Mostrando postagens com marcador Kajol. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Kajol. Mostrar todas as postagens

domingo, 14 de março de 2010

My Name is Khan (2010) - माय नेम इज़ ख़ान

-

Desfiz um jejum de quase dois meses sem ver filmes indianos. E embora, como sempre, eu tivesse uma lista longa de filmes esperando por serem vistos, atropelei tudo em nome da minha ansiedade e vi My Name is Khan. Havíamos já citado este filme aqui e da projeção que ele ganhou no Festival de Berlim.

Sendo dirigido por Karan Johar e tendo música feita pelos SEL, My Name is Khan já tinha parte da fórmula garantida pro sucesso. Mas nada substitui a presença do mais unânime casal 20 de Bollywood: Shahrukh Khan e Kajol. E o filme é mesmo deles dois. Talvez o único ator um pouco famoso que também aparece é o jovem Tanay Chheda, que ficou famoso por fazer o amigo de Ishaan, em Taare Zameen Par, e o pequeno Jamal Malik, em Quem Quer Ser um Milionário?. Mas ele aparece pouco e só no começo, fazendo o personagem de SRK quando criança.

Bom, e a história é razoavelmente simples, mas cheia de emoções do começo ao fim. É tanto rir ou chorar que tem vezes que não sabemos o que fazer com nosso rosto e as duas coisas acabam acontecendo ao mesmo tempo. Logo no começo do filme já vemos que a história está sendo narrada por Risvan Khan (Shahrukh Khan), que está, em verdade, escrevendo tudo isso para Mandira (Kajol). É assim que ficamos sabendo que quando pequeno ele não era compreendido nem por seus amigos e nem por sua mãe. Ele visivelmente tinha algum problema, embora fosse ultra inteligente. Não se dando bem na escola, sua mãe acaba contratando um professor particular pra Risvan, potencializando sua inteligência.

Toda essa atenção dada a Risvan deixa seu irmão mais novo, Zakir, muito enciumado e, depois de grande, ele se muda a São Francisco, nos EUA. Mas o rancor não o impede de levar Risvan para lá depois que sua mãe morre. E Risvan leva na bagagem a coisa mais importante que ele tinha aprendido com sua mãe: que no mundo a única diferença que existe entre seres humanos é entre bons e maus.

Assim, lá em São Francisco, a exposa de Zakir, psicóloga, descobre que Risvan é portador da Síndrome de Asperger, uma espécie de autismo "leve". Pra ajudar o irmão, então, Zakir propõe a Risvan ajudá-lo na venda dos cosméticos da empresa em que trabalha, indo de porta em porta nos salões de beleza em são Francisco.

E lá vai Risvan, com toda sua dificuldade de comunicação e de relacionamento - e toda a sua sinceridade -, vender os cosméticos. E é assim que ele conhece Mandira, uma cabeleireira, apaixonando-se por ela imediatamente. Desde então ele sempre volta lá pra vender os produtos, e ela sempre muito amorosa. Não precisa muito pra ele dizer que quer se casar com ela. Insiste tanto que ela aceita. A verdade é que desde o princípio ela também havia se encantado com a simplicidade e o coração puro de Risvan.

Mandira já tinha um filho de outro casamento, o Samir, e era hindu. Fosse na Índia, esse casamento aconteceria debaixo de mil e duas dificuldades, a começar pela diferença de religiões, já que Risvan é muçulmano. Mas sua mãe havia lhe ensinado somente duas diferenças, e era só isso que importava.

O casamento decorre muito bem até chegar o dia 11 de setembro de 2001. Nesta data, não temos como esquecer, ocorreram os ataques às torres gêmeas, em Nova Iorque, e ao Pentágono, em Washington. E, também nesta data, tem início uma nova era de recrudescimento da xenofobia nos EUA e no mundo, principalmente contra muçulmanos. Pouco a pouco, a vida de Risvan e sua família começa a virar um inferno, afetando inclusive Samir. 

