-

Vamos hoje falar de Dev.D, a décima versão cinematográfica já feita na Índia sobre o romance bengalês de Sarat Chandra Chattopadhyay, chamado "Devdas" (1917). Quem conhece o cinema indiano sabe bem que o filme bollywoodiano Devdas (2002), dirigido por Sanjay Leela Bhansali e estrelado por Shahrukh Khan, Aishwarya Rai e Madhuri Dixit, é um dos filmes mais emblemáticos da Índia dos últimos tempos, tendo sido, na época, a mais cara produção até então e a que mais arrecadou, sendo superada somente por Ghajini (2008).
Pois Dev.D não tenta superar o Devdas anterior. Escrito e dirigido por Anurag Kashyap, sua ideia era fazer uma releitura contemporânea da obra bengalesa do início do século XX. Dessa forma, o Devdas anterior, de Bhansali, aparece como homenageado declarado, em dois distintos momentos em que uma das personagens assiste à cena de Dola Re Dola na TV; nessas horas, Dev.D beira um meta-filme.
Pois bem, e então aqui Abhay Deol é Devendra Singh Dhillon, o Dev, filho de um rico empresário do Punjab. Mahi Gill é Paro. Ambos são amigos de infância e desde cedo gostaram muito um do outro. Acontece que Dev é um garoto dissimulado ao extremo, para desgosto do pai, que o envia a Londres para que ele fique lá por muitos e muitos anos, estudando.
No meio tempo ele segue se comunicando com Paro, pela internet e celular. Até que chega o momento de sua volta à Índia. Ambos se amam, mas é difícil consumar o que sentem por questões sociais que em princípio os impedem de ficarem juntos.
Paro é então prometida por seu pai a outro rapaz. Nem Dev, em seu orgulho, e nem Paro, na sua fragilidade, conseguem reverter esse processo.
Dev vai então embora para, supostamente, sofrer menos. Mas ele jamais deixou de ser um ser dissimulado. Se afunda em drogas e bebidas e, nesse afundamento, vai parar em um prostíbulo de Delhi, onde acaba por conhecer Chanda. Pouco antes desse momento, somos apresentados a essa garota. Antes chamada Leni (Kalki Koechlin, nascida em Pondicherry, filha de pais hippies franceses que se mudaram pra lá), aos 17 anos envolveu-se desgraçadamente num escândalo, após um rapaz com quem teve relações sexuais filmar a cena e colocar na internet. Pelo que soube, essa parte do filme é baseada num caso real que ocorreu recentemente em Delhi. A história de Leni chega ao ápice quando seu pai comete suicídio por causa disso.
O único caminho que ela encontra é aceitar um convite que fazem a ela, para trabalhar em um prostíbulo. Um dia, assistindo ao Dola Re Dola na TV, decide que seu nome artístico será Chandramukhi, mas vira então Chanda.
Chanda apaixona-se por Dev, que tem nela o seu refúgio, mas que ainda diz amar Paro. Paro, por sua vez, chega a demonstrar um certo carinho por Dev, mas visivelmente mostra-se feliz em seu casamento. Daí o final da história não vou dizer qual é, nem se é o mesmo do Devdas anterior, para quem conhece.
Eu gostei muito desse filme, foi uma bela surpresa. Todo o enredo é muito bem bolado, a direção é ótima, a atuação dos atores é excelente e as músicas são inusitadamente bem inseridas em todo o contexto e ritmo da história. Também achei bem divertida a presença um tanto onipresente do "The Twilight Players", um trio de dançarinos irreverentes e que fazem a vez do song-and-dance inexistente nesse filme.
Na Índia, Dev.D teve uma excelente recepção pelo público e a extensa trilha sonora (com 18 faixas e autoria de Amit Trivedi) fez bastante sucesso. Tendo estreado em fevereiro deste ano, eu posso dizer que essa obra vem numa linha muito semelhante à que veio Kaminey (2009), que estreou agora em agosto e que vem construindo novas facetas em Bollywood, sem, porém, querer substituir o que já existe e faz mais sucesso. É apenas um processo de grande enriquecimento que o cinema indiano vem vivendo.
E agora confiram o trailer de Dev.D:

Vamos hoje falar de Dev.D, a décima versão cinematográfica já feita na Índia sobre o romance bengalês de Sarat Chandra Chattopadhyay, chamado "Devdas" (1917). Quem conhece o cinema indiano sabe bem que o filme bollywoodiano Devdas (2002), dirigido por Sanjay Leela Bhansali e estrelado por Shahrukh Khan, Aishwarya Rai e Madhuri Dixit, é um dos filmes mais emblemáticos da Índia dos últimos tempos, tendo sido, na época, a mais cara produção até então e a que mais arrecadou, sendo superada somente por Ghajini (2008).

