quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Madholal Keep Walking (2009)

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Domingo passado fui ao MIS (Museu da Imagem e do Som) assistir Madholal Keep Walking (Madholal Siga em Frente), mais um dos filmes indianos da 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. A sorte de ter ido ver no MIS é que lá as exibições são gratuitas (em comparação aos R$14,00/R$7,00 do preço tabelado da Mostra), mas... antes o filme fosse bom.

Antes de o filme começar fomos avisados que estavam presentes ali o diretor, Jai Tank, e o produtor, Apurva Tank, e que após o filme rolaria um debate de 20 minutos. Na hora fiquei animado! Embora na Mostra aqui de São Paulo seja comum toparmos com os diretores dos filmes que formos ver, confesso que não esperava encontrar um diretor indiano.

Esse é o primeiro filme de Jai Tank, que até então só tinha experiência com publicidade e vídeos institucionais. Também todo o elenco é novato no cinema.

Bom, e então o filme começou. E tão logo começou já vi vícios e mais vícios de filmagem, diálogos fracos e clichês por todos os lados. Comecei a pescar vendo o filme, um pouco com vergonha, pois os indianos estavam na fileira atrás da minha. De repente uma super explosão super malfeita no filme despertou-me definitivamente, e dali em diante decidi ficar realmente acordado por respeito aos moços e pra tentar também pegar algum ponto que eu pudesse questionar na hora do debate.

Mas a tentativa da história é boa. Madholal é um homem comum dos subúrbios de Mumbai. É casado e tem duas filhas. Todos os dias ele pega o trem pro trabalho (segurança num escritório), e com isso sofre também todas as consequências das grandes cidades - sobretudo em países em desenvolvimento. Atrasos são quase inevitáveis, e quase inevitáveis são também as intolerâncias dos patrões. Pegando o trem todos os dias no mesmo horário, acaba por fazer amizade com outros indianos comuns, na mesma situação que ele.

Mas um dia, eis que uma bomba explode no trem. Madholal sai gravemente ferido e acaba por perder um braço. Sai do hospital e fica em casa, sem ânimo pra absolutamente nada. Mas a depressão é acompanhada de um grave trauma e Madholal vê ameaças de bomba por todos os lados, reagindo de maneira absolutamente neurótica. Pra ajudar, o vizinho - muçulmano - é preso sob a alegação de que ele estaria envolvido na conspiração que resultou no atentado, embora ele jure de pés juntos que é inocente.

Aos poucos, família e amigos tentam fazer com que Madholal reaja, o que parece ser um tanto difícil. Daí, obviamente, não vou contar o final, mas digo que se o filme fosse de autoajuda, ou se fosse um curta de 10 minutos, então o desfecho estaria apropriado. Mas pra uma produção de cinema, de duas horas... e pra piorar, esse filme defende descaradamente uma suposta superioridade dos indianos em encarar atentados e situações afins, em comparação com o ocidente, como se eles não se entregassem ao medo como nós aparentemente fazemos (segundo diz o filme). Por que raios os indianos precisam tanto afirmar e acreditar nessas mentiras?

Bom, e quando o filme acabou, metade da plateia ficou. O debate foi muito pobre, principalmente pelo fato de a maioria que estava ali não conhecia nem a Índia e menos ainda o cinema indiano. Eu acabei não fazendo perguntas porque uma tosse besta resolveu deixar-me rouco em pleno feriado. Mas tive a impressão que alguns que estavam ali gostaram do filme, e pro diretor é isso que importa. Eu é que sou muito chato!

Ah, e o filme ainda não estreou nem na Índia. A estreia está prevista para o dia 18 de dezembro. E vejam agora o trailer (que aliás, é quase megalômano em relação ao que o filme de fato é):



9 comentários:

Pedro disse...

Bem que isso poderia ter acontecido com o Jodhaa Akbar né?Já pensou?Um Ashu,uma aish e um A.H
Isso eu gostaria de ver.E ter autografos hehehehehehe!;)

Ibirá Machado disse...

É... e hoje eles se gabam do prêmio que receberam de melhor filme estrangeiro na mostra de SP do ano passado. Entra no site oficial de Jodhaa e a primeira coisa que aparece é isso!

barbie-o disse...

Ah, mas isso é motivo para se gabarem. O cinema indiano sempre foi mal aceite nos mercados ocidentais, considerado como cinema medíocre pela crítica e também pelo público cinéfilo.
Por isso eu acho que quando há um prémio atribuído a um filme indiano no estrangeiro isso é motivo de orgulho. Não sei se vocês aí têm essa percepção, mas desde que foi feito o filme Cidade de Deus o cinema brasileiro ganhou excelente reputação no estrangeiro. Por isso um prémio atribuído no Brasil é ainda melhor. :)

Ibirá Machado disse...

Sim, sim, é pra se gabar mesmo, eu concordo!

E sim, aqui nós sabemos bem a importância que tiveram os filmes Central do Brasil (que perdeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro para "A Vida é Bela") e Cidade de Deus para projetarnos ao mundo :)

barbie-o disse...

Ah, bom!

Carol disse...

Gostei do comentário da barbie =D

O trailer do Madholal é bom.O trailer de "Closer" também é bom e foi um dos piores filmes que já vi.

Ibirá Machado disse...

O trailer é ótimo, aquele narrador falando, com o jogo de cenas, convence qualquer um... mas como eu disse, eu sou chato, porque tive a impressão que houve gente que gostou do filme. Enfim :p

Carol disse...

Gente,eu venho na postagem só pra olhar o Madholal e pensar que ele tem cara de canastrão.Eu baixei um programa que tem uns canais indianos,e quando canso de MTV India,dou uma olhada num canal de filmes do Punjab.Sempre tem algum CarlosDanielfromPunjab, parece o Madholal.Gosto de escrever e falar "Madholal",palavra divertida! \o/

Ibirá Machado disse...

Hahahahahahahahahahahahahahaha!!!!