quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Dunno Y, o beijo gay e a censura

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Já não é de hoje que essa polêmica existe e que falamos dela por aqui. Para um país que descriminalizou a relação homossexual há pouco mais de um ano, não é difícil imaginar como essa questão é um tabu desmedido na Índia.

Bom, e faz um tempo havíamos falado do filme chamado I Am, composto por curtas que, dentre os quais, um abordaria um casal gay e teria cena de beijo, inclusive, com nada mais que Rahul Bose no papel principal. Dessa vez, porém, a polêmica é maior porque Dunno Y... Na Jaane Kyon (Não Sei Porque) é um filme inteiro sobre essa temática, abordando em alguns momentos cenas de muita intimidade entre dois homens - um casal homossexual.

Embora já pronto, já exibido em um festival na própria Índia (o Mumbai International Queer Film Festival) e também já inscrito em outros festivais pelo mundo, a censura do governo indiano está pedindo que tais cenas de muita intimidade sejam cortadas ou refeitas para que Dunno Y possa então entrar em cartaz no país. 

Isso não necessariamente estragaria o filme, se tivermos como base a sensibilidade que tem, por exemplo, My Brother... Nikhil (2005), cujo personagem principal, Nikhil, é gay e contrai o vírus HIV. Ao contrário de casos anteriores, Nikhil e seu parceiro, Nigel, não são estereotipados, mas também não há cena alguma de beijo ou outro tipo de intimidade maior. 

Mas o que Dunno Y revela, assim como outros casos recentes do cinema indiano, como LSD (2009), é que ainda há um caminho muito longo pra ser percorrido até que um cineasta indiano consiga a liberdade plena de realizar sua arte à vontade, sem interferências, dentro do próprio país.

De qualquer forma, é importante que fique claro que o órgão de certificação do cinema indiano (leia-se de censura), controlado pelo governo, não impõe suas ordens do nada e por manipulação de cima pra baixo. Isso é um reflexo puro da própria sociedade do país.

O maior exemplo que se pode observar, neste caso em específico, diz respeito ao próprio ator que fez um dos personagens do casal gay de Dunno Y. Yuvraj Parasher foi simplesmente deserdado da família, literalmente expulso do núcleo familiar, assim que maiores polêmicas surgiram pelo país inteiro ao ser anunciado o filme.

O outro ator, Kapil Sharma, não sofreu efeitos desse tipo porque, afinal, ele é também o autor do roteiro original, além de ser irmão do diretor, Sanjay Sharma. Yuvraj não teve a mesma sorte familiar, ainda que, ao que indiquem as coisas, ele seja hétero. Cinema, na Índia, pode ser coisa mais séria do que a gente pensa.

Mas as repercussões com esse filme não se resumem somente ao fato de ter um casal gay como personagens principais - e que ainda se beijam -, mas também por ter contado com uma estratégia quase imbatível de convencimento: o elenco do filme, com exceção dos próprios protagonistas, é composto por estrelas das mais brilhantes que o cinema indiano já teve em sua história. Atrizes como Zeenat Aman e Helen, por exemplo, que são unanimidade dentre os indianos por seus trabalhos no cinema em décadas passadas, estão presentes. O ator Kabir Bedi, também unânime, faz parte do elenco. Ou mesmo do presente, como Rituparna Sengupta, que é a mais famosa atriz bengalesa do momento, também aparece no filme. 

Enfim, mas ainda assim, a polêmica existe e é grande. Não sei por quê, I really dunno y.
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domingo, 26 de setembro de 2010

Mostra Cinema Indiano Contemporâneo em Brasília

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Brasilienses, agora é a vez da capital do país receber a Mostra Cinema Indiano Contemporâneo na Caixa Cultural, de 25 a 30 de setembro, com sessões gratuitas. Oportunidade que não deve ser desperdiçada!

A edição da mostra em Brasília ocorre no Teatro da CAIXA Cultural Brasília – SBS Quadra 4, lote 3/4, anexo do edifício Matriz da CAIXA.

Confiram a programação:

Sábado – 25.09
14h - Três idiotas, de Rajkumar Hirani (03 Idiots, Índia, 2009, 164 min, livre)*
17h - Lagaan - a coragem de um povo, de Ashutosh Gowariker (Lagaan - Once Upon a Time in India, Índia, 2001, 224 min, livre)*
21h - Laços, de Nagesh Kukunoor (Dor, Índia, 2006, 145 min, livre)

Domingo- 26.09
14h – Iqbal, de Nagesh Kukunoor (Iqbal, Índia, 2005, 127 min, livre)*
17h - Um beijo na bochecha, de Mani Ratnam (Kannathi Muthamuttal, Índia, 2002, 130 min, livre)*
19h30 - Como estrelas na Terra, de Aamir Khan (Taare Zameen Par, Índia, 2007, 165 min)

Segunda- 27.09
14h - Maqbool, de Vishal Bhardwaj (Maqbool, Índia, 2003, 132 min, 12 anos)
17h - Siga em frente Munna Bhai, de Rajkumar Hirani (Lage Raho Munna Bhai, Índia, 2006, 144 min, livre)
20h - Devdas, de Sanjay Leela Bhansali (Devdas, Índia, 2002, 180 min, 12 anos)


Terça-feira - 28.09
10h - Sessão especial infanto-juvenil para escolas: Como estrelas na Terra, de Aamir Khan (Taare Zameen Par, Índia, 2007, 165 min)
14h - Confinados, de Mrinal Sen (Antareen, Índia, 1994, 90 min, livre).
16h - Dança das sombras, de Adoor Gopalakrishnan (Nizhalkkuthu, Índia, 2002, 90 min, livre)
18h - Três idiotas, de Rajkumar Hirani (03 Idiots, Índia, 2009, 164 min, livre)
21h - Sr. e sra. Iyer, de Aparna Sen (Mr. & Mrs. Iyer, Índia, 2002, 120 min, 12 anos)

Quarta- 29.09
10h - Sessão para escolas- infanto juvenil: Como estrelas na Terra, de Aamir Khan (Taare Zameen Par, Índia, 2007, 165 min)
14h- Lagaan a coragem de um povo, de Ashutosh Gowariker (Lagaan - Once Upon a Time in India, Índia, 2001, 224 min, livre)*
18h - Laços, de Nagesh Kukunoor (Dor, Índia, 2006, 145 min, livre)*
20h30 - Como estrelas na Terra, de Aamir Khan (Tare Zameen Par, Índia, 2007, 165 min)

Quinta - 30.09
14h - Um beijo na bochecha, de Mani Ratnam (Kannathi Muthamuttal, Índia, 2002, 130 min, livre)

Obs. Todas as sessões com * contarão com bate papo com a curadora da mostra.

