sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Aishwarya Rai - ಐಶ್ವರ್ಯಾ ರೈ


Se na primeira postagem sobre os atores indianos eu falei sobre o rei de Bollywood, Shahrukh Khan, vamos agora falar sobre a Rainha do cinema indiano: Aishwarya Rai (ou Aishwarya Rai Bachchan).


Filha de um biólogo marinho e de uma escritora, Aishwarya nasceu em Mangalore, Karnataka, e tem apenas mais um irmão mais velho, que trabalha na marinha. Aishwarya, diferentemente de King Khan, não é nativa no híndi, mas de uma língua quase perdida do sul da Índia chamada tulu. Apenas outras duas milhões de pessoas falam essa língua no oeste do Karnataka e em uma pequena parte do Kerala, dentre os quase 1,2 bilhões de habitantes da Índia.


Mas quando era ainda pequena, a família Rai toda se mudou para Mumbai, onde a pequena futura rainha de Bollywood pode ter bons estudos. O colegial ela fez na Arya Vidya Mandir, no bairro de Santa Cruz (sim, o nome é mesmo em português, pois havia ali uma igreja construída na época do controle de Portugal na região; Mumbai foi “fundada” pelos portugueses, embora já existisse ali alguns aglomerados urbanos). Depois entrou na faculdade Jai Hind, onde ficou por um ano, e depois se mudou para a faculdade Ruparell. Seu sonho era ser arquiteta.


Mas enquanto sonhava, foi ganhar dinheiro sendo modelo. E foi assim que, em 1994, ela levou a segunda colocação no Miss Índia (perdeu para Sushmita Sen), mas, não se conformando, ganhou o Miss Mundo no mesmo ano. “Infelizmente”, a pobre teve que abandonar os estudos e o sonho de ser arquiteta para ir “reinar” em Londres como Miss Mundo. E então lá acabou se aprofundando na profissão de modelo e, como toda modelo que se preze, virou atriz também (e apresentadora de TV).


Em 1997 ela fez sua estréia no cinema indiano, no filme tâmil de Kollywood, com Iruvar. No mesmo ano já participou de um filme em Bollywood, chamado Aur Pyaar Ho Gaya, mas não teve sucesso algum. Porém, foi em seu terceiro filme – e de novo em Kollywood –, chamado Jeans (1998), que Aishwarya fez sua fama, ganhando o prêmio de melhor atriz pelo Filmfare Award South. Dali ela saltou pra Bollywood para ali se fixar.


Fez Hum Dil De Chuke Sanam (1999) que deu a ela o primeiro prêmio de melhor atriz pelo Filmfare Award. Depois fez Taal, no mesmo ano, que também aumentou em grande medida a sua reputação. Em 2000 ela participou de Mohabbatein e Josh e, depois, de Kandukondain Kandukondain, de Kollywood novamente.


Mas nenhuma dessas produções deu a Aishwarya a projeção que deu o filme Devdas, de 2002. Ao lado de Shahrukh Khan e Madhuri Dixit, a obra de Sanjay Leela Bhansali chegou a ter uma exibição especial no Festival de Cannes daquele ano. Rai ganhou o segundo prêmio de melhor atriz do Filmfare Award e sua projeção internacional consolidou-se.


Em 2003 ela apareceu no sucesso Chokker Bali, da indústria de cinema bengalesa, baseado em conto de Rabindranath Tagore. Já em 2004, Aishwarya ganhou sua sósia no museu de cera Madame Tussaud, de Londres, e, no mesmo ano, fez seu primeiro filme estrangeiro, Bride and Prejudice (Noiva e Preconceito; não confunda com Pride and Prejudice – Orgulho e Preconceito -, de 2005). Em 2005 fez outro filme estrangeiro, The Mistress of Spices (A Senhora das Especiarias). Neste mesmo ano, participou de uma performance no fechamento dos Jogos da Commonwealth, em Melbourne, Austrália, anunciando a sede dos jogos seguintes, que serão em Nova Délhi, em 2010.


