sábado, 9 de maio de 2009

Sholay (1975) - शोले

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Hoje, finalmente, vamos falar do maior sucesso de todos os tempos na história de Bollywood, Sholay, que, ajustando com a inflação, arrecadou cerca de 88 milhões de dólares. Embora o filme Ghajini (2008) tenha arrecadado mais em rúpias, no ajuste Sholay ainda não foi ultrapassado.

O último filme que ganhou uma postagem aqui no Cinema Indiano foi AAG (2007), uma releitura de Sholay que tinha pretensões de ser um mega sucesso e converteu-se no maior fracasso de bilheteria na história de Bollywood, uma interessante dialética bollywoodiana. Assistindo Sholay, porém, muita coisa fica óbvia e que justifica diretamente o fracasso de AAG.

Não que Sholay, que é de 1975, seja um bom filme - e eu não acho que seja. Ao ser lançado na Índia, ele inicialmente foi um fracasso e cogitou-se logo tirá-lo de cartaz para não dar prejuízo. No entanto, por algum fenômeno ainda um pouco inexplicado, o boca-a-boca fez com que o filme pouco a pouco tivesse cada vez mais público em suas sessões até que ficasse pouco mais de cinco anos em cartaz na sala Minerva, em Mumbai.

Bom, e vamos ao que importa. Sholay foi escrito por Javed Akhtar e Salim Khan e dirigido por Ramesh Sippy. Conta a história de uma dupla de bandidos imbatível, Veeru (Dharmendra) e Jai, que acabam sendo recrutados pelo próprio policial que os prendeu para uma missão quase impossível: capturar o terrível Gabbar Singh. No começo do filme, algumas coisas típicas do cinema indiano estragam um pouco a história completa do filme, como o policial chefe da prisão em que está presa a dupla ser semelhante a Hitler, ser todo atrapalhado, e ter indícios de que é gay. Isso seria tranquilo caso o filme fosse uma comédia e o tempo todo pudéssemos dar risada dessas piadas; mas o eixo central do filme é outro, com momentos fortes, inclusive. Mas cinema indiano é isso mesmo, geralmente uma bela mistura.

Quando disse que Sholay tem uma diferença fundamental com sua refilmagem AAG, estava dizendo em relação à construção dos personagens, que em Sholay é feita de maneira muito mais cuidadosa e delicada. Ao longo das 3h18 de filme, cada um dos personagens principais são relativamente bem construídos, trabalhados, sem exageros e excessos, (quase) sem concessões, embora, por ser Bollywood (e por ser cinema, sejamos justos), muitos absurdos aparecem. Até o vilarejo é cuidadosamente bem retratado, com os camponeses fazendo os trabalhos artesanais na vila, na coletividade. Isso simplesmente não ocorre em AAG, onde não há espaço direito aos personagens e nem aos ambientes, mas sim às ações e a um certo megalomanismo que recentemente Bollywood vem pecando em usar. E não havia dito antes, mas Jai é Amitabh Bachchan. Não disse antes porque ele simplesmente ainda não era nada do que é hoje - ainda bem! Em Sholay não há superexposição de nenhum personagem; todos aparecem ao seu tempo e cada qual tem sua função clara e na medida certa.

Ao serem recrutados à dura missão, a dupla muda-se a um pequeníssimo vilarejo rural no meio do nada, onde mora o policial Thakur que os recrutou e que agora está aposentado. Gabbar e sua gangue rondam e infernizam a região a uns tempos, hora ou outra aparecendo na vila para recolherem suas provisões periódicas. Assim que chegam, conhecem Basanti (Hema Malini), uma bela moça que trabalha com sua charrete e que Veeru logo se encanta. Ficam hospedados na casa de Thakur, onde além dele mora somente mais uma viúva. Um mistério ronda a história dessa viúva e do próprio Thakur.

