terça-feira, 22 de setembro de 2009

Muslim Socials

-
No dia 19 de setembro passado comemorou-se o Eid ul-Fitr, ou "Celebração do fim do jejum", jejum este que é praticado pelos muçulmanos no mês do Ramadã. O site do Indiatimes preparou para a ocasião uma simples reportagem resgatando alguns poucos exemplos em que o tema do islamismo - e toda a sua beleza - foi foco de filmes indianos ao longo das décadas. O título dado é "Muslim Socials", que confesso que fiquei com dificuldade de como traduzir propriamente; no contexto, seria algo como "costumes muçulmanos". É um pequenito apanhado, mas muito simpático. No final é deixada uma sutil reflexão. Confiram:


Na ocasião especial do Eid, Indiatimes Movies traz pra você o ethos muçulmano em forma de "Muslim Socials", que é certamente uma grande, e substancialmente rica, parte do cinema indiano. De Ghalib aos Ustads da música (mestres), da moda dos sher-n-shayari (poesia islâmica) às interpretações da emocionante música Qawwali, o ambiente é grandioso, a cultura é rica, e o movimento é poético.

Mughal-E-Azam

Pukar, de Sohrab Modi, baseado no período do Imperador Jehangir, estreou em 1939 e é considerado o primeiro filme "Muslim Social". Mughal-e-Azam, de K. Asif, é outra maravilhosa obra sobre a cultura islâmica. Esse filme contou a história da paixão da cortesã Anarkali por Jehangir, filho de Akbar, e tornou-se um clássico até hoje insupearado.

Firaaq

A separação da Índia e do Paquistão e suas consequências diretas foi fortemente retratado em Garam Hawa e em Gadar. Alguns "Muslim socials", como Najma, falaram sobre questões sociais, como a educação e a questão da mulher na sociedade. Outros filmes, como Salim Langre Pe Mat Ro, ou mesmo o recente Firaaq, com Nandita Das, falaram sobre fatos reais, como as revoltas de Bhiwandi ou a demolição da mesquita Babri, em Uttar Pradesh.

Zubeidaa

O jornalista e diretor Khalid Mohammed é responsável por filmes como Mammo, Zubeidaa, Sardari Begum, Fiza... este último dirigido por ele, enquanto que os outros têm direção de Shyam Benegal (e roteiro de Khalid). Vão contrários ao pano de fundo muçulmano em si, contando histórias de famílias islâmicas.

Umrao Jaan

Do romance (Chaudhavin Ka Chand) ao drama (Mere Mehboob), de contos de cortesãs - Pakeezah, de Kamal Amrohi, e Umrao Jaan, de Muzaffar Ali - a filmes históricos como Mirza Ghalib, os filmes mostraram uma gradual mudança nos costumes muçulmanos e revelaram a comunidade islâmica no cinema.

Jodhaa Akbar

Entretanto, os recentes ataques terrorisas arrancaram a grandeza dos nawabs (nobres) do cinema. A dignidade dos imperadores e shahenshas foram trocados pelos rostos mascarados dos terroristas, a opulência dos palácios foi trocada pelas tocas e cavernas e a elegância da dança e dos dialetos foram ofuscados pelo som das bombas e balas de revólver. Pergunta: Onde os nobres se esconderam?

O diretor Ashutosh Gowariker trouxe ao menos um de volta com seu exuberante Jodhaa Akbar (2008). E agora, aproveitando a ocasião, nós queremos muitos mais.

15 comentários:

Profª Sandra disse...

Muito boa esta postagem mas a ultima frase pois tudo a perder :(
Eh sabido e notorio que Akabar NAO era um islamico radical, pelo contrario, ele era espiritualizado e adorava conhecer mais sobre outras religioes, tanto que, casou-se com uma mulher hindu e outra crista.
Nem todo islamico eh terrorista mas a maioria dos terroristas SAO islamicos. Nao ha o que se pensar, sao fatos!

Ibirá Machado disse...

