15 Park Avenue e no ano seguinte em Omkara. Embora nem apareça tanto quanto Ajay Devgan, Saif Ali Khan e Kareena Kapoor, Konkona levou dois prêmios de melhor atriz coadjuvante, um do Filmfare Awards e outro do National Film Award. O imenso sucesso de Omkara escondeu outro filme com ela no mesmo ano, Deadline: Sirf 24 Ghante, embora o filme Dosar, de Rituparno Ghosh, tenha sido também muito bem recebido pela crítica, também com Konkona.

Em 2007, Konkona mostrou sua versatilidade ao interpretar uma prostituta de rua em Traffic Signal ao mesmo tempo em que aparecia em Laaga Chunari Mein Daag, no qual fazia a ingênua e pura irmã de uma prostituta de luxo, interpretada por Rani Mukerji, e fazendo par com Kunal Kapoor. No mesmo ano ela também apareceu em Life in a... Metro, pelo qual ela levou seu segundo Filmfare Awards de melhor atriz coadjuvante. E por fim, ainda em 2007, Konkona interpretou outra ingênua garota que, por sua vez, interpretava a lendária Laila no filme Aaja Nachle, no aclamado retorno de Madhuri Dixit, também ao lado de Kunal Kapoor.

Em 2008 ela esteve em Dil Kabaddi e no projeto 8, de Mira Nair. No ano seguinte, Konkona fez um filme em inglês, chamado The President is Coming, que foi muito bem recebido pela crítica. Depois foi a vez de Lucky by Chance, ao lado de Farhan Akhtar. No final do ano ela esteve no simpático Wake Up Sid, ao lado de Ranbir Kapoor, pelo qual recebeu de novo excelentes críticas.

Para 2010 há uma extensa agenda de lançamentos pra Konkona. De novo ao lado de Ajay Devgan, ela aparece em Atithi Tum Kab Jaoge. Depois aparece em Right Yaa Wrong. Também aparecerá de novo num filme de Rituparno Ghosh, chamado Sunglass e em outro de sua mãe, chamado Iti Mrinalini. Ainda há o filme Mirch pra estrear.

Konkona aparecerá no filme Mumbai, de Aditya Chopra, que contará a história dos atentados nesta cidade em 2008, e também terá no elenco Arjun Rampal, Shahid Kapoor, Rani Mukerji e Esha Deol.

E Konkona é uma atriz que não se contenta só com cinema. Em 2009 ela entrou para fazer parte do espetáculo de teatro The Blue Mug, ao lado de Rajat Kapoor, Vinay Pathak e Ranvir Shorey, que passou também por São Paulo numa apresentação única.

Desde julho de 2008 Konkona está oficialmente com Ranvir Shorey, com quem já contracenou em muitos dos filmes de sua carreira.

Colaborou: Carolyne Juvenil.
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sábado, 17 de abril de 2010

The Blue Mug em São Paulo

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Numa raríssima oportunidade - além de única -, uma peça de teatro indiana virá a São Paulo no próximo dia 5 de maio de 2010. E pra completar, ela contará com alguns dos mais finos atores de Bollywood em seu elenco.

Estamos falando do The Blue Mug Play, um espetáculo de Atul Kumar, como nada mais que Konkona Sen Sharma, Ranvir Shorey, Vinay Pathak, Rajat Kapoor, Sheeba Chaddha e Munish Bhardwaj. Os quatros primeiros têm uma lista extensa de filmes de Bollywood no currículo, sendo que Konkona, Ranvir e Vinay atuaram lado a lado em Aaja Nachle (2007) e Ranvir, Vinay e Rajat estiveram juntos em Bheja Fry (2007). Konkona Sen Sharma é a mais famosa de todos, tendo já recebido um National Film Awards de melhor atriz por Mr. and Mrs. Iyer (2002) e dois Filmfare Awards pra melhor atriz coadjuvante, por Omkara (2006) e LIfe in a... Metro (2007).

The Blue Mug é uma comédia que fala sobre a memória e o que fazemos com ela, usando como base experiências pessoais dos atores, que inclusive improvisam em alguns trechos do espetáculo.

Em turnê pelos Estados Unidos de 23 de abril a 16 de maio, o espetáculo dará uma espichada ao Brasil para uma apresentação única no Teatro Juca Chaves, em São Paulo, no dia 5 de maio, quarta-feira, às 20h30.

O Teatro Juca Chaves fica na rua João Cachoeira, 899, no Itaim Bibi, dentro do supermercado Extra. O ingresso inteiro sai por R$100,00 (há opção de meia-entrada) e após o espetáculo haverá um coquetel com salgadinhos indianos. Como a apresentação será única, recomenda-se a compra antecipada do ingresso. Compre seu ingresso aqui, ou pessoalmente na bilheteria do teatro.

