- Queridos leitores do Cinema Indiano, para quem ainda não sabe, hoje é celebrado o Diwali, o Festival das Luzes da Índia, que é considerado o maior festival de todo o país, provavelmente maior até que o Holi, celebrado no primeiro semestre.
Embora de origem hindu, o festival das luzes é comemorado por praticamente toda a população indiana, inclusive por muitos muçulmanos. A grosso modo, simboliza a vitória da luz sobre as trevas.
E pra celebrar a ocasião, trouxe para vocês a múscia Aayi Diwali Aayi, do filme Khazanchi, de 1958. Quem canta é a célebre Asha Bhosle.
Eu poderia até mostrar alguma música de algum filme mais recente, mas como (quase) nunca falo de filmes antigos, e como esse clipe é bem bonitinho, decidi compartilhá-lho. E confesso que isso é um pouco de contaminação que sofri de tanto ver postagens sobre os clássicos indianos no simpaticíssimo blog Grand Masala, que vocês não podem deixar de conferir.
- Hoje, 15 de outubro, é Dia dos Professores aqui no Brasil. Muitas escolas fecharam hoje, em merecido respeito aos imprescindíveis mestres que nos ensinaram e ensinam sobre o mundo. Alguns conseguem ter a façanha de fazermos odiar certas disciplinas, ou certos assuntos, mas por vezes estes mesmos são responsáveis pela paixão de alguns outros por determinados temas. Nossas demandas e nossas resistências fazem com que nossos mestres sejam também esforçados aprendizes, com suas inerentes dificuldades e facilidades, num dos movimentos dialéticos mais lindos que podem existir em nossas vidas.
Estou escrevendo este texto um pouco tarde, pois certamente a maior parte de vocês já estará lendo isto quando o sol ilumina o dia seguinte , mas ainda assim deixo aqui o meu profundo respeito e admiração pelos professores - de todas as categorias -, em reconhecimento pelos seus esforços e pela missão que todos têm a cumprir. E das mais dignas, que bem se diga.
E sim, nosso blog é sobre cinema indiano. Pois bem. Na Índia, o dia dos professores é comemorado no dia 5 de setembro, ou seja, ficou 40 dias para trás. Naquela ocasião, foi publicado um texto na glamsham.com falando a respeito de alguns filmes de Bollywood que abordaram a temática dos professores ao longo da história. Como eu fui ter acesso a esse artigo há pouco tempo, achei por bem deixar para pulicá-lo hoje (ainda que nos últimos minutos do dia), em homenagem aos nossos professores.
Um dos fatos mais subestimados que existem é de que a indústria de filmes é uma indústria que inevitavelmente desenvolve-se a partir da relação entre mestre e discípulo. O mais sincero e direto reconhecimento dessa relação veio de Raj Kapoor, que disse que ele não estaria onde está, não fosse o efeito que teve nele a obra de Kidar Sharma. Da mesma maneira, para Rishi Kapoor, foi Raj Kapoor quem lhe ensinou as mais sutis possibilidades da arte de se fazer cinema, fazendo-o entender como caminhar no labirinto do mundo do cinema.
O papel básico de um professor é o de ensinar, e a partir dessa perspectiva podemos encontrar uma série de fatos que comprovam que o cinema não está de fora dos exemplos dessa relação entre mestre e discípulo.
Quando o tema da relação entre professor e aluno aparece nas telas, o Big B é um dos que mais fizeram este tipo de papel no cinema. Ao fazer tais papéis, porém, ele deve dedicá-los a um ilustríssimo professor que ele teve ainda dentro de casa, certamente sua inspiração - Harivansh Rai Bachchan [seu pai]. O primeiro personagem como professor apareceu em Chupke Chupke (1975), no qual era um professor de inglês e que conquistou grande respeito. A mesma consideração repetiu-se em Kasme Vaade (1978), que embora ele tenha tipo uma pequena participação, sua atuação como professor foi feita com tanta dedicação que até hoje não foi superada totalmente. Na geração seguinte, quando vestiu de novo as roupas de professor em Mahabbatein (2000), ele mostrou como um professor transforma-se a partir das próprias experiências. Mohabbatein é sem dúvidas um tributo à profissão de ensinar e um exemplo de como duas gerações de professores - e suas respectivas visões de mundo - podem entrar em conflito; o professor mais novo é nada mais que Shahrukh Khan.
