sábado, 24 de abril de 2010

Mughal-E-Azam (1960) - मुग़ल-ए आज़म

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Mughal-E-Azam é um filme e tanto. Dirigido por K. Asif, foi uma das maiores superproduções que Bollywood já viu em sua história, tendo levado nove anos pra ficar pronta até que tivesse sua estreia no ano de 1960. Naquele ano, esse filme bateu todos os recordes de bilheteria na Índia, sendo batido somente por Sholay, em 1975. Mas há quem diga que, ajustando a inflação, Mughal-E-Azam ainda detenha o recorde de arrecadação da história de Bollywood até hoje.

Pra ajudar, o filme contou com alguns dos maiores astros de Bollywood até então, como Prithviraj Kapoor, Dilip Kumar e Madhubala, que encarnaram a lendária história de Anarkali, que teria sido enterrada viva pelo imperador Akbar, evitando que seu filho, Jahangir, se casasse com ela.

Pra quem assistiu Jodhaa Akbar (2008) antes, ver Mughal-E-Azam pode dar uma impressão um tanto diferente de Akbar, o Grande, embora o final do filme guarde uma surpresa necessária. Mas se tanto Jodhaa Akbar quanto Mughal-E-Azam são baseados mais em fatos lendários do que propriamente reais, ambos se complementam e dão um ao outro uma continuidade histórica da vida de um dos mais emblemáticos imperadores mogóis que a Índia já teve: Akbar.

E então a história do filme é a seguinte: o pequeno príncipe Salim (futuro imperador Jahangir) é filho de Akbar (Prithviraj Kapoor) com Jodhaa (Durga Khote) e é extremamente levado. É realmente difícil discipliná-lo, mas Akbar descide enviá-lo para a frente de batalha na idade apropriada, de maneira que ele passasse anos fora dos mimos do palácio e se endireitasse com a disciplina militar.

Os anos se passam e é chegada a hora do retorno de Salim, já nesse momento interpretado pelo galã Dilip Kumar. Em seu retorno, a corte é brindada com danças de cortesãs, sendo Bahaar uma das mais expressivas e reconhecidas dançarinas cortesãs. Mas então eles conhecem uma recém-chegada garota que surpreende a todos com sua beleza e com sua dança. É nomeada Anarkali (Madhubala) e Salim fica realmente encantado por ela. Acontece que um romance entre Salim e Anarkali jamais poderia ocorrer, por diferenças de castas, e seria um desastre no império.

Ainda assim, Salim e Anarkali passam a se encontrar secretamente, mas a ciumenta Bahaar descobre e deda tudo. Anarkali é então presa. Salim fica furioso e rebela-se contra seu pai. Anarkali é liberada e realiza uma incrível dança kathak dentro de um incrível salão do palácio. E ao dançar, canta seu amor incondicional pelo príncipe, o que foi um motivo mais do que suficiente pra ira de Akbar, que, desta vez, ordena que Anarkali seja emparedada viva.

E então não conto o que se segue. Assistam o filme, que vale muito à pena. Mughal-E-Azam foi originalmente filmado em preto e branco, mas no ano de 2004 uma imensa equipe coloriu o filme artificialmente e ele foi relançado nos cinemas e em DVD. Foi novamente um sucesso estrondoso, o que pode ter colocado Mughal-E-Azam no posto de filme mais visto na Índia em todos os tempos.

As músicas do filme são também no melhor estilo dos anos dourados do cinema indiano, cantadas obviamente pela imortal Lata Mangeshkar. E Mughal-E-Azam é considerado até hoje a obra-prima e referência para qualquer filme com inspiração muslim socials, que tanto deu à Índia a magnanimidade hoje reconhecida no mundo.

A cena do kathak de Anarkali pode ser conferida na postagem sobre esse filme no Grand Masala. E pra não competir, coloco então uma outra linda dança da mesma Anarkali, com a música Mohe Panghat Pe, cantada por Lata Mangeshkar e com legenda em português:


Colaboraram: Bárbara Fernandes e Pedro Custódio  
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21 comentários:

Pedro disse...

AMO esse filme!!!Um dos meus prediletos*-*
Tudo tão lindo,poético...adoro esse clipe mas o meu preferido mesmo é Pyar Kiya to darna Kya,amo demais(KATHAK*___________*)

Pedro disse...

e realmente Jodhaa Akbar e Mughal-e-azam se completam.Ambos LINDOS!!*-*

Ibirá Machado disse...