Enquanto isso, no mesmo ano de 2005, ela estrelou no filme de Bollywood Bunty Aur Babli, onde participou de uma longa cena de dança que rodou a Índia, com a música “Kajra Re”. Em 2006 Aishwarya aparece em dois filmes: Umrao Jaan e Dhoom 2. Enquanto o primeiro não fez sucesso, o segundo explodiu. Com Abhishek Bachchan (seu marido na vida real) e Hrithik Hoshan, um elenco de peso, Dhoom 2 ainda teve duas outras armas de sucesso para um público ávido por novidades contrárias às suas tradições: parte do filme é ambientado no Rio de Janeiro (na praia de “Cocabanana”), e há, mais no final, uma singela cena de beijo entre Aishwarya Rai e Hrithik Hoshan. Mas o singelo já basta pro escândalo e pro sucesso na Índia.


Em 2007 ela apareceu no outro sucesso Guru, baseado na história real de Dhirubhai Ambani, fundador do mega grupo industrial Reliance, cujos filhos e atuais donos, são as 5ª e 6ª pessoas mais ricas do mundo. Posteriormente participou do filme Provoked, contando a história de uma mulher que sofre violência doméstica. E finalmente, em 2008, ganhou nova projeção fazendo Jodhaa, no filme Jodhaa Akbar, novamente ao lado de Hrithik Hoshan. Neste mesmo ano apareceu ao lado de seu marido, Abshishek Bachchan, e de seu sogro, Amitabh Bachchan, no filme Sarkar Raj. E neste momento, Rai retorna à Kollywood, onde participará do filme Endhiran.


domingo, 14 de dezembro de 2008

Mostra de Bollywood em Natal


Está acontecendo esta semana em Natal, no Rio Grande do Norte, uma mostra de cinema de Bollywood, inédita no nordeste! A mostra é patrocinada pela prefeitura e o curioso é que é numa praça, ao ar livre. Veja a reportagem na Tribuna do Norte:

Bollywood passa por aqui
09/12/2008 - Tribuna do Norte


Os filmes produzidos pela segunda maior indústria de cinema do mundo, a indiana Bollywood, ganharam ontem em Natal, espaço na tela de cinema em alta resolução montada ao ar livre na Praça Augusto Severo, largo em frente ao Museu de Cultura Popular Djalma Maranhão. O evento que faz parte da programação do Goiamum Audiovisual, patrocinado pela Prefeitura do Natal e realizado pelas entidades de cinema Zoon e Cineclube Natal, segue até a próxima sexta-feira, começando sempre às 19h.

A mostra Bollywood, inédita no Nordeste, reúne as mais significativas e recentes produções do cinema indiano, sob a curadoria do produtor, cineasta e editor indiano Ram Prasad Devineni.

Na abertura da mostra Bollywood, o jornalista Franthiesco Ballerine, crítico de cinema do Jornal da Tarde e colaborador do jornal O Estado de São Paulo, falou sobre as diferentes características que envolvem o cinema ocidental e indian e em seguida abriu espaço para discussão com o público.

Viagem

Franthiesco Ballerine atualmente trabalha num livro sobre o cinema de Bollywood. A idéia surgiu a partir de uma reportagem que fez em janeiro na Índia. “Fiquei 25 dias na Índia. Lá eu conheci os principais produtores, diretores e atores de Bollywood. Tanto no livro quanto na abertura da mostra aqui em Natal, levanto aspectos da produção cinematográfica indiana, que é bem diferente da América Latina”, declarou Franthiesco Ballerine, em entrevista por telefone ao VIVER.


