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domingo, 5 de janeiro de 2014

Notícias

E as notícias estão de volta! Leia o que anda acontecendo na terra do song-and-dance.

- Hoje  atriz mais bem-sucedida de Bollywood em 2013 completa 28 anos. Parabéns, Deepika Padukone!

- Dhoom 3 se tornou a maior bilheteria da história de Bollywood, ultrapassando a monstruosa marca de 400 crore. Nos últimos anos, o sucesso de um filme é medido pela marca de 100 crore. (ibtimes, financialexpress )

- Foi lançada a versão 3D do clássico Sholay (1975), considerado o maior filme da história de Bollywood. (yahoo)


- A 4ª temporada do talk-show de fofocas Koffee With Karan está dando o que falar. Kareena Kapoor "causou" ao chamar Katrina Kaif de cunhada. Para quem não sabe, a atriz está namorando (não-oficialmente, claro) Ranbir Kapoor, primo de Kareena. Esperta para chamar a atenção do público como sempre, Kareena ainda disse que dançará Sheila Ki Jawani e Chikni Chameli — dois números musicais de Katrina — no casamento de Ranbir.

Em sua participação no programa, Aamir Khan impressionou por sua sinceridade. Quando questionado por Karan sobre o porquê de nunca ter participado do programa, Aamir foi claro ao dizer que não gostava do apresentador: "Quando você começou o programa, eu não o conhecia bem...e o pouco que eu sabia, não gostava. Mas então, fui conhecendo-o e comecei a gostar de você. Quando você não conhece uma pessoa, você muitas vezes tem ideias errôneas. Acho que eu tinha algumas sobre você. Ou talvez você tenha mudado. Mas, de todo jeito, a questão é que gosto de você agora."

Assista aos programas completos aqui.

- John Abraham agora é um homem casado! Sua esposa é a investidora Priya Runchal e o simples casamento civil aconteceu nos Estados Unidos. Público e imprensa souberam do casamento pelo seguinte tweet de John: "Desejo a vocês e a quem vocês amam um abençoado 2014! Que este ano lhes traga amor, boa sorte e alegria. Com amor, John e Priya Abraham". Modernos, não? (emirates247)

- Saiu o esperado pôster de Happy New Year! Dirigido por Farah Khan (Om Shanti Om, Main Hoon Na), o longa é estrelado por Shahrukh Khan e Deepika Padukone. (timesofindia)

- Madhuri Dixit acredita que hoje as mulheres sejam lindamente representadas nos filmes. Para ela, as atrizes não são mais apenas um apoio para o herói e este momento está sendo ótimo para as mulheres na indústria.

Em breve veremos Madhuri no filme Dedh Ishqiya. Nele, faz o papel de uma viúva que organiza competições de poesia em sua casa para escolher um futuro marido. (digitalspy)

- O fim de ano foi triste em Bollywood: a indústria perdeu Farooq Sheikh, veterano muito querido pelos colegas de profissão. (gulfnews)

- A atriz marathi Alka Punekar está desaparecida desde 27 de dezembro. Seu carro e seus pertences foram encontrados no fundo de um desfiladeiro, porém a atriz não foi encontrada. A polícia ainda não tem pistas. (dnaindia)

- Foi iniciada a corrida pelos filmes de 2014. Há P.K. (Anushka Sharma e Aamir Khan), Jagga Jasoos (Ranbir Kapoor) , Bang Bang (Katrina Kaif e Hrithik Roshan), Jai Ho (Salman Khan), o já citado Happy New Year, e muitos outros. Qual é o seu mais esperado? (hindustantimes)

sábado, 3 de abril de 2010

Aaja Nachle (2007) - आजा नचले

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Esses dias assisti ao filme Aaja Nachle, depois de muito postergar, e tive uma agradável surpresa. Confesso que esperava menos, em parte pelas sinopses que eu lia, em parte pelo fracasso na Índia. O que me surpreendeu - e isso já adianto - foi a homenagem feita à tradição oral das lendas do mundo indiano/árabe, além de eu reconhecer ali uma homenagem também ao próprio cinema indiano. E sim, é clara a também homenagem a Madhuri Dixit, protagonista do filme. Aaja Nachle significa "vamos dançar"; e não temo em dizer que, se Madhuri não for sozinha a maior dançarina do cinema indiano, ela certamente divide o topo do pódio.

