quinta-feira, 22 de setembro de 2011

V Mostra de Bollywood e Cinema Indiano em São Paulo

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Meus queridos, é muito feliz que digo que a V Mostra de Bollywood e Cinema Indiano vai finalmente acontecer em São Paulo e já começa no próximo dia 27 de setembro, terça-feira, na Cinemateca Brasileira, e vai até o dia 9 de outubro, domingo. Com os mesmos filmes que estiveram em agosto no Rio de Janeiro, a edição de São Paulo terá uma vantagem muito boa: os filmes serão exibidos duas vezes cada um. 

O único que não está na edição de São Paulo é o Dev.D, mas por um motivo muitíssimo especial. Quem acompanha nossa página no facebook e viu o videocast que gravei no portal Cronópios já sabe da novidade: o cineasta Anurag Kashyap, diretor de Dev.D, virá pro Brasil pra participar da abertura da retrospectiva que também estamos organizando da obra dele. A retrospectiva vai acontecer em São Paulo (todas as terças-feiras de outubro, no SESC Pinheiros), e a abertura com a presença do Anurag será no dia 4 de outubro. O debate será mediado por mim e pela cineasta Beatriz Seigner (diretora de Bollywood Dream - O Sonho Bollywoodiano).

Os detalhes da retrospectiva do Anurag Kashyap em São Paulo serão divulgados em breve. Aguardem!

E voltando à V Mostra de Cinema Indiano e Bollywood em São Paulo, para este ano escolhemos 10 filmes que mudaram os rumos do cinema indiano ao longo dos anos 2000. Excluindo Dev.D, que estará na retrospectiva do Anurag, a Cinemateca vai apresentar, portanto, 9 imperdíveis filmes que estão construindo um novo cinema indiano - que ao contrário de desprezar a velha fórmula de Bollywood, este novo cinema redescobre a si mesmo, respeitando seu passado, suas tradições, mas ampliando o leque de possibilidades criativas daquela que é a maior indústria de cinema do mundo.

Abaixo segue a programação da Mostra. Todas as informações dos filmes podem ser conferidas no site da Cinemateca Brasileira.

V Mostra de Bollywood e Cinema Indiano em São Paulo
27 de setembro a 9 de outubro de 2011

Cinemateca Brasileira
Largo Senador Raul Cardoso, 207
Próximo ao Metrô Vila Mariana
GRÁTIS


27/09 - Terça
Sala Petrobras
19h - O Imposto

28/09 - Quarta
Sala BNDES
18h30 - Siga em Frente, Munna Bhai
Sala Petrobras
20h - 3 Idiotas


29/09 - Quinta
Sala BNDES
17h - Jodhaa Akbar
Sala Petrobras
20h - A Cor do Sacrifício


30/09 - Sexta
Sala BNDES
17h - O Imposto
Sala Petrobras
20h - Omkara

01/10 - Sábado
Sala BNDES
15h30 - Como Estrelas na Terra
Sala Petrobras
21h - Amor, Sexo e Traição


02/10 - Domingo
Sala BNDES
15h - 3 Idiotas

05/10 - Quarta
Sala Petrobras
18h - Peepli ao Vivo
20h - Siga em Frente, Munna Bhai

06/10 - Quinta
Sala Petrobras
20h - Como Estrelas na Terra

07/10 - Sexta
Sala BNDES
17h30 - A Cor do Sacrifício


08/10 - Sábado
Sala BNDES
14h30 - Jodhaa Akbar
Sala Petrobras
19h - Peepli ao Vivo

09/10 - Domingo
Sala BNDES
15h - Omkara
Sala Petrobras
18h30 - Amor, Sexo e Traição
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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Dhoom 2 (2006) no CineÍndia - 25/09

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E chegamos à terceira edição do ciclo As Mariores Bilheterias de Bollywood no CineÍndia, trazendo a superprodução Dhoom 2 a vocês. Em 2006, esse filme bateu os recordes de bilheteria do cinema do país, com uma ação divertidíssima rodada em grande parte no Rio de Janeiro.

Dirigido por Sanjay Gadhvi, o filme é quase uma sacanagem estelar. Explico: ele é protagonizado por nada mais que Hrithik Roshan, Aishwarya Rai, Abhishek Bachchan, Bipasha Basu e Uday Chopra. Enfim, a foto acima já diz tudo. 