Os filmes de Bollywood, que produz cerca de 1000 filmes por ano, adotou algumas fórmulas fixas para agradar o público indiano, como os extensos musicais e a união proibida entre casais. “Esta fórmula ainda é uma realidade em Bollywood. Os filmes têm duração de 2 a 3 horas. As longas seqüências musicais podem chegar a 20 minutos de duração. Em alguns casos não tem a ver com a narrativa. São colocadas como intervalos dramáticos ou simplesmente para que o espectador possa ir ao banheiro” explica Franthiesco Ballerine. “Mas essa não é uma característica de todos os filmes produzidos na Índia”, completou Ballerine.

Os filmes selecionados para a Mostra Bollywood foram lançados em anos distintos, o que garante ao público a oportunidade de conhecer filmes de vanguarda e sem concepções pré-determinadas.


Dentre os filmes selecionados para a mostra Bollywood está “Bombay”de Mani Ratnam, que será exibido hoje. O filme é Baseado em incidentes reais, que conta a história da união proibida entre um hindu, do sul da Índia, e uma mulçumana. A história polêmica, que motivou o incêndio na casa do diretor do filme, também registra o incidente de Ram Janmabhoomi-Babri Masjid, responsável pelo aumento da tensão religiosa em Mombai e em outras partes da Índia, provocando tumultos e violência. Na quarta será exibido “The Terrorist”, dirigido por Santosh Sivan. O filme foi inspirado por eventos em torno do assassinato do ex - Primeiro Ministro Rajiv Gandhi. The Terrorist venceu o principal premio do Festival Internacional de Cinema do Cairo e foi o primeiro filme indiano a ser exibido no Sundance Film Festival. O ator americano John Malkovich comprou o filme e o distribuiu nos Estados Unidos. “KRRISH. Rakesh Roshan” será o filme desta quinta-feira. KRRISH é o primeiro grande filme de super-herói, produzido em Bollywood e como os filmes do gênero, contam com efeitos especiais e prolongadas seqüências de ação.


Para encerrar a mostra Bollywood será exibido o filme “CASH”, de Anubhav Sinha.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Shahrukh Khan em imagens

Conforme prometido, a seguir apresento a vocês alguns vídeos com Shahrukh Khan. Tentei pegar as cenas de música mais famosas que ele fez, em ordem cronológica, pois assim vocês não só acompanham sua evolução, mas também a própria evolução das produções de Bollywood. Repare como alguns clipes são parecidos, às vezes com os mesmos cenários, às vezes os mesmos atores... os mais recentes, porém, são mais diversificados. Divirtam-se!

Tujhe Dekha - Dilwale Dulhana Le Jayenge (1995)


Arre Re Arre - Dil To Pagal Hai (1997)


Kuch Kuch Hota Hai - Kuch Kuch Hota Hai (1998)


Roshni Se - Asoka (2001)


Kal Ho Naa Ho - Kal Ho Naa Ho (2003)



Yuhi Chal Chal Rahi - Swades (2004)


Kabhi Alvida Na Kehna - Kabhi Alvida Na Kehna (2005)


Ajab Si - Om Shanti Om (2007)

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Shahrukh Khan - शाहरुख़ ख़ान - شاہ رخ خان


Hoje vamos iniciar a primeira postagem de uma longa série sobre os atores mais famosos da indústria cinematográfica indiana. Confesso que a grande maioria – a começar pelo ator escolhido de hoje – será de Bollywood.


Então devo dizer-lhes que quem estréia a série é o dispensa-apresentações Shahrukh Khan, ou, para os íntimos, SRK. Consta que o nome “Shahrukh”, em farsi, significa “Rosto de Rei” (ou, para as meninas loucas-desesperadas-descabeladas-fãs, “Rosto de Príncipe”, porque fica mais bonitinho). Se seu nome influenciou sua carreira de alguma maneira eu não sei, mas o fato é que SRK é, hoje, o imperador de Bollywood. Ele ainda não desbancou o posto de Amitabh Bachchan, que ocupa a cadeira simbólica de líder supremo da indústria híndi, mas certamente é Shahrukh Khan quem tem o poder sobre o reino bollywoodiano.