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domingo, 19 de setembro de 2010

Zubeidaa (2001) - ज़ुबैदा

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Zubeidaa é definitivamente um filme muito curioso. Eu tenho um pouco de dificuldade de dizer que o filme é realmente bom, mas de alguma maneira ele me cativou e certamente está na lista dos que gostaria que todos assistissem se querem mesmo entender mais do cinema indiano.

A verdade é que cada vez que vejo um filme indiano que fala sobre o próprio cinema indiano me dá uma sensação de que o que nós sabemos dessa indústria absurdamente grande e tão antiga é mesmo um nada. Daí isso colocado nas mãos de um Shyam Benegal, que sabe fazer as coisas com uma certa inegável maestria, e com trilha composta por A.R. Rahman, cujo efeito-emoção de suas músicas não se questiona, temos então uma obra verdadeiramente cativante. Sem contar algumas músicas cantadas por Lata Mangeshkar, que trazem uma estranha nostalgia desconhecida bem no meio da espinha.

Bom, e pra ajudar tudo, embora ficção, Zubeidaa é inspirado em fatos reais, o que torna a história um pouco mais interessante. O filme é escrito por Khalid Muhammed, filho de Zubeida Begum, uma mal-sucedida atriz e desastrada mulher que acabou por se casar com o Marajá de Jodhpur na metade do século XX.

Logo no começo do filme conhecemos Riyaz (Rajit Kapoor), filho de Zubeidaa, hoje jornalista e muito interessado em descobrir a verdadeira história de sua mãe. Aos poucos ele vai coletando informações, confrontando dados estranhos e imprecisos, de fontes já quase apagadas. Conforme ele vai juntando a história, descobrimos que Zubeidaa (Karisma Kapoor) era filha única de Suleman Seth (Amrish Puri), um famoso cineasta de Bollywood. Seu sonho era ser uma grande atriz e, escondida de seu pai, começa a atuar. Quando ele descobre, porém, a proíbe integralmente de entrar num estúdio e acaba por casá-la com um rapaz, contra todas as suas vontades.

Ela engravida de seu marido, mas, no dia em que ela dá a luz a Riyaz, problemas de família forçam seu marido a se divorciar dela. É então que Rose (Lillete Dubey), uma espécie de amante semi-oficial do pai de Zubeidaa, faz-se mais presente do que já era e introduz Zubeidaa a Vijayendra Singh (Manoj Bajpai), Marajá de Fatehpur, com quem mais tarde acaba se casando.

Acontece que o Marajá já era casado com Mandira Devi (Rekha), a rainha oficial, embora ele demonstrasse um significativo afeto por Zubeidaa. Mas o espírito livre - leia-se rebelde - de Zubeidaa logo mostra-se incompatível com toda a nova realidade que ela estava vivendo - ou talvez com toda realidade que ela fosse viver em qualquer que fossem as circunstâncias.

E o ideal é que eu pare a história por aqui. Riyaz vai aprofundando sua pesquisa até desvendar os últimos segredos, e é nessa procura que ficamos presos, sobretudo pela busca de um objeto em especial e absolutamente único - o único rolo de filme em que Zubeidaa havia gravado a única cena de dança, entregue em alegria e realização, e que estava desaparecido.

A maestria de Shyam Benegal foi reconhecida com o prêmio de melhor filme em hindi dado pelo National Film Awards, em 2001. E a brilhante atuação de Karisma Kapoor também não ficou de fora; ela levou o prêmio de melhor atriz pela crítica no Filmfare Awards, mais do que merecidamente. E, por fim, Zubeidaa faz parte de uma trilogia+1 de Shyam Benegal, sobre filmes que tocam em questões islâmicas. O primeiro foi Mammo (1994), o segundo foi Sardari Begum (1996) e o terceiro foi Zubeidaa. O +1 apareceu agora em 2010, com o filme Well Done Abba.
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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Repescagem da Mostra Cinema Indiano Contemporâneo no MAM do Rio

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Amigos, pra deleite dos fãs de cinema indiano do Rio de Janeiro - e ainda pra alegria dos que perderam a mostra de agosto - o MAM (Museu de Arte Moderna) do Rio irá receber uma repescagem com alguns dos filmes que estiveram na mostra mês passado, na Caixa Cultural.

E a repescagem já começa nessa quinta feira, dia 16 de setembro, às 18h30, com Dil Chahta Hai, e termina no dia 26, com a exibição de Koi... Mil Gaya. Serão oito filmes reexibidos agora no MAM, mas que não irão ter mais de uma sessão cada. Portanto, programem-se e bora pro Aterro do Flamengo ter mais um respiro de cinema indiano em terras cariocas.

quinta 16, 18h30

Faça o que o seu coração mandar (Dil Chahta Hai), de Farhan Akhtar. 

Índia, 2001, 183 minutos. Classificação livre. Legendas em espanhol.

A
história de três amigos de faculdade e a transição para a vida adulta. Cada um deles tem uma perspectiva totalmente diferente da vida e do amor. Protagonizado pelo admirável Aamir Khan. O filme se destaca pela linguagem bem contemporânea nos números musicais, que incorpora a cultura dos jovens da classe média metropolitana que freqüenta discotecas. Premiado como Melhor Longa-Metragem no National Film Award de 2002. Baseado em anotações do diretor e roteirista Farhan Akhtar sobre suas viagens à Goa e sobre o mês que ele passou em Nova York em 1996. Com Aamir Khan, Saif Ali Khan, Akshaye Khanna, Preity Zinta, Dimple Kapadia.


Sexta 17, 18h30

Zubeidaa (Zubeidaa), de Shyam Benegal. 

Índia, 2001, 150 minutos. Classificação livre.  Legendas em português.