O curioso é que o diretor, Sanjay Gadhvi, embora já tivesse ficado famoso pelo primeiro Dhoom e tenha fincado sua bandeira no cinema indiano com esta sequência, ele logo em seguida caiu no esquecimento. Chegou a fazer um outro filme em 2008, chamado Kidnap, mas que super mal sucedido e depois não lançou nada mais nos cinemas.

Ainda assim, Dhoom 2 não deixa nada a desejar quando que o que se deseja é um verdadeiro Bollywood moderno. Imperdível pra entender e mergulhar ainda mais a fundo neste universo.

Não deixem de confirmar suas presenças no facebook, aqui.

Cineclube CineÍndia - "Dhoom 2"
25 de setembro de 2011, às 18h00
CECISP - Centro Cineclubista de São Paulo
Rua Augusta, 1239 - sala 13/14
Próximo ao Metrô Consolação

*GRÁTIS*

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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Videocast com Ibirá Machado no Cronópios

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Compartilho aqui com vocês um bate papo que tive com Pipol, do interessantíssimo Portal Cronópios, há uma semana. Foi com muito prazer que aceitei o convite dele e o resultado da nossa conversa sobre cinema indiano vocês podem ver aqui!

E fiquem atentos, pois digo em primeiríssima mão, neste vídeo, sobre um evento muito especial que acontecerá no início de outubro aqui em São Paulo e muito possivelmente no Rio de Janeiro, também. Muito em breve as informações oficiais e detalhadas chegarão aqui, ainda nos próximos dias!

Entrem no Cronópios e vejam o vídeo aqui!
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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Ghajini (2008) no CineÍndia - 28/08

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Próximo domingo, dia 28 de agosto, é dia de CineÍndia! Seguindo a ordem decrescente das "Maiores Bilheterias de Bollywood", ciclo que começamos no último mês com 3 Idiots, exibiremos agora Ghajini, dirigido por A.R. Murugadoss.

Controverso, Ghajini agrada a muitos, mas perturba outros. Quando lançado nos cinemas da Índia, nos finais de 2008, quebrou os recordes de bilheteria do país até então e entrou pra história. O filme, no entanto, não teria nenhuma originalidade, nem mesmo para o cinema indiano, não fosse a estratégia de marketing criada por Aamir Khan, estrela do filme. O cinema indiano não conhecia muito bem as melhores formas de explorar a divulgação de um filme, não fosse por cartazes, teasers e trilhas sonoras lançadas um mês antes da estreia de um filme. Aamir, então, resolveu investir em seu poder incontestável de persuasão e fez com que os produtores de Ghajini colocassem muito mais dinheiro na publicidade do que o cinema indiano estava acostumado. E funcionou.

Estereótipos, plágios e incoerências à parte, o filme vale muito mais pelo próprio Aamir Khan. Quem não está acostumado com o cinema indiano, mas já viu Taare Zameen Par ou 3 Idiots, vai se surpreender com Aamir ainda mais um pouco. Tá, e posso dizer que o filme também vale pra entendermos um pouco mais como o cinema indiano realiza suas releituras de filmes hollywoodianos - Ghajini é uma refilmagem indiana do filme Amnésia (Memento, 2000), de Christopher Nolan.

Confirme sua presença pelo Facebook.

Cineclube CineÍndia - "Ghajini"
28 de agosto de 2011, às 18h00
Local: CECISP - Centro Cineclubista de São Paulo
Rua Augusta, 1239, sala 13
Próximo ao Metrô Consolação

*Grátis*

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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Mostra Olhares Sobre a Índia em Juiz de Fora

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Atenção mineiros! A Universidade Federal de Juiz de Fora preparou uma ótima mostra de cinema indiano, chamada Olhares Sobre a Índia. Com curadoria de José Abílio Perez Junior, a mostra percorre grandes produções da história do cinema indiano, apresentando uma seleção de oito filmes que serão exibidos ao longo do semestre. A abertura será já nesta quarta, dia 24/08, com o unanimemente aceito "Como Estrelas na Terra" (Taare Zameen Par, 2007).

A programação da mostra pode ser conferida no site da universidade, ou aqui abaixo. Aproveitem e confirmem suas presenças pelo facebook!