Para quem não sabe, o sobrenome Khan é exclusivamente de famílias islâmicas. Logo, SRK é muçulmano. Nascido em Nova Delhi, a 2 de novembro de 1965 (há 43 anos), filho de Taj Mohammed Khan, um lutador de luta livre, e de Latifa Fatima, filha adotada de um general do exército, Shahrukh teve a oportunidade de estudar em bons colégios. Estudou na escola cristã St. Columba, onde ganhou a Espada de Honra, oferecida anualmente ao aluno mais dedicado. Depois, na Universidade de Delhi, estudou Economia e, posteriormente, fez mestrado em Comunicações de Massa na Jamia Millia Islamia (famosa universidade islâmica de Nova Delhi). Mas, eu nem precisaria dizer, ele acabou optando pela vida de ator...


Mas antes de falar do SRK ator, seguimos um pouco mais no Shahrukh pessoa. Após a morte de seus pais, ele mudou-se para Mumbai, em 1991. Neste mesmo ano, antes de iniciar sua carreira bollywoodiana, casou-se com Gauri Khan, uma mulher de família hindu. Mas em momento algum pensou em converter sua esposa à sua religião. Ao contrário, embora acredite profundamente em Alá, respeita os valores do hinduísmo. Prova disso é que seus dois filhos – o menino Aryan (1997) e a menina Suhana (2000) – seguem tanto o islamismo quanto o hinduísmo, fazendo orações diárias no altar de sua casa, com o Corão ao lado dos deuses hindus.


Bom, embora tenha iniciado sua carreira em Bollywood no ano de 1992, um pouco antes ele havia feito algumas coisas na televisão. Em 1988 participou da série Fauji e, em 1989, das séries Aziz Mirza’s Circus e In Which Annie Gives it Those Ones. Finalmente em Mumbai, em 1992 Shahrukh Khan estréia no filme Deewana, que foi um sucesso e deu a ele o Filmfare Best Male Debut Award (prêmio de melhor ator estreante). No ano seguinte, incansável, participa de Maya Memsaab, Darr, Baazigar e Kabhi Haan Kabhi Naa. O penúltimo deu a ele o Filmfare Best Male Award (prêmio de melhor ator) e com o último conquistou o Filmfare Critics Award for Best Performance (prêmio da crítica para melhor performance). Não bastasse esse sucesso meteórico, em 1995 seria lançado o filme que fez a imagem de Shahrukh Khan em Bollywood: Dilwale Dulhana Le Jayenge. DDLJ deu a SRK o seu segundo prêmio de melhor ator e, para os produtores, um retorno de 12 bilhões de rúpias (algo em torno de 500 milhões de reais). Este filme está em cartaz até hoje em Mumbai.


Em 1997, com Dil To Pagal Hai, ganhou o terceiro Filmfare Best Male Award. No mesmo ano também fez sucesso com Pardes e Yes Boss. E de novo, em 1998, Kuch Kuch Hota Hai deu o quarto prêmio de melhor ator a ele. No mesmo ano, Dil Se não fez muito sucesso na Índia, mas lucrou muito nos países estrangeiros que consomem filmes de Bollywood. Badshaah, de 1999, não fez muito sucesso. Já Mohabbatein, do ano 2000, deu a SRK o segundo prêmio da crítica para melhor ator. Em 2001 fez sucesso com o épico Asoka, representando o grande imperador do norte da Índia.


