Bem, lá vamos nós!
Obs.: Eu gostaria de avisar que a minha relação com meus filminhos indianos é algo bem subjetivo, portanto, meus posts serão recheados de opniões pessoais.
Abraços para os seguidores do Cinema Indiano
Pedro Custódio

Bom, pra começar, Jodhaa Akbar é quase um épico que conta mais ou menos a história real da paixão do imperador mogol Jalaluddin Muhammad Akbar, muçulmano, por Hira Kunwari (posteriormente chamada de Jodhabai), uma princesa hindu, filha do marajá de Amber (atual Jaipur), em 1562. É dirigido por Ashutosh Gowariker, o mesmo que dirigiu Lagaan e Swades. Akbar é ninguém mais que Hrithik Roshan e Jodhaa é a fabulosa Aishwarya Rai. E pra completar, a música é do mestre A.R. Rahman. Ou seja, tudo pro filme ser realmente bom.
Mas como toda história tem seus mistérios e invenções (quem conta um conto aumenta um ponto, não é?), a própria existência de Jodhaa é controversa. Pra começar, o nome Jodhaa, ou Jodhabai, jamais apareceu em qualquer documento que fosse da época. Ao que consta, apareceu muito tempo depois, em contos recentes sobre o imperador, que é venerado até hoje por muitos. O fato é que ele casou-se mesmo com Hira Kunwari, posteriormente rebatizada com o nome muçulmano de Mariam-uz-Zamani Begum Sahiba, após um acordo diplomático com o marajá de Amber. Mas como esses acordos eram comuns na época, incluindo casamentos como forma de aliança, essa história de Mariam-uz-Zamani e Akbar é apenas mais uma. A cena piora ainda mais quando sabemos que ela era apenas mais uma do harém de Akbar.
Logo no começo do filme, o pequeno Akbar assiste a sangrentas batalhas e é coroado imperador de um dos maiores impérios do planeta até então. Através de um acordo com o marajá Bharmal, de Amber, Akbar acerta o casamento com Jodhaa. Todo esse momento pré-nupcial é todo recheado de desafios a ambos, o que inclui uma cena ímpar em que Akbar deve descobrir quem é Jodhaa entre várias - se descobrisse ele poderia então casar com ela. E, na verdade, os desafios prosseguem mesmo depois do casamento.
Mas como nem tudo são flores, Jodhaa enfrenta fortes resistências no reino de Akbar, e até mesmo rejeição. Ela passa a encontrar-se secretamente com seu irmão, mas Akbar descobre e fica furioso, na verdade por ciúmes, não sabendo quem era aquele homem misterioso com quem Jodhaa se encontrava.
Para a produção do filme, que custou algo em torno de 15 milhões de reais, foram usados 80 elefantes, 100 cavalos e 55 camelos para cenas de guerra e cerimônias reais. Na coreografia de Azeem-o-Shaan Shahensha, cerca de mil figurantes foram utilizados, todos com figurinos de época, cuidadosamente detalhados e confeccionados. E Ashutosh é tão preocupado com os pequenos detalhes, que além de ter contratado uma grande equipe de historiadores, exigiu que as joias utilizadas no filme fossem todas de ouro de verdade, e não bijuteria. No total, mais de 400kg de ouro foram usados. E na minha opinião, até mesmo a trilha sonora, de A.R. Rahman, é uma das mais bem cuidadas e bonitas que já vi em Bollywood. Também pudera, Akbar era seguidor da linha Sufi no Islamismo, a mesma que segue Rahman, e essa influência pode ser notada em algumas músicas.