sexta-feira, 7 de maio de 2010

Comentários a respeito de The Blue Mug

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Em primeiro lugar, perdoem-me os que esperaram esta postagem já ontem, mas preciso dizer que ontem eu precisava da minha cabeça descansada e por isso não fiz postagem alguma. Aos que não estão sabendo de nada, explico: na última quarta-feira, 5 de maio, tivemos aqui em São Paulo uma apresentação única de uma peça de teatro indiana, chamada The Blue Mug, com atores que também estão presentes em alguns filmes de Bollywood e do cinema independente indiano. Foi uma oportunidade raríssima e eu fui lá conferir.

Também preciso já logo dizer o que muitos já estão sabendo e tantos outros devem estar ansiosos por saber. Nossa querida Konkona Sen Sharma, tão aguardada, não veio ao Brasil, infelizmente. No meio da turnê nos Estados Unidos uma apendicite atacou a atriz, que teve de ser operada e, consequentemente, foi proibida de viajar de avião. Cogitou-se cancelar o evento aqui em São Paulo, mas como tanto esforço já tinha sido feito pra trazê-los, tudo foi mantido e a peça foi realizada sem ela. Posteriormente eu soube que nos últimos três espetáculos nos EUA ela já não estava presente. Mas mesmo com essa ausência, os outros atores, Ranvir Shorey, Rajat Kapoor, Vinay Pathak, Sheeba Chaddha e Munish Bhardwaj, porém, conseguiram se virar no palco perfeitamente.

Pois vamos lá. Eu simplesmente adorei o espetáculo. Embora quase metade das falas tenham sido em hindi e o restante que foi em inglês tenha sido por vezes difícil de entender, foi uma experiência e tanto. O espetáculo é inteirinho composto por memórias reais dos próprios atores, contadas mais ou menos de forma improvisada. Não há um roteiro escrito, mas há uma ordem das memórias a serem contadas, e as memórias são sempre as mesmas. O que muda - e isso o diretor Atul Kumar revelou-me posteriormente - é a maneira com que os atores decidem contar suas lembranças no momento em que estão no palco.

O espetáculo é emoldurado por uma cenografia composta unicamente por luzes, cuidadosamente posicionadas e dirigidas de maneira a proporcionar efeitos cênicos únicos e tocantes. Há também uma trilha sonora muito bem selecionada que não deixou a desejar e tampouco se sobrepôs aos atores.

Ao que parece, a parte mais engraçada do espetáculo, e aparentemente o eixo da peça, era liderada por Ranvir Shorey. O problema, no entanto, é que ele falava somente em hindi. Pelo que entendi, Ranvir era o único que tinha especificamente um personagem, interpretando uma pessoa que sofre de amnésia momentânea, embora se recorde de muitas coisas de sua infância. De tempos em tempos ele aparecia sozinho no meio do palco, todo vestido de branco, e se punha a falar com o médico, que se manifestava somente pelas caixas de som (a voz era do diretor, mas quem cumpria anteriormente esse papel era a Konkona, que aparecia junto no palco). E então Ranvir falava e falava e falava, e rápido, muito rápido, e nos pouquíssimos momentos em que o "médico" falava em inglês podíamos entender que o que estava ali acontecendo era uma tentativa de mostrar que nós só somos nós mesmos porque temos memória.

E então é mais ou menos essa a ideia do espetáculo. É dizer que nós construímos nossa própria identidade a partir de nossas lembranças, e que a partir delas podemos ter um acesso universalizado a todos os outros seres humanos. E é óbvio que a capacidade dos atores permite que o espetáculo seja um sucesso por onde passe, mas, antes, ele tem a capacidade de tocar o cerne de nossas próprias personalidades, de nossas próprias identidades, únicas, mas universais.

E por fim, o nome "blue mug" (caneca azul) vem de uma das lembranças compartilhadas por Rajat Kapoor. Ele conta o caso de sua caneca azul preferida, que só nela ele tomava seu chá matinal, até o dia em que ele a perde.

Sem mais delongas, aguardem para logo uma entrevista que o diretor do espetáculo concedeu-me e, depois uma com o ator, diretor e produtor do cinema indiano, Rajat Kapoor. Ah, sim, e em seguida ao espetáculo tivemos a oportunidade de desfrutar de um coquetel ao lado dos atores e da comunidade indiana de São Paulo, que compôs basicamente 80% da plateia, ocupando metade do teatro. (ATUALIZAÇÃO: Clique aqui para ler a entrevista com Atul Kumar, diretor da peça)

E o que torcemos e queremos é que esta tenha sido somente a primeira oportunidade desse tipo no Brasil, não?

