Eborenses, lisboetas e portugueses afins (e espanhóis?), na próxima semana tem início o Festival Évora Clássica - Os Orientais, a sediar-se no Palácio de Cadaval. No DiárioDigital lemos o seguinte: "O programa do festival conta com diversas sonoridades tradicionais e contemporâneas, trazidas por cerca de uma centena de músicos, dançarinos, storytellers [contadores de histórias], poetas, mágicos e acrobatas, dirigidos por Alain Webber".
Mas para nós, adoradores do cinema da Índia, a notícia é ainda mais interessante. Neste festival terá lugar um ciclo de cinema de Bollywood com o simpático nome de Cine Rama, com exibições gratuitas de quatro bons filmes indianos, um por dia, de 8 a 11 de julho.
A programação é a seguinte:
Dia 8/7 - Quarta-Feira Mangal Pandey (2005), de Kehtan Mehta, com Aamir Khan e música de A.R. Rahman. 16h00
Dia 9/7 - Quinta-Feira Dashavatar (2008), animação feita por Bhavik. 16h00
Dia 10/7 - Sexta-Feira Lagaan (2001), de Ashutosh Gowariker, com Aamir Khan e música de A.R. Rahman. 16h00
Os bilhetes para as exibições devem ser reservados. Os filmes serão exibidos com legendas em inglês, com exceção de Mangal Pandey, que terá legendas em português. Mais informações e sinopses, clique aqui.
Alguns podem não saber e nem imaginar, mas muito do que é feito hoje nas cenas de song-and-dance das indústrias de cinema da Índia deve-se muito à influência de Michael Jackson. Na década de 80, enquanto os filmes de Bollywood faziam cenas de música mais simples e geralmente sem grandes coreografias, Tollywood e Kollywood (as indústrias telugu e tamil, respectivamente), fundavam um novo paradigma no cinema da Índia.
O primeiro grande impacto veio com o que hoje é um dos vídeos virais de maior circulação da internet: a música Golimar, do filme telugu Donga (1985), hoje conhecido como "Thriller Indiano". Há vários dele no youtube, alguns sem legendas, outros legendados, outros vários parodiados. Mas praticamente todos já foram vistos milhões de vezes - e não estou exagerando. O que vai abaixo, por exemplo, já foi visto até esse momento mais de 16 milhões de vezes. Esse filme foi lançado três anos depois do lançamento do clipe Thriller, de Michael Jackson, que fundou uma nova era no mundo do show business, cuja influência imediatamente atingiu a Índia.
A partir desse clipe da música Golimar, a própria indústria telugu começou a reproduzir cenas de dança semelhantes, pois o sucesso era imediato e levava o público ao delírio. Um novo passo na consolidação desse estilo de song-and-dance no cinema da Índia veio, porém, nos finais dos anos 80, com a chegada de Prabhu Deva.
Embora Prabhu também seja conhecido hoje por outro super vídeo viral disseminado principalmente no Brasil, com o nome de "Rivaldo, sai desse lago", ele é uma super personalidade em Kollywood e é unanimimente chamado de "Michael Jackson da Índia". Suas aparições nos cinemas em língua tamil, na década de 90, eram sempre sucesso garantido. Tanto era assim que as indústrias vizinhas logo começaram a contratá-lo também, incluindo Bollywood. No entanto, ao que consta, ele sempre enfrentou uma certa resistência por aparecer em Bollywood, como forma de garantir o sucesso das indústrias de cinema do sul da Índia.
E foi justamente por essa resistência, que o cinema hindi de Bollywood viu-se obrigado a adaptar para si mesmo o novo paradigma que vinha do sul. E foi daí que nos anos 90 - e principalmente com mais força nos anos 2000 - as cenas de song-and-dance de Bollywood foram totalmente repaginadas e são hoje a grande referência do cinema indiano, com coreografias super elaboradas. Tudo isso por quê? Por causa de Michael Jackson.
As declarações das personalidades do cinema indiano sobre a morte de MJ foram muitas. Mithun Chakraborty, do cinema bengalês, mas também presente em filmes de Bollywood, como Chandni Chowk to China e Guru, disse que "sua contribuição ao mundo da música será imortal. Foi incrível, extraordinário, impressionante. Tentei copiá-lo em muitos filmes. (...) O legado musical do rei do pop será sempre lembrado. Pra mim ele ainda está vivo. Existo graças a ele". O diretor Anurag Basu, de Life in a... Metro, reafirmou que sua geração cresceu ouvindo MJ e que sua morte "é o fim de uma era".