Mostra Olhares Sobre a Índia
Universidade Federal de Juiz de Fora
Auditório 3 do novo prédio do Instituto de Ciências Humanas

24/08 - 19h - Taare Zameen Par

31/08 - 19h - Dhoom 2

14/09 - 19h - Salaam Bombay

28/09 - 19h - Awaara

05/10 - 19h - Mangal Pandey

19/10 - 19h - Mother India

09/11 - 19h - Pather Panchali

23/11 - 19h - Robot
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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Love, Sex aur Dhokha (2010)

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Daí o filme termina e você tá de boca aberta, emocionado, impressionado. Na verdade você já tinha ficado assim muito antes do filme acabar, mas aquele pianinho maldito teima em aparecer nos momentos chave e você teima em ficar emocionado. Que filme é esse, meu Deus?

Eu lembro que, pouco antes de Love, Sex aur Dhokha (Amor, Sexo e Traição) entrar em cartaz, em março de 2010, polêmicas rondaram o mundo do cinema indiano. A censura da democracia indiana baixou sobre Dibakar Banerjee, obrigando que ele cortasse ou mudasse cenas de sua obra, uma das mais revolucionárias da história da Índia. E cortasse o que? Cena de sexo, questões de castas entre personagens e letra de música. Coisas que a Índia ainda não sabe lidar, coisas comuns, coisas que fazem parte de um cotidiano quase desvelado, quase banal, quase aceito. 

E no fim, a censura (sob a égide do Central Board of Film Certification), deu uma classificação A pro filme, que restringe a obra somente para adultos, ou seja, acima de 18 anos. E para aqui minha compreensão ocidental a respeito disso; se o que vi em LSD foi muito menos explícito que em milhares de filmes do nosso lado do mundo, realmente não entendo o que pode um adulto indiano ver, de acordo com esse famigerado órgão podador do cinema indiano.

Mas polêmicas a parte, LSD é um filme mesmo bastante impressionante. Ele poderia bastar pelo conteúdo - que vamos tratar adiante - mas a forma por si só também impressiona. Dibakar Banerjee começou a revolução ao fazer deste filme o primeiro do cinema indiano a ser integralmente produzido digitalmente. É um pouco estranho pensar que isso só foi acontecer na Índia em 2010, mas no país das tradições, romper com o cinema da película pra passar pro mundo digital é efetivamente um passo imenso. Mas não era dessa forma que eu me referia no começo do parágrafo.

O filme é composto por três partes, cada parte conta uma história diferente e todas as três se entrelaçam. Até aí nada de tão especial. O que Dibakar optou por fazer foi abdicar da câmera do diretor, dos planos e contraplanos, das câmeras subjetivas e objetivas, pra assim compor cada história a partir de uma câmera que faça parte do nosso cotidiano, em maior ou menos grau.

É assim que na primeira história acompanhamos as dificuldades de um estudante de cinema que, para se formar, tem que apresentar um pequeno filme. E, dessa forma, vemos essa primeira parte a partir da câmera de Rahul, o estudante. Sabiamente, Dibakar escolheu essa história pra ser a primeira do filme, porque ela será a mais impactante de todas, a mais perversa e, todas as vezes que ela se cruzar com as duas outras histórias seguintes, qualquer clima que houver vai, inevitavelmente, virar emoção.

A segunda história se passa em uma espécie de loja de conveniência, ou mini mercado. Dessa vez vemos o filme a partir das câmeras de segurança dessa loja. A história de desenrola a partir da ideia brilhante (not really) de um dos funcionários de transar na loja com outra funcionária e, assim, gravar a cena com uma das câmeras da própria loja.

Finalmente, a terceira história é gravada com câmeras escondidas de um repórter frustrado. Na desilusão, ele se depara com uma dançarina talvez mais frustrada e desiludida que ele, mas que será seu trunfo jornalístico.

O filme é genial do começo ao fim. Voltando à primeira história, há toda uma sátira ao jeito indiano de ser com o cinema, que é impossível não rir, não achar bizarro, principalmente pelo fato de serem indianos (leia-se Dibakar Banerjee e sua equipe) zoando eles próprios. E como praticamente só indianos sabem fazer, é nesse jogo de sátira e realidade nua - eu disse nua - que está a grande sacada.

A crítica indiana recebeu o filme da melhor forma possível, sobretudo pelas atuações - impecáveis - de atores desconhecidos e pela excelente edição, além, é claro, pela originalidade da forma e do conteúdo. Mas, como não é surpresa, LSD não fez uma bilheteria boa. Atores desconhecidos, tema complexo e classificação etária para maiores de 18 anos é a receita certa pra fazer de um filme indiano um fracasso de bilheteria. 

