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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Apresentação do Novo Colaborador


Bem, lá vamos nós!
Meu nome é Pedro, tenho 17 anos, sou ( no momento) um vestibulando e pretendo cursar Ciências Sociais, com enfâse em Antropologia. Eu devo dizer que é uma honra ter sido convidado pelo Ibirá para contribuir aqui. Esse blog foi aquele que me introduziu ao mundo mágico do Cinema Indiano( Bollywood, Tolly, Kolly... É muito amor). Meu primeiro filme foi Jodhaa Akbar (recomendação deste blog) e fiquei encantado por tudo. Pelas cores, pelos sáris, pela história, pelas músicas... Enfim é isso. Espero enriquecer esse espaço já tão rico!

Obs.: Eu gostaria de avisar que a minha relação com meus filminhos indianos é algo bem subjetivo, portanto,  meus posts serão recheados de opniões pessoais.

Abraços para os seguidores do Cinema Indiano
Pedro Custódio



domingo, 31 de julho de 2011

Mostra de Cinema Indiano no Rio de Janeiro

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Caríssimos, no próximo dia 5 de agosto começa na Cinemateca do MAM, no Rio de Janeiro, a mostra Anos 2000 - A Década que Mudou a Cara do Cinema Indiano. Com uma seleção de dez filmes de Bollywood, essa mostra percorre os principais caminhos por onde andou o cinema indiano, mudando de uma vez por todas os rumos da maior indústria cinematográfica do mundo.


Por mais que a Índia sempre tenha feito filmes de qualidade excepcional ao longo do século XX, tais produções nunca eram feitas pra agradar o grande público, que em grande parte das vezes nem sequer sabiam que estes filmes eram lançados. Nos anos 2000, no entanto, foi do coração das indústrias de cinema indianas que as mudanças começaram a acontecer.

O primeiro e incontestável marco desta mudança é o filme Lagaan - O Imposto (Lagaan, 2001), dirigido por Ashutosh Gowariker e produzido pela então estreante Aamir Khan Productions. Ao longo de quase quatro horas de filme (um dos mais longos de toda a história do cinema indiano), Lagaan revolucionou Bollywood e todas as outras indústrias de cinema da Índia ao investir em um cidade cenográfica e em centenas de figurantes pra contar uma história que não era de amor. A aposta de Aamir Khan, até então “somente” uma das grandes estrelas do cinema indiano, deu tão certo que o filme foi o segundo da história do cinema indiano a concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro. E a Aamir Khan Productions nasceu revolucionando, indicando o que viria nos anos seguintes.

Mas, na verdade, foi em 2006 em que as mudanças ganharam ainda mais força. E não foi somente um filme que indicou esse caminho. Somente em Bollywood, ao menos quatro diferentes filmes surgiram nesse mesmo ano e, cada qual com sua forma, influenciou produções seguintes, guinando de uma vez por todas o caminho trilhado pelo cinema indiano ao longo das últimas décadas do século XX.

O primeiro a aparecer naquele ano foi Omkara (Omkara, 2006), de Vishal Bhardwaj, que já tinha mostrado ao que viria com um outro filme seu, de 2002, chamado Maqbool. Se este do começo dos anos 2000 era uma releitura de Macbeth, de Shakespeare, o segundo foi uma releitura de Othello, do mesmo legendario escritor britânico. E foi que Omkara consagrou de uma vez por todas a capacidade de Vishal Bhardwaj de construir releituras com um roteiro extremamente complexo e com uma direção impecável, coisa que, definitivamente, a audiência indiana não conhecia.

Mas foram outros dois filmes do mesmo ano de 2006 que fizeram história na Índia. O primeiro, A Cor do Sacrifício (Rang De Basanti, 2006), dirigido por Rakeysh Omprakash Mehra, trouxe Aamir Khan interpretando um estudante universitário, ao lado de seus colegas. Por incrível que pareça, esse filme foi o primeiro a trazer como personagens centrais jovens universitários. De novo, a história central não era de amor e o roteiro não girava em torno do mundo dos adultos. Isso, de imediato, conquistou a imensidão de estudantes universitários Índia adentro, que naquele momento já era grande parte do público dos cinemas indianos. Um novo nicho havia sido descoberto.

Acontece que não foi somente esse fator que colocou A Cor do Sacrifício na história do país. Ele levou os personagens de seu filme a lutarem por direitos, numa escalada dramática tão impressionante e inesperada que acabou por instar os jovens indianos a fazerem o mesmo, coisa que eles não tinham nunca aprendido a fazer. Na época, a série de protestos de jovens pedindo por inúmeros direitos foi chamado pela mídia indiana de “efeito RDB”, em alusão à sigla do filme, no nome original.