Diya (Madhuri Dixit) vivia em Shamli, no oeste do Uttar Pradesh, onde aprendeu danças indianas com seu mestre, Guru Makarand, no Ajanta, um antigo teatro a céu aberto local. Um dia, Diya apaixona-se por um fotógrafo estadunidense que passava por lá e logo muda-se com ele para Nova Iorque. Acontece que ela estava prometida para outro rapaz e essa decisão dela arruinou a vida de seus pais, que foram obrigados e se mudarem para longe dali.

Em Nova Iorque, Diya tem uma filha com o fotógrafo, mas eles acabam se separando. Alguns anos mais tarde, enquanto dava aula de dança num estúdio novaiorquino, Diya recebe uma ligação dizendo que seu guru estava no leito de morte. Ela volta correndo à Índia, mas não consegue chegar a tempo. No entanto, seu guru deixa a ela uma mensagem de vídeo onde ele diz que o Ajanta havia sido abandonado desde que ela partira e agora corria o risco de ser demolido para a construção de um shopping. E somente ela poderia salvá-lo.

Raja Uday Singh (Akshaye Khanna) é o político local por trás dos planos do shopping; Farooque (Irrfan Khan), por sua vez, é o empresário com o dinheiro. Ele, aliás, casou-se com Najma (Divya Dutta), a melhor amiga de Diya. Bom, e então Diya vai conversar com o político e ele dá a ela dois meses para ela resgatar o Ajanta com uma peça que teria que ser encenada com moradores de Shamli, e não dançarinos profissionais. E se ela fracassasse, o Ajanta seria demolido.

E então começa o trabalho hercúleo de Diya. Ela decide montar um musical baseado na história de Laila e Majnu, uma espécie de "Romeu e Julieta" do mundo árabe, que, ao que consta, existiu de verdade nos idos do século VII.

Pouco a pouco, consegue montar seu elenco e Laila será Anokhi (Konkona Sen Sharma) e Majnu será Pathan (Kunal Kapoor). Os ensaios começam e tudo indica que jamais conseguirão ficar bons a tempo. Pra dar a tensão básica, um outro político que estava do lado de Diya, Chaudhary Om Singh, é comprado por 5 milhões de rúpias, prejudicando - e muito - o andamento dos ensaios.

Mas Diya é determinada. Nem mesmo o senso comum local, que a vê praticamente como uma prostituta, pelo seu passado, a impede de encarar o desafio e transpor os obstáculos. E chega, então, a grande noite. 

Ok, é tudo previsível e óbvio. Mas (quase) nada ali é verossímil. O espetáculo, que ocorre num teatro a céu aberto e sem verbas, é grandiosíssimo, os cenários mudam a todo instante, é uma superprodução que jamais poderia ocorrer naquela estrutura. Mas isso não importa; a inverossimilhança é completamente proposital e é isso que encanta.

Passamos o filme todo ansiosos pelo espetáculo que, no filme, não dura mais de vinte minutos. A espera vale a pena. É nessa hora que a grande homenagem é feita. Ali celebra-se a narração oral de lendas em versos, tradição antiquíssima no subcontinente indiano, celebra-se a tradição da dramatização com música e, nesse ponto, o cinema da Índia acaba sendo homenageado como o grande acolhedor desse momento mágico que é ouvir histórias através de músicas e danças.

Aliás, as músicas são, de forma geral, muito boas. Composta pelos irmãos Salim-Sulaiman, a trilha sonora oficial acabou não incluindo algumas das músicas que aparecem na sequência da peça Laila-Majnu.

Bom, e como quase sempre tem que ocorrer, o filme foi banido por um tempo no Uttar Pradesh, Haryana e Punjab por uma polêmica provocada na letra de uma música, onde fica implícito que uma casta é inferior a outra. Após desculpas oficiais da produção, o banimento caiu. Com banimento ou sem banimento, o filme não fez sucesso no país. No entanto, para os que tem Madhuri como a deusa suprema de Bollywood, daí, sim, esse filme foi um grande sucesso e uma linda homenagem a ela.

Pelo sim, ou pelo não, é um filme muito peculiar e que vale a pena ser visto, não esperando, porém, pela coerência dos fatos, mas sim pelo próprio encanto em si.



Colaboraram: Isabela Lundeen e Pedro Custódio
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Hollywood e Bollywood se unem por Indira Gandhi

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Hoje encontrei num site português um artigo que merece ser partilhado a todos. Preciso dizer que fiz pequeníssimas alterações em algumas palavras, para que todo o texto esteja de acordo com a nova ortografia da língua portuguesa - conforme procura estar este blog. E entre colchetes coloquei traduções de algumas palavras ao português brasileiro, evitando que alguns de vocês possam não entender o que querem dizer certas palavras do português lusitano. Lá vai:

Indira Gandhi por Hollywood e Bollywood
por Alexandra Prado Coelho, do Ípsolon - 1/12/09

Uma estrela indiana, Madhuri Dixit, e muitas estrelas ocidentais, de Helen Mirren a Tom Hanks, numa grande produção sobre a vida da antiga primeira-ministra da Índia

Será a história de Indira Gandhi e será também, de certa forma, a história da Índia. "Indira era a Índia", disse ao Daily Telegraph Krishna Shah, o realizador que, ao fim de 20 anos a trabalhar no argumento [roteiro], vai finalmente começar a filmar Mother: Indira Gandhi Story, um épico sobre a antiga primeira-ministra da Índia, assassinada em 1984.

A "rainha de Bollywood", Madhuri Dixit, será Indira Gandhi, num elenco impressionante que deverá contar com Helen Mirren (que, se confirmar a sua presença, voltará a ser a rainha Isabel II), Tom Hanks (que será o presidente norteamericano Lyndon B. Johnson), Tommy Lee Jones (outro presidente dos EUA, Richard Nixon), Emily Watson (que fará da antiga primeira-ministra britânica Margareth Tatcher) e Albert Finney (que deverá assumir o papel do ator Peter Ustinov, que se encontrava em Nova Déli à espera de Indira no momento em que ela foi morta).

"Este é o projeto da minha vida, tanto em escala como no tema. Trabalhei no argumento durante mais de duas décadas, e esta é simplesmente uma história que tem de ser contada", disse Shah ao jornal britânico. "Demorei anos a encontrar o caminho na história, mas encontrei-o com o papel dela como mãe - tanto para a sua família como para a nação com os seus milhões de pessoas".

O filme - que será, na realidade, dois filmes - começará a ser filmado em abril do próximo ano na Índia, Reino Unido, Rússia e Estados Unidos. "Vai mostrar a vida dela desde os tempos em que era uma tímida dona-de-casa que tropeçou no papel de primeira-ministra, passando pela forma como conduziu o país à vitória na guerra de 1971 com o Paquistão, pelo seu compromisso com a secularização e com a necessidade de garantir maior poder para as mulheres e para as classes mais desfavorecidas", afirmou o realizador [diretor], nascido na Índia, mas que tem trabalhado nos Estados Unidos, tanto na Broadway como em Hollywood.

A guerra e o "martírio"

O épico sobre a primeira e única mulher a chegar na chefia do governo indiano marca, aliás, uma colaboração entre Hollywood e sua versão indiana, os estúdios de cinema conhecidos como Bollywood. "A distinção entre os dois está a começar a desvanecer-se", declarou Shah ao Telegraph. "Bollywood começou a transformar-se e isso é muito positivo, a diversificação é o futuro para o cinema indiano".

Shah confessa que um dos seus objetivos é conseguir agradar tanto às audiências ocidentais como à indiana, e uma das formas de o conseguir é "abordar o projeto a partir da escola de casting de [Richard] Attenborough (o realizador de Gandhi, outra biografia, esta sobre o Mahatma Gandhi, pai da independência da Índia). E isso significa que "haverá muitos nomes sonantes tanto de Bollywood como de Hollywood, para chamar audiências".

O momento alto do primeiro filme, revela o jornal, será uma sequência de guerra de 30 minutos sobre o conflito entre a Índia e o Paquistão, que contará com grandes efeitos especiais e que mostrará a emergência de Indira como Maa Durga, a deusa da guerra.

O segundo filme centrar-se-á nos esforços de Indira Gandhi para unir a Índia, e na ascensão do seu filho Sanjay Gandhi, e terminará com o "martírio" da líder indiana às mãos dos seus guardacostas sikh, em 1984. O orçamento previsto é de 44 milhões de euros [114 milhões de reais].

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Madhuri Dixit - माधुरी दीक्षित

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Eu deveria agora fazer uma postagem sobre algum ator, não atriz, mas resolvi ser rebelde comigo mesmo e falar sobre Madhuri Dixit, que também há tempos merece ser destacada aqui no Cinema Indiano.