O que por fim acontece não irei contar, para resguardar a emoção. Mas é a partir daí que Risvan promete à sua esposa ir de encontro com o presidente dos EUA e dizer a ele uma única frase: "My name is Khan and I'm not a terrorist" (Meu nome é Khan e eu não sou um terrorista). E é daí que a jornada começa e é daí que o link com o começo do filme é feito, já que tudo isso são apenas recordações que ocorrem nessa peregrinação de Risvan em direção ao presidente estadunidense.

E no caminho há uma oposição ultra óbvia a George Bush e um reverenciamento ultra óbvio a Barack Obama, embora nenhum nome seja citado. Também há uma lembrança ultra óbvia com a tragédia do furacão Katrina em Nova Orleans e as populações negras desassistidas. No filme, o furacão passa no estado da Geórgia. E, nesta comunidade negra, que seja feito um merecido destaque à Mama Jenny e seu filho, que acolheram Risvan em sua passagem por lá.

E claro, também é ultra óbvia a inspiração no filme estadunidense Forrest Gump, com Tom Hanks. Há várias referências a ele e isso não se esconde. Mas a história é outra.

Bom, é um filme muito caricato, com personagens caricatos, com as tomadas de câmera típicas de Bollywood, com forte apelativo emocional, músicas super cativantes e sem song-and-dances. No fim das contas, podia ser um filme ruim. Mas ele não é. Logo no princípio ficamos já muito presos em saber se ele irá, ou não, conseguir falar com o presidente e é isso que segura toda a história e toda a nossa atenção e angústia. E a mensagem que ele passa, por simples e batida que seja, é muito necessária. E não só pra Índia, onde o conflito de religiões é muito presente e borbulhante, mas pra todo o mundo.

Então fiquem com o trailer:

-

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Kajol Devgan - काजोल देवगन - কাজল দেবগন

 -


Desfazendo um débito desmerecido que existia aqui no Cinema Indiano, hoje vamos finalmente desvendar um pouco da vida e obra de Kajol Devgan.

Kajol nasceu no dia 5 de agosto de 1975, em Mumbai, no berço de uma das mais proeminentes famílias do cinema. Sua mãe, Tanuja, de família marathi, é ainda uma reconhecida atriz, enquanto que seu pai, Shomu Mukherjee, de família bengalesa, foi um produtor de cinema. Sua tia materna, Nutan, é até hoje a detentora do recorde de maior número de prêmios de melhor atriz (cinco, no total) no Filmfare Awards. E ainda do lado materno, tanto sua avó, Shobna Samarth, quanto a bisavó, Rattan Bai, foram atrizes muito importante nos princípios do surgimento do cinema hindi.

Do lado paterno, dois de seus tios também são produtores, Joy Mukherjee e Deb Mukherjee. Seu avô, Sashadhar Mukherjee, era um diretor. Três tios-avôs de Kajol eram também atores famosos no passado: Ashok Kumar, Anoop Kumar e Kishore Kumar. Também outros três primos de Kajol são atores de Bollywood: Sharbani Mukherjee, Mohnish Behl e nada mais que Rani Mukerji. Outro primo seu, Ayan Mukerji, é um diretor. E finalmente, a irmã mais nova de Kajol, Tanisha Mukherjee, é também uma atriz. Fechando o parágrafo, Kajol trocou o sobrenome Mukherjee para Devgan após casar com o ator Ajay Devgan, em 1999.

Aos 17 anos de idade, Kajol deixou a escola St. Josephs Convent e foi já atuar. Estreou em 1992 no filme Bekhudi que, embora tenha sido um fracasso, deu projeção a Kajol por sua boa atuação. Já no ano seguinte ela estrelaria o filme Baazigar, o primeiro de tantos que fez ao lado de Shahrukh Khan e que foi seu primeiro sucesso.

No ano seguinte, o filme Udhaar Ki Zindagi foi super fracassado, mas sua performance foi de novo muito elogiada. Em seguida estrelou no sucesso Yeh Dillagi, ao  lado de Akhsay Kumar e Saif Ali Khan, sendo então indicada ao prêmio de melhor atriz no Filmfare Awards.

O ano de 1995 foi um dos mais importantes pra história de Kajol. Dois dos cinco filmes que ela fez no ano, Karan Arjun e Dilwale Dulhania Le Jayenge,  foram os maiores sucessos de 1995. Por este último (que é simplesmente o filme que bateu recorde de tempo em cartaz, estando até hoje num cinema em Mumbai, e no qual ela fez o mais famoso par com Shahrukh Khan) ela levou seu primeiro prêmio de melhor atriz no Filmfare Awards.