O músico Shankar Mahadevan, do renomado trio SEL, reconhece que Michael Jackson "fez-nos pensar de forma diferente com seu sucesso 'Thriller'. Foi uma instituição da música moderna, que teve um grande sucesso de massas com excelência musical". Mas a declaração mais sentida vem mesmo de Prabhu Deva: "Hoje é um dia muito triste pra mim e pra todos os outros dançarinos do mundo. Michael Jackson era meu mentor. Eu cresci assistindo as suas danças e copiando seus passos. Mesmo hoje, quando faço coreografias de novas músicas, ou quando estou apenas dançando em casa, tudo seria impossível sem o conhecimento que adquiri de MJ. É realmente doloroso saber que meu herói não está mais aqui".
E pra fechar a postagem, veja a seguir o famoso Thriller Indiano e depois a cena da música Chikku Bukku Rayile, uma das mais famosas com Prabhu Deva, no filme tamil Gentleman (1993):
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Como eu havia anunciado anteriormente, a animação Roadside Romeo é a primeira produção indiana a estrear em circuito comercial no Brasil, o que é um feito mais do que notável para nós. Com o nome de "Romeu - O Vira-Lata Atrapalhado", a coprodução da Aditya Chopra e Yash Raj Films com a Walt Disney Pictures estreou no último dia 12 de junho no Brasil com, ao que consta, 50 cópias. Se o número de cópias é o mesmo número de salas em que passa um filme, então São Paulo dominou mais da metade, já que nas primeiras duas semanas em cartaz o filme estava em pouco mais de 30 salas da capital paulista.
Bom, e no último sábado eu resolvi enfrentar o frio e a garoa de São Paulo e fui ver a animação que, lógico, independente da qualidade, merecia meu prestígio! Confesso que fiquei chateado ao descobrir que simplesmente não tinha nenhuma opção de ver o filme legendado, que era o que eu tanto queria. Mas baixar o filme na internet não seria a mesma coisa, pois eu precisava comparecer a um momento histórico como esse. E Kareena Kapoor e Saif Ali Khan que me perdoem, eu sinceramente quis ouvir as suas vozes nas bocas dos personagens principais, mas o mercado quis que todas as cópias fossem dubladas e fui assim mesmo. Ao lado está a foto que tirei com o celular, do cartaz da sala 6 do multiplex em que fui, e até que tinha bastante gente!
Dirigido por Jugal Hansraj, o filme foi inteirinho feito nos estúdios de computação gráfica da Tata Elxsi, em Bangalore. O "apoio" do Grupo Tata para essa produção é evidente inclusive no único merchandising que aparece no filme. Em um dado momento, um caminhão da carrocinha aparece e bem na tela mostra a marca do veículo: Tata Motors.
E vamos à história do filme. Logo no começo vemos a história de um cão, Romeu, que vive a vida de um príncipe, numa grande mansão de Mumbai, tendo todas as regalias possíveis, sendo amado por seus donos humanos e tendo todas as namoradas cadelas que quiser. Sua vida é perfeita. De repente, porém, vemos que Romeu está dormindo dentro de um encanamento sujo e sonhando com isso. Ele acorda e, já desperto, diz a nós, espectadores, que aquilo não era um sonho, mas sim a vida que ele tinha até ser abandonado pela família que se muda para Londres. E que agora estava lá jogado no esquecimento.
Andando na rua, morto de sede, acha uma torneira pingando e vai lá beber. Mas eis que aparecem três cachorros, Guru, Interval e Hero, e uma gata que se acha cachorro, Mini, dizendo que aquele pedaço já tinha dono e que se ele quisesse beber daquela água ele deveria pagar os ossos devidos em troca da proteção do poderoso Charlie. Romeu, porém, não se intimida e logo percebe que aqueles cães são bandidos fajutos e os convence a fazerem um negócio conjunto como forma de arrecadarem os ossos. A brilhante ideia de Romeu é abrir um salão de beleza para revolucionar a estética dos cachorros da redondeza.
Todos topam e logo o Salão do Romeu está aberto e funcionando a todo vapor, com longas filas da cachorrada louca por um corte de cabelo incrível... mas não tarda para aparecer Chhainu, o braço direito de Charlie, cobrador das taxas de proteção. Todos saem correndo do salão, menos Romeu, que na verdade não sabia quem ele era. Romeu peita Chhainu, dizendo que não pagaria osso nenhum, e Chhainu sai com o rabo entre as pernas, temendo ser comido por Charlie se chegasse sem os impostos recolhidos.