Riyaz Masud é um jornalista que quer conhecer melhor a história da mãe, de quem não se recorda bem, e que faleceu misteriosamente. Através de depoimentos das pessoas que a conheceram e dos pertences que ela deixou para trás, o filme narra a descoberta da história de Zubeidaa, única filha de um cineasta muçulmano, que atuava em filmes secretamente. Capítulo final da trilogia biográfica feita por Benegal, que começou com Mammo (1994) e continuou com Sardari Begum (1996), baseada em histórias reais de mulheres indianas contadas por Khalid Mohammed, crítico de cinema que virou cineasta. O filme obteve o prêmio nacional de Melhor Filme de Longa-Metragem em hindi e prêmio da crítica de Melhor Atriz para Karisma Kapoor no National Film Awards. Com Karisma Kapoor, Rekha, Manoj Bajpai, Rajit Kapoor, Amrish Puri, Farida Jalal, Lillete Dubey e Shakti Kapoor.

 

sábado 18, 18h
Um beijo na bochecha (Kannathil Muthamuttal), de Mani Ratnam. 

Índia, 2002, 130 minutos. Classificação livre.  Legendas em espanhol.

O filme narra a história da pequena Amudha, uma menina adotada pelo casal Thiru e Indira, e criada com dois irmãos pequenos. Ela é uma criança feliz e não sabe a verdade sobre sua origem, até que o casal decide contar sobre a sua adoção no dia de seu aniversário de nove anos. Através do olhar de Amudha, Mani Ratnam apresenta um impactante e sensível retrato da ilha de Sri Lanka na época da Guerra Civil. Premiado no Festival de Toronto em 2002 e selecionado para representar a Índia no Festival de Cannes em 2004. Com R. Madhavan, Simran Bagga, J.D. Chakravarthy, Nandita Das, P. S. Keerthana e Prakash Raj.

domingo 19, 16h

Bombaim (Mumbai), de Mani Ratnam. 

Índia, 1995, 140 minutos. Classificação 12 anos.  Legendas em inglês.  

Shekhar é um homem de uma tradicional família hindu que, ao voltar de férias para a pequena aldeia em Tamil Nadu para visitar seus pais, apaixona-se por Shaila Bano, uma mulher muçulmana da região. Os dois casam-se contra a vontade das duas famílias, e se mudam para Bombaim, onde ele passa a trabalhar como repórter de um grande jornal diário. Pouco tempo depois o casal tem filhos gêmeos e a família começa a viver bem a sua nova vida. No entanto, as crescentes tensões religiosas trazem mudanças e ameaçam abalar e desagregar a família. O filme é baseado em acontecimentos reais ocorridos no sul da Índia durante o violento período de conflitos religiosos que ocorreu entre dezembro de 1992 e janeiro de 1993 e causou grande controvérsia na pós-libertada Índia por representar conflitos inter-religiosos, tendo sua exibição banida em Cingapura e na Malásia. Foi uma das maiores bilheterias da indústria cinematográfica Chennai, tendo sido muito bem recebido pelo público e pela crítica. Com Arvind Swamy, Manisha Koirala, Tinnu Anand, Nasser, Sonali Bendre, Prakash Raj.

quinta 23, 18h30

Do coração (Dil Se…), de Mani Ratnam. 

Índia, 1998, 140 minutos. Classificação 12 anos.  Legendas em português.

Segundo a literatura árabe antiga, o amor é classificado em sete diferentes tonalidades: atração, paixão, amor, reverência, adoração, obsessão e morte. Essa é uma viagem através destas sete cores, num belo percurso estético e político através da história de Amarkant Varma, um homem que viaja pela Índia a serviço de uma rádio de alcance nacional, na tentativa de fazer entrevistas sobre o 50º aniversário da independência indiana. Numa de suas jornadas, apaixona-se por Meghna, uma misteriosa mulher que revelará-se envolvida em atentados terroristas. Premiado com uma menção especial no Festival de Berlim, é a última parte da trilogia que o diretor Mani Ratnam dedicou ao terrorismo. Foi o primeiro filme indiano a entrar no Top 10 das bilheterias na Inglaterra. Com Shahrukh Khan, Manisha Koirala e Preity Zinta.

Sexta 24, 18h30

Devdas (Devdas), de Sanjay Leela Bhansali. 

Índia, 2002, 185 minutos. Classificação 12 anos.  Legendas em espanhol.

Um dos maiores clássicos do cinema indiano, baseado no famoso romance homônimo do escritor bengalês Sharat Chandra Chattopadhyay. O filme conta a história de Devdas, que depois de muito tempo ausente, retorna à Índia, após concluir seus estudos em direito na Inglaterra. Sua família é muito rica e vive em uma mansão numa vila em Bengali, que têm como vizinhos uma outra família cuja filha Paro cresceu com Devdas. Dessa amizade entre os dois, nasce uma relação de amor que até os tantos anos distantes não foi capaz de apagar. Após o retorno de Devdas tudo parece correr bem para que ambos fiquem juntos, mas a família dele impede que o casamento aconteça, o que o leva a sair de casa e a seguir sua vida com sofrimento. O filme é a terceira filmagem deste clássico da literatura indiana, sendo esta a primeira versão colorida. Foi a mais cara produção indiana até o seu lançamento, consumindo quase 20 milhões de reais. Exibido no Festival de Cannes de 2002 e indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2003. Com Shahrukh Khan, Madhuri Dixit, Aishwarya Rai, Jackie Shroff e Kirron Kher.

sábado 25, 16h

Lagaan – a coragem de um povo (Lagaan: Once Upon a Time in India), de Ashutosh Gowariker. 

Índia, 2001, 224 minutos. Classificação livre.  Legendas em inglês. 