O ano de 2002 viu ser lançado o super sucesso Devdas, que de novo premiou SRK como melhor ator do ano. É do mesmo ano Hum Tumhare Hain Sanam. Em 2003 são lançados outros dois sucessos, Chalte Chalte e Kal Ho Naa Ho (que também rendeu o prêmio de melhor ator e é um dos maiores sucessos de Bollywood no exterior). 2004 foi ano de mais grandes sucessos: Main Hoon Na, Veer-Zaara e Swades. Foi nominado pelos três para melhor ator e ganhou por Swades. Em 2005 eles fez apenas Paheli, que não teve muito sucesso. Já em 2006 foi lançado Don e Kabhi Alvida Na Kehna, que foi, até hoje, o maior sucesso de Bollywood no exterior. No mesmo ano também fez o sucesso Don.


Em 2007 foi a vez de outros dois filmes de sucesso, Chak De! India e Om Shanti Om. O primeiro deu o prêmio a ele de melhor ator (embora, na minha opinião, este prêmio deveria ter sido entregue a Darsheel Safary, o garoto de Taare Zameen Par). Agora, em 2008, SRK aparece em Dulha Mil Gaya, Bhoothnath e Rab Ne Bana Di Jodi. Para o próximo ano, aparecerá em Billo Barber, My Name is Khan e Don 2.


Ufa! Este é Shahrukh Khan, a incansável galinha dos ovos de ouro de Bollywood. Na próxima postagem colocarei alguns vídeos com SRK.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

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Provavelmente todos já estão sabendo e imagino que a grande maioria esteja muito chocada com os atentados que ocorreram em Mumbai nesta quarta feira útima. Igualmente estou eu.

Eu não iria falar sobre isso neste blog, mas de repente senti que seria importante. O motivo real destes atentados não estão muito claros, mas temos certeza que foram realizados por muçulmanos radicais. Provavelmente deve ter a ver com a Caxemira, mas seria precipitado afirmar. Provavelmente são paquistaneses, mas igual não podemos afirmar agora. A origem disso, e daí é mais fácil afirmar, está na divisão da antiga Índia, lá nos idos de 1947. Naquele momento surgia um novo país, Paquistão, saído do umbigo da Índia, nascido inimigo. Na divisão, milhares de mortos. Muçulmanos mataram hindus e hindus mataram muçulmanos. Ninguém foi pior que o outro naquele momento, e seguem iguais. Foi um hindu que matou Mahatma Gandhi. Nem os sikhs escaparam da monstruosidade, após assassinarem Indira Gandhi. A Índia não é um país de paz há muito tempo. Não existe equanimidade, apenas paixão e ódio.

Neste momento este ataque foi mesmo maior que os anteriores recentes, mas não foi o primeiro e nem será o último. Infelizmente, os terroristas decidiram utilizar uma tática cruel antes não utilizada. Desta vez escolheram como alvo os turistas estrangeiros, em especial os mais abonados, aqueles que vêm do centro econômico do mundo. Assim, e só assim, o mundo poderia olhar para eles. Os atentados anteriores mataram muitos, mas apenas a mídia indiana divulgou suas notícias. De que adianta? De que adianta apenas a mídia local divulgar fatos se as coisas hoje só se movem com o consentimento do mundo globalizado e louco? Então mata-se americanos, ingleses, judeus e assim a CNN não tira os olhos de Mumbai. Assim todos ficam sabendo que a Índia está contra os muçulmanos, como dizem. Assim todos ficam sabendo que também na Índia tem pessoas que querem seus "direitos", que não é só o Tibet que está sofrendo, logo ali ao lado da Caxemira, aliás. E é triste também pensar que os hindus agora odeiam os muçulmanos mais um pouco, e o mundo, naturalmente, também os odeia ainda mais um pouquinho. E dá-lhe ódio.

E essa briga ainda não é entre dois países, mas grupos ainda independentes. Ou não. Índia e Paquistão evitam brigar, não por eles, mas porque o mundo sabe que ambos possuem suas bombas atômicas. Não são meras pedrinhas. E briga entre irmãos às vezes é pior do que entre amigos. Roupa suja se lava em casa, dizem, mas no mundo de seres humanos, a casa é nosso planeta. Direta ou indiretamente, sou também responsável e você também é.