E então um outro filme veio para coroar todo esse movimento do ano de 2006. Siga em Frente, Munnabhai (Lage Raho Munnabhai, 2006), de Rajkumar Hirani, tinha tudo pra ser uma comédia normal, talvez com um pouco mais de qualidade em relação ao “normal” das comédias indianas - e ainda por cima tendo como eixo um amor aparentemente impossível. No entanto, ao inserir de maneira genial o Mahatma Gandhi e seus ideais na história, o inesperado aconteceu de novo. A juventude indiana, que acabara de descobrir o poder do protesto, entrou em contato com os mais importantes princípios de Gandhi, que já estavam totalmente esquecidos pela imensa maioria dos jovens. E não tardou pra que eles levassem esses princípios aos protestos desencadeados pelo “efeito RDB”, agora somado com o “efeito Munnabhai”. E mais uma vez, mais um filme veio aos cinemas da Índia pra mostrar que roteiros pensados e com conteúdo poderiam, sim, ter efeitos muito maiores do que pensavam.

Em 2007, Aamir Khan voltou não só com sua produtora e sua atuação, mas resolveu também arriscar-se na direção. O resultado dessa soma foi Como Estrelas na Terra (Taare Zameen Par, 2007), um absoluto sucesso não só na Índia, como também no mundo. O que Aamir fez, dessa vez, foi construir uma história que questionasse o modelo educacional da Índia, mas de forma tão eficaz que a mensagem pudesse ser pro mundo. Com um apelo emocional muito forte, Como Estrelas na Terra não parou até hoje de mandar sua mensagem.

No ano seguinte, Ashutosh Gowariker voltou com outra obra mais do que grandiosa. Jodhaa Akbar (Jodhaa Akbar, 2008) trouxe de volta ao cinema indiano não só a potência dos épicos, como também resgatou as lendárias histórias vividas no país durante o domínio do império Mogol. Também com incríveis 3 horas e meia de duração, Jodhaa Akbar foi uma superprodução histórica como não se via há tempos.

E então 2009 trouxe a obra seguinte, e bombástica, de Rajkumar Hirani, desta vez com a atuação e já indiscutível capacidade de influência - e manipulação, diríamos? - de Aamir Khan. 3 Idiotas (3 Idiots, 2009) bateu todos os recordes de bilheteria da história do cinema indiano, trazendo de volta jovens universitários como personagens centrais, mas desta vez questionando o próprio modelo de ensino superior do país. Mas a história do filme talvez não levasse a obra ao recorde, não fosse a inusitada estratégia de marketing imposta por Aamir Khan nos meses antecedentes ao lançamento de 3 Idiotas. Na autointitulada “maior caça humana” da história da Índia, Aamir Khan desapareceu dos olhos do público e da mídia, reaparecendo disfarçado nos mais inesperados lugares do país.

No mesmo ano, Anurag Kashyap apresentou uma obra difícil de ser aceita pela maior parte do público indiano, mas que mostrou ser capaz de fazer escola e consolidar um caminho sem volta no seio de Bollywood. Ao fazer Dev.D (Dev.D, 2009), Anurag realizou a décima primeira versão cinematográfica indiana do romance bengalês “Devdas”, de Sharat Chandra Chattopadhyay. No entanto, ao contrário das dez versões anteriores, Dev.D foi, na verdade, uma releitura contemporânea da obra, inovando em vários aspectos na direção, no roteiro e nas atuações.

Em 2010, finalmente, dois foram os filmes que também chegaram ampliando os rumos do cinema indiano e fechando a década das mudanças. O primeiro, Amor, Sexo e Traição (Love, Sex aur Dhokha, 2010), de Dibakar Banerjee, inovou impressionantemente na linguagem e na condução do roteiro. A partir do descontrole que temos hoje das câmeras que estão por todos os lados, LSD, como é chamado, explora essa questão pra contar três diferentes histórias reveladas por esses “olhos”.