Outra característica do professor que tem sido experimentada com frequência nos filmes é a de preparar o aluno a enfrentar o mundo e lutar contra as injustiças. Essa questão foi também interpretada por Amitabh Bachchan algumas vezes, mas sua geração seguinte trouxe isso com mais força. Ajay Devgan, Sanjay Dutt e Salman Khan, além de Aamir Khan, seguiram com essa tradição.
Em relação ao papel de um professor na formação e crescimento de uma criança, nada bate os filmes Kitaab (1977), de Gulzar, e Taare Zameen Par (2007), de Aamir Khan. A diferença entre esses dois filmes está no fato de que em Kitaab a preocupação está em trazer a questão da importância da escola em si, e em Taare Zameen Par é escolhido um tema em específico para enfatizar essa questão.
Um fato bem irônico disso tudo é que embora o cinema hindi tenha justamente o hindi como sua língua, os professores de hindi são sempre os mais ridicularizados, filme após filme. Provavelmente isso deve-se ao fato de uma certa aversão que existe de se falar o hindi corretamente, e assim tal professor acaba sendo caricaturado. Asrani, Jagdeep etc., representaram esse tipo de professor.
O cinema hindi também não deu a importância devida às professoras. Quando apareciam, elas estavam mais ligadas à sexualidade do que ao papel de professora em si. Ela foi mais representada como um produto efetivamente do que em sua sensibilidade, e a última manifestação disso foi em Main Hoon Na (2004); no passado, foi em Mera Naam Joker (1970).
Independentemente do que virá, o que é certo é que o cinema hindi não sorevive sem os professores. E esse é um momento oportuno pra reolharmos de que maneira os professores vêm sendo representado ao longo dos tempos.
[adendo do Ibirá: embora eu tenha achado esse artigo interessante, senti falta de outros notórios professores do cinema indiano, como o professor Debraj Sahai, do lindo filme Black(2005), interpretado pelo próprio Amitabh Bachchan, ou do treinador de Chak De! India (2007), interpretado por Shahrukh Khan. Ambos os filmes são ótimos e foram muito premiados e, na minha opinião, deveriam ter sido mencionados. As duas primeiras fotos desta postagem, portanto, referem-se a eles.]
- Lá pelos idos do mês de abril, quando o Cinema Indiano fundava oficialmente sua vertente dos comerciais indianos, exibimos a bem bolada propaganda da Caneta Camlin, que abordava questões intrínsecas às tradições indianas.
Desta vez, descobri uma série de três curtos comerciais sobre canetas para lousa branca da mesma marca Camlin. Não consegui em nenhum canto encontrar que agência foi responsável por tais propagandas, assim como não sei ao certo de quando são. O que posso dizer é que, no mínimo, estes comerciais foram feitos em 2006, senão antes. Isso porque dois deles datam deste ano quando foram colocados no YouTube.
Bom, e vamos a eles. Todos os três se passam numa sala de reuniões de alguma companhia, com um senhor (possivelmente o chefe, ou algo em nível próximo) explicando aos funcionários o que precisa ser feito na empresa - e para isso utiliza a lousa e uma caneta Camlin. O primeiro chama-se Repositioning (Reposicionamento), no qual o tal senhor diz o seguinte:
- Na verdade, o que essa organização realmente precisa é reposicionamento. Isso significa que...
E então eis que ocorre o que vocês verão a seguir:
O segundo comercial chama-se One-on-One Approach (algo como "Atenção individualizada", mas que pode ser interpretado literalmente como "aproximação um a um"). Aquele mesmo senhor diz:
- O que essa organização precisa é de uma atenção individualizada...
E daí, quando ele se volta aos funcionários, vê o seguinte:
E finalmente, o terceiro da série chama-se Change (Mudança, mas que também pode ser "troco" - de dinheiro -, por exemplo). O senhor, de volta, inicia dizendo que:
- O que a organização precisa desesperadamente é de mudança...
Mas ele vira-se e...
E no fim das contas, o que importa é que a caneta é facilmente apagável da lousa branca. E aí está mais um bom exemplo da criatividade indiana, com qualidade, humor simples e sem deixar de lado as boas sacadas.