É 1893 na vila de Champaner, no estado do Gujarat, em uma Índia sob o domínio britânico. A seca está castigando os camponeses e o Rajá (príncipe hindu) encontra-se com o comandante inglês da região, o Capitão Russel, para pedir uma redução dos impostos sobre a terra, chamada Lagaan. Sem explicações, o Capitão decide aumentar ainda mais os impostos e os camponeses, desesperados, vão pedir ajuda ao Rajá. Chegando à propriedade do Raja, os camponeses presenciam que o Rajá está assistindo a uma partida de críquete com o Capitão britânico, e um dos camponeses, Bhuvan, diz que o jogo é imbecil. Depois do comentário de Bhuvan, o Capitão propõe um desafio: a suspensão de três anos de impostos caso os camponeses vençam os ingleses numa partida de críquete. Bhuvan aceita a aposta, para desespero dos demais camponeses, pois a perda do jogo implicará num novo aumento das taxas. O filme é praticamente todo feito em cenários externos, fora de estúdios. Somando os prêmios recebidos, Lagaan levou quase 50 premiações, incluindo oito no Filmfare Awards e sete no National Film Awards, alé da indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

domingo 26, 16h

Você não está sozinho (Koi… Mil Gaya), de Rakesh Roshan.

Índia, 2006, 176 minutos. Classificação livre.  Legendas em português.  

Uma ficção científica de Bollywood. O cientista Sanjay Mehra inventa um computador capaz de entrar em contato com alienígenas. Sua felicidade logo é interrompida quando os cientistas de um centro de pesquisa zombam dele e se recusam a acreditar em suas descobertas. Quando está voltando para casa, acompanhado de sua esposa grávida, eles veem uma espaçonave e, na confusão, perdem o controle do carro e sofrem um acidente. Apenas a mulher sobrevive, e o seu filho, Rohit nasce com danos cerebrais. Anos mais tarde, Rohit já é um homem, mas com uma mentalidade de criança. Ele faz amizade com a filha do prefeito da cidade, Nisha e estabelece uma relação afetuosa com ela. Um dia, Rohit e Nisha encontram o computador de Sanjay e seguem as instruções dadas pela máquina. Na mesma noite, sua cidade é visitada por uma espaçonave e um dos alienígenas é deixado para trás. Muitos consideram que o filme é uma adaptação do conto “The alien”, escrito Satyajit Ray, que a princípio também originou E.T. – o extraterrestre (1982), de Steven Spielberg. Foi um grande sucesso na Índia, exibido também no Festival de Cinema de Jerusalém e no Festival de Cinema da Dinamarca. Com  Rekha, Hrithik Roshan, Preity Zinta, Rakesh Roshan, Rajeev Verma, Prem Chopra.
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domingo, 29 de agosto de 2010

Raajneeti (2010) - राजनीति

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Na safra um tanto pobre de filmes em 2010, Raajneeti apareceu como um significativo respiro pra quem esperava por filmes que nos prendesse do começo ao fim. O ânimo que se esperava por Paathshala, ou com Kites, trazendo de volta Hrithik Roshan desde Jodhaa Akbar, acabou não se cumprindo. É possível que o esmagador sucesso de 3 Idiots, no finalzinho de 2009 e começo de 2010 tenha obscurecido todas as chances seguintes de sucesso.

Bom, e então, no dia 4 de junho, Raajneeti estreou nos cinemas indianos e se confirmou como o maior sucesso do ano até este momento. Ainda assim, eu já me adianto e digo desde já que, na minha opinião, esse filme ainda não chega perto de obras como Dev.D ou Kaminey, ambas lançadas em 2009, e nem prende tanto quanto prendeu 3 Idiots. Mas é digno de ser visto, sobretudo pela incrível capacidade de reinventar um épico tão milenar e familiar aos indianos, trazendo-o para a contemporaneidade por caminhos próprios e inesperados.

Explico. Logo no começo somos apresentados em flashback a Bharti Rai (Nikhila Trikha) que, discordando dos ideais políticos do pai, governador do estado em que vivem, acaba se aproximando e se envolvendo com o líder político de esquerda, Bhaskar Sanyal (Naseeruddin Shah), que desaparece em seguida. No entanto, ele deixa Bharti grávida. Ao nascer o bebê, o irmão de Bharti, Brij Gopal (Nana Patekar), retira a criança sem Bharti nem sequer ter tempo de vê-la, e a coloca num cesto no rio. E é daí que somos jogados aos dias atuais e imediatamente introduzidos a Sooraj Kumar (Ajay Devgan), um destemido rapaz de 27 anos amado pelo povo por ser invencível numa espécie de luta marcial indiana, que me falha o nome agora. 

Quando isso ocorre, ainda no começo do filme, não tive como não fazer um paralelo com trechos do Mahabharata, o grande épico indiano, contado há milênios, mais precisamente com a história do nascimento de Krishna (e sim, e que pode também ser feito um paralelo muito semelhante com Moisés). E só depois fui descobrir que Prakash Jha, o escritor, produtor e diretor do filme, inspirou-se diretamente neste épico.

E então o filme prossegue. Bharti está hoje casada com Chandra Pratap (Chetan Pandit), irmão mais novo de Bhanu Pratap (Jahangir Khan). Bhanu, por sua vez, é líder do partido Rashtrawadi e acaba sofrendo um atentado. No hospital, ele passa a liderança a seu irmão, Chandra, e a seu sobrinho, filho de Chandra, Prithviraj Pratap (Arjun Rampal), pra desgosto profundo de seu próprio filho, Veerendra Pratap (Manoj Bajpai). Inconformado, Veerendra alia-se a Sooraj, vendo o apoio das massas que ele tem e o apelo que ele proporcionaria pra angariar votos. Acontece que Sooraj é filho do motorista da família Pratap, mas ninguém nessa altura sabia que ele mesmo era também da família Pratap, nem o próprio motorista, que havia pego ele na beira do rio.

Daí também conhecemos nesse rolo todo Samar Pratap (Ranbir Kapoor), irmão mais novo de Prithviraj, filho de Chandra. Samar tem uma namorada nos Estados Unidos, Sarah (Sarah Thompson), mas na Índia sua amiga de infância, Indu (Katrina Kaif), filha de um grande empresário, é apaixonada por ele e até mesmo a mãe de Samar desejaria vê-los casados um dia.

Bom, até essa parte o filme é razoavelmente confuso e temos que estar atentos às relações entre todos e ao que está se passando exatamente. As sequências são muito rápidas e é muito personagem pra gravarmos, cada qual com sua importância ímpar no filme.