Fotos: Primeira com Vinay Pathak e segunda com  Ranvir Shorey. Créditos: Geni Macedo.
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15 comentários:

Simone disse...

Ibirá, ai inveeeeeja (cada vez mais chique, hein? Flashs, muitos fhashs! B-) )!
Fiquei triste em saber que a Konkona não veio, afinal, todos a aguardavam ansiosamente! Mas, mesmo sem a presença da Konkona, parece que a peça rendeu bons frutos para quem acompanha o Cinema Indiano, né?
Como sempre, uma postagem deliciosa que me deixou um tantinho arrependida de ter perdido a apresentação! Parabéns!
Agora aguardo ansiosamente as próximas entrevistas!

Ibirá Machado disse...

Simone, não se preocupe, faremos ocorrer mais oportunidades como essa!

Quanto aos frutos, eu diria que são mais sementes do que frutos propriamente, e temos agora o dever de cuidar muitíssimo bem dessas mudinhas que nascerem, porque elas sim nos trarão frutos muito maiores amanhã! :)

Gabriela Dória disse...

Ib's, só quero dizer uma coisa: Muito orgulho de vc, mestre!!
*.*

E lembre do que eu falei no grupo ontem... Quando tiver lá pra's bandas de Mubai-Délhi, não esquece da gente, pufavô, ok??

=** Parabéns!

Ibirá Machado disse...

Gabi, obrigado!

Pô, eu achei que você ia dizer pra não esquecer do nosso plano, mas se é pra não esquecer vocês, isso será fácil! ;)

Chris Tardelli disse...

Rajat Kapoor é o rapaz de Monsoon Wedding, queria muito ter ido, mas moro longe!

Ibirá Machado disse...

Sim! Fazia tanto tempo que eu não via Monsoon Wedding que eu nem lembrava!

Vinicius disse...

Ibirá que bom que gostou da peça! Mais porque será que foi falada em híndi em algumas partes! Horas eles não sabem que aqui nós não entendemos esse idioma maravilhoso rsrsrs

Eu adoraria ter ido também mais faze o que né! Fica pra próxima haha (quem me dera)

Como já disse lá na comu me emocionei vendo essas fotos lindas!

Parabéns Ibirá você é demais você é o Cara!

Estou ansioso para ler sua entrevista com eles!

Pedro disse...

Deve ter sido maravilhosa a peça e a Geni é uma fofa ^^

Ibirá Machado disse...

Vini, a parte em hindi eu já sabia que iria ocorrer, porque está escrito no site da peça. Por mais que seja improviso, falar em hindi em algumas partes é, pra eles e pros indianos que assistem, uma ferramenta ultra importante pro objetivo do próprio espetáculo. Acho que não tem muita solução, não...

E Vini, obrigado! :$

Pedro, foi maravilhoso e a Geni é fofa sim! :D

Lucia disse...

CARACA VELHO !!!você está chique por demais.... você é o NOSSO CARA. e vamos continuar com você sempre plantando sementes.

Ibirá Machado disse...

Lucia, muito obrigado! :)

Lívia Bernardes disse...

O melhor das fotos é o cara de feliz do Ibirá, mais feliz impossível amigo!!!!!

Ibirá Machado disse...

Hahahaha! Obrigado, Lívia! Não tinha como não estar feliz, né! :D

Kuka disse...

K legal Ibirá! K chique, um destes dias a gente vai ver-te em algum mega hit de Bollywood ;D
Vc sabe se eles têm tournée aki na Europa, mais especificamente em Portugal??? É k eu ADORO o Vinay Pathak, é um actor com A.
Fiquei mto contente c esta postagem e por saber deste projecto. :D

Ibirá Machado disse...

Kuka, e prometo não esquecer de vocês quando eu estiver ali no mega hit, ok? ;) rs

O Blue Mug fará uma série de apresentações no Reino Unido em outubro, mas não sei se irão pra algum outro país da Europa, quanto mais pra Portugal. Bom, mas se vieram pro Brasil no meio de uma turnê pelos Estados Unidos, então o que custa cruzar os dedos e torcer pra que eles também deem um pulinho pelas vossas bandas? :)