Pois bem, e então aqui Abhay Deol é Devendra Singh Dhillon, o Dev, filho de um rico empresário do Punjab. Mahi Gill é Paro. Ambos são amigos de infância e desde cedo gostaram muito um do outro. Acontece que Dev é um garoto dissimulado ao extremo, para desgosto do pai, que o envia a Londres para que ele fique lá por muitos e muitos anos, estudando.
No meio tempo ele segue se comunicando com Paro, pela internet e celular. Até que chega o momento de sua volta à Índia. Ambos se amam, mas é difícil consumar o que sentem por questões sociais que em princípio os impedem de ficarem juntos.

Dev vai então embora para, supostamente, sofrer menos. Mas ele jamais deixou de ser um ser dissimulado. Se afunda em drogas e bebidas e, nesse afundamento, vai parar em um prostíbulo de Delhi, onde acaba por conhecer Chanda. Pouco antes desse momento, somos apresentados a essa garota. Antes chamada Leni (Kalki Koechlin, nascida em Pondicherry, filha de pais hippies franceses que se mudaram pra lá), aos 17 anos envolveu-se desgraçadamente num escândalo, após um rapaz com quem teve relações sexuais filmar a cena e colocar na internet. Pelo que soube, essa parte do filme é baseada num caso real que ocorreu recentemente em Delhi. A história de Leni chega ao ápice quando seu pai comete suicídio por causa disso.

Chanda apaixona-se por Dev, que tem nela o seu refúgio, mas que ainda diz amar Paro. Paro, por sua vez, chega a demonstrar um certo carinho por Dev, mas visivelmente mostra-se feliz em seu casamento. Daí o final da história não vou dizer qual é, nem se é o mesmo do Devdas anterior, para quem conhece.