O último filme desta seleção é Peepli ao Vivo (Peepli Live, 2010), da Aamir Khan Productions. Desta vez, a inovação não está mais nem na qualidade do roteiro, nem da direção, nem da produção, que são todos ótimos e seguem a escola construída. O que se inova, desta vez, é em quem dirige e em quem atua. Anusha Rizvi, a diretora, era uma completa desconhecida até cair nas graças de Aamir Khan, que topou investir suas fichas nelas, ao contrário do que fazem as outras produtoras. E os atores, seguindo o mesmo rumo, são também completos desconhecidos, alguns deles com carreira somente no teatro, até então. Peeli ao Vivo, desta forma, apresenta um cinema com tanta qualidade de conteúdo e forma, que simplesmente não depende de nomes pra fazer sua fama. E isso o cinema indiano também não conhecia.

É assim que, quando se olha para os últimos dez anos do cinema indiano, o que se vê foram mudanças intensas que deram início a um novo patamar de se fazer filmes na Índia. Vários nomes podem ser citados, mas a liderança de Aamir Khan, hoje o mais bem pago astro do cinema indiano, é unânime. Afrouxando a camada grossa que sempre separou o cinema industrial do chamado “cinema paralelo”, ou de arte, indiano, Aamir apresentou ao público comum novas possibilidades de se contar histórias na tela grande.

E o êxito desta mudança está sendo agora apresentado com uma retrospectiva de cinco dos mais proeminentes filmes em que Aamir Khan participou, seja como ator, seja como produtor, seja como diretor, ou tudo isso junto, ao longo desta última década.


Clique aqui e confirme sua presença na mostra em nosso evento no facebook e mande convites pros seus amigos!


Confira aqui a programação ou pelo site do MAM:


05/08 - Sexta
18h30 - DEV.D (2009), de Anurag Kashyap. 144'

06/08 - Sábado
16h - PEEPLI AO VIVO (Peepli Live, 2010), de Anusha Rizvi. 95'
18h -
SIGA EM FRENTE, MUNNA BHAI (Lage Raho Munna Bhai, 2006), de Rajkumar Hirani. 144'

07/08 - Domingo
16h - O IMPOSTO (Lagaan, 2001), de Ashutosh Gowariker. 224'

11/08 - Quinta
18h30 - A COR DO SACRIFÍCIO (Rang De Basanti, 2006), de Rakeysh Omprakash Mehra. 157'

12/08 - Sexta
18h30 - OMKARA (2006), de Vishal Bhardwaj. 155'

13/08 - Sábado
16h - JODHAA AKBAR (2008), de Ashutosh Gowariker. 213'

14/08 - Domingo
16h - COMO ESTRELAS NA TERRA (Taare Zameen Par, 2007), de Aamir Khan. 165'

19/08 - Sexta
18h30 - AMOR, SEXO E TRAIÇÃO (Love, Sex aur Dhokha, 2010), de Dibakar Banerjee.

21/08 - Domingo
16h - 3 IDIOTAS (3 Idiots, 2009), de Rajkumar Hirani. 170'

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sábado, 24 de abril de 2010

Mughal-E-Azam (1960) - मुग़ल-ए आज़म

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Mughal-E-Azam é um filme e tanto. Dirigido por K. Asif, foi uma das maiores superproduções que Bollywood já viu em sua história, tendo levado nove anos pra ficar pronta até que tivesse sua estreia no ano de 1960. Naquele ano, esse filme bateu todos os recordes de bilheteria na Índia, sendo batido somente por Sholay, em 1975. Mas há quem diga que, ajustando a inflação, Mughal-E-Azam ainda detenha o recorde de arrecadação da história de Bollywood até hoje.

Pra ajudar, o filme contou com alguns dos maiores astros de Bollywood até então, como Prithviraj Kapoor, Dilip Kumar e Madhubala, que encarnaram a lendária história de Anarkali, que teria sido enterrada viva pelo imperador Akbar, evitando que seu filho, Jahangir, se casasse com ela.

Pra quem assistiu Jodhaa Akbar (2008) antes, ver Mughal-E-Azam pode dar uma impressão um tanto diferente de Akbar, o Grande, embora o final do filme guarde uma surpresa necessária. Mas se tanto Jodhaa Akbar quanto Mughal-E-Azam são baseados mais em fatos lendários do que propriamente reais, ambos se complementam e dão um ao outro uma continuidade histórica da vida de um dos mais emblemáticos imperadores mogóis que a Índia já teve: Akbar.

E então a história do filme é a seguinte: o pequeno príncipe Salim (futuro imperador Jahangir) é filho de Akbar (Prithviraj Kapoor) com Jodhaa (Durga Khote) e é extremamente levado. É realmente difícil discipliná-lo, mas Akbar descide enviá-lo para a frente de batalha na idade apropriada, de maneira que ele passasse anos fora dos mimos do palácio e se endireitasse com a disciplina militar.