Ímportância ímpar. É então após cerca de uma hora de filme que as coisas ficam verdadeiramente emocionantes. Aos poucos, sequências de assassinatos completamente inesperados começam a acontecer e o filme passa a ser um sobe e desce de personagens tomando a dianteira da história. Numa praticamente demoníaca corrida eleitoral pelo governo estadual, membros de uma mesma família não têm escrúpulos para defender o próprio ego, levando às últimas consequências a própria razão de estarem ali. E então o Mahabharata passa a fazer ainda mais sentido na história, embora sem manifestações divinas.

No fim das contas, fiquei extremamente surpreso com o filme. Prakash Jha, que tem em sua bagagem obras com enfoques sociopolíticos, fez seu primeiro grande hit de maneira primorosa. E também não critico a atuação de ninguém, ao contrário. Me surpreendi com Katrina Kaif, Ranbir Kapoor e com Arjun Rampal, este último ainda mais convincente. Aliás, e como o filme nos leva sempre a não esperar o que vem a seguir, há sempre na atuação de cada um um ar incógnito e dúbio que, méritos dados à direção de Prakash, esteve muito bem em Raajneeti.

Aliás, em muitos momentos fui obrigado a fazer um paralelo deste filme com outras duas obras indianas de Vishal Bhardwaj, Maqbool (2003) e Omkara (2006), que são filmes cheios de personagens, com muita violência e, principalmente, são releituras contemporâneas de histórias centenárias. E já que toco nessa questão, reafirmo minha predileção por Vishal em geral em relação a este filme de Prakash, tanto por estes dois filmes que citei agora quanto pelo também já citado Kaminey. Mas ainda assim Raajneeti é primoroso em construir o inesperado de maneira tão instigante.

E voltando a Raajneeti, é evidente que o filme não foi lançado sem ter sido alvo de controvérsias, a começar pela própria censura, que inicialmente barrou o filme. Prakash, então, tirou cenas com violência excessiva, cenas de sexo mais explícitas que o normal pro cinema indiano, além de trechos com ataques mais rudes à comunidade muçulmana. Ainda assim, Raajneeti segue com uma violência extrema e cenas razoavelmente íntimas, inclusive logo no começo.

O pior é saber que a Índia de fato tem históricos políticos muito semelhantes, de assassinatos dos mais terríveis pra derrubar quem quer que seja que possa estar próximo ao poder. Embora não fique explícito em nenhum momento, o filme se passa no estado de Madhya Pradesh, bem no centro do país. 

E em tempo, "raajneeti" significa nada mais que... "política". Bom, concluindo,  eu recomendo.

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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Bhaiya Mere Rakhi Ke

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Um pouco atrasado, mas ainda em tempo, resolvi hoje trazer um vídeo de uma música que fala sobre o Rakhi, ou Raksha Bandan. Anualmente, na lua cheia do mês de Shraavana, os indianos comemoram o Rakhi pra celebrar a amizade e amor entre irmãos. Nesse dia, as meninas amarram uma fita (raksha bandan) no pulso de seus irmãos, que, por sua vez, prometem proteção às meninas. O ritual pode ser também feito entre amigos, não necessariamente irmãos.

Nesse ano o Rakhi caiu no dia 24 de agosto, mas ainda considero que estamos em tempo de falar sobre isso.

O vídeo que trago hoje é da música Bhaiya Mere Rakhi Ke (O Rakhi do meu Irmão), composta por Shankar Jaikishan para o filme Chhoti Bahen (Irmã Caçula), de 1959. Dirigido por L.V. Prasad, o filme contou com Nanda, Balraj Sahni e Rehman nos papeis principais.

Confiram:

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domingo, 22 de agosto de 2010

Awaara (1951) - आवारा

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Não é à toa que Awaara está na lista dos 25 filmes imperdíveis de Bollywood, segundo a Indiantimes e esteja em primeiro lugar da lista dos 10 mais preciosos filmes indianos, segundo a Times. Raj Kapoor estava mais do que inspirado quando resolveu produzir e dirigir - além de atuar - essa obra, que é absolutamente uma delícia de ser vista.

O filme começa com Raj (Raj Kapoor) sendo levado a julgamento num tribunal lotado, aparentemente sem advogado de defesa. Eis que aparece, então, Rita (Nargis), prometendo defendê-lo contra as acusações do juiz Raghunath (Prithviraj Kapoor). E daí Rita começa a contar uma longuíssima história, a história de vida de Raj até aquele momento, que iria justificar sua atual condição de vida e voltar o veredicto contra o juiz, não contra ele.

E então ficamos sabendo que o juiz fora casado com Leela Raghunath (Leela Chitnis), que um belo dia foi sequestrada pelo mais temido criminoso da região, o Jagga (K.N. Singh). Após um tempo que Leela já estava liberta e de volta pra casa, ela descobre que está grávida. Tendo uma reação mais ramayânica possível, o juiz Raghunath desconfia que Leela tenha sido estuprada por Jagga e não acredita que aquele filho possa ser dele. Assim, consequentemente, expulsa Leela de casa, mesmo com todas as juras dela de aquele filho é mesmo do juiz.

Ela vai então morar em um bairro pobre, onde cria seu filho, o Raj, e consegue ao menos colocá-lo numa escola. Ali, Raj fica muito amigo de uma garota. Com dificuldades pra pagar as mensalidades, Raj acaba sendo expulso da escola e sua amiga muda-se pra longe daí. Raj acaba caindo no mundo da rua e, inevitavelmente, acaba sendo acolhido por Jagga, que o prepara como mais um de seus pupilos criminosos. É daí que Raj vira um "awaara", ou seja, vagabundo.

Um belo dia, pretendendo roubar um carro, ele e seus amigos roubam a bolsa de uma mulher, que havia acabado de sair de seu carro. No entanto, não encontram a chave e Raj devolve a bolsa, como se ele tivesse pego a bolsa do ladrão pra devolver à bela dama (e aproveito, Nargis é mesmo linda). Pois bem, a história transcorre e o destino de Raj se cruza de novo com o da moça da bolsa, que logo descobrimos ser Rita, a amiga de infância da escola. 