Ah, e antes que me esqueça (mas já tarde), feliz Dia das Crianças e feliz Dia de Nossa Senhora Aparecida a todos! :)
-
Há pouco mais de um mês, a Yahoo Movies, em sua página dedicada a Bollywood, publicou uma simpática reportagem sobre alguns dos astros indianos que já nasceram em célebres berços e, tal qual seus pais, seguiram brilhando. Chama-se Born Like Stars.
Nem todos foram abordados, mas os que aqui estão formam um bom apanhado. Fiz uma tradução livre dos textos, originalmente em inglês. Além disso, compilei mais fotos do que as que estavam na reportagem. Por fim, decidi incluir Saif Ali Khan ao lado do tópico de sua irmã, Soha Ali Khan. Achei estranho falarem dela e deixarem ele totalmente de lado. E achei engraçado a reportagem ter deixado no final alguém que, na verdade, não é filha de uma personalidade do cinema. É famosa, e seu pai é mais ainda, mas não são do cinema.
Bom, aí vai:
Essas pequenas estrelas são seguras, bonitas e talentosas, mas ainda assim deve ser difícil brilharem por conta própria, com as críticas sempre fazendo comparações entre eles e seus pais. Vejam esses filhos de estrelas que deram a volta por cima e provaram eles mesmos serem capazes.
Shruti Hassan: Shruti Hassan, filha dos atores Kamal Hassan e Sarika, apareceu pela primeira vez na telona no filme Luck. Ela é tão talentosa quanto seus pais, se não mais. Alguns dizem que ela é a cara da mãe, Sarika. Nós temos certeza que ela é muito grata por seus genes e definitivamente orgulhosa também.
Ranbir Kapoor: Você nunca verá tudo o que tem para oferecer esse jovem destruidor de corações. Ranbir é filho dos talentosos Neetu e Rishi Kapoor. Ele fez sua marca em Bollywood com o filme Saawariya, de Sanjay Leela Bhansali. Há um dito que diz que os filhos são reflexo da mãe, e Ranbir não tem como não provar que isso está mais do que certo. Não apenas suas maneiras são comparadas às da sua mãe, mas ele é a cara dela.
Esha Deol: Esha Deol é filha da antiga dream girl Hema Malini. São seus olhos ou seu sorriso que a fazem lembrar tanto sua mãe? Ela pode ainda não ser tão famosa quanto a mãe, mas certamente tem a beleza para encantar seus fãs.
Raima Sen: Raima Sen pode não ter encontrado o caminho pra fama tão facilmente quanto a mãe, Moonmoon Sen, mas essa linda atriz encaixa-se perfeitamente na beleza glamurosa das atrizes clássicas, tal qual sua mãe.
Soha Ali Khan e Saif Ali Khan: Soha Ali Khan, a filha de Nawab Pataudi e Sharmila Tagore, é a cópia escarrada de sua mãe. E certamente ela deve ter muito orgulho de ser comparada a ela, já que herdou toda sua beleza. Embora Soha seja um pequeno bebê quando comparada à carreira de mais de 200 filmes de Sharmila, ela demonstra-se confiante em seu próprio caminho. [do Ibirá: ok, e Saif é Saif, precisa dizer mais?]
Hrithik Roshan: Ele tem todos os atributos de um superstar. Os olhos claros, o rosto de Deus grego, além de ser gostosão. Agora, como você pode tirar os olhos dele e pensar que ele pode lembrar alguma outra pessoa? Mas espere, ele se parece com seu pai. Os mesmos olhos claros e o andar viril. Sim, estamos falando de Rakesh Roshan. Não surpreende que Hrithik tenha seguido os mesmos passos do pai, porém para ser muito mais bem sucedido que ele como um ator.
Abhishek Bachchan: Filho dos versáteis atores Amitabh Bachchan e Jaya Bachchan, Abhishek não demorou muito pra provar que herdou todas as habilidades de atuação que tiveram seus pais. Ele não apenas anda e fala quase como seu pai, mas também parece com ele. Abhishek pode não ser recebido como um superstar à altura de Amitabh, mas nós sabemos que ele está aqui pra ficar.
Sunny Deol: Não há outra dupla de pai e filho que se pareça tanto quanto essa. Sim, estamos falando do pai Dharmji e seu elegante filho Sunny Deol. Os fãs de Dharmendar não ficaram desapontados quando ele resolveu abandonar a carreira de ator, já que eles poderiam consolar-se olhando para seu reflexo, Sunny Deol. Ninguém esperava que "Garam" Dharam - como é conhecido em Bollywood - seria substituído por uma cópia em carne e osso.