Os anos se passam e é chegada a hora do retorno de Salim, já nesse momento interpretado pelo galã Dilip Kumar. Em seu retorno, a corte é brindada com danças de cortesãs, sendo Bahaar uma das mais expressivas e reconhecidas dançarinas cortesãs. Mas então eles conhecem uma recém-chegada garota que surpreende a todos com sua beleza e com sua dança. É nomeada Anarkali (Madhubala) e Salim fica realmente encantado por ela. Acontece que um romance entre Salim e Anarkali jamais poderia ocorrer, por diferenças de castas, e seria um desastre no império.

Ainda assim, Salim e Anarkali passam a se encontrar secretamente, mas a ciumenta Bahaar descobre e deda tudo. Anarkali é então presa. Salim fica furioso e rebela-se contra seu pai. Anarkali é liberada e realiza uma incrível dança kathak dentro de um incrível salão do palácio. E ao dançar, canta seu amor incondicional pelo príncipe, o que foi um motivo mais do que suficiente pra ira de Akbar, que, desta vez, ordena que Anarkali seja emparedada viva.

E então não conto o que se segue. Assistam o filme, que vale muito à pena. Mughal-E-Azam foi originalmente filmado em preto e branco, mas no ano de 2004 uma imensa equipe coloriu o filme artificialmente e ele foi relançado nos cinemas e em DVD. Foi novamente um sucesso estrondoso, o que pode ter colocado Mughal-E-Azam no posto de filme mais visto na Índia em todos os tempos.

As músicas do filme são também no melhor estilo dos anos dourados do cinema indiano, cantadas obviamente pela imortal Lata Mangeshkar. E Mughal-E-Azam é considerado até hoje a obra-prima e referência para qualquer filme com inspiração muslim socials, que tanto deu à Índia a magnanimidade hoje reconhecida no mundo.

A cena do kathak de Anarkali pode ser conferida na postagem sobre esse filme no Grand Masala. E pra não competir, coloco então uma outra linda dança da mesma Anarkali, com a música Mohe Panghat Pe, cantada por Lata Mangeshkar e com legenda em português:


Colaboraram: Bárbara Fernandes e Pedro Custódio  
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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Mostra de cinema indiano em Turim

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Há pouco mais de um mês, a cidade italiana de Florença presenteou seus habitantes com o festival River to River, de cinema indiano, dentro de um festival bem maior de cinema internacional. Dessa vez, o norte do país será mais uma vez agraciado com o festival Bollywood, Bollywood!, dessa vez no Museu d'Arte Orientale (MAO) de Turim, que irá deste dia 14 de janeiro ao dia 11 de fevereiro de 2010.

Embora a extensão seja grande, apenas quatro filmes serão exibidos e que considero particularmente bem escolhidos para representar a Bollywood contemporânea, como se propõe essa pequena mostra. No site do museu temos um texto um tanto chavão, mas que deve ser traduzido aqui:

"Ignorado por décadas no ocidente, se não em sua manifestação mais nobre e comprometida, o cinema indiano goza hoje de uma inesperada popularidade. Expressão de um país com muitas facetas, que representa com fidelidade absoluta a natureza policromática e contraditória, fugindo de qualquer classificação rígida: como a masala, é uma verdadeira mistura de especiarias em cuja mistura os sabores aparentemente incompatíveis se fundem num composto surpreendentemente saboroso. O objetivo deste encontro é aprofundar as raízes, explorando as múltiplas ramificações e encontrar um substrato comum, na tentativa de encontrar as razões do sucesso de um fenômeno tão falado e tão incompreendido".

Bom, na abertura da mostra haverá uma conferência com Aelfric Bianchi que falará sobre "Il Meraviglioso Mondo di Bollywood" (O Maravilhoso Mundo de Bollywood), às 21h do dia 14/01. E os filmes a serem exibidos serão:  Devdas (21/01, às 20h), Main Hoon Na (28/01, às 20h), Jodhaa Akbar (04/02, às 18h) e Black (11/02, às 20h).

Endereço do museu, telefone etc., clique aqui. Os ingressos são gratuitos.

domingo, 28 de junho de 2009

Jodhaa Akbar (2008) - जोधा-अकबर - جودھا اکبر

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Nesse último sábado, na novela da rede Globo Caminho das Índias, alguns personagens foram ao cinema na Índia assistir ao filme Jodhaa Akbar. Foi então que lembrei que assisti a esse filme ainda quando estava na Índia e que até hoje não tinha feito uma postagem sobre ele - e olha que é um dos meus filmes favoritos de Bollywood!

