
Hoje foi o dia de ir ver Bilal na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Já adianto que será um pouco difícil escrever sobre este documentário. Pra começar, não sendo um filme, não há aqui espaço pra ficar contando a historinha, descrevendo o roteiro. Não, Bilal é um documentário e, assim sendo, mostra um caso real. E o que vi não é tão fácil de descrever.

A incrível inteligência de Bilal surpreende, mas é também responsável por fazer dele uma criança muito travessa, pra não dizer violenta mesmo. O que vem primeiro não importa, mas o fato é que assim como ele apronta muito, na mesma medida ele apanha também muito. E antes fosse somente dos pais cegos que ele apanhasse; o garoto leva também da criançada da vizinhança, do menino que vai em casa ensiná-lo a ler, da avó, do tio... e ele revida como pode.

Num dado momento a mãe é questionada do por quê bater tanto no menino, e a resposta é seca e objetiva: "você não está aqui o tempo todo; eu sei o que acontece e o que tem que ser feito. Ele é muito levado e precisa aprender". Curiosamente, em muitos outros momentos os pais parecem ser muito carinhosos e isso percebe-se ser algo realmente natural também. É também real o fato de que Bilal consegue divertir-se no meio disso tudo, com muita espontaneidade e muita simplicidade.
É apenas uma criança.

Este documentário foi produzido e dirigido por Sourav Sarangi, com apoio do Ministério das Relações Exteriores da Finlândia. Sourav diz, no começo do filme, que conheceu Bilal quando sua esposa disse à ele que havia num hospital um bebê de oito meses com traumatismo craniano, cujos pais eram cegos. O desenrolar da história resultou nesse documentário.
Vejam abaixo o trailer deste documentário. E quem quiser, é possível assisti-lo inteiro, com legendas em inglês, aqui.
14 comentários:
Que coisa depressiva, Ibirá... :(
Saber estas coisas deixa-me angustiada...
É nesse tipo de momento em que me sinto uma idiota por achar que repetir uma matéria é um problema.
Barb e Carol, pois é.
E é isso.
Ah, sim.
Eu tb andava numa de depressão com os meus probleminhas e ontem encontrei uma vizinha que foi despejada da pensão onde morava e só está autorizada a regressar no domingo. Até lá vai dormir na rua ou num abrigo.
O mundo pode ser um lugar horrível.
Às vezes descobrimos isso, às vezes sem querer, às vezes sem tempo de fechar nossos olhos :(
E quiçá, às vezes, fazemos coisas que transformam o mundo sem querer. É, o otimismo reina em mim, ó céus.
Amore, quase morri, mas ja estou de volta :)
As pessoas que levantaram e foram embora sao as que nao conhecem a VERDADEIRA India, que eh mostrada no DOCUMENTARIO, e nao num filme ficcional como o Slumdog Millionaire.
Os leitores do meu blog NAO teriam ido embora antes do termino do filme, pois ja conhecem a verdadeira India. Lamentavel ver que a ignorancia dos ocidentais em relacao a India continua....
Quanto ao documentario, eh excelente. A vida como ela realmente eh na India.
Promessa é dívida! Prometi que escreveria um comentário sobre o documentário e aqui estou...
Bom, confesso que saí um tanto quanto atordoada do cinema e demorei algum tempo até me reorganizar! É difícil ver um filme sobre uma criança que vira os olhos da casa, que cuida do irmão menor e ainda assim é tratada aos tapas "para não ficar mal-acostumado"... Fiquei bem incomodada com a ambiguidade do tratamento que os pais e da comunidade dão a Bilal: rir no momento da bronca, instigá-lo a bater e depois brigar por isso, tapas carinhosos... E a criança lá, sobrevivendo! Estamos falando de um documentário feito na Índia, mas, se pararmos para olhar, pessoas que estão perto de nós têm atitudes que desumanizam o outro. As cenas de violência explícita e implícita acontecem o tempo todo por aí. Infelizmente, basta querer olhar! :-(
Mas, como sou otimista também, acho que cada um pode fazer a diferença, começando pelo tratamento com o vizinho, com o porteiro, com o atendente da padaria, com as nossas crianças dentro da nossa casa... São pequenos atos que podem não mudar o mundo, mas podem mudar uma vida.
Eu preciso ver esse filme.
Esse tipo de coisa alimenta em mim mais ainda força pra sonhar em um dia apenas me dedicar aos outros.
Sandra, sim, com certeza essas pessoas não conhecem e não querem conhecer a Índia. Fora que nem disse no meu texto sobre o barulhinho que se fez na sala de cinema quando alguns camundongos foram mostrados dentro do cômodo em que mora a família. E pensar que dormi com ratinhos na cozinha!!! E você sabe melhor que ninguém, por mais que eu descreva a realidade que é mostrada no documentário, ao vivo tudo é ainda pior.
Simone, obrigado pelo comentário, gostei bastante! Gostei principalmente da sua frase "basta querer olhar!". E é isso mesmo. Em se querendo, vemos. Caso contrário, ou não vemos mesmo ou o incômodo é tão grande que tapamos os olhos, saímos, viramos as costas...
Moniqueji, aproveite que dá pra ver online! Você entende inglês, não?
É Ibirá, basta querer olhar... E muitos não querem olhar nem no cinema, que dirá na "vida real"? Olhar é difícil, incômodo e (eu acho) extremamente necessário! Só olhando para o problema é que podemos pensar em enfrentá-lo.
entendo inglês Cây.
Você me abandonou!
deixoaquiomeuprotesto!
pfu :(
É a primeira vez que recebo "pfu" como protesto! Adorei! :D
Mas viu, é que vez ou outra a gente se recolhe de um lado pra permitir a expansão de outro, e vice-versa. A vida é um eterno pulsar ;)
Eu sou uma egoístaaa ! buá!
rs
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