Anoushka Shankar: Anoushka, filha do lendário citarista Ravi Shankar, pode ter herdado o talento e a aparência de seu pai, mas ela também galgou o seu próprio reconhecimento. Anoushka começou a tocar por volta dos oito anos, sob supervisão do pai, e nunca mais quis parar. Mas não tem como não ver nela o reflexo do mestre da música clássica indiana.
- Estava eu na minha tranquilidade dominical, trabalhando no computador (sim, trabalhar em casa tem dessas também), quando algo me chamou a atenção na televisão. Era um comercial do Expansão SP, nome dado ao mega programa de investimentos que o governo estadual de São Paulo está fazendo na rede metro-ferroviária da capital paulista, que muito me interessa saber. Estava achando o comercial bem boladinho, apresentado por Dan Stulbach, até que ele chega ao final e... enfim, e foi que eu não sabia se ria ou se chorava.
O fato é que o comercial termina com um jingle que ele em si não é nada demais. O inusitado - e muito! - é a dancinha que acompanha o jingle. Obviamente inspirado no desfecho do filme Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire, 2008) esse comercial termina com uma multidão dançando na plataforma da nossa centenária Estação da Luz, aqui de São Paulo, tal qual no filme de Danny Boyle.
Se o diretor britânico fez no final de seu filme uma homenagem direta e explícita a Bollywood, o que os publicitários deste comercial estão fazendo é apenas embarcando na onda (que por aqui foi super incrementada com a novela Caminho das Índias). Não há absolutamente nenhuma referência direta à Índia ou a Bollywood nesta propaganda, mas como sabemos que influências são assim, da Índia à Inglaterra ao Brasil, aí está um pouquinho de Bollywood na campanha do Metrô de São Paulo.
E por isso achei interessante compartilhar com todos. Desde domingo que procuro todos os dias este comercial na internet, mas somente hoje apareceu, finalmente! Ah sim, e que fique claro que não estou fazendo propaganda do governo estadual - longe de mim e deste blog!
- Uma semana e 54 votos depois, a enquete decidiu que o Cinema Indiano deve mudar seu cabeçalho, com quase 80% de aprovação pela mudança. Agradeço a todos que votaram, querendo ou não a mudança, e agradeço também aos que não votaram, mas internamente fizeram as suas escolhas. Aos que votaram para que este blog continue do jeitinho que está, espero que compreendam que a vontade da imensa maioria deve ser respeitada. E afinal de contas, não podemos querer ser tal qual Peter Pan e sua eterna juventude; há que se mudar, crescer, amadurecer, e produzir bons frutos. Frutos esses que devem ser saboreados com gosto por cada um de vocês!
Bom, deixemos a melação de lado, e vamos ao que interessa. A partir de agora, anuncio com muito prazer a abertura das inscrições para as propostas de novos banners para o Cinema Indiano. A partir de hoje, as novas propostas de banner poderão ser enviadas por 10 dias, depois dos quais nova votação será aberta para a escolha do melhor.
Aos interessados, atenção às regras:
Os banners deverão medir 1250X150 pixels;
As cores laranja e verde, nos tons deste blog, deverão ser priorizadas;
Não carregar muito nas imagens, procure fazer algo mais suave;
Preferencialmente, elaborar o banner em Photoshop, para possíveis alterações posteriores;
Inscrever a proposta até o dia 16 de outubro de 2009;
Enviar o arquivo em .jpeg ou .png para o email cinemaindiano@gmail.com, dizendo também o nome do autor;
É permitido mais de uma inscrição por pessoa.
E aqui, atualizando uma informação que tanto interessa ao potencial vencedor do cabeçalho mais bonito: o prêmio! Se o ganhador ainda não tiver visto Taare Zameen Par, receberá em sua casa um DVD deste filme (pirata, que bem se diga) com legendas em português. Caso já tenha visto, mas queira o DVD mesmo assim, o terá da mesma forma. Mas ainda haverá a opção de o ganhador escolher outra obra dentre os filmes de meu acervo digital (poucos legendados em português), que eu converterei em DVD e enviarei da mesma maneira.