Nascida em Mumbai no dia 15 de maio de 1967 (ou seja, neste momento com 42 anos! Confesso que achava que ela fosse mais nova!), Madhuri Shankar Dixit é filha de Shankar e Snehlata Dixit, de família brâmane, da linha marata Chitpavan. Estudou na Divine Child High School e depois entrou no Parle College, da Universidade de Mumbai. Seu sonho era ser microbiologista.

Enquanto estudava, porém, acabou entrando no mundo da moda e virou modelo. Daí ganhou fama e da fama nem precisou dar um pulo pra entrar em Bollywood. Já no ano de 1984, ainda com 17 anos e no primeiro ano da faculdade, estreou em Bollywood no filme Abodh. Depois disso fez outros pequenos papéis, mas todos sem sucesso.

Em 1988, porém, fez o papel principal no filme Tezaab, que a levou ao sucesso absoluto e já deu a ela a primeira indicação no Filmfare Awards. Em seguida já começou a aparecer em vários filmes, mas teve destaque em Lakhan (1989), Parinda (1989), Tridev (1989) e Kishen Kanhaiya (1990). Neste momento, Madhuri era simplesmente o maior sucesso feminino de Bollywood. Chamavam-na de Marilyn Monroe da Índia.

Em 1990 ela estrelou o filme Dil, ao lado de Aamir Khan, dando a ela o primeiro prêmio de melhor atriz pelo Filmfare Awards. Depois veio os sucessos Saajan (1991), Beta (1992), Khalnayak (1993), Hum Aapke Hain Haun! (1994) e Raja (1995). Por Beta, ela ganhou o segundo Filmfare Awards e por Hum Aapke Hain Haun! veio o terceiro prêmio. Esse filme, aliás, foi um dos mais lucrativos da história de Bollywood.

O ano de 1996 não teve sucessos pra Madhuri, mas em 1997 ela estrelou o mega sucesso Dil To Pagaal Hai, que deu a ela o quarto Filmfare Awards de melhor atriz.

A qualidade de Madhuri não se resume somente à sua atuação, mas também às suas habilidades com a dança. Ela é formada profissionalmente em dança Kathak, que estudou por oito anos. Algumas cenas de dança em que ela aparece fazem parte do repertório dos indianos até hoje, como nas músicas Ek Do Teen (de Tezaab), Bada Dukh Deenha (de Ram Lakhan), Dhak Dhak (de Beta), Chane Ke Khet Mein (de Anjaam), Choli Ke Peeche (de Khalnayak), Akhiyan Milaun (de Raja), Piyar Ghar Aya (de Yaarana), Key Sera (de Pukar), Maar Daala (de Devdas), dentre várias outras.

Este último filme, Devdas (2002), que já foi falado aqui no Cinema Indiano, foi um dos maiores sucessos de todos os tempos de Bollywood, no qual Madhuri estrelou ao lado dos protagonistas Shahrukh Khan e Aishwarya Rai. Para muitos, este filme de Sanjay Leela Bhansali é o melhor que Bollywood já fez. Madhuri levou o prêmio de melhor atriz coadjuvante no Filmfare.

Madhuri é o tipo de atriz que já está tão consolidada no cinema indiano que em 2003 um filme foi lançado com o nome Main Madhuri Dixit Banna Chahti Hoon! (Eu quero ser Madhuri Dixit). Ela própria não aparece no filme.

No ano de 1999 Madhuri casou-se com Sriram Madhav Nene, um cirurgião cardiovascular residente nos Estados Unidos, para onde se mudou. Por causa da nova residência fora da Índia e das duas maternidades, Madhuri acabou ausentando-se quase que completamente do cinema indiano, tendo atuado em Devdas e Hum Tumhare Hai Sanam em 2002 e depois somente em Aaja Nachle, em 2007. Seu primeiro filho, Arin, nasceu em 2003 e o segundo, Raayan, nasceu em 2005.