Mas Dibakar fincou mais fundo sua bandeira na intersecção do cinema independente indiano com Bollywood, neste caminho sem volta. No Filmfare Awards entregue em 2011, o filme levou o prêmio de melhor edição e melhor desenho de som.

É isso, algo a não se perder e Dibakar é alguém a não se perder de vista. Se dizem que pra se chamar de "obra" alguém tem que ter feito mais de dez filmes, Dibakar Banerjee está indo no caminho certo com seus outros dois filmes, Khosla Ka Ghosla e Oye Lucky! Lucky Oye!.

Aqui vai o trailer de LSD:

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domingo, 31 de julho de 2011

Mostra de Cinema Indiano no Rio de Janeiro

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Caríssimos, no próximo dia 5 de agosto começa na Cinemateca do MAM, no Rio de Janeiro, a mostra Anos 2000 - A Década que Mudou a Cara do Cinema Indiano. Com uma seleção de dez filmes de Bollywood, essa mostra percorre os principais caminhos por onde andou o cinema indiano, mudando de uma vez por todas os rumos da maior indústria cinematográfica do mundo.


Por mais que a Índia sempre tenha feito filmes de qualidade excepcional ao longo do século XX, tais produções nunca eram feitas pra agradar o grande público, que em grande parte das vezes nem sequer sabiam que estes filmes eram lançados. Nos anos 2000, no entanto, foi do coração das indústrias de cinema indianas que as mudanças começaram a acontecer.

O primeiro e incontestável marco desta mudança é o filme Lagaan - O Imposto (Lagaan, 2001), dirigido por Ashutosh Gowariker e produzido pela então estreante Aamir Khan Productions. Ao longo de quase quatro horas de filme (um dos mais longos de toda a história do cinema indiano), Lagaan revolucionou Bollywood e todas as outras indústrias de cinema da Índia ao investir em um cidade cenográfica e em centenas de figurantes pra contar uma história que não era de amor. A aposta de Aamir Khan, até então “somente” uma das grandes estrelas do cinema indiano, deu tão certo que o filme foi o segundo da história do cinema indiano a concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro. E a Aamir Khan Productions nasceu revolucionando, indicando o que viria nos anos seguintes.

Mas, na verdade, foi em 2006 em que as mudanças ganharam ainda mais força. E não foi somente um filme que indicou esse caminho. Somente em Bollywood, ao menos quatro diferentes filmes surgiram nesse mesmo ano e, cada qual com sua forma, influenciou produções seguintes, guinando de uma vez por todas o caminho trilhado pelo cinema indiano ao longo das últimas décadas do século XX.

O primeiro a aparecer naquele ano foi Omkara (Omkara, 2006), de Vishal Bhardwaj, que já tinha mostrado ao que viria com um outro filme seu, de 2002, chamado Maqbool. Se este do começo dos anos 2000 era uma releitura de Macbeth, de Shakespeare, o segundo foi uma releitura de Othello, do mesmo legendario escritor britânico. E foi que Omkara consagrou de uma vez por todas a capacidade de Vishal Bhardwaj de construir releituras com um roteiro extremamente complexo e com uma direção impecável, coisa que, definitivamente, a audiência indiana não conhecia.

Mas foram outros dois filmes do mesmo ano de 2006 que fizeram história na Índia. O primeiro, A Cor do Sacrifício (Rang De Basanti, 2006), dirigido por Rakeysh Omprakash Mehra, trouxe Aamir Khan interpretando um estudante universitário, ao lado de seus colegas. Por incrível que pareça, esse filme foi o primeiro a trazer como personagens centrais jovens universitários. De novo, a história central não era de amor e o roteiro não girava em torno do mundo dos adultos. Isso, de imediato, conquistou a imensidão de estudantes universitários Índia adentro, que naquele momento já era grande parte do público dos cinemas indianos. Um novo nicho havia sido descoberto.

Acontece que não foi somente esse fator que colocou A Cor do Sacrifício na história do país. Ele levou os personagens de seu filme a lutarem por direitos, numa escalada dramática tão impressionante e inesperada que acabou por instar os jovens indianos a fazerem o mesmo, coisa que eles não tinham nunca aprendido a fazer. Na época, a série de protestos de jovens pedindo por inúmeros direitos foi chamado pela mídia indiana de “efeito RDB”, em alusão à sigla do filme, no nome original.