Mas claro que Pyar Kiya To Darna Kya é a melhor cena, mesmo. Não só a dança é linda, como o salão é estonteante! :)

Lívia disse...

Eu não consigo ver um filme como continuação do outro. Na minha mente parece que são dois homens diferentes com o mesmo nome heheheheheehehehehehe. Não consegui fazer essa conexão que o Pedro fez dos dois filmes.
Os dois são belíssimos, mas quando assisto não conecto um Akbar com outro o Akbar do Hrithik Rosan é um herói romantico que eu e todas as muheres queriamos ter como príncipe, imperador, parceiro em nossas vidas, ele tem um senso de justiça é mais amável, compreensivo. já o Akbar do Mughal-E-Azam a meu ver é mais próximo do que seria o Akbar real histórico descendente de homens violentos, cruéis tomando atitudes baseadas em convenções, interesses.
No filme Jodhaa Akbar eu senti falta das danças das cortesãs e até a da própria Jodhaa, ela era uma princesa e como tal desde cedo era preparada nas danças do seu povo.
Agora minha opinião pessoal são dois roteiros românticos que falam de duas histórias de amor impossíveis ou quase, mas na vida real sabemos que quando um homem quer uma mulher ele dá um jeito, principalmente se ele for poderoso, os que não conseguem oficializar a união, ou roubavam a moça, ou a transformava em amante, ou escrava esses tudo com consentimento da família, esses "grande senhores" na maior parte dos casos conseguiam satisfazer seus desejos mesmo que tivessem uma mulher de aparência nos salões e uma que amavam na cama.

Ibirá Machado disse...

Lívia, ao menos quando eu disse que são filmes que se complementam, eu quis muito mais dizer no sentido histórico. Porque como eu também disse, é um pouco difícil comparar o Akbar de um com o de outro.

Agora, quanto ao "Akbar real histórico", talvez eu discorde de você. Quem conhece a história de Akbar e sua linhagem anterior e posterior, e sobretudo conhecer Fatehpur Sikri, sabe que Akbar foi tudo menos violento. Ele era da linha sufi, no islamismo, e prezava pela beleza e pela estética. Shah Jahan, que construiu o Taj Mahal, era seu neto e o último dessa linhagem que vinha desde Humayun, o pai de Akbar.

barbie-o disse...

Weeeeeeeeeeee!!!!! Eu adoro este filme!
Quero dar os parabéns a quem fez as legendas (foi o Pedro C.?), seria tão mais agradável poder ver filmes indianos com legendas em PT com qualidade ao invés daquelas legendas bizarras em Inglês em que às vezes nem percebemos o sentido das frases...

Anônimo disse...

Gente é muita riqueza muita beleza, o cinema Indiano é um luxo!!!!
Vendo este clip, senti até o cheiro de incenso, imagina ir nesses palácios, eu fico imaginando quanta riqueza em jóias e pedras preciosas devem estar escondidas nas matas e lugares secretos enterrados pelo tempo na Índia.

Ibirá Machado disse...

Barbie, quem fez as legendas foi a Lalita Sakhi, mas quem me passou o vídeo legendado foi mesmo o Pedro. E sim, a Lalita merece todos os agradecimentos! Ela contribuiu com muita coisa na comunidade "Quero cinema indiano no Brasil"!

Anônimo/a, este filme em especial é mais luxo ainda. E você tem razão, a Índia ainda deve guardar imensas riquezas ainda escondidas... é tanta coisa por todos os lados que eles têm é mesmo preguiça de sair escavando tudo (ou fingem que não encontraram nada ao fazerem alguma obra)!

Carol disse...

Eu gosto muito desse filme.Achei sem querer com legendas no Youtube e depois o Pedrinho ficou loucão porque eu tinha visto o filme que era o sonho dele ver e blá blá blá.Depois foi a corrida pelo torrent.E pela legenda.E te digo: gostar do Pedro dá muito trabalho.Tive que ver Pakeezah por causa disso.

Ah, sei lá o que falo desse filme.Mó tempão(relativo) que vi.E tô Shahideando demais hoje pra pensar em gente velha.

Ibirá Machado disse...

Ei, não fala assim, gostar do Pedro traz coisas boas também! ;)

Hahahaha, "pensar em gente velha"! Mas a Madhubala era tão linda e nova nesse filme! ;)

Vinicius disse...

