sábado, 12 de dezembro de 2009

My Brother... Nikhil (2005)

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Quando fiz a postagem sobre o filme I Am, fui investigar um pouco sobre o diretor Onir e vi que ele havia estreado no cinema paralelo indiano com o filme My Brother... Nikhil, realizado em 2005. Achei o tema - AIDS e homossexualidade - raro e interessante em termos de Índia e, como achei para baixar, o que é incomum para filmes do cinema independente indiano, pus para fazer download no mesmo instante.

E então assisti e foi uma enorme surpresa. Digo já que o filme é muito triste, muito mesmo, mas também muito bonito e extremamente sensível.

Onir optou por um recurso diferente para o filme, embora não seja nada muito novo. Construído como se fosse um documentário, pessoas vão dando seus depoimentos sobre Nikhil e, a partir disso, a história vai sendo contada. Esse suposto documentário está sendo realizado em 1994 e a primeira lembrança que vemos remonta a 1987. Obviamente, os principais depoimentos vêm de sua irmã, Anamika, interpretada por Juhi Chawla, além de sua mãe, Anita Rosário Kapoor (Lillete Dubey), seu pai, Navin Kapoor (Victor Banerjee) e por Nigel De Costa (Purab Kohli), que posteriormente vemos ser o namorado de Nikhil.

Nikhil Kapoor (Sanjay Suri) era o melhor nadador de Goa, para orgulho do pai, que desde cedo investiu na carreira do filho. Logo no princípio do filme vemos quando Nikhil ganha uma bolsa pelo ministério dos esportes para ir a Calcutá, como nadador. No entanto, para a bolsa ele realiza um exame de sangue que acaba acusando a presença do vírus HIV.

Nesse meio tempo, os pais de Nikhil preparam para ele o noivado com a antiga amiga de infância, Leena Gomes (Dipannita Sharma), que havia acabado de retornar de Nova Iorque, após anos e anos por lá. Ela diz a Nikhil que sempre o amou, mas ele retruca dizendo que só gosta dela como amiga, e que não quer se casar.

Em princípio, Nikhil não é informado do vírus, embora o médico tenha feito perguntas a ele que o deixaram desconfiado que algo de muito estranho havia em seu sangue. Pouco depois, seu treinador o informa que ele estava sendo desligado da equipe para dar chance aos nadadores mais novos. Revoltado, ele sai correndo e mergulha na piscina, onde vários rapazes treinavam. No mesmo instante em que ele entra na água, todos saem de lá imediatamente.

Nikhil vai pra casa e fica visivelmente deprimido. De princípio a família não entende o que se passa. No entanto, mais rápido do que se esperaria, Goa inteira fica sabendo da existência da primeira pessoa do estado com o vírus do HIV (antes mesmo que o próprio Nikhil e seus familiares soubessem), o que resulta numa onda de preconceito extremo que acaba por envolver toda a família Kapoor. Numa dessas, quando os pais de Nikhil vão almoçar no clube que a vida toda almoçaram, o garçom vem pedir para que eles se retirem pois não poderiam mais frequentar aquele local. Eles vão embora pra casa e, chegando lá, o pai de Nikhil espanca-o dizendo que ele havia desonrado a família e acaba expulsando-o de casa.

Ele vai pra casa de Nigel, que morava sozinho já que os pais moravam em Dubai. Nigel cuida de Nikhil, mas na manhã seguinte, quando Nigel retorna pra casa após ter saído pra comprar medicamentos, ele não encontra Nikhil. A polícia havia ido ali e levado Nikhil preso, por representar uma ameaça à população. Ele é então mantido preso numa sala de um manicômio, ou algo assim, que há dois anos não era mais utilizada por ninguém.

Todos os amigos de Nikhil haviam se afastado dele, além de ter sido deserdado pelo pai, que mudou-se com Anita para Mumbai. Permanecem ao seu lado somente a irmã, carinhosamente chamada de Anu, com seu namorado Sam Fernandes (Gautam Kapoor), e Nigel. É nesse momento que Anu fica sabendo que Nikhil é homossexual, dando-lhe todo o apoio a ele e a Nigel. Ela sugere que Nigel vá fazer um exame de sangue também, pois era muito certo que ele também estivesse contaminado. O resultado deu negativo.

Os três conseguem encontrar uma advogada sensível que aceita lutar pela libertação de Nikhil. Enquanto o processo começa a correr, eles iniciam uma árdua batalha de conscientização da população sobre o que é realmente o HIV e que as pessoas não precisariam ter todo esse medo de Nikhil. Ao fim, Nikhil é finalmente solto e eles todos então fundam um instituto para dar apoio aos soropositivos. Essa passa a ser a ocupação de Nikhil, que obviamente havia sido rejeitado de todo e qualquer emprego, sobretudo da natação.