Sim, mas acho que o questionamento é mais no sentido de por que pararam de fazer filmes históricos dos tempos dos mughais, que em verdade sempre deram muita audiência, pela beleza e pompa inerentes...

barbie-o disse...

Uau, Ibirá, que post lindo!
Que fotos lindas!
Acho que já deu para perceber que este tipo de filmes com background muçulmano, poesia, cortesãs e kathak são os meus preferidos. Há um livro que eu quero muito arranjar mas que só existe na Índia chamado Islamicate Cultures of Bombay Cinema que fala exatamente destes filmes grandiosos que outrora dominavam o cinema indiano.
Ainda que a religião integre a narrativa, a influência islâmica existe principalmente ao nível dos costumes e eu sou completamente apaixonada por este filmes.
Aliás, vou já anotar aqueles que ainda não vi para ir a correr comprar/"torrentar".
Gracias!

Ibirá Machado disse...

;)

Pedro disse...

Filmes indianos de época são o ó do forogodó.:)

Ibirá Machado disse...

Mas... você quis dizer o que exatamente? Você gosta ou não gosta?...

Pedro disse...

Gosto, e muito! "ó do forogodó" é uma espressão ambígua.

Ibirá Machado disse...

Aaahh bom! :D

barbie-o disse...

Ah bom. Na minha parca compreensão da gíria brasileira, estava convencida que uma coisa quando é "do ó" não é boa. :D

Ibirá Machado disse...

Barbs, não só você, mas também eu :S

Na verdade, eu nunca tinha ouvido essa expressão "ó do forogodó". Por aqui dizemos "ó do borogodó", e que justamente significa algo ruim, horrível. Por isso estranhei o comentário do Pedro!

Mas como gírias são voláteis e volúveis, há que sempre se perguntar... :p

Profª Sandra disse...

Achei! Este eh o post em que eu queria comentar e deixar uma dica muito boa sobre um filme ATUAL com tematica islamica.
Trata-se do filme KHUNDA KE LYE.
Eh um filme que trata de um assunto serio sobre o que esta ocorrendo atualmente com as mulheres islamicas, mesmo as que NAO moram no Paqusitao.
Vou fazer um post no INDI(A)GESTAO sobre este filme pois eh um alerta para a mulherada e gostaria que vc fizesse o mesmo se possivel.

Ibirá Machado disse...

Ah! Acredita que com muito custo eu baixei esse filme, mas não encontro legendas em canto algum! Não queria vê-lo sem legendas!

E o mais importante sobre ele, é que se trata de produção paquistanesa, não indiana, e foi o primeiro filme do Paquistão a entrar na Índia depois de muito tempo :)

Rebeca R. disse...

Eu adorei o post, sim pode até ser que a maioria dos terroristas sejam mulçumanos, porém a maioria dos mulçumanos não concordam com esse tipo de coisa. A mídia ocidental produz um efeito muito forte em nós, formando quase sempre uma opinião equivoca, conheço pessoas que são mulçumanas e são extremamente modernosas, no sentido das mulheres nem usarem véu, até porque no alcorão não cita o uso obrigatório de véu para as mulheres. A guerra do EUA contra o afeganistão matou o triplo de afegãos do que americanos atentado de 11 de setembro. Claro que sou completamente contra qualquer tipo de terrorismo, bem como a maioria dos mulçumanos.
Não devemos ser "inocentes" de acreditar em tudo que a mídia fala, e os terroristas da irlanda? chechênia?
Não gosto dessa generalização árabe = mulçumano = terrorista
A Cultura islâmica é extremamente rica, o problema é a má interpretação de alguns fundamentalistas radicais.

Adoro seu blog, e adoro esse tipo de filme.
Obrigada

Ibirá Machado disse...

Obrigado pelo comentário, Rebeca! Sem dúvidas devemos manter a mente e os olhos abertos pra enxergarmos as coisas como elas são :)

Carol disse...

Estou numa fase de grude com os muslim socials, oh Allah.