Com o desenrolar dos fatos, porém, após uma grande investida da gangue de Gabbar na vila, descobrimos que Thakur havia sofrido uma seríssima vingança de Gabbar, após este conseguir escapar da prisão. Gabbar havia simplesmente matado toda a família de Thakur (menos a esposa de um de seus filhos) e, para arrematar, corta os seus braços. É por isso que a dupla havia sido recrutada. E claro, se Veeru se apaixona pela moça da charrete, Jai acaba por se encantar pela viúva misteriosa.

O resto da história eu não preciso contar. Vejam por vocês mesmos que este filme, sim, merece - mesmo que eu tenha dito que ele não é um bom filme. E Sholay tem uma moral muito clara por trás dessa história toda, que é a lealdade entre dois amigos. A dupla de bandidos, no final, revela-se não só uma dupla de pessoas de muito caráter, mas também mostra como o amor e dedicação entre os dois supera qualquer coisa. Para nós pode parecer um pouco estranho, mas na Índia é isso mesmo. Além disso, notei outra característica nesse filme, que não sei se relaciona-se com o momento histórico com que o filme foi feito ou se há algo proposital por trás, mas no vilarejo hindus e muçulmanos convivem de maneira absolutamente pacífica, tolerante e fraterna. E nem parece haver tentativa de mostrar que isso é possível, como fazem propositadamente outros filmes mais recentes, isso simplesmente aparece de maneira super natural. E sim, Dharmendra e Hema Malini dão o toque todo especial à obra.

Ah sim, e na trilha sonora ainda temos o direito e honra de ouvir a legendária Lata Mangeshkar. Numa das cenas de música, inclusive, o tema central é o Holi, como recorrentemente tem que aparecer em Bollywood. Bom, então vejam o trailer do filme a seguir e em seguida a cena do Holi, com música cantada por Lata Mangeshkar. O melhor trailer que encontrei é esse, que está com legendas em alemão. Mas o que importa são as imagens.





Polegar Opositor

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Hoje, sem querer, descobri que nosso Cinema Indiano ganhou um prêmio não avisado duas semanas atrás, no dia 24 de abril. Por sorte descobri e agora posso compartilhar com vocês.

Trata-se do Prêmio Lemniscata, criado em Portugal para, segundo o criador, "pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos leitores". No fundo, sabemos que grande parte dos prêmios da blogosfera servem mesmo pra isso.

Quem me transferiu o prêmio foi o Diom, de Pelotas, Rio Grande do Sul, com seu blog Entre o Sagrado e o Profano. Diom, muito obrigado!!!

Agora, como em outras vezes, esbarro-me em um problema técnico-logístico-operacional que pode, eventualmente, barrar meu merecimento de receber tal premiação. Diz que para que este prêmio legitime-se, devo seguir as seguintes regras:

1. Responder à pergunta: "O que significa para si ser um Homo sapiens?";
2. Repassar o selo para outros 7 blogs merecedores.

Bom, a primeira parte é (quase) fácil e (acho que) respondo: para mim, ser Homo sapiens é ter um telencéfalo altamente desenvolvido e um polegar opositor (e viva a Ilha das Flores). O resto vem por consequência.

A segunda parte é que me complico, pois embora eu seja blogueiro e tal, não faz muito parte da minha rotina acompanhar tantos blogs assim; e 7 blogs é muito! Minha listinha ficaria da seguinte maneira:

Indi(a)gestão
Grand Masala
Poplex
EmFormol
Goriji

quinta-feira, 7 de maio de 2009

X Box 360

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É bizarro como um comercial de um minuto pode falar tanto sobre a cultura de um país. Mais bizarro ainda é isso ser possível em um comercial de video game. E não é que procurando sobre alguma propaganda indiana bacana pra postar hoje eu encontrei justamente isso!

Trata-se da propaganda feita para o lançamento do console de video game X Box 360 na Índia, se não me engano no ano de 2006. No comercial de um minuto estrelam o ator bollywoodiano Akshay Kumar e o jogador de críquete Yuvraj Singh - pois junto do console estava sendo lançado um jogo feito especialmente para a Índia, de críquete, claro. O comercial é meio tosco, mas no fim das contas ele se revela bem interessante.