Seu único filme de 1996, Bambai Ka Babu, foi um fracasso. Em 1997, no entanto, Kajol voltou aos holofotes por ser a primeira atriz na história de Bollywood a ganhar o prêmio de melhor vilão, no Filmfare Awards, pos seu papel em Gupt: The Hidden Truth. Mas não ficou só nisso. Nesse mesmo ano, Kajol fez seu primeiro filme tamil,  Minsaara Kanavu, levando o prêmio de melhor atriz pelo Filmfare Awards South. E o ano fechou para Kajol com o filme Ishq, no qual conheceu Ajay Devgan - nome de filme bem sugestivo para contracenar com quem seria seu futuro marido!


Em 1998, Kajol apareceu ao lado de Salman Khan na comédia Pyaar Kiya To Darna Kya. Depois foi a vez de contracenar com Sanjay Dutt em Dushman. Em seguida, de novo ao lado de Ajay Devgan, apareceu em Pyaar To Hona Hi Tha. Até que, finalmente, contracenou com Shahrukh Khan no maior sucesso do ano, Kuch Kuch Hota Hai, pelo qual levou seu segundo prêmio de melhor atriz no Filmfare Awards.

No ano seguinte, Kajol apareceu em Dil Kya Kare e em Hum Aapke Dil Mein Rehte Hain, neste último ao lado de Anil Kapoor. No ano 2000 ela fracassou com o Raju Chacha. Já em 2001, embora seu primeiro filme tenha sido o também fracassado Kuch Khatti Kuch Meethi, o segundo foi o muito bem sucedido Kabhi Khushi Kabhie Gham, pelo qual ela levou o terceiro prêmio de melhor atriz no Filmfare Awards.


Após o sucesso em KKKG, Kajol decidiu engravidar e acabou passando cinco anos longe das câmeras. O retorno foi com Fanaa, em 2006, no qual apareceu ao lado de Aamir Khan, e pelo qual levou o quarto prêmio de melhor atriz no Filmfare Awards, igualando-se a Meena Kumari e Madhuri Dixit (e a apenas um prêmio de ficar par a par com sua tia). Depois disso Kajol apareceu em U, Me aur Hum, no ano de 2008.

Em 2010, Kajol aparecerá no aguardado My Name is Khan e está filmando neste momento Siddharth Malhotra's Next.


E vamos às intimidades e afins. Como já dito, Kajol casou-se com Ajay Devgan em 1999, no dia 24 de fevereiro. No dia 20 de abril de 2003 nasceu Nysa, a filha do casal. Em 2005, o casal participou no programa Kaun Benega Crorepati (o "Quem quer ser milionário?" indiano) e levaram 10 milhões de rúpias (dois milhões de reais). O dinheiro foi doado a um hospital do câncer, em Chennai. Em 2005 e em 2006, Kajol foi também uma das juradas no Indian Idol.

Em 2006, a Kajol desfilou na Fashion Week de Mumbai, vestindo as roupas de Manish Malhotra. No mesmo ano, foi lançada uma linha de bonecos com o nome Bollywood Legends. Kajol foi uma das lendas escolhidas para ser boneca, junto de Shahrukh Khan, Hrithik Roshan e Priyanka Chopra. Na edição especial de aniversário da Vogue India, em 2009, Kajol e Shahrukh Khan foram tema de capa da revista, na qual dizia:  "Kajol & Shah Rukh: A dupla mais mágica de Bollywood".

No campo social, Kajol é patrona e embaixadora da boa vontade do Loomba Trust, uma instituição de caridade voltada à educação de filhos de viúvas na Índia e em algus outros lugares do mundo. Além disso, ela também trabalha para a ONG Shiksha, que se preocupa em melhorar a qualidade do ensino das escolas da região de Nova Déli. Em novembro de 2008, Kajol recebeu o prêmio Karamveer Puraskar, oferecido às pessoas que, além da própria profissão, preocupam-se com a melhora das questões sociais.