*ATUALIZAÇÃO*: Leia aqui o comentário sobre o espetáculo.
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sábado, 3 de abril de 2010

Aaja Nachle (2007) - आजा नचले

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Esses dias assisti ao filme Aaja Nachle, depois de muito postergar, e tive uma agradável surpresa. Confesso que esperava menos, em parte pelas sinopses que eu lia, em parte pelo fracasso na Índia. O que me surpreendeu - e isso já adianto - foi a homenagem feita à tradição oral das lendas do mundo indiano/árabe, além de eu reconhecer ali uma homenagem também ao próprio cinema indiano. E sim, é clara a também homenagem a Madhuri Dixit, protagonista do filme. Aaja Nachle significa "vamos dançar"; e não temo em dizer que, se Madhuri não for sozinha a maior dançarina do cinema indiano, ela certamente divide o topo do pódio.

Diya (Madhuri Dixit) vivia em Shamli, no oeste do Uttar Pradesh, onde aprendeu danças indianas com seu mestre, Guru Makarand, no Ajanta, um antigo teatro a céu aberto local. Um dia, Diya apaixona-se por um fotógrafo estadunidense que passava por lá e logo muda-se com ele para Nova Iorque. Acontece que ela estava prometida para outro rapaz e essa decisão dela arruinou a vida de seus pais, que foram obrigados e se mudarem para longe dali.

Em Nova Iorque, Diya tem uma filha com o fotógrafo, mas eles acabam se separando. Alguns anos mais tarde, enquanto dava aula de dança num estúdio novaiorquino, Diya recebe uma ligação dizendo que seu guru estava no leito de morte. Ela volta correndo à Índia, mas não consegue chegar a tempo. No entanto, seu guru deixa a ela uma mensagem de vídeo onde ele diz que o Ajanta havia sido abandonado desde que ela partira e agora corria o risco de ser demolido para a construção de um shopping. E somente ela poderia salvá-lo.

Raja Uday Singh (Akshaye Khanna) é o político local por trás dos planos do shopping; Farooque (Irrfan Khan), por sua vez, é o empresário com o dinheiro. Ele, aliás, casou-se com Najma (Divya Dutta), a melhor amiga de Diya. Bom, e então Diya vai conversar com o político e ele dá a ela dois meses para ela resgatar o Ajanta com uma peça que teria que ser encenada com moradores de Shamli, e não dançarinos profissionais. E se ela fracassasse, o Ajanta seria demolido.

E então começa o trabalho hercúleo de Diya. Ela decide montar um musical baseado na história de Laila e Majnu, uma espécie de "Romeu e Julieta" do mundo árabe, que, ao que consta, existiu de verdade nos idos do século VII.

Pouco a pouco, consegue montar seu elenco e Laila será Anokhi (Konkona Sen Sharma) e Majnu será Pathan (Kunal Kapoor). Os ensaios começam e tudo indica que jamais conseguirão ficar bons a tempo. Pra dar a tensão básica, um outro político que estava do lado de Diya, Chaudhary Om Singh, é comprado por 5 milhões de rúpias, prejudicando - e muito - o andamento dos ensaios.

Mas Diya é determinada. Nem mesmo o senso comum local, que a vê praticamente como uma prostituta, pelo seu passado, a impede de encarar o desafio e transpor os obstáculos. E chega, então, a grande noite. 

Ok, é tudo previsível e óbvio. Mas (quase) nada ali é verossímil. O espetáculo, que ocorre num teatro a céu aberto e sem verbas, é grandiosíssimo, os cenários mudam a todo instante, é uma superprodução que jamais poderia ocorrer naquela estrutura. Mas isso não importa; a inverossimilhança é completamente proposital e é isso que encanta.

Passamos o filme todo ansiosos pelo espetáculo que, no filme, não dura mais de vinte minutos. A espera vale a pena. É nessa hora que a grande homenagem é feita. Ali celebra-se a narração oral de lendas em versos, tradição antiquíssima no subcontinente indiano, celebra-se a tradição da dramatização com música e, nesse ponto, o cinema da Índia acaba sendo homenageado como o grande acolhedor desse momento mágico que é ouvir histórias através de músicas e danças.

Aliás, as músicas são, de forma geral, muito boas. Composta pelos irmãos Salim-Sulaiman, a trilha sonora oficial acabou não incluindo algumas das músicas que aparecem na sequência da peça Laila-Majnu.

Bom, e como quase sempre tem que ocorrer, o filme foi banido por um tempo no Uttar Pradesh, Haryana e Punjab por uma polêmica provocada na letra de uma música, onde fica implícito que uma casta é inferior a outra. Após desculpas oficiais da produção, o banimento caiu. Com banimento ou sem banimento, o filme não fez sucesso no país. No entanto, para os que tem Madhuri como a deusa suprema de Bollywood, daí, sim, esse filme foi um grande sucesso e uma linda homenagem a ela.

Pelo sim, ou pelo não, é um filme muito peculiar e que vale a pena ser visto, não esperando, porém, pela coerência dos fatos, mas sim pelo próprio encanto em si.



Colaboraram: Isabela Lundeen e Pedro Custódio
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