Na Índia, Dev.D teve uma excelente recepção pelo público e a extensa trilha sonora (com 18 faixas e autoria de Amit Trivedi) fez bastante sucesso. Tendo estreado em fevereiro deste ano, eu posso dizer que essa obra vem numa linha muito semelhante à que veio Kaminey (2009), que estreou agora em agosto e que vem construindo novas facetas em Bollywood, sem, porém, querer substituir o que já existe e faz mais sucesso. É apenas um processo de grande enriquecimento que o cinema indiano vem vivendo.
E agora confiram o trailer de Dev.D:
20 comentários:
Estou com tanta vontade de assistir a este filme que minha situação já está beirando o desespero.Desde que assisti ao trailer e li sobre ele,só penso em ver a droga do filme,mas ainda não coloquei para download por pena de baixar outro filme(a quantidade de filmes no meu computador já está assustadora).Sua crítica só confirmou o que eu imaginava e foi a gota d'água.Vou baixar isso agora.
"Surpreendentemente",a bendita da Wikipedia já me contou o fim.
Ah! Que ridículo! Eu fui ver e de fato a wiki conta o final sem nem sequer dizer que há spoilers!
Então atenção leitores, quem não quer saber o final, não leia o plot desse filme na página dele na wikipedia!
E Carol, uma das minhas funções aqui é causar sentimentos estranhos nos outros, tipo o desespero ;)
A indústria cinematográfica Indiana realiza centenas de produções por ano, mas poucas chegam às telas do exterior e Devdas na versão de Sanjay Leela Banshali foi muito festejado em Cannes 3 meses depois que Lagaan concorreu ao Oscar.Outros filmes indianos exibidos anteriormente no festival eram pouco comerciais, com histórias de pobreza, opressão feudal e desemprego e acho na minha opinião que o mérido de Devdas e Lagaan foi mostrar a outros consumidores de cinema que existe filmes comerciais bons diferente do esteriótipo que escrevem sobre Bollywood.Eu acho a história de Devdas é mais que um romance trágico é um clássico da literatura cult no qual os indianos se indentificam muito pela imobilidade das castas e com isso a maioria dos amores sendo impossíveis, o eterno dilema do amor e do "dever". Não vi a nova versão mas tenho a sensação que a modernidade inserida na obra trouxe boas surpresas no desfecho dele e espero que assim seja já que na versão clássica o filme termina com a sensação de o final poderia tanto ser outro.
Obrigado pelo comentário, Lívia. Eu concordo, mas acho que a maneira com que o enredo de ambos os filmes são levados nos fazem desejar finais distintos para cada um deles. E posso dizer - correndo o risco de estragar prazeres - que se no final de Devdas o desfecho não é em absoluto como desejamos, em Dev.D, sim, o final é o mais sensato.
Com certeza Devdas justifica-se pela questão trágica da imobilidade das castas e como enchergar um respiro nisso pode ser esperançoso. Mas não é somente isso. E em Dev.D a grande diferença está em outra parte, que não das castas e casamentos impossíveis - pois seria possível entre Dev e Paro -, mas sim de mostrar um enfrentamento mais real das dificuldades naturais da vida, porém sem dramaticidade.
Tenho sentimentos confusos quanto a este filme. Por um lado quero ver, por outro receio que estrague a minha imagem cristalizada da história.
Mas é claro que vou ver :)
Eu acho que ele não tem pretensões de ser uma versão moderna de Devdas, uma adaptação, mas sim uma releitura, uma inspiração. E sendo assim, ficou muito original e gostoso de ver, de verdade! :)
O Devdas original vai se manter guardadinho dentro de ti, podes crer!
Nossa, preciso assistir correndo...
Assiste sentada, Sandra... (huhuhuhuhu) ;)
:D :D
Ibi, morra de invejaaaaa, eu comprei o dvd dele na Índia! Foi 200 rupias!
Mas ainda não assisti... tava sem ânimo p assistir coisas trágicas e amores imposíveis. Deixa o marido chegar q assisto com ele, caso contrario vou ficar cheia de caraminholas na cabeça hehehehe
Invejinha!
Sem caraminholas, faz favor!
Putz só consigo versão zuada desse filme, praticamente desisti dele.
O que eu vi tava ótimo! Só que nem me pergunte de onde baixei pq não me lembro nem de perto.... :S
Minha versão também estava boa.
Eu amei esse filme.Amei, amei, amei, amei e amei.E amei mais um pouquinho.Foi forte e ao mesmo tempo sensível, e emocionava,e fazia refletir.Acabei de assisti-lo, e fiquei tão animada que já vim correndo aqui contar.Foi lindo, já falei que foi forte?Mas que raio de filme bem feito é esse, gente?
A parte mostrando a vida da Chanda foi a minha favorita.Ela sofreu TANTO!Fiquei trêmula lá "naquela" cena do pai dela.E a Paro visitando o Dev? Linda, amei a roupa dela(ô comentário desnecessário).E foi TÃO lindo quando o Dev abraçou a Chanda!Foi sensível demais, lindo demais.Quantas vezes já falei "lindo(a)" aqui, hein?Pelo menos desta vez, não estou dizendo que é mágico.
Tive minha chance de amar Devdas e não posso dizer que consegui, porque não fiz ligação entre ele e Dev.D.Nossa, totalmente diferente.A-m-e-i!
Essa foto do Luiz me dá paz.
Não me apaixonei por ele, mas tive algo com o Abhay.Aí saquei que era porque ele me lembrava muito o Mark Ruffalo, por quem tenho uma queda desde que vi "De Repente 30", acho quem em 2004.Ai, meus 13 anos *-*
E a Chanda me lembrava a Jennifer Garner.Acho que ainda amo "De Repente 30".
Carol, obrigadíssimo pelo seu comentário. Eu também gostei super desse filme. E lembrar que você estava beirando o desespero para vê-lo... será que as espectativas foram ainda mais superadas? :)
Bom gosto é mesmo algo fundamental.
Parabéns!
Obrigado!
Ibi,
após mais de 1 ano q comprei esse DVD em Mumbai, tive coragem e o assisti ontem. Muito bom,expõe toda a hipocrisia e o machismo indiano - tdos preferem fingir que a mulher indiana não tem desejos e não fode ;)E qdo isso vem a tona...sai de baixo. Achei muito tocante a cena em q Chanda diz p Dev: "eu só queria q meu pai me abraçasse e dissesse que tudo ia passar e eu ia ficar bem. Mas em vez disso, ele se suicidou com um tiro."
Só achei q botaram músicas demais... (hahaha realmente eu não gosto dessa coisa de 90% dos filmes indianos serem só música - sou atípica) e esse trio aí é muito brega.
Baixei Devdas, vou fazer o caminho inverso agora ;)
Aaah, eu adoro esse filme :)
De fato é muita música, mas eu achei que ficaram adequadas nesse filme...
Mas adorei que você veio até esse post comentar :D
Postar um comentário