Bom, pra começar, Jodhaa Akbar é quase um épico que conta mais ou menos a história real da paixão do imperador mogol Jalaluddin Muhammad Akbar, muçulmano, por Hira Kunwari (posteriormente chamada de Jodhabai), uma princesa hindu, filha do marajá de Amber (atual Jaipur), em 1562. É dirigido por Ashutosh Gowariker, o mesmo que dirigiu Lagaan e Swades. Akbar é ninguém mais que Hrithik Roshan e Jodhaa é a fabulosa Aishwarya Rai. E pra completar, a música é do mestre A.R. Rahman. Ou seja, tudo pro filme ser realmente bom.

Ah sim, e essa produção é uma das mais longas já feitas em Bollywood, com 3 horas e 31 minutos de duração (onze minutos menos que Lagaan, do mesmo Ashutosh).

Além disso, Akbar construiu a cidadela de Fatehpur Sikri, perto de Agra, que foi um dos lugares na Índia em que mais fiquei encantado quando visitei. Ela foi ocupada por apenas 12 anos e em seguida abandonada devido à seca, mas permanece intacta, 400 anos depois. De Jodhaa e Akbar nasceu Jahangir, que sucedeu seu pai no Império Mogol e que, por sua vez, foi sucedido por seu filho Shahjahan, que acabou por entrar na história pela construção do Taj Mahal, uma das atuais 7 maravilhas do mundo. E Shahjahan é, por sua vez, bisneto de Humayun (pai de Akbar), que reinou em Delhi e reside hoje sob a mais bela tumba da atual capital da Índia.

Mas como toda história tem seus mistérios e invenções (quem conta um conto aumenta um ponto, não é?), a própria existência de Jodhaa é controversa. Pra começar, o nome Jodhaa, ou Jodhabai, jamais apareceu em qualquer documento que fosse da época. Ao que consta, apareceu muito tempo depois, em contos recentes sobre o imperador, que é venerado até hoje por muitos. O fato é que ele casou-se mesmo com Hira Kunwari, posteriormente rebatizada com o nome muçulmano de Mariam-uz-Zamani Begum Sahiba, após um acordo diplomático com o marajá de Amber. Mas como esses acordos eram comuns na época, incluindo casamentos como forma de aliança, essa história de Mariam-uz-Zamani e Akbar é apenas mais uma. A cena piora ainda mais quando sabemos que ela era apenas mais uma do harém de Akbar.

Ou seja, dizer se Jodhaa realmente existiu e se ela era Mariam-uz-Zamani é uma tarefa em verdade impossível de ser confirmada. Mas nada disso tira a beleza do filme, que não deixa também de ser uma ficção. Ashutosh confessou que 70% da história do filme é obra de sua cabeça.

Logo no começo do filme, o pequeno Akbar assiste a sangrentas batalhas e é coroado imperador de um dos maiores impérios do planeta até então. Através de um acordo com o marajá Bharmal, de Amber, Akbar acerta o casamento com Jodhaa. Todo esse momento pré-nupcial é todo recheado de desafios a ambos, o que inclui uma cena ímpar em que Akbar deve descobrir quem é Jodhaa entre várias - se descobrisse ele poderia então casar com ela. E, na verdade, os desafios prosseguem mesmo depois do casamento.

A forte personalidade de Jodhaa faz Akbar sentir-se muito desafiado. Mas é justamente com esse desafio que ele mergulha na paixão - e é isso que o filme explora do começo ao fim. Pra começar, ela própria coloca como condição ao casamento a permissão de ela seguir hindu e devota de Krishna, o que significaria levar ao palácio de Akbar uma estátua do deus hindu. E numa cena do filme, quando Akbar entra em seu quarto, nota que suas araras haviam sido soltas da gaiola, certamente pela condolida Jodhaa.

Mas como nem tudo são flores, Jodhaa enfrenta fortes resistências no reino de Akbar, e até mesmo rejeição. Ela passa a encontrar-se secretamente com seu irmão, mas Akbar descobre e fica furioso, na verdade por ciúmes, não sabendo quem era aquele homem misterioso com quem Jodhaa se encontrava.