Para inspirá-los, abaixo vão as minhas duas propostas que fiz. Devo dizer a todos que eu não sabia mexer em photoshop, e ainda não sei quase nada. Mas aprendi um mínimo fuçando tutoriais na net durante a semana, suficiente pra fazer esses dois banners que vão abaixo. E digo isso como incentivo a todos tentarem!
- E mais um evento oficial traz nosso querido Taare Zameen Par (Como Estrelas na Terra) ao Brasil. Dessa vez, trata-se de um Cine Debate que ocorrerá na sede da Associação Brasileira de Dislexia (ABD), em São Paulo, no próximo dia 17 de outubro de 2009, sábado, das 14h às 17h.
Tendo em conta que o filme dura duas horas e meia, o debate em si não deverá passar de meia hora. Isso, no entanto, é muito o de menos. O mais importante é a oportunidade de assisitir a essa obra em território mais do que apropriado.
As vagas são limitadas e a participação será feita mediante inscrição no site da ABD, com taxa de adesão de R$15,00. A ABD fica na Avenida Angélica, próximo à Avenida Paulista, ou seja, com fácil acesso a ônibus e metrô para todos.
Onde? Auditório da ABD Avenida Angélica, 2318 - 7º andar - Higienópolis - São Paulo-SP Tels: (11) 3258-7568 / 3237-0809 / 3231-3296
-
Hoje, 2 de outubro de 2009, Mohandas Karamchand Gandhi, o Mahatma, faria seus 140 anos. Há apenas três feriados nacionais fixos na Índia, e hoje, não por menos, é um deles - o Gandhi Jayanti.
Poucos podem dizer sobre a real importância de Mahatma Gandhi na constituição da atual Índia, mas o que realmente importa para hoje é que Gandhi é amado por metade da Índia - a outra metade, porém, o odeia. Mesmo dentre os que o amam, no entanto, a ignorância em relação ao o que ele foi e representou é grande.
E eis que no ano de 2006, a continuação do filme Munna Bhai M.B.B.S (2003) resolveu trazer Gandhi ao tema central de seu roteiro, causando uma pequena revolução silenciosa na juventude indiana. Lage Raho Munna Bhai é uma típica comédia bollywoodiana, mas conseguiu tocar fundo nos indianos, de maneira talvez inesperada. E desde que fundei esse blog prometo falar desse filme e finalmente estou cumprindo!
O filme conta mais uma história do bizarro Murli Prasad Sharma, o Munna Bhai, interpretado por nada mais que Sanjay Dutt, que desta vez apaixona-se por Jhanvi (Vidya Balan), uma locutora de rádio de Mumbai. Todos os dias de manhã, era religioso para Munna Bhai escutar o "Gooooood mooooooorniiiiiiing, Mumbaaaiii" de Jhanvi; ele se derretia.
E então, na oportunidade do Gandhi Jayanti, ela lança um concurso de perguntas sobre o Mahatma e quem acertasse teria a oportunidade de conhecê-la. É a chance de ouro para Munna Bhai, mas... "... quem é Gandhi? Aquele cara que está em todas as notas de rúpia? Ah, ok." Essa observação feita é tipissíssima dentre os jovens indianos, que veem Gandhi em suas rúpias todos os dias, que todos os anos ficam felizes por mais um feriado nacional, mas nada sabem sobre aquele que outrora uniu o país e cuspiu fora os britânicos de lá.
Mas daí Munna Bhai e sua gangue (sim, porque como tanto gosta Bollywood, Munna Bhai pertence ao submundo de Mumbai) raptam alguns professores universitários para que eles ajudassem a responder às perguntas sobre Gandhi. O resultado é que Munna Bhai "acerta" todas as perguntas e então Jhanvi o convida para dar uma espécie de palestra sobre Gandhi a um grupo de idosos.
Munna Bhai se vê numa enrascada e percebe que a única solução será estudar profundamente sobre Gandhi - até porque ele não queria de modo algum desapontar sua amada! Ele então entra numa biblioteca especializada em Gandhi (abandonada às traças) e lá fica por três dias e três noites, sem comer e nem dormir. Num dado momento, eis que o espírito de Gandhi aparece para Munna Bhai, tentando convencê-lo de que o melhor seria contar a verdade a Jhanvi. Diz ainda que, quando necessário, bastaria cantar o Raghupati Raghava Raja Ram para chamá-lo (essa música ficou famosa nos tempos de Gandhi, pois era um dos seus hinos devocionais preferidos).