Pra deixar o enredo ainda mais interessante, Rita é estudante de direito e tem como tutor nada mais que o juiz Raghunath, com quem vive na mesma casa. Mas Raj jamais desconfiaria que o juiz tutor de Rita fosse seu pai, assim como ainda nem tinha ideia de que Jagga tinha sido o motivo inicial pra tudo chegar onde chegou antes mesmo dele nascer. E daí, o recomendável é que eu me cale e implore pra que vocês assistam ao filme. São 3 horas de duração, mas nem se nota.

As músicas todas de Awaara são muito boas, com clipes memoráveis, mas duas das músicas merecem um destaque especial. Em primeiro lugar, a própria música Awaara Hoon (Sou um Vagabundo) vale ser lembrada muito mais por sua capacidade de grudar na cabeça, do que por sua beleza em si. Na época ela foi um super sucesso não só na Índia, mas também por todo o Oriente Médio, Rússia e China. Mas, pra mim, o ápice do filme é o clipe da música Ghar Aaya Mera Pardesi, que ilustra um sonho decisivo de Raj. E é esse clipe que vai abaixo pra vocês, com legendas em português.

Awaara foi indicado ao prêmio máximo de Cannes, em 1953, mas não levou. E por fim, algumas curiosidades: Prithviraj Kapoor, que no filme faz o pai de Raj, é mesmo pai de Raj Kapoor na vida real. Além disso, o ator que faz Raj criança é Shashi Kapoor, irmão mais novo de Raj Kapoor. Foi neste filme que a super estrela Helen apareceu pela primeira vez no cinema indiano, como coadjuvante do clipe Naiya Teri Majhdhaar (ok, ela apareceu, mas ninguém pode identificá-la). Raj Kapoor é considerado o Chaplin da Índia, e de fato as referências a Chaplin aparecem em alguns momentos neste filme.


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quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Mostra de Cinema Indiano Contemporâneo no Rio de Janeiro

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Caros, após nossa Mostra de Bollywood e Cinema Indiano em São Paulo, agora é a vez do Rio de Janeiro sediar a excelente Mostra Cinema Indiano Contemporâneo, que ocorrerá na Caixa Cultural, entre os dias 10 e 22 de agosto.

A curadoria desta mostra foi feita por Gisella Cardoso, que selecionou filmes realmente imprescindíveis pra quem quer conhecer ou se aprofundar no que anda acontecendo nos anos recentes lá pelo cinema da Índia. E esta mostra do Rio ainda contará com dois debates, que ocorrerão nos dias 12 e 19. O segundo contará com minha presença.

Confiram abaixo a programação completa. No final, há mais detalhes também sobre os participantes dos debates, além de sinopses de cada um dos filmes. Pra mais informações, não deixem também de acessar o próprio blog da mostra do Rio, aqui. Cariocas e fluminenses, não percam!

Mostra Cinema Indiano Contemporâneo
Caixa Cultural RJ - 10 a 22 de agosto de 2010
Av. Almirante Barroso, 25, estação Carioca do metrô.
Sala 01

Terça, 10 AGO
13h - Confinados, de Mrinal Sen (Antareen, Índia, 1994, cor, 35mm, 90 min, livre) 
15h - Lagaan - A coragem de um povo, de Ashutosh Gowariker (Lagaan - Once Upon a Time in India, Índia, 2001, cor, 35mm, 224 min, livre) 
19h - Laços, de Nagesh Kukunoor (Dor, Índia, 2006, cor, 35mm, exibição em digital, 147 min, livre) 

Quarta, 11 AGO
13h - A Terrorista, de Santosh Sivan (Theeviravaathi: The Terrorist, Índia, 1999, cor, 35mm, exibição em digital, 95 min, 12 anos)
15h - Faça o que seu coração mandar, de Farhan Akhtar (Dil Chahta Hai, Índia, 2001, cor, 35mm, exibição em digital, 180 min, livre)
18h30 - Devdas, de Sanjay Leela Bhansali (Devdas, Índia, 2002, 35mm, 180 min, 12 anos) 

Quinta, 12 AGO
12h - Você não está sozinho, de Rakesh Roshan (Koi... Mil Gaya, Índia, 2006, 176 min, livre)
15h30 - Iqbal, de Nagesh Kukunoor (Iqbal, Índia, 2005, cor, 35mm, exibição em digital, livre)
18h - Bombaim, de Mani Ratnam (Bombay, Índia, 1995, cor, 35mm, 141 min, 12 anos)
+ Debate: A Índia e o cinema: de Bollywood a Calcutá, com Humberto Giancristofaro, José Carlos Monteiro e Raquel Valadares. Mediado por Gisella Cardoso.

Sexta, 13 AGO
13h30 - A rainha dos bandidos, de Shekhar Kapur (Bandit Queen, Índia, 1994, cor, 35mm, exibição em digital, 119 min, 16 anos)
16h - Siga em frente Munna Bhai, de Rajkumar Hirani (Lage Raho Munna Bhai, Índia, 2006, cor, 35mm, exibição em DVD, 144 min, livre)
19h - Do coração, de Mani Ratnam (Dil Se, Índia, 1998, 35mm, cor, 163 min, 12 anos)

Sábado, 14 AGO
10h15 - Como estrelas na Terra (Taare Zameen Par, Índia, 2007, cor, 35mm, exibição digital, 165 min)
13h30 - Zubeidaa, de Shyam Benegal (Zubeidaa, Índia, 2001, cor, 35mm, 150 min, livre)
16h30 - Um beijo na bochecha, de Mani Ratnam (Kannathil Muthamittal, Índia, 2002, cor, 35mm, 130 min, livre)
19h30 - Maqbool, de Vishal Bhardwaj (Maqbool, Índia, 2003, cor, 35mm, exibição em digital, 132 min, 12 anos)

Domingo, 15 AGO
14h - Sr. e sra. Iyer, de Aparna Sen (Mr. and Mrs. Iyer, Índia, 2002, cor, 35mm, 120 min, livre)
16h30 - Três Idiotas, de Rajkumar Hirani, (3 Idiots, Índia, 2009, cor, 35mm, exibição em digital, 164 min, livre)
19h30 - Dança das sombras, de Adoor Gopalakrishnan (Nizhalkkuthu, Índia, 2002, cor, 35mm, 90 min, livre)

