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sábado, 6 de março de 2010

55th Filmfare Awards

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Com um pouco de atraso, trago a vocês os resultados do 55th Filmfare Awards, a maior premiação de Bollywood, que ocorreu no sábado passado, dia 27 de fevereiro. Os grandes vencedores da noite foram 3 Idiots, Dev.D e Firaaq. Este último, na verdade, foi a grande revelação. Embora tenho levado três prêmios normais (Melhor Edição de Som, Melhor Edição Geral e Melhor Figurino), levou também o prêmio de Melhor Filme pela Crítica, além de Nandita Das, diretora de Firaaq, ter também levado o Prêmio Especial do Filmfare, dado aos realizadores de grandes obras, como incentivo a outros. A Melhor Trilha Sonora foi, sem surpresas, pra Rahman, com Delhi 6, além de ambos os prêmios de melhores cantores de playback (masculino e feminino) terem saído pra cantores de músicas de Delhi 6.

3 Idiots levou o prêmio de Melhor Filme e Melhor Diretor (e outros 3), que, na prática, são os mais importantes e significa que foi o grande vencedor da noite. Amitabh Bachchan levou mais um prêmio de Melhor Ator na sua carreira, por sua atuação em Paa. Pelo mesmo filme, Vidya Balan levou seu primeiro prêmio de Melhor Atriz.

Ok, antes que eu fale toda a lista a seguir, confiram vocês mesmos o restante das premiações. Eu confesso que minha ideia original era trazer a lista com as indicações e os premiados, mas fiquei com preguiça e a coisa ficaria tão longa, que abortei o plano original e decidi trazer somente os vencedores.

Melhor Filme: 3 Idiots

Melhor Filme pela Crítica: Firaaq

Melhor Diretor: Rajkumar Hirani (3 Idiots)

Melhor Ator: Amitabh Bachchan (Paa)

Melhor Ator pela Crítica: Ranbir Kapoor (por Wake Up Sid, Ajab Prem ki Ghazab Kahani e Rocket Singh)

Melhor Atriz: Vidya Balan (Paa)

Melhor Atriz pela Crítica: Mahi Gill (Dev.D)

Melhor Ator Coadjuvante: Boman Irani (3 Idiots)

Melhor Atriz Coadjuvante: Kalki Koechlin (Dev.D)

Melhor Atriz Estreante: Zoya Akhtar (Lucky by Chance)

Melhor Ator Estreante: Ayan Mukerji (Wake Up Sid)  

Melhor Trilha Sonora: A.R. Rahman (Delhi 6)

Melhor Cantora de Playback: Rekha Bhardwaj (Genda Phool, de Delhi 6)

Melhor Cantor de Playback: Mohit Chauhan (Masakali, de Delhi 6)

Diretor Estreante Mais Promissor: Ayan Mukherjee (Wake Up Sid)

Melhor Ação: Vijayan Master (Wanted)

Melhor Direção de Arte: Helen Jones e Sukanta Panigrahi (Dev.D)

Melhor Som de Fundo: Amit Trivedi (Dev.D)

Melhor Cinematografia: Rajeev Ravi (Dev.D)

Melhores Efeitos Visuais: Govardhan Vigharan, Vinay Singh Chuphal (Kaminey)

Melhor Coreografia: Bosco-Caesar (Chor Bazaari, Love Aaj Kal)

Melhor Edição de Som: Manas Choudhary (Firaaq)

Melhor Edição: Sreekar Prasad (Firaaq)

Melhor Figurino: Vaishali Menon (Firaaq)

Melhor Letra de Música: Irshad Kamil (Aaj Din, Love Aaj Kal)

Prêmio RD Burman pra Novo Talento na Música: Amit Trivedi (Dev.D)

Melhor História Original: Abhijat Joshi e Rajkumar Hirani (3 Idiots)

Melhor Roteiro: Abhijat Joshi, Rajkumar Hirani e Vidhu Vinod Chopra (3 Idiots)

Melhor Diálogo: Abhijat Joshi e Rajkumar Hirani (3 Idiots)

Prêmio Especial do Filmfare: Nandita Das (Firaaq)
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Delhi-6 (2009) - दिल्ली 6

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E então lá fui eu hoje assistir a mais um filme indiano na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. E meu Deus, quando Delhi-6 acabou eu só tinha uma palavra na cabeça: "Wah!". Essa é a expressão em hindi para o nosso "uau", e era realmente só isso que eu tinha a dizer, ou pensar, ou reagir, ou o que fosse que tinha que acontecer.