Até o momento, Madhuri tem uma lista de 67 filmes e dez prêmios recebidos. É uma das poucas personalidades do cinema indiano que não enfrenta rejeição, mas ao contrário. Em 2007, a Rediff, uma rede de informação e entretenimento indiana, afirmou que Madhuri Dixit é a melhor atriz de Bollywood de todos os tempos.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Devdas - Música Dola Re Dola

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Aqui vai a mais famosa cena song-and-dance do filme Devdas, que é também uma das mais famosas da história de Bollywood. De fato, vi poucas cenas de dança tão bem elaboradas quanto esta, desde a coreografia, passando pelos figurinos e figurantes. E Dola Re Dola, contracenam Paro e Chandramukhi (Aishwarya Rai e Madhuri Dixit, respectivamente).



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Devdas (2002) - देवदास


Hoje vamos falar de um clássico de Bollywood: Devdas. Embora relativamente recente (foi lançado em 2002), este filme imediatamente tornou-se um dos maiores hits do cinema indiano e uma de suas músicas, Dola Re Dola, é até hoje uma das músicas de Bollywood mais cantadas.

Mas, como aqui neste blog nós não damos apenas sinopses e historinhas, Devdas passará também pelo crivo da crítica devida.

Bom, baseada no romance homônimo do escritor bengalês Sharat Chandra Chattopadhyay, esta versão já é, na realidade, a terceira filmagem deste livro feita em Bollywood, mas a primeira em cores. Dirigido por Sanjay Leela Bhansali (o mesmo de Black), estrelando nada mais que Shahrukh Khan, Aishwarya Rai e Madhuri Dixit, Devdas foi a mais cara produção indiana até então, consumindo cerca de Rs 50 Crores, ou quase 20 milhões de reais. Para se ter uma idéia, as produções brasileiras mais famosas nos anos recentes não chegaram nem à metade dessa quantia.

E olha que Devdas deixou de utilizar muitos recursos em sua produção, como cenas externas (praticamente todo o filme é feito em estúdio), por exemplo. No entanto, a grande fórmula desta obra de Bhansali é outra: utilização dos mais famosos atores-Deuses de Bollywood; história de amor quase ou pior que Romeu e Julieta; e impressionantes cenas de song-and-dance em imensos cenários construídos em estúdio.

A história é a seguinte: Devdas (Shahrukh Khan) retorna de seus estudos na Inglaterra, depois de muito tempo ausente. Sua família é riquíssima e vive em uma mansão em algum lugar do West Bengal (o filme é em Hindi, mas hora ou outra aparecem algumas expressões em bengalês). Eles têm como vizinhos uma outra família riquíssima, cuja filha Paro, apelido de Parvati (Aishwarya Rai), cresceu com Devdas - e lógico que foram apaixonados. Devdas, ao retornar, vai ver primeiro ela ao invés de sua mãe.

Tudo corre bem e parece que ambos vão casar, mas a inveja, o ciúme, a fofoca e tudo de ruim que há em mulheres ciumentas e famílias "bem" organizadas acontece e o plano vai por água abaixo. Paro acaba sendo "oferecida" para um viúvo de 40 anos e Devdas, por sua vez, acaba brigando com seu pai, com quem rompe relações, e vai parar num bordel, onde é acolhido por Chandramukhi (Madhuri Dixit), que se apaixona por ele, que acaba virando alcoólatra e muito doente. A partir daqui o filme começa a ficar mais emocionante e prefiro não prosseguir na história. Apenas ressalto que o final desta história acabou por fazer muitas mulheres e homens indianos se derramarem em lágrimas. É um trágico dos mais clássicos.

Mas agora vamos à minha função de blogueiro crítico. Este filme está bem longe de ser um dos meus favoritos do cinema indiano. Eu declaradamente gosto de produções em que o cinema seja entendido como arte, em que haja um bom uso dos recursos cinematográficos disponíveis, em que o enredo, a direção, a fotografia e as atuações se aliem para compor uma obra de sentido artístico. Em Devdas, Bhansali exagerou na direção, criando tomadas forçadas para tentar aumentar o clima de tensão, emoção e tragédia. Além disso, a própria história em si não traz nada de novo. Salvo as boas atuações de Shahrukh Khan e Aishwarya, o resto das interpretações estão forçadamente caricatas, tanto quanto caricato é o próprio cenário (brega?) da obra.

Mas não estou dizendo que este filme não precisa ser visto. Muito pelo contrário. É um marco bollywoodiano, um ícone para a indústria cinematográfica indiana. Até porque, se no Filmfare Awards o filme recebeu 10 prêmios e 6 no IIFA Awards, é porque aí tem alguma coisa que no mínimo se destaca das outras produções.