Enquanto isso, provavelmente, haverá atrazos em Bollywood e os financiamentos cairão. Mas já deviam estar caindo por causa da crise econômica. Acho que é hora de, como diz o I Ching, aproveitar a crise pra trazer o novo.

O título desta postagem é uma simbologia de um abraço. É um mínimo que posso fazer. Queria dar um abraço.

OM SHANTI OM

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Atualizando... filmes gays são proibidos mas nem tanto...

A Professora Sandra Bose (www.indiagestao.blogspot.com) me lembrou que na verdade existem, sim, filmes com temática homossexual na Índia. Falarei sobre alguns deles aqui nesta postagem. De repente me pus a pensar porque este último teve essa censura mais escancarada e me dei conta do óbvio: a presença de dois atores-semi-deuses de Bollywood incentivaria - e muito - que toda a juventude indiana fosse ver o filme. Quando é que permitiriam a pirralhada indiana ver filmes com essa temática? Os outros filmes que existem são mais sérios e sem atores famosos, que nem os indianos ficam sabendo direito que existe.

Bom, o primeiro filme que parece ter sido feito sob esta temática na Índia (homossexualismo masculino) foi Mango Soufflé, em 2002. Conta um caso típico de crise de identidade, de um indiano que se apaixona por um homem, mas casará com sua irmã, e no fim... o fim eu não conto! Há uma certa crítica por personagens estereotipados, mas eu diria que o cinema indiano costuma mesmo sempre cometer este pecado (que nem sempre é reuim). Ainda assim, parece que este filme é uma boa produção.

Em 2003 foi feito o filme Gulabi Aina (O Espelho Rosa), de Sridhar Rangayan, contanto a vida de drag queens indian@s, abordando ainda mais de perto o tema do homossexualismo. Mas o filme mais forte neste sentido foi feito em 2006, chamado Yours Emotionally, do mesmo diretor. Esse sim fala sobre o conflito profundo que é ser gay em uma sociedade que criminaliza esta opção e ao mesmo tempo convive com ela há milênios. A seguir vai o trailer de ambos os filmes:


E mais recentemente, neste ano de 2008, foi lançado o filme Pankh, de Sudipto Chattopadhyay, que me parece abordar este tema de uma maneira diferente e interessante. É a história de um joven indiano que, quando criança, trabalhava como menina em programas de TV e filmes - coisa que, ao que consta, é comum de ocorrer na Índia. É lógico que quem o fez trabalhar com isso foi sua mãe e é lógico que quando ele cresceu construiu-se uma relação conflituosa entre ambos. E é lógico que ele, já crescido, acabou por questionar suas preferências sexuais. Parece ser um filme bom e sério. Mas infelizmente não consegui encontrá-lo para baixar na internet e não consegui nem encontrar trailer deste filme.

Outro filme mais antigo sobre homossexualidade é o famoso Fire, da famosa Deepa Mehta. No Brasil é possível encontrá-lo nas locadoras com o nome de Fogo e Desejo. Trata da homossexualidade feminina. Mas outro dia falarei sobre ele.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Filmes gays são proibidos na Índia


Hoje falarei sobre um tema polêmico para a maior democracia do mundo: a homossexualidade. E focarei esta questão naquilo que este blog se propõe falar, que é o cinema indiano.


Algumas pessoas já me perguntaram sobre filmes gays indianos e sei que a Prof. Sandra Bose (do blog Indi(a)gestao) também já foi alvo destas perguntas. A resposta direta e objetiva é que não há filmes que tratem sobre a homossexualidade na Índia simplesmente porque a homossexualidade é crime. E como as indústrias de cinema indiano - lideradas por Bollywood - são as grandes responsáveis pelas mudanças culturais daquele país, o governo "democrático" da Índia censura fria e duramente qualquer coisa que possa se assemelhar a isso.


E olha que lá há, sim, muita homossexualidade. Basta ser um homem ocidental e com corpo, digamos, sarado, que você sentirá na pele a presença deles. Sim, na pele, com encoxadas e afins em qualquer local que esteja lotado na Índia (que vocês sabem, não são poucos). E já apresentei a Deepa Mehta pra vocês, embora ainda não tenha feito a sinopse de seus filmes. O segundo de seus filmes da trilogia dos elementos trata justamente da homossexualidade entre duas mulheres indianas. E quem disse que esse filme pode ser encontrado na Índia?


Bom, mas eu resolvi escrever esta postagem hoje por causa de um artigo que encontrei falando justamente de um filme que seria lançado na Índia agora e que abordaria, bem sutilmente, essa questão. Mas o filme foi proibido de ser veiculado, a não ser que seja retirado 70% de seu conteúdo! O que mais me chamou a atenção é que nem a presença de dois semi-deuses bollywoodianos no elenco não bastou para o filme ser liberado. São principais personagens nada mais que Abhishek Bachchan e John Abraham. Vejam a seguir o artigo na íntegra:

Lado de Fora

Filmes com temática gay são banidos da indústria de cinema indiana
Por Sérgio Oliveira

Pior dos que os gays caricatos notados no cinema de Hollywood, é não existir nenhum gay na sua cópia indiana, apelidade de Bollywood. Na Índia, vários pedidos são apresentados na Suprema Corte contra filmes que demonstram qualquer tipo de conotação homossexual.

Bollywood é indústria emergente da Índia, que tenta copiar a essência dos filmes americanos. No entanto, na questão de moralismo, os cineastas e a opinião pública vencem de longe a americana.

O último filme vítima desse preconceito desenfreado foi "Dostana". O longa é o primeiro com o tema de comédia-gay e não poderá ser mostrado em nenhuma sala da Índia nem do Paquistão. Com um roteiro similar ao filmes americanos, "I Now Pronounce You Chuck and Larry" só será comercializado se retirar aproximadamente 70% de seu conteúdo. No roteiro, não há nenhuma relação homossexual, mas sim uma tentativa entre amigos que fingem ser um casal para trapacear os agentes da imigração e poder ficar em Miami. O único momento "forte" do filme é um selinho entre amigos.

"Dostana é um tipo engraçado de filme que pode pavimentar para que tenhamos, futuramente, filmes como Brokeback Mountain", afirmou o diretor Karan Johar. "É uma produção toda centrada em Miami, pois não faria sentido em filmarmos na Índia sendo que conduta homossexual não é permitida.

A proibição da livre arte cinematográfica nestes países é um reflexo das resoluções que determinam que gays sejam punidos pela sua orientação sexual. As leis que governam Índia e Pasquistão foram feitas sob o domínio britânico.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Nouvelle Vague Indiana agora no Rio

Para cariocas, turistas de passagem e simpatizantes, a mostra Nouvelle Vague Indiana do CCBB começa hoje no Rio de Janeiro e irá até o dia 23.

Como de praxe, não encontrei ainda a programação por dia da mostra, mas encontrei um texto sobre a nouvelle vague indiana e esta mostra que me pareceu interessante e resolvi postá-lo aqui:

Pouco conhecidos no Brasil, 20 filmes feitos na Índia nos anos 60 são atração no CCBB

André Miranda (Portal O Globo)

Muito antes das mega-produções de Bollywood, a Índia já foi responsável por um cinema respeitadíssimo no mundo, conhecido por um nome sugestivo para os cinéfilos: nouvelle vague. Começa nesta terça (11.11) para o público, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), a mostra Nouvelle Vague Indiana, com a exibição de 20 títulos do movimento, a grande maioria inédita no Brasil.
Assim como as outras ondas cinematográficas surgidas nos anos 1960, a nouvelle vague indiana propunha uma mudança estética e temática no cinema que era feito no país. Para se entender melhor o significado da proposta, é possível fazer um paralelo com o que ocorreu no Brasil no mesmo período. Aqui, os filmes que imperavam até os anos 1950 eram as comédias populares da Atlândida, um panorama que só começou a mudar com o trabalho de diretores como Nelson Pereira dos Santos e Glauber Rocha e com o surgimento do Cinema Novo.
Nouvelle Vague Indiana - Foto: divulgação Na Índia, a situação era semelhante. Filmes populares, com grandes estrelas e feitos nos moldes de Hollywood dominavam os cinemas, até que nomes como Satyajit Ray, Ritwik Ghatak e Mrinal Sen passaram a ganhar espaço e chamar a atenção dos espectadores.
- Aos poucos, eles foram propondo um cinema sem grandes atores, sem estrelas e com temática social. Faziam filmes com as características conhecidas do neo-realismo, como a escalação de não-atores para os papéis, locações externas e luz natural - conta Gisella Cardoso, curadora da mostra.
O interesse de Gisella pelo movimento surgiu em 2007, quando ela preparou a exibição de uma série de filmes neo-realistas, também no CCBB. Para aquela mostra, ela incluiu uma obra de Satyajit, diretor nascido em Calcutá, em 1921, e morto em 1992, cuja obra é consagrada até mesmo fora da Índia - ele recebeu um Urso de Ouro em 1973, por "Ashani sanket", e um Leão de Ouro em 1957, por "O invencível". Dali, a curadora procurou mais informações sobre aquele cinema indiano e acabou se deparando com um universo riquíssimo de obras pouco conhecidas pelos brasileiros.
- O Satyajit fez filmes mais engajados, ele foi uma espécie de precursor da nouvelle vague indiana. Seus filmes são mais ousados formalmente e colocam a questão da transformação social de maneira mais forte e acentuada. É uma nova Índia que surge na tela - explica Gisella. - Os primeiros filmes que vi dele foram os da chamada Trilogia de Apu. Era um cinema autoral, bem diferente daquele que se faz hoje na Índia e que todos conhecem, que são os filmes de Bollywood. A partir daí, fui descobrindo outros diretores e outras obras.
A Trilogia de Apu - formada por "Canção da estrada" (1955), "O invencível" (1956) e "O mundo de Apu" (1959), todos incluídos na programação da mostra - narra a vida de Apu, de um menino pobre numa aldeia de Bengala até um ex-estudante desempregado que sonha seguir a carreira de escritor. Além desses, destacam-se na Nouvelle Vague Indiana obras como "Mr. Shome" (1969), de Mrinal Sen, considerado o marco do movimento; e "Nights end" (1975), de Shyam Benegal, exibido em competição no Festival de Cannes.
Num texto escrito exclusivamente para o catálogo da mostra, Mrinal Sen se recorda da produção de "Mr. Shome", dizendo: "O custo total da produção foi inacreditavelmente baixo, menos do que o mais inacreditavelmente baixo. Afinal, o que nós queríamos era fazer um filme de baixo orçamento e estabelecer um recorde! E uma tendência!".
- Em 1968, Mrinal Sen escreveu um texto conhecido como Um Manifesto por um Novo Cinema Indiano. Ali começava oficialmente o movimento - conta a curadora. - Apesar de as propostas dos filmes serem bem diferentes entre si, o que se vê em todos eles é a vontade de se fazer cinema de autor, com cada diretor propondo um estilo e uma linguagem próprios - conclui Gisella Cardoso.
Entre os 20 filmes programados, 16 serão exibidos em película e apenas quatro em DVD. As cópias, todas em bom estado, foram trazidas de dois acervos da Índia e de um acervo da Inglaterra. De acordo com Gisella, há uma preocupação grande na Índia em se preservar a memória do cinema do período, justamente para atender a demanda de festivais ao redor do mundo. Chegando agora ao Rio, a mostra fica em cartaz até o dia 23 de novembro.