Confesso que com esse filme eu tinha uma certa expectativa, principalmente pelos fatores a seguir: 1. por ser escrito e dirigido por Rakeysh Omprakash Mehra, diretor de Rang De Basanti (2006) - um dos melhores filmes indianos que conheço; 2. por ter Abhishek Bachchan como protagonista, o que na verdade não necessariamente significa alguma coisa; 3. e por ter trilha sonora de A.R. Rahman, que significa muito. E ao finalmente assisti-lo - e no cinema! - que bela surpresa!

O senhor Rakeysh Omprakash Mehra já havia conquistado o topo de meu respeito com Rang De Basanti, que foi seu segundo filme e é fantástico. Esse, o terceiro dele, só deixou claro pra mim que ele sabe o que faz e sabe fazer direito.

Ao que consta, Delhi-6 é uma ficção com muito de autobiográfico do próprio diretor, que cresceu no centro da Delhi velha, numa região conhecida como Chandni Chowk. Mas autorreferências à parte, o filme conta a história de Roshan (Abhsishek Bachchan), um estadunidense filho de indianos, que decide levar sua avó (Waheeda Rahman) a Delhi para que ela possa morrer em sua pátria. E o próprio Roshan narra a história toda.

E assim, nesse princípio, o filme é muito gostoso de se ver, pois Roshan vai descrevendo suas impressões da Índia, que para ele lá é tudo tão louco quanto para qualquer um ocidental - que é o que ele é, na verdade. Aos poucos, porém, as coisas vão acontecendo na tumultuada vizinhança da velha Delhi.

Pra começar, Bittu (Sonam Kapoor), filha do covarde vizinho Madangopal (Om Puri), está se preparando secretamente para participar do Indian Idols (a versão indiana do Ídolos). Ao mesmo tempo, está sendo acertada a sua venda, ou melhor, o seu casamento, totalmente contrário à sua vontade. E desde o primeiro instante os olhares de Bittu e Roshan entrecruzam-se anormalmente, por bem dizer.

Paralelamente - e na verdade como eixo central da história - Roshan já chega na velha Delhi num momento em que dizem estar havendo o ataque de um suposto macaco preto. A história cresce de tal maneira num disse-que-disse, a ponto de dizerem que o macaco preto tem quase o tamanho de um homem, luzes no peito, unhas grandes e afiadas e pula como se tivesse molas nos pés.

A idiotice toda vai tomando tal tamanho que os hindus e muçulmanos que conviviam pacificamente na Chandni Chowk começam a voltar-se um contra o outro. Embora, num primeiro momento, esse tema já pareça um tanto batido em águas bollywoodianas (ou mesmo britânicas, com o Quem Quer Ser um Milionário?), tudo foi levado de uma maneira original.

Daí pra diante contenho-me para não contar o final. Digo-lhes que o filme vai desenvolvendo-se numa angústia crescente e quase desesperadora. E eu coloco esse "desesperadora", porque sei muitíssimo bem que todas as cenas que aparecem lá não são mera ficção - antes fossem! Desespera saber que de fato certas coisas acontecem na Índia, sobretudo causadas por pura ignorância e intolerância. Ao mesmo tempo, entretanto, vinha-me um sentimento ambíguo de felicidade por ver mais um filme tão bom vindo de Bollywood, podendo ter a capacidade transformadora, como teve o próprio Rang De Basanti.

E Mehra não faz à toa. A história do macaco preto é 100% baseada no fato real que aconteceu em Delhi, em 2001, quando um suposto homem-macaco aterrorizou algumas pessoas. Eu acho que deve ser uma versão indiana do chupa-cabra, embora alguns por lá tenham dito que o Pé Grande havia vindo dos Estados Unidos, ou o Yeti havia descido os Himalaias. Mas isso não importa; importa sim como esse caso é tratado no filme como eixo central de uma profunda crítica à sociedade indiana que Rakeysh Omprakash Mehra já vinha fazendo desde seu último filme.

Enfim, e Rahman faz valer totalmente sua fama com as músicas dessa obra, sendo a trilha considerada uma das melhores que ele já fez. Também gostei bastante da atuação do Abhishek. O filme não foi muito bem recebido pela crítica indiana, nem pelo público, mas também não chegou a ser considerado um fracasso. É muito difícil entender o que faz a crítica gostar ou não de um filme, embora saber do que o público gosta seja mais fácil. Esse filme não tem song-and-dances e isso já quase basta para não fazer sucesso. Mas tem, ao menos, uma cena de música em Nova Iorque, por exemplo, que eu particularmente gostei.

Bom, e chega de falar. Ainda há chances de ver esse filme na Mostra; quem puder, não perca. E enquanto isso, o trailer: