sábado, 21 de março de 2009

Gauri: The Unborn (2007)

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Tem alguns filmes que a gente assiste e quando termina você nem acredita que perderam tempo fazendo ele. Eu posso estar exagerando um pouco e talvez alguns de vocês possam discordar de mim, mas o fato é que fui assistir na mostra ao filme Gauri: The Unborn (Gauri: A Não-Nascida, 2007), de Aku Akbar, e saí com essa sensação.

Eu não sabia praticamente nada desse filme, com exceção de que era um filme de terror/suspense que tratava da questão do aborto. Achei que seria interessante vê-lo, porque nunca tinha visto um filme de terror indiano, mas meu deus, se tem terror nesse filme eu devo ter dormido e não percebi!

A história é a seguinte: um casal feliz tem uma filha, Shivani, que, de repente, começa a portar-se de maneira muito estranha. Aos poucos, o filme vai deixando bem claro que Shivani está possuída pela alma de uma criança que, logo, descobre-se ser de Gauri, a menina que o casal decidira abortar vários anos atrás, quando não estavam preparados pra terem um filho ainda. Mas agora, após muito sofrimento por ter sido rejeitada, Gauri retorna pra cobrar para si o seu afeto perdido e dá um ultimato: durante três dias ela atormentaria a família e, no terceiro dia, levaria Shivani com ela, para seu mundo. A ideia deste momento era trazer tensão, terror e suspense ao filme, mas achei tudo tão tosco que na verdade não via a hora de o filme acabar.

Eu não vou contar o final, é óbvio, mas me lembro que quando o filme acabou levei a mão à testa e pensei: "Putz!".

No entanto, esse filme tem um obejtivo claro, na verdade. O fato de ele tratar sobre o tema do aborto e ainda por cima de uma menina não é a toa. Ainda que o casal não tenha abortado por saber que era uma menina, esse é um fato real na Índia - e por isso o filme faz muito mais sentido para os indianos. Fiquei imaginando que se eu fosse mulher (ou o companheiro de uma) e tivesse abortado no passado, esse filme me deixaria certamente mal. Pior ainda se a decisão fosse tomada com peso na consciência. Não simplesmente pelo fato de mostrar Gauri vindo cobrar o afeto e reverter a rejeição, mas principalmente por uma série de frases e diálogos que são colocados ao longo do filme, fazendo uma veemente defesa contra o aborto em qualquer hipótese.

Dói ouvir Gauri dizer à mãe que a rejeitou que no céu, além dela, há milhões de outras crianças que choram todos os dias por terem sido rejeitadas pelos pais, quando o que elas queriam era apenas um colo que as abrigasse e as preparasse para o mundo. Talvez apenas por esse fator o filme não é ainda pior.

Mas para os mais curiosos e interessados em conhecer todas as facetas de Bollywood, não deixem de vê-lo. Bollywood também é isso. E vejam o trailer abaixo, mas não se iludam!



4 comentários:

Luiz लुइज़ disse...

Nossa, sabe que o trailler até engana! Hahahaha.S e você não me contasse eu até ficaria curioso, mas confesso agora que acho que fiz bom negócio ao ter ido embora antes desse :p

Ibirá Machado disse...

hahahahahaha... mas deve ter quem goste, afinal vai passar duas vezes na mostra e The Terrorist só uma!! :(

Lígia disse...

Aaaahhhh
ainda bem q vc falou!
estava pensando em ir ver no sabado que vem. Nem vou! :P

barbarella disse...

Essa mensagem pedagógica ou moralizante do cinema indiano é, para mim, uma das suas limitações mas também um dos seus encantos. Nem sempre corre bem.