E então um outro filme veio para coroar todo esse movimento do ano de 2006. Siga em Frente, Munnabhai (Lage Raho Munnabhai, 2006), de Rajkumar Hirani, tinha tudo pra ser uma comédia normal, talvez com um pouco mais de qualidade em relação ao “normal” das comédias indianas - e ainda por cima tendo como eixo um amor aparentemente impossível. No entanto, ao inserir de maneira genial o Mahatma Gandhi e seus ideais na história, o inesperado aconteceu de novo. A juventude indiana, que acabara de descobrir o poder do protesto, entrou em contato com os mais importantes princípios de Gandhi, que já estavam totalmente esquecidos pela imensa maioria dos jovens. E não tardou pra que eles levassem esses princípios aos protestos desencadeados pelo “efeito RDB”, agora somado com o “efeito Munnabhai”. E mais uma vez, mais um filme veio aos cinemas da Índia pra mostrar que roteiros pensados e com conteúdo poderiam, sim, ter efeitos muito maiores do que pensavam.

Em 2007, Aamir Khan voltou não só com sua produtora e sua atuação, mas resolveu também arriscar-se na direção. O resultado dessa soma foi Como Estrelas na Terra (Taare Zameen Par, 2007), um absoluto sucesso não só na Índia, como também no mundo. O que Aamir fez, dessa vez, foi construir uma história que questionasse o modelo educacional da Índia, mas de forma tão eficaz que a mensagem pudesse ser pro mundo. Com um apelo emocional muito forte, Como Estrelas na Terra não parou até hoje de mandar sua mensagem.

No ano seguinte, Ashutosh Gowariker voltou com outra obra mais do que grandiosa. Jodhaa Akbar (Jodhaa Akbar, 2008) trouxe de volta ao cinema indiano não só a potência dos épicos, como também resgatou as lendárias histórias vividas no país durante o domínio do império Mogol. Também com incríveis 3 horas e meia de duração, Jodhaa Akbar foi uma superprodução histórica como não se via há tempos.

E então 2009 trouxe a obra seguinte, e bombástica, de Rajkumar Hirani, desta vez com a atuação e já indiscutível capacidade de influência - e manipulação, diríamos? - de Aamir Khan. 3 Idiotas (3 Idiots, 2009) bateu todos os recordes de bilheteria da história do cinema indiano, trazendo de volta jovens universitários como personagens centrais, mas desta vez questionando o próprio modelo de ensino superior do país. Mas a história do filme talvez não levasse a obra ao recorde, não fosse a inusitada estratégia de marketing imposta por Aamir Khan nos meses antecedentes ao lançamento de 3 Idiotas. Na autointitulada “maior caça humana” da história da Índia, Aamir Khan desapareceu dos olhos do público e da mídia, reaparecendo disfarçado nos mais inesperados lugares do país.

No mesmo ano, Anurag Kashyap apresentou uma obra difícil de ser aceita pela maior parte do público indiano, mas que mostrou ser capaz de fazer escola e consolidar um caminho sem volta no seio de Bollywood. Ao fazer Dev.D (Dev.D, 2009), Anurag realizou a décima primeira versão cinematográfica indiana do romance bengalês “Devdas”, de Sharat Chandra Chattopadhyay. No entanto, ao contrário das dez versões anteriores, Dev.D foi, na verdade, uma releitura contemporânea da obra, inovando em vários aspectos na direção, no roteiro e nas atuações.

Em 2010, finalmente, dois foram os filmes que também chegaram ampliando os rumos do cinema indiano e fechando a década das mudanças. O primeiro, Amor, Sexo e Traição (Love, Sex aur Dhokha, 2010), de Dibakar Banerjee, inovou impressionantemente na linguagem e na condução do roteiro. A partir do descontrole que temos hoje das câmeras que estão por todos os lados, LSD, como é chamado, explora essa questão pra contar três diferentes histórias reveladas por esses “olhos”.

O último filme desta seleção é Peepli ao Vivo (Peepli Live, 2010), da Aamir Khan Productions. Desta vez, a inovação não está mais nem na qualidade do roteiro, nem da direção, nem da produção, que são todos ótimos e seguem a escola construída. O que se inova, desta vez, é em quem dirige e em quem atua. Anusha Rizvi, a diretora, era uma completa desconhecida até cair nas graças de Aamir Khan, que topou investir suas fichas nelas, ao contrário do que fazem as outras produtoras. E os atores, seguindo o mesmo rumo, são também completos desconhecidos, alguns deles com carreira somente no teatro, até então. Peeli ao Vivo, desta forma, apresenta um cinema com tanta qualidade de conteúdo e forma, que simplesmente não depende de nomes pra fazer sua fama. E isso o cinema indiano também não conhecia.