Munna Bhai não consegue contar a verdade, mas mesmo assim Gandhi vai ajudando-lhe a dizer sobre ele próprio, o que acaba por conquistar o coração de Jhanvi, que acredita que Munna Bhai é realmente um profundo conhecedor do Mahatma. Assim, ela o convida para participar com ela de um novo programa na rádio, que seria ajudar as pessoas a sair de seus problemas a partir do pensamento gandhiano. Essa parte é o coração do filme. Tão logo ambos iniciam o programa e Mumbai inteira para todos os dias para escutá-los, ansiosos para ver e emocionarem-se com cada caso solucionado (e Gandhi dizendo tudo o que fazer por trás dos ombros de Munna Bhai).
Mas nem tudo são flores. Enquanto tudo isso acontece, porém, Lucky Singh (Boman Irani), um inescrupuloso empresário, quer casar sua filha com o filho (Abhishek Bachchan, totalmente secundário, ou melhor, terciário, no filme) de outro empresário, Kkhurana. O astrólogo de Kkhurana diz que seria muito auspicioso se a casa em que eles morassem fosse a Second Innings House. Acontece que tal casa é justamente onde mora Jhanvi. Para despistar Jhanvi e Munna Bhai, Lucky manda ambos para Goa, junto dos velhinhos, enquanto a própria gangue de Munna Bhai esvazia a casa de Jhanvi.
A partir daí a história entra pra parte mais crítica e também mais emocionante. E não vou contar!
O filme foi um super sucesso em 2006, ficando apenas atrás de Dhoom 2 em arrecadação no ano. Na lista dos fillmes que mais arrecadaram na história de Bollywood, Lage Raho Munna Bhai está em sexto lugar.
Como eu disse no início, esse filme é um dos poucos que mudam o rumo social da Índia. Curiosamente, no mesmo ano estava no cinema o filme Rang De Basanti, que também teve um impacto social profundo no país. Os dois, juntos, levantaram a juventude indiana e fizeram-na acordar para as injustiças e para as possibilidades de transformações socioeconômicas e políticas. Rang De Basanti teve o impacto de trazer os jovens para o centro da "revolução", enquanto que Lage Raho Munna Bhai trouxe a eles os valores gandhianos da não-violência e da desobediência civil. Os anos se passaram e muito já ficou pra trás, mas ainda hoje existem manifestações organizadas pela juventude indiana, fruto do que provocou ambos os filmes na alma deles.
Vale muito a pena assistir. A despeito dos comportamentos escusos de Sanjay Dutt, sua atuação nesse filme é indubitavelmente ótima e convincente. Não dá pra negar o valor que seu papel teve para a Índia - e isso devemos venerar. E também a atuação de Arshad Warsi, como Circuit, o fiel escudeiro de Munna Bhai, é imprescindível, tendo ele levado o prêmio de melhor ator coadjuvante num papel cômico, pelo Filmfare Awards. Além deste prêmio, o Lage Raho Munna Bhai levou o prêmio de melhor filme pela crítica e de melhor roteiro. No National Film Awards, levou o estranho Best Popular Film Providing Wholesome Entertainment, além dos prêmios de melhores letras de música, melhor roteiro e melhor ator coadjuvante para Dilip Prabhavalkar, que fez o Gandhi no filme.
Ah sim, e a trilha sonora do filme (a cargo de Shantanu Moitra) é bem divertidinha, com alguns song-and-dances também divertidos. A direção dessa obra é de Rajkumar Hirani, com produção de Vidhu Vinod Chopra.
Não achei nenhum trailer decente do filme, mas decidi colocar o clipe da música-título, que embora não seja um resumo do filme, é bem engraçadinha. E não deixem de ver!
Neste blog não são aceitos comentários que envolvam crimes de calúnia, difamação, injúria, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal ou familiar a qualquer pessoa.
Também o proprietário não se responsabiliza por opiniões e comentários emitidos por leitores deste blog.
Cópias de nosso conteúdo podem ser feitas livremente conquanto seja disponibilizado o link deste blog. A não referência dos devidos créditos é roubo intelectual.