Mas antes deixe-me falar sobre a foto acima, que não faz parte deste comercial em questão. Esta foto eu encontrei perdida por aí na net e mostra uma mulher indiana comum, pobre, pensando no preço do X Box 360 na Índia, algo perto de mil reais, o que para eles é extremamente caro. Talvez isso justifique o fato de este console ter sido um fiasco de vendas na Índia.

Bom, e no comercial os amigos desembarcam numa zona rural, com suas roupas ocidentais e mochilas nas costas, mas coisas muito estranhas começam a acontecer. Mas o que mais me chamou a atenção foi como eles mostraram tantas coisas que são tão a Índia rural em tão pouco tempo. Pra começar, eles estão viajando num típico meio de transporte indiano: um carrão comum onde várias pessoas indo pra destinos mais ou menos semelhantes se enfiam até onde couber e não couber (eu viajei lá assim umas três vezes - é bizarro!). Em seguida uma mulher vai pegar água no poço e aqui temos duas características: nas zonas rurais a água vem predominantemente de poços instalados desde os tempos do não-tempo; e é sempre a mulher que cumpre essa função. Depois tem a colheita, exclusivamente manual, feita tanto por homens quanto por mulheres, embora fique claro a divisão do trabalho nessa questão. Depois da colheita, vemos as mulheres no pilão, incluindo uma senhora idosa. Depois vem o velho, que de fato nessa idade não faz mais nada, enquanto sua esposa fica no pilão ou no que for; ele está simplesmente pulando numa típica cama de couro que fica ao ar livre, fora da casa. Em seguida, vemos uma mulher jovem dentro de casa fazendo o que? A comida, mais especificamente o chapati, pão indiano indispensável na alimentação. Ela joga o chapati para seu marido que, com toda a delicadeza, pergunta para ela onde está o ghee (manteiga indiana que se costuma colocar sobre o chapati; se não me engano é isso que ele fala).

Ok, até aí onde isso tem a ver com o X Box? Em princípio nada, mas a maneira com que tudo isso acontece justifica o esforço, conforme vocês verão por si mesmos. Mas antes preciso dizer que o comercial foi feito por Ram Madhwani, da Equinox Films, que dirigiu o comercial da Happydent White, que já falamos aqui. Mas por incrível que pareça - e eu não tinha descoberto isso antes - Madhwani também tem a ver de novo com nosso querido filme Taare Zameen Par. Consta que Aamir Khan, antes de decidir ele mesmo dirigir o filme, havia feito o convite a apenas uma pessoa: o próprio Ram Madhwani, que é seu amigo. No fim das contas Madhwani acabou por dirigir o angustiante clipe da música Bheja Kum que aparece no meio do filme, além de ser uma das vozes do playback.

É isso! Agora vejam o comercial:



quarta-feira, 6 de maio de 2009

Diário de Bollywood

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Está sendo lançado aqui no Brasil o livro Diário de Bollywood, de Franthiesco Ballerini. Ainda não peguei os livros em minhas mãos pra dar meu parecer, mas acho que é uma dica válida pra todos que já chegaram até mim procurando mais dados para seus trabalhos acadêmicos sobre o tema. A seguir vai uma reportagem que saiu hoje na internet sobre o livro.

Apenas gostaria de fazer uma ressalva para um fato que invariavelmente se repete por todos os lados, mas que acaba por omitir uma faceta muito importante da realidade do cinema indiano. Quando se fala de indústria de cinema indiano, sempre a nomeiam por Bollywood, quando a verdade é que Bollywood é apenas a maior das indústrias de cinema da Índia, mas não a única e exclusiva. No interior do próprio Maharashtra, por exemplo, em cuja capital Bollywood está sediado, há pequenas cidades que não têm filmes desta indústria em cartaz, mas sim da indústria marathi de cinema, como forma explícita de resistência aos filmes hindi de Bollywood.