O tempo vai passando e vários problemas aparecem relacionados ao fortíssimo preconceito da população, não somente relacionado à AIDS, mas também em relação à orientação sexual de Nikhil e Nigel, que acabou chegando a toda a população.

Um ano depois disso tudo, Anu e Sam marcam o casamento e é somente nesse momento que seus pais retornam de Mumbai e reveem Nikhil. O pai de Nikhil, no entanto, não olha para seus olhos, ao mesmo tempo em que a mãe se corrói por inteira de ver seu filho sofrendo e não conseguindo mais ser o rapaz expansivo e alegre que sempre foi. Ela o pede para que ele volte pra casa, mas ele diz que está bem na casa de Nigel e que só faria isso se o pai fizesse o pedido.

Depois de um tempo, Nikhil acaba conseguindo trabalhar dando aulas de música em uma escola, cujo dono sensibilizou-se com a causa. O tempo passa e os primeiros sintomas da AIDS começam a aparecer. Tudo vai ficando mais difícil, mais depressivo e mais triste. No meio tempo, nasce o filho de Anu e Sam, trazendo mais alegria à família. E talvez por isso, chega um momento em que o pai de Nikhil não aguenta mais tanta rudez em seu próprio coração e o chama de volta pra casa, simpatizando-se, inclusive, com Nigel.

O final é óbvio, nem vou dizer. E é lindo, muito lindo.

My Brother... Nikhil é possivelmente o primeiro filme indiano a ter um protagonista homossexual, como diz o site do filme. E achei muito bonita a maneira com que a relação entre Nikhil e Nigel foi mostrada, com muito amor e carinho, sem que qualquer cena de beijo ou algo do gênero aparecesse. Também é lindo todo o amor de Anu por seu irmão, passando a dedicar sua vida para que ele e todos os outros iguais a ele pudessem ser vistos pela sociedade de outra maneira.

Onir optou também por fazer somente uma música pro filme, que aparece ao longo do filme em diferentes vezes e formas. Os cantores que cantam essa música nessas diferentes vezes são Sunidhi Chauhan, Shaan e K.K..

E não deixem de ver essa obra. A direção não é das melhores, mas o filme vale por todo o resto. Sanjay Suri, que estou descobrindo ser um nome mais do que presente nos recentes filmes do cinema paralelo indiano, atua muitíssimo bem, assim como os outros.

Eu não achei um trailer propriamente, mas encontrei uma espécie de clipe da música Le Chale, unindo imagens de diferentes momentos do filme, ao mesmo tempo que intercalando com a cena em que Nikhil canta essa música num bar, além de dois outros momentos em que ela é cantada por Anu e por Nigel. Os cantores também aparecem fazendo a gravação. Aí vai:



27 comentários:

Pedro disse...

Ibirá esse filme deve ser lindo!Eu chorei por exemplo na cena do Julgamento em Veer-Zaara.Eu particularmente odeio injustiça...

Ibirá Machado disse...

É lindo sim! :)

Vinicius disse...

Eu quero ver!

Ibirá esse filme deve ser lindo!²

vou agora mesmo procurar por legendas rsrs

também odeio Injustiça...

Ibirá Machado disse...

Eu achei legendas em português (de Portugal) e que estão ótimas! Vou colocá-la no legendas.tv.

Vinicius disse...

achei também assim que der vou baixar provavelmente essa semana ainda rsrs

que bom né rsrs

vou poder assistiiiir rsrs :D

Guacira disse...

Eu achei em Portugues do Brasil...Quem quiser é so mandar um email..gualua@gmail.com

Ibirá Machado disse...

Ai que bom! Obrigado, Guacira! Mas se não for muito pedir, seria legal se você também pudesse disponibilizá-la em algum site aberto de legendas, para que fique mais fácil para todos :)
Obrigado mais uma vez!

barbie-o disse...

Estes filmes fazem-me pensar que os actores/cantores de Bollywood adoram o cinema alternativo e que se o público aderisse haveria muito mais produções. Mesmo assim, acho que a Índia não está nada mal.

Ibirá Machado disse...

E nem poderia estar mal. Se a onda do mar precisa da imensidão do oceano para existir, da mesma maneira o cinema alternativo indiano só pode existir com o respaldo do universo que é o cinema de entretenimento.

*momento filosofias do Ibirá*

Priscila disse...

Nossa Ibirá, que filosófico!
rsss

Mas gostei muito!!
E quero assistir tb!
Coloque lá na comunidade
=D

Ibirá Machado disse...

Não é por nada, mas essas coisas têm que ser feitas pelos nossos membros mais do que eficientes nesse sentido :)

Eles sabem mais do que eu onde encontrar os melhores links! E o Vinicius disse que encontrou com legendas em português brasileiro :D

A�a� disse...

Hoje eu tô emotiva e chorei só com a parte da história que vc escreveu...Me conta o final?

Guacira, eu quero o filme, se puder me mandar: suzanalourenco@yahoo.com.br. Te mando e-mail.

E vc, Ibirá, pode sim dizer que vc é meio cearense, meio pernambucano e meio piauiense. Afinal, mesmo as pessaos destes lugares não conhecem tão bem os rincões do sertão como tu, vice?

Ibirá Machado disse...

Oooxe, já que dizes, eu visso, sim...

Suzan Açoyle, façamos o seguinte, eu não te conto o final, mas gravo um DVD pra ti de natal, que tal? Ou você foi pro interior?

E guarde as lágrimas pra chorar quando assistir, porque vai precisar!

Guacira disse...

Oiii Suzan, te mandei o email...ainda nem assisti, mas pela historia deve ser lindo..beijos...

Carol disse...

Tive que rir dos dois primeiros comentários da Jarid! :DDDDDDD

A-haaaaaa,aí está um filme que trata do homossexualismo que fiquei com vontade de ver!Esse parece ser tranqüilo, sem exageros.E tem a Juhi.A carinha dela me deixa quase calma.Acho que ela tem olhos bons.

Ei,lindas as fotos do Nikhil com a irmã e dos dois de preto(devem ser ele e o Nigel)!

Não sei se assistirei tão cedo...tenho que ver todos os indianos que já estão aqui e ainda por cima, voltar ao meu plano de 2008 de ser cult.Bem,nunca serei cult,mas conheci meus diretores e filmes favoritos quando coloquei o plano em prática(*-*).E acabei de lembrar que ainda não baixei O Poderoso Chefão 2...e nem o 3! :O

*corre*

Ibirá Machado disse...

Sabia que vc ia gostar :)

Sim, os dois de preto são o casal.

Corre!

Cine Europeu disse...

Parabêns pelo blog!

Excelente trabalho de divulgação do cinema indiano!

Ibirá Machado disse...

Obrigado! A gente se esforça =)

Priscila disse...

Jarid por aqui!

=D

Vinicius disse...

Ibirá o Torrent que você me passou já baixou mais véio um arquivo que não abre não sei porque rsrs

e é uma pena eu queria tanto assistir esse filme se você tiver outro se me manda por e-mail por favor???

desde já Obrigado

e a o meu e-mail é vi_cv@hotmail.com rsrs sei que já passei antes mais sei lá rsrs

Profª Sandra Bose disse...

Ja perdi 4 conhecidos devido ao HIV.
2 eram professores e 2 eram cabelereiros. Indiretamente o numero de pessoas que soube que morreram de AIDS eh muito maior. Com certeza NAO assistirei a este filme, nao quero re-acordar dragoes adormecidos.

Simone disse...

o filme é muito bonito e de uma sensibilidade incrível. O diretor foi corajoso em abordar um tema tão delicado e muito feliz na forma como o fez. Em alguns momentos, esse estilo "documentário" me deixou na dúvida se a história era real ou não, apesar de achar que o filme conta a história de muitas pessoas pelo mundo afora, que sofrem com um preconceito descabido.

Graças às indicações cinematográficas do Ibirá, já chorei horrores e continuo assistinto filmes excelentes... :-)
Obrigada por mais essa indicação e por menos uma caixinha de lenço no meu armário!

Ibirá Machado disse...

É lindo, né? :)

E já disse, não precisa agradecer ;)

Nah Venturini disse...

Olá! estou visitando o seu blog pela primeira vez e estou adorando!
Gostaria de saber onde eu acho o torrent desse filme, pois me interessei pela história!
Um abraço!
Parabéns pelo blog!

Ibirá Machado disse...

Olá, Nah, obrigado pelo comentário!

Esse filme pode ser encontrado aqui: http://bolly-download.blogspot.com/2010/06/m.html

Mais no fim dessa postagem desse link tem onde clicar e achar o torrent dele :)

E espero te ver mais por aqui!

Nah Venturini disse...

Muito Obrigada Ibirá!
Com ctza vou aparecer mais por aqui, pois há muito tempo tenho curiosidades sobre a índia e sua cultura, mas não encontrava nenhum site ou blog de qualidade... fico feliz em ter encontrado o seu!
Grande abraço!

Lucia Helena disse...

O filme é tão lindo. E eu chorei muito, muito, muito, me deu tanta pena do pai...e do nigel.