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É assim, Omkara é um filme muito bom, ou melhor, é incrível, mas não é fácil de se escrever sobre. Venho ensaiando iniciar esta postagem há semanas, mas sempre postergava, com preguiça de pensar como iria escrever. Mas vamos ver se hoje sai, e se vocês aprovam.
Omkara é uma releitura de Otelo, de Shakespeare, primorosamente realizada por Vishal Bhardwaj. E o elenco é vasto: Ajay Devgan, Kareena Kapoor, Saif Ali Khan, Vivek Oberoi, Konkona Sen Sharma, Bipasha Basu, Naseeruddin Shah e Deepak Dobriyal. E então, pra quem conhece Otelo, ou mesmo conhecendo Shakespeare o suficiente pra saber sobre sua complexidade, entende-se, em parte, porque enrolei pra escrever. É tragédia, é roteiro complexo e, somando-se à excelente direção de Vishal, permitindo aos atores extraírem partes fabulosas de seus dons interpretativos, o que me restava era apenas uma recomendação de "assista, por favor", sem saber com o que mais oferecer na frase.
Na prática, Vishal Bhardwaj não alterou o enredo de Otelo, mas conseguiu transpor a tragédia shakespeariana para uma Índia contemporânea de forma perfeita. O filme começa com Dolly (Kareena Kapoor) sendo sequestrada por Omkara, ou Omi (Ajay Devgan), no dia de seu casamento com Rajju (Deepak Dobriyal). Omkara, por sua vez, ocupa uma posição de destaque na hierarquia local, comandando uma espécie de gangue à serviço de um político da região, Bhaisaab (Saseeruddin Shah), e tem como fiéis escudeiros Langda (Saif Ali Khan) e Kesu (Vivek Oberoi).
O pai de Dolly, o advogado e também muito influente Ragunath Mishra (Kamal Tiwari) vai tirar satisfações com Omkara. E então descobre-se que ele e Dolly se amam e que o sequestro, na verdade, era consentido por ambas as partes. E sendo Omkara braço direito de Bhaisaab, não há o que se fazer nessa situação senão aceitar. E pra piorar, Omkara ajuda Bhaisaab a se eleger no parlamento e, como "pagamento" pela ajuda, ele é colocado como mandatário regional.
Neste momento, então, Omkara deve escolher entre Langda e Kesu para ficar em seu lugar. O mais óbvio é que Langda fosse o escolhido, mas Omkara escolhe Kesu. Langda fica enfurecido e, abusando de sua inteligência, coloca em prática um inconsequente plano pra derrubar Kesu, inicialmente apelando por seu ponto fraco - a bebida.
Acontece que cai em seu colo uma arma tão mais poderosa e perfeita para seu plano. Sua esposa, Indu (Konkona Sen Sharma), rouba do quarto de Dolly uma joia de família que Omkara havia presenteado a sua amada e dá a Langda. Langda, por sua vez, repassa a joia a Kesu, que a dá a Billo (Bipasha Basu), sua prostituta preferida. A ideia, portanto, seria deixar Omkara totalmente desconfiado de que Dolly e Kesu tivessem um caso e, enciumado até a tampa, levasse tudo às últimas consequências.
E eu disse no começo, é uma tragédia e a história não é nova. Omkara é um filme que deve totalmente ser visto por quem não acredita que Bollywood é capaz de fazer filmes decentes. Não se trata do melhor filme do mundo, não é nada que nos deixe sem dormir, mas é suficiente pra dizermos uau.
Omkara veio num ano que, cada vez mais, acredito ser um ano e tanto para o cinema indiano. 2006 trouxe marcos importantes para o cinema da Índia, independente de suas qualidades.
Filmes como Rang De Basanti e Lage Raho Munna Bhai, que tiveram ambos importâncias de efeito transformador na sociedade indiana, vieram deste ano. Até o momento, dos oito filmes que mais lucraram na história de Bollywood, três são de 2006, sendo eles Dhoom 2, Krrish e o próprio Lage Raho Munna Bhai. São também deste ano Fanaa, Kabhi Alvida Naa Kehna, Vivah e Umrao Jaan, dentre outros de importância e/ou qualidades ímpar.
Filmes como Rang De Basanti e Lage Raho Munna Bhai, que tiveram ambos importâncias de efeito transformador na sociedade indiana, vieram deste ano. Até o momento, dos oito filmes que mais lucraram na história de Bollywood, três são de 2006, sendo eles Dhoom 2, Krrish e o próprio Lage Raho Munna Bhai. São também deste ano Fanaa, Kabhi Alvida Naa Kehna, Vivah e Umrao Jaan, dentre outros de importância e/ou qualidades ímpar.
Mas voltando a Omkara, este filme perderia muito sem a perfeita trilha sonora, composta pelo próprio Vishal Bhardwaj. E não posso deixar de relembrar-vos de que é deste filme a música Beedi Jalaile, que foi tema de abertura da novela Caminho das Índias.
E finalmente, Omkara levou uma série de prêmios importantes. No Filmfare Awards, levou o prêmio de melhor atriz coadjuvante, para Konkona Sen Sharma (também ganho pelo National Film Awards), melhor ator num papel de vilão, para Saif Ali Khan (também ganho pelo IIFA), melhor atriz pela crítica, a Kareena Kapoor, melhor cantora de playback, para Sunidhhi Chauhan (também ganho pelo IIFA), por Beedi, melhor coreografia, para Ganesh Acharya (também ganho pelo IIFA), também por Beedi, melhor direção de arte, melhor figurino e melhor edição de som. Ainda pelo National Film Awards, também veio o prêmio especial do júri a Vishal Bhardwaj. E foram também vários outros prêmios em premiações menos importantes.
Hoje, excepcionalmente, peço que cliquem aqui para verem o trailer. Como já é sabido por muitos de nós, a Eros Entertainment não permite a incorporação de muitos - se não todos - de seus vídeos. Mas como considero este o melhor trailer disponível, peço que, quem quiser, vá lá conferir. E vejam o filme.
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