O filme desenrola-se com todos esses entreveros, mas não cansa. A beleza dos figurinos, dos cenários, das músicas e das coreografias mantém a nossa atenção na obra. Aliás, a coreografia de Azeem-o-Shaan Shahenshah é simplesmente fantástica (essa música ficou famosa por fazer parte da trilha sonora indiana de Caminho das Índias). E Aishwarya e Hrithik estão absolutamente excelentes em seus papéis.

Na premiação do Filmfare Awards desse ano, Jodhaa Akbar levou o prêmio de melhor filme, além de melhor diretor pra Ashutosh Gowariker, melhor ator pra Hrithik Roshan, melhor escritor de música para Javed Aktar e melhor edição de som para A.R. Rahman. No total, o filme já soma onze prêmios, dentre eles o de Melhor Filme Estrangeiro votado pelo público na 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (2008). Aliás, no site oficial do filme, esse último prêmio aparece em destaque na página de abertura, dada a importância que nosso festival tem hoje para o cinema.

Para a produção do filme, que custou algo em torno de 15 milhões de reais, foram usados 80 elefantes, 100 cavalos e 55 camelos para cenas de guerra e cerimônias reais. Na coreografia de Azeem-o-Shaan Shahensha, cerca de mil figurantes foram utilizados, todos com figurinos de época, cuidadosamente detalhados e confeccionados. E Ashutosh é tão preocupado com os pequenos detalhes, que além de ter contratado uma grande equipe de historiadores, exigiu que as joias utilizadas no filme fossem todas de ouro de verdade, e não bijuteria. No total, mais de 400kg de ouro foram usados. E na minha opinião, até mesmo a trilha sonora, de A.R. Rahman, é uma das mais bem cuidadas e bonitas que já vi em Bollywood. Também pudera, Akbar era seguidor da linha Sufi no Islamismo, a mesma que segue Rahman, e essa influência pode ser notada em algumas músicas.

Na Índia, Jodhaa Akbar foi um sucesso. No entanto, devido às polêmicas ligadas aos fatos reais ou não reais da história de Jodhaa e Akbar, aliada à rígida intolerância religiosa indiana, os estados de Uttar Pradesh, Rajastão, Haryana e Uttarakhand proibiram a exibição desse filme em seus territórios, como forma sobretudo de evitar problemas mais graves de ataques terroristas a salas de cinema que exibissem essa obra- que chegou a ocorrer em poucos casos.

Abaixo veja o trailer do filme:



segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Caminho das Índias - Músicas Beedi Jalaile, Main Vari Vari e Azeem-o-Shaan Shahensha




Hoje, aproveitando a estreia de Caminho das Índias, passo pra você o nome das músicas que pelo menos eu pude captar... mas não pensem vocês que eu irei tornar-me correspondente oficial das músicas da novela! Só nesses primeiros dias falarei das músicas, mas daí a internet poderá oferecer-lhes todo o resto de informações que vocês precisam!

Aliás, já vi ao menos dois outros blogs que copiaram integralmente a minha postagem sobre a música Kajra Re que, diga-se de passagem, não disse em momento algum que ela era música tema da abertura da novela. Eu dizia que era a música da chamada na TV. E eis que esses blogs que me copiaram - e ainda outros - apresentaram a música como sendo da abertura da novela. E - surpresa -, não é a música da abertura! Mas deixa esses blogs pra lá. Também não colocarei aqui o símbolo de "copyright" protegendo o que for de "minha autoria", porque também não acredito nisso.

Bom, então aproveito pra dizer que, na minha opinião, bem que a música da abertura poderia mesmo ser Kajra Re, que seria mais legal. Ou então, se eles colocassem a música que colocaram na cena em que aparece o Bahuan já grandinho, também seria mais interessante. Confesso que me decepcionei. Mas acredito que muitos tenham gostado. E vamos ao que interessa! A música tema da abertura da novela Caminho das Índias chama-se Beedi Jalaile, e vem do filme Omkara (2006), de Vishal Bharadwaj, com Ajay Devgan, Kareena Kapoor e Saif Ali Khan. Apenas por curiosidade, mas essa palavra "omkara", significa "o que faz OM", ou "fazer OM", o som sagrado do hinduísmo e budismo. Esse filme é, de certa maneira, uma adpatação de Otelo, de Shakespeare. O filme ganhou uma série de prêmios nos principais festivais de cinema da Índia. Assista ao clipe original da música e veja a letra em hindi e traduzida para o português logo depois:




Beedi Jalaile

Na gilaaf, Na lehaaf
Na gilaaf, Na lehaaf thandi hawa ke khilaaf sasuri - 2
Não há fronha nem lençol na minha cama e o vento está frio.