Livro desvenda curiosidades e segredos da Bollywood
do jornaldevinhedo.com.br, 6 de abril

Anualmente são produzidos mil filmes e vendidos mais de três bilhões de ingressos, para salas em que chegam a caber até três mil pessoas. Não, os números não são do cinema americano. A maior produtora de filmes do planeta é a Índia. Conhecida mundialmente como Bollywood, a indústria cinematográfica indiana tem produzido quase o triplo de filmes em comparação com Hollywood. A demanda é tão grande que os produtores aproveitam o mesmo set de filmagem para gravar dois filmes ao mesmo tempo.

Diante da riqueza dos dados, é inevitável perguntar: como o cinema pôde se transformar em indústria num país em desenvolvimento, cheio de carências? O jornalista Franthiesco Ballerini responde a questão no livro Diário de Bollywood (128 p., R$ 34,60), lançamento da Summus Editorial. A obra traz uma análise aprofundada das principais características do exótico cinema indiano, destacando pontos fortes e fracos, além de fatos curiosos. O autor apresenta uma ampla reflexão sobre o modo de produção, o estilo de atuação e a influência da TV e da pirataria nos novos rumos do cinema. Também traça um paralelo inédito entre o cinema indiano e as produções de Hollywood e da América Latina.

Fruto de uma reportagem especial com visitas a estúdios, sets de filmagem, escolas e casas de diretores em Mumbai, na Índia, o livro mostra entrevistas exclusivas e fotografias que explicam como funciona o esquema de produção no país. Os ingredientes dos filmes são basicamente os mesmos: tramas românticas, roupas coloridas, cenários opulentos e muita, muita música e dança. Atores e atrizes possuem status de "deuses”. O fanatismo é tão exacerbado que os indianos constroem templos para venerar seus ídolos.

A paixão do indiano pela sétima arte vem de muitos anos. "O cinema era a única forma de entretenimento, já que a TV tinha apenas um canal até 1990 e o país ainda não faz parte do circuito de shows e peças que circulam pelo mundo”, explica Ballerini. Segundo ele, além de famosos pelas sequencias belíssimas de dança e música, os filmes são visualmente bonitos pelo trabalho de pós-produção (fotografia, edição de som etc.). "A temática, contudo, não agrada muito o mundo ocidental, por ser muito repetitiva, sempre com conotação emotiva, envolvendo mocinhos e mocinhas”, diz.

Apesar de o modo indiano de fazer cinema ser pouco apreciado pelo Ocidente, Ballerini acredita que ele pode ensinar muito aos brasileiros: "São informações fundamentais para nossa eterna tentativa de transformar a produção nacional em indústria autossustentável”. Para o autor, o cinema latino pode aprender muito sobre o funcionamento da indústria cinematográfica em um país em desenvolvimento, assim como a respeito da valorização de temas e produtos ligados à própria identidade cultural. "Por outro lado, também poderíamos ensinar a eles a liberdade de expressão, ou seja, como abordar qualquer assunto nas telas sem medo de censura, bem como a capacidade que temos de criar roteiros muito mais criativos e diversos”, diz.


Os indianos, no entanto, não se preocupam com a avaliação estrangeira de seus filmes. Eles têm orgulho de fazerem parte de um grupo seleto de países que pode exibir uma indústria de cinema autossutentável. "É muito comum que se ouçam em países da América Latina, por exemplo, comentários sobre os clichês, a pobreza temática e até brincadeiras pejorativas envolvendo o nome Bollywood, dando conta de que não se pode, em tese, levar a sério uma indústria cujo nome é uma cópia adaptada de outra indústria. Mas nem os profissionais de Hollywood [...] pensam mais dessa maneira. A prova disso é que eles estão investindo fortemente em coproduções Estados Unidos-Índia, instalando escritórios em Mumbai e levando grande quantidade de roteiristas, diretores e produtores para explorar o local e trabalhar in loco”, esclarece Ballerini.


A grande premiação do filme Quem quer ser um milionário? – dirigido pelo britânico Danny Boyle, rodado na Índia e coproduzido por uma equipe indiana – no Oscar 2009 mostra que o mundo ocidental está aberto e interessado em novos olhares, de culturas distantes e ainda exóticas. "O filme tem pouco de bollywoodiano, exceto a música e a dança no fim. Mas, enquanto estava na Índia, notei a quantidade enorme de executivos ocidentais fazendo contatos com a indústria indiana, na tentativa de abocanhar um mercado que vende três bilhões de ingressos por ano e do qual Hollywood só conseguiu ter pouco mais de 8% do market share até hoje”, conclui.
Franthiesco Ballerini, jornalista, trabalhou como crítico de cinema do Jornal da Tarde por sete anos e foi colaborador de O Estado de S. Paulo com reportagens especiais e entrevistas de grandes estreias de Hollywood em Los Angeles. Mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista, é pós-graduado em história do cinema mundial e colaborou para revistas como Bravo!, Contigo!, Quem e Sci-fi News, tendo sido colunista cultural da Rádio Eldorado. Atualmente, é crítico de cinema do jornal Valeparaibano e professor da Academia Internacional de Cinema de São Paulo. Tem participado de palestras e debates em diversas capitais do país por conta da repercussão da reportagem especial na Índia.

Título: Diário de Bollywood – Curiosidades e segredos da maior indústria de cinema do mundo
Autor: Franthiesco Ballerini
Editora: Summus Editorial
Preço: R$ 34,60
Páginas: 128
ISBN: 978-85-323-0537-4
Atendimento ao Consumidor: 11-3865-9890
Site: www.summus.com.br

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Edinburgh International Film Festival

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Todos os anos, um super festival de cinema ocorre em Edimburgo, a capital da Escócia, no Reino Unido, mas esse ano eles decidiram por uma intervenção um pouco diferente - e caricata, eu diria. Esse ano o festival contará com algumas exibições de filmes bengaleses e a organização teve a ideia de transformar a catedral de São João, no centro de Edimburgo, em um pedaço da Índia bengalesa, com direito a figueiras banyan, sons da selva e incensos. Ah sim, e terá também uma tela de cinema ali dentro.

Antes que eu deixe aqui pra vocês a tradução da reportagem que encontrei falando sobre isso, aqui vão algumas informações importantes para quem, por ventura, pensar em aventurar-se em terras escocesas à época do festival:

Quando? - 17 a 28 de junho
Quanto? - Entre 8 de maio e 17 de junho, é possível comprar 4 ingressos por 24 libras (cerca de 77 reais), adicionando 6 libras (19 reais) para cada novo ingresso. Durante o festival, porém, não haverá essa promoção e os ingressos serão mais caros.

Mais informações no site oficial do festival.

É um pouco caro para nossos padrões brasileiros, mas se alguém já tiver feito o esforço de ir à Escócia, por que não aproveitar? E claro, a dica vale para os portugueses também, que obviamente estão muito mais perto de lá do que nós. É só vestir a saia kilt e divertir-se no festival!

Banyans e sons de macacos trazem o cinema bengalês à vida
por Tim Cornwell, da news.scotman.com, 30 de abril

Uma igreja no coração de Edimburgo será transformada num cinema bengalês com figueiras da Índia, sons de macaco e aromas da Índia no Festival Internacional de Cinema de Edimburgo desse ano. Mark Cousins, diretor e crítico de cinema, criou uma mistura com o excêntrico Cinema dos Sonhos no Festival de Cinema de Nairn que ele criou com a atriz Tilda Swinton ano passado.

Dessa vez ele mostrará três dias de filmes indianos em seu Cinema Paraíso na convertida Catedral de São João, na Princes Street. "Quando as pessoas passarem em frente, espero que eles dêem um pulo da Escócia ao West Bengal", disse Cousins.

A atriz indiana Sharmila Tagore, que estrelou filmes de mestres bengaleses como Satyajit Ray, será uma das convidadas para o evento.

Alguns cartazes serão pintados à mão, evocando os famosos pôsteres de cinema indiano. Haverá sons da selva e odores da Índia estarão no ar deixados por incensos e queimadores de óleos essenciais.

A índia produz 800 filmes por ano e não é tudo que vem de Bollywood. "O cinema bengalês é o mais artístico e criativo da Índia, mas ele não é conhecido."

A Sala Paraíso, com 130 lugares, mostrará filmes de Ray, Ritwik Ghatak e Tapan Sinha

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Turbulências no Cinema Malayalam

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Encontrei na net dois artigos que falam sobre os maus bocados por que passa a indústria de cinema malayalam, do Kerala, um dos quatro estados sulinos da Índia. A situação é tão grave que um dos artigos tem como tema a séria decisão que os maiores produtores malayalam estão pensando em tomar, de mudar seus escritórios pra Chennai, no estado vizinho de Tamil Nadu, onde o cinema, ao contrário, fortemente prospera com Kollywood. O outro artigo (o primeiro que aparece na ordem abaixo), fala justamente do desagravo dos trabalhadores do cinema do Kerala em relação aos produtores. Vale dizer que o Kerala é um estado com forte base socialista na política e na população, o que os fazem por um lado terem uma taxa de 100% de alfabetização (a maior da Índia), mas por outro lado um dos maiores índices de greves da Índia.

Bom, agora confiram os artigos já traduzidos:

A indústria de filmes malayalam passa por maus momentos
por Akhel Mathew, da Gulfnews.com (30 de abril)

Thiruvananthapuram: A indústria de filmes malayalam, que anda em crises financeiras nos últimos anos, vem enfrentando crescentes brigas entre diversos setores dos trabalhadores dessa indústria.

O último grupo que levantou os braços foi o Malayalam Cinema Technicians' Association Federation (MACTA), que é afiliada à All India Trade Union Congress (AITUC). A Macta ameaça entrar em greve no meio de maio pra protestar contra um suposto não cumprimento das leis trabalhistas no setor de cinema do Kerala.

O presidente da Macta, Vinayan, e o secretário geral da AITUC, Kanam Rajendran, disseram que as demandas ainda incluem pedidos de aumentos salariais para os técnicos. Eles afirmam que a Associação dos Produtores de Filmes e a Câmara de Filmes do Kerala estão indo contra as necessidades laboriais de seus funcionários.

Uma rodada de conversas que havia sido marcada pra quarta-feira com a presença do Comissariado do Trabalho acabou não ocorrendo efetivamente já que os representantes da associação dos produtores não compareceram. Os representantes da Macta estão agora planejando dar um indicativo de greve à associação dos produtores e fazer uma convenção em Kochi, no dia 9 de maio, antes de decidirem realmente pela greve geral no meio do mês. A ideia da convenção em Kochi é ressaltar as necessidades de proteger os direitos dos trabalhadores do cinema, disseram os representantes da Macta.

A indústria de cinema malayalam vem enfrentando sérios problemas desde o ano passado, quando a Macta rompeu e um novo grupo surgiu, chamado Film Employees Federation of Kerala. Mas isso, por sua vez, já ocorreu por causa dos problemas financeiros que já estavam na pauta do dia.
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Maiores produtores malayalam planejam mudar suas bases para o Chennai
por N.J. Nair, do The Hindu (24 de abril)

Thiruvananthapuram: Os maiores produtores da indústria de filmes malayalam estão seriamente pensando na possibilidade de mudarem suas operações para Chennai, por causa dos descontentamentos dos trabalhadores e das brigas entre as associações do Kerala.

Os distúrbios frequentes, brigas entre diferentes setores e o banimento imposto unilateralmente a alguns artistas está ameaçando gravemente o balanço financeiro do cinema malayalam, que tem um retorno anual de cerca de 3 bilhões de rúpias (cerca de 150 milhões de reais) e emprega cerca de 100 mil pessoas.

A produção de um filme custa algo em torno de 1,5 a 2 milhões de reais. Enquanto a indústria emprega 50 mil pessoas diretamente, outras 50 mil são indiretamente empregadas, se não for mais. De 60 a 70 filmes feitos no Kerala incentivaram a hospitalidade do povo malayalam, além de dar incremento a outros setores. Fontes do cinema malayalam disseram ao The Hindu que os benefícios oferecidos pelo governo local, aliados à vontade de produtores, atores e técnicos de produzirem em sua terra natal havia feito o cinema malayalam ser produzido no Kerala [nota do Ibirá: essa história de indústrias regionais produzirem em outros estados já não é de hoje, principalmente em relação à indústria malayalam, que outrora já produziu em Chennai].

Forte Ruptura

Mas as grandes diferenças de opinião entre as tantas organizações e os percalços por eles impostos às filmagens vêm fazendo os produtores pensarem bem a respeito da possibilidade de retornarem a Chennai mais uma vez. O encolhimento do mercado e a crise econômica já estava fazendo eles cogitarem esta possibilidade. A produção de filmes no Kerala caiu de 150 pra 60 por ano e os retornos das bilheterias têm caído na mesma proporção.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Selo Blog Amigo

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A professora Sandra Bose, dos blogues Indi(a)gestão e Respeito à Natureza, agraciou o nosso Cinema Indiano com o simpático Selo Blog Amigo, mais um pra nossa singela coleção.

Não que eu tenha o dever de passá-lo adiante, mas acho que na blogosfera essas coisas fazem parte. Então decidi escolher apenas um blog pra presentear, que considero também super eficiente na divulgação do cinema indiano pra comunidade lusófona de nosso mundo: o Grand Masala. Colegas portugueses grand-masalentos, sintam-se agraciados!
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terça-feira, 28 de abril de 2009

"City Lights" - Happydent White

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No ano de 2007, um comercial indiano do Happydent White, chamado City Lights, levou o Leão de Prata no Festival de Cannes que premia as melhores peças publicitárias do mundo. Levada ao ar na Índia em julho de 2006, o comercial que vocês verão a seguir foi realizado pela agência de publicidade McCann Erickson Índia, criada por Prasoon Joshi e dirigida por Ram Madhwani, ambos da Equinox Films.

Prasoon Joshi já é muito conhecido pelos indianos e é chamado de "Guru das Propagandas". trabalhando na área da publicidade, Joshi originalmente começou fazendo suas propagandas (como faz até hoje), mas pouco a pouco entrou no mundo de Bollywood, como roteirista e escritor de músicas. E foi como escritor de músicas que ficou famoso em Bollywood; em 2005, levou o prêmio da Star Screen Award pra melhor letra de música, por "Sason ko Sason", do filme Hum Tum. Em 2007, foi a vez do Filmfare Awards dar o prêmio de melhor letra pra "Chand Sifarish", do filme Fanaa. E finalmente, em 2008, Joshi levou o mesmo prêmio do Filmfare Awards, dessa vez para a música "Maa", do filme Taare Zameen Par.

Finalmente, confiram o comercial:



O comercial conta com 20 atores-acrobatas, que realmente estavam pendurados nos postes e lustres. Do total, 12 deles vieram do Kerala e o restante de Mumbai, perto de onde o comercial foi gravado. A letra da música, "Tera Dil Roshan, Tera Mann Roshan", foi escrita por Prasoon Joshi e cantada por Kailash Kher, Pranav Biswas, Shantanu Moitra e o próprio Prasoon Joshi.

Dois anos antes, porém, um outro comercial indiano, Smile, do chiclete Happydent White chegou às finalistas no mesmo Festival de Cannes. Feito também pela McCann Erickson, mas produzido dessa vez pela Magic Black Motion Pictures, essa propaganda é relativamente mais simples e foi dirigida por Abhijit Chaudhuri. Eles acabaram não sendo premiados, mas o comercial é também bem engraçado. Confiram:

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