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Hoje, finalmente, vamos falar do maior sucesso de todos os tempos na história de Bollywood, Sholay, que, ajustando com a inflação, arrecadou cerca de 88 milhões de dólares. Embora o filme Ghajini (2008) tenha arrecadado mais em rúpias, no ajuste Sholay ainda não foi ultrapassado.
O último filme que ganhou uma postagem aqui no Cinema Indiano foi AAG (2007), uma releitura de Sholay que tinha pretensões de ser um mega sucesso e converteu-se no maior fracasso de bilheteria na história de Bollywood, uma interessante dialética bollywoodiana. Assistindo Sholay, porém, muita coisa fica óbvia e que justifica diretamente o fracasso de AAG.
Não que Sholay, que é de 1975, seja um bom filme - e eu não acho que seja. Ao ser lançado na Índia, ele inicialmente foi um fracasso e cogitou-se logo tirá-lo de cartaz para não dar prejuízo. No entanto, por algum fenômeno ainda um pouco inexplicado, o boca-a-boca fez com que o filme pouco a pouco tivesse cada vez mais público em suas sessões até que ficasse pouco mais de cinco anos em cartaz na sala Minerva, em Mumbai.
Bom, e vamos ao que importa. Sholay foi escrito por Javed Akhtar e Salim Khan e dirigido por Ramesh Sippy. Conta a história de uma dupla de bandidos imbatível, Veeru (Dharmendra) e Jai, que acabam sendo recrutados pelo próprio policial que os prendeu para uma missão quase impossível: capturar o terrível Gabbar Singh. No começo do filme, algumas coisas típicas do cinema indiano estragam um pouco a história completa do filme, como o policial chefe da prisão em que está presa a dupla ser semelhante a Hitler, ser todo atrapalhado, e ter indícios de que é gay. Isso seria tranquilo caso o filme fosse uma comédia e o tempo todo pudéssemos dar risada dessas piadas; mas o eixo central do filme é outro, com momentos fortes, inclusive. Mas cinema indiano é isso mesmo, geralmente uma bela mistura.
Quando disse que Sholay tem uma diferença fundamental com sua refilmagem AAG, estava dizendo em relação à construção dos personagens, que em Sholay é feita de maneira muito mais cuidadosa e delicada. Ao longo das 3h18 de filme, cada um dos personagens principais são relativamente bem construídos, trabalhados, sem exageros e excessos, (quase) sem concessões, embora, por ser Bollywood (e por ser cinema, sejamos justos), muitos absurdos aparecem. Até o vilarejo é cuidadosamente bem retratado, com os camponeses fazendo os trabalhos artesanais na vila, na coletividade. Isso simplesmente não ocorre em AAG, onde não há espaço direito aos personagens e nem aos ambientes, mas sim às ações e a um certo megalomanismo que recentemente Bollywood vem pecando em usar. E não havia dito antes, mas Jai é Amitabh Bachchan. Não disse antes porque ele simplesmente ainda não era nada do que é hoje - ainda bem! Em Sholay não há superexposição de nenhum personagem; todos aparecem ao seu tempo e cada qual tem sua função clara e na medida certa.
Ao serem recrutados à dura missão, a dupla muda-se a um pequeníssimo vilarejo rural no meio do nada, onde mora o policial Thakur que os recrutou e que agora está aposentado. Gabbar e sua gangue rondam e infernizam a região a uns tempos, hora ou outra aparecendo na vila para recolherem suas provisões periódicas. Assim que chegam, conhecem Basanti (Hema Malini), uma bela moça que trabalha com sua charrete e que Veeru logo se encanta. Ficam hospedados na casa de Thakur, onde além dele mora somente mais uma viúva. Um mistério ronda a história dessa viúva e do próprio Thakur.
Com o desenrolar dos fatos, porém, após uma grande investida da gangue de Gabbar na vila, descobrimos que Thakur havia sofrido uma seríssima vingança de Gabbar, após este conseguir escapar da prisão. Gabbar havia simplesmente matado toda a família de Thakur (menos a esposa de um de seus filhos) e, para arrematar, corta os seus braços. É por isso que a dupla havia sido recrutada. E claro, se Veeru se apaixona pela moça da charrete, Jai acaba por se encantar pela viúva misteriosa.
O resto da história eu não preciso contar. Vejam por vocês mesmos que este filme, sim, merece - mesmo que eu tenha dito que ele não é um bom filme. E Sholay tem uma moral muito clara por trás dessa história toda, que é a lealdade entre dois amigos. A dupla de bandidos, no final, revela-se não só uma dupla de pessoas de muito caráter, mas também mostra como o amor e dedicação entre os dois supera qualquer coisa. Para nós pode parecer um pouco estranho, mas na Índia é isso mesmo. Além disso, notei outra característica nesse filme, que não sei se relaciona-se com o momento histórico com que o filme foi feito ou se há algo proposital por trás, mas no vilarejo hindus e muçulmanos convivem de maneira absolutamente pacífica, tolerante e fraterna. E nem parece haver tentativa de mostrar que isso é possível, como fazem propositadamente outros filmes mais recentes, isso simplesmente aparece de maneira super natural. E sim, Dharmendra e Hema Malini dão o toque todo especial à obra.
Ah sim, e na trilha sonora ainda temos o direito e honra de ouvir a legendária Lata Mangeshkar. Numa das cenas de música, inclusive, o tema central é o Holi, como recorrentemente tem que aparecer em Bollywood. Bom, então vejam o trailer do filme a seguir e em seguida a cena do Holi, com música cantada por Lata Mangeshkar. O melhor trailer que encontrei é esse, que está com legendas em alemão. Mas o que importa são as imagens.