Terça, 17 AGO
13h - Faça o que seu coração mandar, de Farhan Akhtar (Dil Chahta Hai, Índia, 2001, cor, 35mm, 180 min, livre)
16h30 - A rainha dos bandidos, de Shekhar Kapur (Bandit Queen, Índia, 1994, cor, 35mm, exibição em digital, 119 min, 16 anos)
19h30 - Confinados, de Mrinal Sen (Antareen, Índia, 1994, cor, 35mm, 90 min, livre) 

Quarta, 18 AGO
13h - Você não está sozinho, de Rakesh Roshan (Koi... Mil Gaya, Índia, 2006, 176 min, livre)
16h30 - Zubeidaa, de Shyam Benegal (Zubeidaa, Índia, 2001, cor, 35mm, 150 min, livre)
19h30 - Um beijo na bochecha, de Mani Ratnam (Kannathil Muthamittal, Índia, 2002, cor, 35mm, 130 min, livre)

Quinta, 19 AGO
13h30 - Iqbal, de Nagesh Kukunoor (Iqbal, Índia, 2005, cor, 35mm, exibição em digital, livre)
16h - Dança das sombras, de Adoor Gopalakrishnan (Nizhalkkuthu, Índia, 2002, cor, 35mm, 90 min, livre)
18h - Siga em frente Munna Bhai, de Rajkumar Hirani (Lage Raho Munna Bhai, Índia, 2006, cor, 35mm, exibição em DVD, 144 min, livre)
+ Debate: Para onde aponta o cinema indiano contemporâneo? Com Cora Ronai, Ibirá Machado e Tatiana Monassa. Mediado por Gisella Cardoso.

Sexta, 20 AGO
14h Maqbool, de Vishal Bhardwaj (Maqbool, Índia, 2003, cor, 35mm, exibição em digital, 132 min, 12 anos)
16h30 - Sr. e sra. Iyer, de Aparna Sen (Mr. and Mrs. Iyer, Índia, 2002, cor, 35mm, 120 min, livre)
19h - Três idiotas, de Rajkumar Hirani (3 Idiots, Índia, 2009, cor, 35mm, exibição em digital, 164 min, livre)

Sábado, 21 AGO
10h15 - Como estrelas na Terra, de Aamir Khan (Taare Zameen Par, Índia, 2007, cor, 35mm, exibição digital, 165 min)
13h30 - A Terrorista, de Santosh Sivan (Theeviravaathi: The Terrorist, Índia, 1999, cor, 35mm, exibição em digital, 95 min, 12 anos)
15h30 - Lagaan - A coragem de um povo, de Ashutosh Gowariker (Lagaan - Once Upon a Time in India, Índia, 2001, cor, 35mm, 224 min, livre)
19h30 - Bombaim, de Mani Ratnam (Bombay, Índia, 1995, cor, 35mm, 141 min, 12 anos)

Domingo, 22 AGO
12h - Laços, de Nagesh Kukunoor (Dor, Índia, 2006, cor, 35mm, exibição em digital, 147 min, livre)
15h - Do coração, de Mani Ratnam (Dil Se, Índia, 1998, 35mm, cor, 163 min, 12 anos)
18h - Devdas, de Sanjay Leela Bhansali (Devdas, Índia, 2002, 35mm, 180 min, 12 anos) 
 
Debates
 
Debate 1 - Dia 12, às 20h20: A Índia e o cinema – de Bollywood a Calcutá
Este primeiro debate buscará falar dos costumes, da cultura e do modo de pensar indiano através dos filmes e cineastas presentes na mostra, apresentando assim as diferentes indústrias existentes no país; e abordando também o modo com que os conflitos e anseios dessa sociedade estão refletidos no seu cinema.
Com Humberto Giancristofaro e Raquel Valadares. Mediado por Gisella Cardoso.

Gisella Cardoso, curadora da presente mostra, é formada em cinema e comunicação e realizou a coordenação e curadoria também das mostras “Paulo José – 40 anos de cinema” (2005), “Olhares Neorrealistas”(2007), e “Nouvelle Vague Indiana” (2008-2009), todas realizadas nos CCBB de Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

Humberto Giancristofaro é professor de ioga, filosofia e cultura indiana, certificado em 1999 na Yoga-Vedanta Forest University em Rishikesh, Himalaya, Índia. Bacharel em Filosofia na UFRJ e Universidade Paris VIII. É sócio-colaborador da Questão de Crítica – revista eletrônica de críticas e estudos teatrais.

José Carlos Monteiro é professor na Universidade Federal Fluminense. Foi crítico no Globo, Jornal do Brasil e Istoé, editor das revistas Filme Cultura e Guia de Filmes, e escreveu vários ensaios, entre os quais História Visual do Cinema Brasileiro.

Raquel Valadares é bacharel em cinema pela Universidade Federal Fluminense. Dirigiu o documentário Corpo de Bollywood, o povo quer cinema (2007), sobre o cinema popular indiano, e que foi rodado no próprio país; trabalhou como assistente de direção na novela Caminho das Índias (2009), de Glória Perez e Marcos Schechtman; e atualmente faz a pesquisa do programa Um pé de quê?, edição especial “Japão”, de Estevão Ciavatta e Regina Casé.

Debate 2 – Dia 19 agosto, quinta, às 20h20: Para onde aponta o cinema indiano contemporâneo?
A intenção desse segundo debate é pensar o que esse cinema traz de novo e particular em termos de linguagem, fazendo uma análise sobre a inventividade e abstração dos filmes tanto a partir dos grandes sucessos de Bollywood, quanto a partir dos outros núcleos cinematográficos presentes na mostra, especialmente o cinema mayalam e tâmil.
Com Cora Ronai é colunista no Globo  Ibirá Machado e Tatiana Monassa. Mediado por Gisella Cardoso.

Cora Ronái é colunista do Globo, e escreve diariamente no blog coraronai.blogspot.com, onde escreve muito sobre a Índia.

Ibirá Machado é formado em geografia pela Universidade de São Paulo e pesquisados de cultura indiana. Em 2008 ele criou a primeira página em português na internet sobre o cinema indiano, cinemaindiano.blogspot.com, hoje o mais completo espaço voltado para o cinema indiano no Brasil. Foi curador da Mostra de Bollywood e Cinema Indiano de São Paulo.