O itni sardi hai kisika lehaaf lehi leh
Onde posso encontrar um lençol pra me cobrir?

O jaa padosi ke chuleh se aag lehi leh
Vá pro seu vizinho pra se esquentar

Bedi chalayi leh jigar se piya
Jigar maabadi aag hai - 2x
Por que você não acende seu cigarro com o calor do meu coração?

Wadaa nikari o lab se piya aah aa
Wadaa nikari o lab se piya jeh duniya badi dhank hai
Haan bedi chalayi leh jigar se piya
Jigar maabadi aag hai
Não deixe nenhuma promessa passar por seus lábios, meu querido, esse mundo é muito incerto.

Na gilaaf, Na lehaaf thandi hawa ke khilaaf sasuri
O itni sardi hai kisika lehaaf lehi leh
O jaa padosi ke chule se aag lehi leh
O jaa padosi ke chule se aag lehi leh

Na kasoor, Na fatoor
Na kasoor, Na fatoor bina juraam ke hajoor maar gaye
O maar gaye
Não cometi nenhum crime, então porque você quer me matar?

O aise ik din duphari bula liyo re
Bandh ghungroo kacheri lagaliyo re
Bula liyo re, Bula liyo re dupehri
Num desses dias me chame à tarde, eu irei aniamr seu escritório com o som da minha tornozeleira

lagayilo re, lagayilo re kacheri

Angeethi chadayi leh jigar se piya
Jigar maabadi aag hai
Bedi chalayi leh jigar se piya
Jigar maabadi aag hai

(Ho na toh chakuon ki dhaar
Ho na tan raati na kataar) - 2
Aisa kaate ke daat ganisaar chod de
Yeh katayi toh koi bhi kisaan chod de
O aise chalim ka chod de makaan jod de re bilo
Chalim ka chod de makaan jod de
Aise chalim ka, O aise chalim ka
Aise chalim ka chod de makaan jod de
Por você, eu abandonarei tudo: minha casa, pararei de fumar, um fazendeiro deixaria sua colheita

Na bulaya
Na bataya
Na bulaya, Na bataya maane neend se jagaya hai re
Aise chonkele haath mein naseeb aa gaya
Woh ilaychi khilayike kareeb aa gaya
Koyila jalayi leh jigar se piya
Jigar maa, aag hai
Você me acordou sem nehuma razão
Eu, de repente, me senti sortuda quando você respirou forte veio perto de mim

Itni sardi hai kisika lehaf lehi leh
O jaa padosi, O jaa padosi, Jaa jaa padosi
O jaa padosi ke chule se aag lehi leh

E já que falei da música em que aparece Bahuan grandinho, ela se chama
Azeem-o-Shaan Shahensha (Oh, Grande e Glorioso Imperador), e é do recente filme Jodhaa Akbar, de Ashutosh Gowariker (este filme, aliás, esteve aqui na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2008). Eu gosto particularmente desse filme, estrelado por Hrithik Roshan e Aishwarya Rai, especialmente por contar um pouco da história real do imperador Akbar, que construiu Fatehpur Sikri, uma das construções que mais gostei da Índia. A letra da música é simples e fica se repetindo, dizendo glórias ao imperador e ao futuro da Índia etc etc. Confira a cena completa dessa música no filme:



Azeem-o-Shaan Shahensha

Azeem o shan shahenshah
Oh grande e glorioso imperador
Farma ravaa
Você é a autoridade
Hamesha hamesha salaamat rahe
Que você esteja sempre a salvo e seguro
Tera ho kya bayan, tu shaan e Hindustan
Como te elogiamos, você é o orgulho do Hindustão
Hindustan teri jaan tu jaan e Hindustan
Hindustão é sua vida, e você é a alma do hindustão

Marhaba O Marhaba
Bem vindo, imperador, bem vindo

Sab nagran ma, Har aangan ma
Em cada cidade, em cada território
Prem hai tumra, Har har mann ma
Seu amor existe em cada coração
Daya jo tumri, Mahabali hai
É uma bênção, oh imperador
Des mein sukh ki Pavan chali hai
Que a briza da alegria sopra pelo país

Jhan jana jananna….