Hoje, finalmente, vamos falar do maior sucesso de todos os tempos na história de Bollywood, Sholay, que, ajustando com a inflação, arrecadou cerca de 88 milhões de dólares. Embora o filme Ghajini (2008) tenha arrecadado mais em rúpias, no ajuste Sholay ainda não foi ultrapassado.
O último filme que ganhou uma postagem aqui no Cinema Indiano foi AAG (2007), uma releitura de Sholay que tinha pretensões de ser um mega sucesso e converteu-se no maior fracasso de bilheteria na história de Bollywood, uma interessante dialética bollywoodiana. Assistindo Sholay, porém, muita coisa fica óbvia e que justifica diretamente o fracasso de AAG.

Bom, e vamos ao que importa. Sholay foi escrito por Javed Akhtar e Salim Khan e dirigido por Ramesh Sippy. Conta a história de uma dupla de bandidos imbatível, Veeru (Dharmendra) e Jai, que acabam sendo recrutados pelo próprio policial que os prendeu para uma missão quase impossível: capturar o terrível Gabbar Singh. No começo do filme, algumas coisas típicas do cinema indiano estragam um pouco a história completa do filme, como o policial chefe da prisão em que está presa a dupla ser semelhante a Hitler, ser todo atrapalhado, e ter indícios de que é gay. Isso seria tranquilo caso o filme fosse uma comédia e o tempo todo pudéssemos dar risada dessas piadas; mas o eixo central do filme é outro, com momentos fortes, inclusive. Mas cinema indiano é isso mesmo, geralmente uma bela mistura.



O resto da história eu não preciso contar. Vejam por vocês mesmos que este filme, sim, merece - mesmo que eu tenha dito que ele não é um bom filme. E Sholay tem uma moral muito clara por trás dessa história toda, que é a lealdade entre dois amigos. A dupla de bandidos, no final, revela-se não só uma dupla de pessoas de muito caráter, mas também mostra como o amor e dedicação entre os dois supera qualquer coisa. Para nós pode parecer um pouco estranho, mas na Índia é isso mesmo. Além disso, notei outra característica nesse filme, que não sei se relaciona-se com o momento histórico com que o filme foi feito ou se há algo proposital por trás, mas no vilarejo hindus e muçulmanos convivem de maneira absolutamente pacífica, tolerante e fraterna. E nem parece haver tentativa de mostrar que isso é possível, como fazem propositadamente outros filmes mais recentes, isso simplesmente aparece de maneira super natural. E sim, Dharmendra e Hema Malini dão o toque todo especial à obra.
Ah sim, e na trilha sonora ainda temos o direito e honra de ouvir a legendária Lata Mangeshkar. Numa das cenas de música, inclusive, o tema central é o Holi, como recorrentemente tem que aparecer em Bollywood. Bom, então vejam o trailer do filme a seguir e em seguida a cena do Holi, com música cantada por Lata Mangeshkar. O melhor trailer que encontrei é esse, que está com legendas em alemão. Mas o que importa são as imagens.