Tatiana Monassa é editora da revista eletrônica Contracampo. Editou os catálogos das mostras “Assim Canta Bollywood” (CCBB-DF, 2005) e “As Muitas Faces de Jece Valadão” (CCBB-RJ, 2006). Escreve para diversos catálogos de mostras de cinema, além de ministrar aulas e workshops, e participar de processos de seleção de filmes.
 
Sinopses

A Rainha dos Bandidos, de Shekhar Kapur (Bandit Queen, 1994, cor, dvd, 119 min, 14 anos)
- A história real de Phoolan Devi, uma mulher que, como tantas na Índia, sofreu horrores por ser mulher e por ser de casta tida como inferior, e acabou por tornar-se uma conhecida justiceira. Dias 13 e 17

Bombaim, de Mani Ratnam (Bumbai, 1995, cor, 35mm, 140 min, 12 anos)- Um homem hindu e uma mulher muçulmana de uma pequena aldeia se apaixonam, casam-se contra a vontade de suas famílias e mudam-se para Bombaim, onde enfrentam conflitos religiosos. Dias 12 e 21

Como estrelas na Terra, de Aamir Kahn ( Tare Zameen Par, Índia, 2007, cor, 35 mm, exibição em digital, dvd, 165 min.) Ishaan é um menino de oito anos que não consegue se concentrar na escola e que vive em um mundo próprio. Seus pais o enviam para um colégio interno para que seja “disciplinado”. Lá ele conhece um novo professor que o vê de modo diferente. Dias 14 e 21.

Confinados, de Mrinal Sen (Antareen, 1994, cor, 35mm, 91 min, livre) - Na superlotada Calcutá, todos devem limitar seu deslocamento, simplesmente devido à dificuldade de ir de um lugar a outro. Dias 10 e 17

Do coração, de Mani Ratnam (Dil Se..., 1998, cor, 35mm, 163 min, 12 anos) - Segundo a literatura árabe antiga, o amor é classificado em sete diferentes tonalidades. Do coração é uma viagem através destas 7 cores. Dias 13 e 22

A terrorista, de Santosh Sivan (Theeviravaathi: The Terrorist, 1999, cor, 35mm, exibição em digital, 90 min, 12 anos) - A história de um grupo terrorista não identificado que planeja o assassinato de um líder político através de uma mulher-bomba. Dias 11 e 21

Lagaan - a coragem de um povo, de Ashutosh Gowariker (Lagaan: Once Upon a Time in India, 2001, cor, 35mm, 224 min, livre) - A luta de camponeses – por volta do ano 1983, quando a Índia estava sob a égide britânica – que têm a oportunidade de cancelarem seus impostos sobre a terra caso vençam uma partida de críquete. Dias 10 e 21

Zubeidaa, de Shyam Benegal (Zubeidaa, 2001, cor, 35mm, 150 min, livre) - A busca de um jovem por saber quem era sua mãe através de pessoas que a conheciam e dos pertences que ela havia deixado para trás. Dias 14 e 18

Faça o que seu coração mandar, de Farhan Akhtar (Dil Chahta Hai, 2001, cor, 35mm, 183 min, livre) - A história de três amigos de faculdade e a transição de cada um para a vida adulta. Dias 11 e 17

Sr. e sra. Iyer, de Aparna Sen (Mr. & Mrs. Iyer, 2002, cor, 35mm, 120 min, livre) – É setembro de 2001, época de conflitos religiosos. Meenakshi Iyer e Raja Chowdhury se conhecem quando embarcam em um ônibus que carrega um pouco de toda a Índia. Dias 15 e 20.

Devdas, de Sanjay Leela Bhansali (Devdas, 2002, cor, 35mm, 180 min, 12 anos) - Saga épica que conta a história de um amor entre Devdas e Paro, antigos amigos de infância que se reencontram após muitos anos separados. Dias 11 e 22
Dança das sombras, de Adoor Gopalakrishnan (Nizhalkkuthu, 2002, cor, 35mm, 90 min, livre) - Na Índia o enforcamento é a pena máxima para um crime. Essa é história sobre um enforcador e seus dilemas. Dias 15 e 19.
Um beijo na bochecha, de Mani Ratnam (Kannathi Muthamuttal, 2002, cor/pb, 35mm, 130 min, livre) - Através do olhar da menina Amudha, Mani Ratnam apresenta um retrato da ilha de Sri Lanka na época da Guerra Civil. Dias 14 e 18.

Maqbool, de Vishal Bhardwaj (Maqbool, 2003, cor, 35mm, exibição em digital, 132 min, 12 anos) - O encontro de Macbeth de Shakespeare com o Poderoso Chefão, ambientada na Mumbai contemporânea. Dias 14 e 20.

Siga em frente Munna Bhai, de Rajkumar Hirani (Lage Raho Munna Bhai, 2006, cor, 35mm, exibição em digital, 144 min, livre) - O carismático gângster Munna Bhai conhece Mahatma Gandhi através de uma radialista por quem ele nutre uma paixão platônica. Dias 13 e 19.

Laços, de Nagesh Kukunoor (Dor, 2006, cor, 35mm, exibição em digital, 147 min, livre) - O encontro de duas mulheres que vêm de diferentes mundos, uma muçulmana e outra hindu. Dias 10 e 22.

Iqbal, de Nagesh Kukunoor (Iqbal, 2006, cor, 35mm, exibição em digital, 127 min, livre) - A história de Iqbal, um garoto surdo que sonha em ser jogador de críquete da seleção da Índia. Dias 12 e 19.

Você não está sozinho, de Rakesh Roshan (Koi... Mil Gaya, 2006, cor, 35mm, 176 min, livre) - Uma ficção científica de Bollywood que conta a história de um cientista que estabelece contato com alienígenas, contato retomado por seu filho anos depois. Dias 12 e 18.

Três idiotas, de Rajkumar Hirani (3 Idiots, 2009, cor, 35mm, exibição em digital, 164 min, livre)
Dois amigos embarcam em uma missão em busca de um terceiro amigo que está desaparecido há alguns anos. Dias 15 e 20.
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