Marhaba O marhaba
Bem vindo, imperador, bem vindo

Azeem o shan shahenshah, Marhaba
Oh grande e glorioso imperador
Deta hai har dil yehi gawahi
Cada coração é testemunho
Dilwale hai dil-e-lahi
Que nosso imperador tem um coração poderoso
Jao kahin bhi niklo jidhar se
Não importa onde você vá
Galiyo galiyo sona barse
Todos os caminhos estão regados a ouro

Jhan jhanan nana………..

Marhaba Ho Marhaba
Bem vindo, imperador, bem vindo

Azeem o shan shahenshah
Oh grande e glorioso imperador
Tera mazhab hai jo mohabbat
Sua religião é amor
Kitne dilo par teri hukumat
Suas leis reinam por muitos corações
Jitna kahe hum utna kam hain
Não importa quanto elogiamos, ainda é pouco
Tehzeebo ka tu sangam hai
Você é o unificador de todas as culturas

Azeem o shan shahenshah
Oh grande e glorioso imperador
Farma ravaa
Você é a autoridade
Hamesha hamesha salaamat rahe
Que você esteja sempre a salvo e seguro
Tera ho kya bayan, tu shaan e Hindustan
Como elogiamos, você é o orgulho do Hindustão
Hindustan teri jaan tu jaan e Hindustan
O Hindustão é sua vida, você é a alma do Hindustão

Marhaba O Marhaba
Bem vindo, imperador, bem vindo

Depois dessa música, na novela, outra música indiana que tocou - e de novo não pude identificar - foi da cena da menininha dançando. Aliás, e como dançou! As danças indianas são muito difíceis, porque são muito complexas e cheias de significados, mas essa menininha deu um verdadeiro show. Quem descobrir qual é, por favor me diga!

Em seguida tocou Kajra Re, que vocês já conhecem. Por fim, tocou a música que será tema de Bahuan e Maya, conforme já adiantou a Gloria Perez em seu blog. A música chama-se Main Vari Vari e é do filme Mangal Pandey (2005), de Ketan Mehta, e estrelado por Aamir Khan e Rani Mukerji. O filme conta a história também real do soldado Mangal Pandey, que liderou uma rebelião na Índia, em 1857, que é tida como a primeira guerra de independência da Índia, contra o Reino Unido. Mas a cena da música se passa num prostíbulo de luxo e a música é cantada por uma prostituta (interpretada por Rani Mukherji), que fica repetindo, dentre outras coisas, "sou escrava do seu charme". Aliás, não havia dito antes por puro esquecimento, mas a cena de Kajra Re também é num prostíbulo de luxo e a Aishwarya é uma das prostitutas que canta. Tanto que os dois clipes são até meio parecidos. Confira:



A pedidos, achei uma tradução razoável em inglês dessa música e coloco aqui pra vocês, em hindi e português (retraduzi do inglês para o português):

Main Vari Vari

Tumhari adao pe main vari vari - 8
Sou escrava do seu charme
Har ek baat hain jaise - 2
Sua fala é como um suave punhal
Meethi karaari

Tumhari adao pe main vari vari - 2

Chalate ho jo naino ke baan tikhe

Você manda flechas incisivas por seus olhos
Nishaana tumh aaisa kaha se ho sikhe
Onde você aprendeu a fazer isso?
Ke dil mein kasak ho magar pyari pyari
Isso provoca uma dor doce em meu coração
Tumhari adao pe main vari vari - 2

Kabhi ek chaman tha main jisko kali thi

Eu já fui um mero inseto no jardim
Ke phoolon ke sejo pe hi palegi
Já fiquei em uma cama de flor
Na bechain din thein na betaab raatein
Não havia dias e noites de ansiedade
Na tumse mili thi main tab hi bhali thi
Eu poderia estar melhor se não tivesse te encontrado
Badi mehangi mujhko padi tumse yaari - 2
Esse caso com você me custou caro

Tumhari adaao pe main vari vari - 2
Har ek baat hain jaise meethi karaari
Tumhari adao pe main vari vari - 3
Main vari vari - 3
Chalate ho jo naino ke baan tikhe
Nishaana tum aaisa kaha se ho sikhe
Ke dil mein kasak ho magar pyari pyari

Main vaari vaari - 10
Tumhari adao pe main vaari vaari


Bom, já falei muito por hoje. Abaixo vão os links pra download dessas três músicas:

Beedi Jalaile:
Cantada
; Música sem a letra.

Main Vari Vari
(clique com o botão direito no link de download e mande salvar; não clique com o botão esquerdo!)

ATUALIZAÇÃO: Clique aqui e confira todas as outras postagens sobre as músicas da novela Caminho das Índias.