É assim que, quando se olha para os últimos dez anos do cinema indiano, o que se vê foram mudanças intensas que deram início a um novo patamar de se fazer filmes na Índia. Vários nomes podem ser citados, mas a liderança de Aamir Khan, hoje o mais bem pago astro do cinema indiano, é unânime. Afrouxando a camada grossa que sempre separou o cinema industrial do chamado “cinema paralelo”, ou de arte, indiano, Aamir apresentou ao público comum novas possibilidades de se contar histórias na tela grande.

E o êxito desta mudança está sendo agora apresentado com uma retrospectiva de cinco dos mais proeminentes filmes em que Aamir Khan participou, seja como ator, seja como produtor, seja como diretor, ou tudo isso junto, ao longo desta última década.


Clique aqui e confirme sua presença na mostra em nosso evento no facebook e mande convites pros seus amigos!


Confira aqui a programação ou pelo site do MAM:


05/08 - Sexta
18h30 - DEV.D (2009), de Anurag Kashyap. 144'

06/08 - Sábado
16h - PEEPLI AO VIVO (Peepli Live, 2010), de Anusha Rizvi. 95'
18h -
SIGA EM FRENTE, MUNNA BHAI (Lage Raho Munna Bhai, 2006), de Rajkumar Hirani. 144'

07/08 - Domingo
16h - O IMPOSTO (Lagaan, 2001), de Ashutosh Gowariker. 224'

11/08 - Quinta
18h30 - A COR DO SACRIFÍCIO (Rang De Basanti, 2006), de Rakeysh Omprakash Mehra. 157'

12/08 - Sexta
18h30 - OMKARA (2006), de Vishal Bhardwaj. 155'

13/08 - Sábado
16h - JODHAA AKBAR (2008), de Ashutosh Gowariker. 213'

14/08 - Domingo
16h - COMO ESTRELAS NA TERRA (Taare Zameen Par, 2007), de Aamir Khan. 165'

19/08 - Sexta
18h30 - AMOR, SEXO E TRAIÇÃO (Love, Sex aur Dhokha, 2010), de Dibakar Banerjee.

21/08 - Domingo
16h - 3 IDIOTAS (3 Idiots, 2009), de Rajkumar Hirani. 170'

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terça-feira, 12 de julho de 2011

"3 Idiots" (2009) de volta no CineÍndia!

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As coisas conspiram a favor de 3 Idiots. Quando ele foi exibido em fevereiro no CineÍndia, como belo exemplo para o ciclo de então ("A Sociedade Indiana"), a comocão foi geral e os pedidos para que exibíssemos essa obra de novo foram unânimes. Até aquele momento ainda não tínhamos fechado qual seria o ciclo seguinte, mas estávamos convencidos de que provavelmente teríamos que realizar uma sessão especial só para reexibir 3 Idiots.

Acontece que mês vai, mês vem, decidimos que o novo ciclo traria nada mais que As Maiores Bilheterias de Bollywood. E isso não é pouco! Tanto não é pouco que a maior bilheteria dentre todas foi conquistada por este filme que será, finalmente, mostrado mais uma vez no CineÍndia. Assim matamos vários coelhos numa cajadada só (simbólicos, porque sou vegetariano), abrindo com pompa o novo ciclo, e atendendo aos veementes pedidos desse povo querido que quase não se controla quando ouve "aal izz well".

Pois bem, 3 Idiots é mesmo muito especial e se você ainda não conhece é agora a hora de desfazer esse terrível débito. Embora a presença de Aamir Khan seja supostamente "apenas" como ator, é evidente que sua genialidade e capacidade transformadora fez toda diferença tanto no filme, quanto no fato dele ter quebrado os recordes de bilheteria. Em resumo, é imperdível.

Pra quem puder, peço que confirme presença em nossa página no Facebook, aqui.


Cineclube CineÍndia - "3 Idiots"
24 de Julho de 2011, às 18h00
Local: CECISP - Centro Cineclubista de São Paulo
Rua Augusta, 1239 - Sala 13
Próximo ao Metrô Consolação

*GRÁTIS*


E aqui vai o trailer:

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