Ai nem o que dizer desse filme que é tão lindo!

E eu adoro a parte da Dança em que Ela declara o amor dela pelo príncipe na frente de Akbar e os demais rsrs

Ibirá é a primeira vez que você escreve sobre um filme que eu já assisti rsrs

Ah eu me sinto tão honrado de ter visto um filme como esse!

Um filme que em um passado próximo eu jamais teria visto!

Vi esse filme por causa do Pedro também! ele me mostrou o clipe e me falou do filme ai fiquei muito interessado em ver!

Lívia Bernardes disse...

Ibirá eu vi sua resposta, na época que vi pela primeira vez Jodhaa Akbar eu li tudo que achei sobre o imperador em inglês, espanhol e portugues e tudo que você escreveu eu já sabia, sei a história dessa linhagem de imperadores descendentes de Gengis Khan, a as várias versão da história do Taj Mahal, a história e abandono de Fatehpur Sikri.
A minha duvida é a seguinte os hitoriadores colocam Akbar como o mais ameno desses imperadores mas ainda sim um homem violento e conquistador de territórios, apesar de incentivar a cultura, fazer acordos, respeitar as religiões, etc.
O que você sabe sobre ele que o faz pensar que ele parace mais com o filme Jodhaa Akbar? Se ele for mais parecido com filme eu ficarei muito feliz!!!!

Ibirá Machado disse...

Vini, primeira vez?? Não é possível! :o

Lívia, é óbvio que o Akbar de Jodhaa Akbar é exageradamente romanceado, eu não digo que o Akbar real era como ele. A verdade é que na Índia a história se mescla incrivelmente com as lendas. Esses imperadores existiram a nem tanto tempo assim, e por exemplo não é comprovada a existência nem de Jodhaa e nem de Anarkali... é muito difícil fazermos afirmações! :p

L. disse...

A Carol é mesmo muito animadora: "gostar do Pedro dá trabalho". Céus!

Não vi Mughal-E-Azam, mas pretendo. Está na lista, lá pro meio dela. Não me atrai de verdade, ou sei lá o quê.

Ah, a gente sabe que os imperadores são tremendamente romanceados nesses filmes, que eles eram feios, quem sabe gordos e meio maléficos. A gente sabe.

Mas é sempre bom pensar que Akbar era como o Hrithik Roshan, né não? ;D

Maryssol disse...

Já vi Jodha-Akbar e gostei muito. Espero que este seja tão bom quanto foi JA. Este não está na minha lista, mas vai passar a estar, é tanta coisa pra ver............e ainda por cima não tenho tempo. Filmes só depois de 11 de Maio (tenho que dizer isto para a minha massa cizenta, todos os dias, senão levo bomba ) Socooooooooro, será que vou aguentar!!!!!!!!!!

Maryssol disse...

Alguém já leu o livro: A festa das Rosas? o Livro não fala sobre o Akbar, mas sim do filho de Akbar, o PAI do imperador Shah Jahan que construiu o Taj Mahal. A história é super interessante, vale a pena ler. Deixo aqui uma dica para quem quer saber mais, sobre os imperadores Mongois.
A historia é cheio de intrigas, traições, conspiração, e claro que no meio disto tudo existe o amor, ehehehe.

Ibirá Machado disse...

Maryssol, nunca li esse livro! Mas se é sobre o filho de Akbar, pai de Shah Jahan, é justamente sobre o personagem central de Mughal-E-Azam, ou seja, Salim, futuro Jahangir, que se apaixonou por Anarkali :)

E 11 de maio está muito perto! Daqui a pouco chega e você nem viu!

Lívia Bernardes disse...

Ok

Pri disse...

"gostar do Pedro da trabalho"
HAhahhahahahahahha

Dá muito gosto também =D

O filme é lindo! A história é linda! As danças são lindas e até admito gostar das músicas da Lata Mangeshkar...e a Madhubala é linda!
Mas que ela fica com cara de drogada fica, né Carol???

rsss

Isa disse...

Gostar do Pedro é demais porque ele é demais! (Só pra aumentar as citações dele aqui)

O engraçado é a significação de Akbar pra mim, justamente porque eu me sinto tremendamente envolvida com a história de Shah Jahan e a dona Mumtaz, rs.

Ibirá Machado disse...

Pedro, to com inveja, garoto! ;)