E na hora de finalmente aparecer o temido Charlie, aquele mistério básico que Bollywood faz com seus "dons" é reproduzido na íntegra. Primeiro vemos o cenário em que ele mora, um grande, velho e enferrujado navio atracado no porto, com aspecto, sujo, úmido e escuro, com vários serviçais a seu favor. Ouvimos então sua voz e cães com medo. Daí vemos sua mão recaindo no braço de uma poutrona. E então finalmente o mistério acaba quando ele aparece, com seu aspecto repugnante. Tudo me lembrou muito o "don" Babban, no filme AAG (2007).
E aliás, se a inspiração em Babban é real ou não, o fato é que há no salão de Romeu uma grande foto de Amitabh Bachchan, que aparece muitíssimo claramente em uma cena. Além disso, ao lado da entrada do salão, há um grande cartaz do filme Dhoom 2 (2006), com o elenco principal em destaque, que aparece algumas várias vezes no filme. E a referência a outras produções não para por aí. Mais no final do filme, numa cena em que a cadela Laila corre atrás do trem em que está Romeu é referência explícita a uma cena de Dilwale Dulhania Le Jayenge (1995), um dos filmes mais lucrativos de todos os tempos de Bollywood, que até hoje está em cartaz numa sala em Mumbai. Nessa hora, o próprio Charlie diz: "Ãh... onde foi que já vi isso antes?".
E voltando, Charlie fica furioso ao saber que há alguém contrariando suas ordens. Ordena que o prendem e, para isso, chama seu trio maravilha, as Panteras (Angels, no nome do trio em inglês). No meio dos entreveros de Romeu com Charlie, porém, Romeu conhece Laila, uma linda cadela que estava ensaiando sua música no alto do telhado de uma casa. Ele se apaixona e se declara a ela. Ela diz então que se ele realmente gosta dela ele deveria subir no palco onde ela cantaria, como prova de seu amor.
Acontece que Romeu não sabia que Charlie, o temido, era apaixonado por Laila e que todas as noites que ela tinha um espetáculo ele a via de camarote. Seus amigos o alertam disso e dizem a ele que ele morreria caso ele subisse mesmo no palco. Mas a paixão é cega e não mede as consequências (e ao mesmo tempo prova que nada é impossível e que as barreiras podem ser rompidas). Romeu sobe mesmo no palco e dança e canta com Laila, para a fúria profunda de Charlie, que manda prendê-lo.
Romeu, então, arma um grande esquema para se livrar e promete a Charlie que convenceria Laila a namorar com ele. Mas a ideia era tapear Charlie, usando a gata Mini no lugar de Laila, o que em princípio dá certo. Só que tanto Charlie quanto Laila descobrem a farsa, e ambos ficam muito bravos. Nisso, num momento de fuga, a carrocinha chega e quando ela está prestes a pegar Charlie, Romeu o empurra e coloca-se na frente, sendo ele então capturado. Charlie então é tocado no coração e faz de tudo para libertar Romeu. Finalmente liberto, Romeu vai para um trem qualquer, sem rumo, já que sua paixão havia se quebrado e sua vida estava sem sentido. E quando o trem começa a partir, eis que aparece Charlie obrigando Romeu a descer, pois ele tinha contado a verdade toda pra Laila, que tinha então perdoado Romeu. É quando ela então corre atrás do trem, apaixonada.
Bom, e no resumo da ópera devo dizer que não gostei do filme em si, mesmo dando o desconto de ser uma animação. Eu ficaria muito mais feliz se ouvisse Kareena dando voz a Laila e Saif a Romeu. Nos créditos finais, aliás, além dos "erros" de gravação, também aparece cenas de ambos os atores gravando as vozes em estúdio, mas na versão brasileira está dublado e perde toda a graça. E falando em versão brasileira, eu achei curioso o fato de a cena de "intermission" (intervalo), ter sido mantida, sem, porém, que o intervalo realmente acontecesse, já que não temos esse costume por aqui. Outra coisa engraçada são as cenas de song-and-dance, que também são parte integrante dessa animação, e que tiveram as letras traduzidas.
E por fim, uma cena me deixou um tanto perplexo, em se tratando de uma produção infantil indiana. Em uma indústria de cinema em que ainda hoje cenas de beijo são muitíssimo raríssimas, em Roadside Romeo há um belo e longo beijo entre Romeu e Laila, em cima do telhado, com a lua cheia ao fundo. Ainda que seja uma animação, um beijo é um beijo para a Índia, e fiquei bem surpreso com isso.
Ok, e agora é esperar que essa animação abra espaço para novas produções indianas aportarem em terras tupiniquins, inaugurando uma nova era do cinema no Brasil. E por hora, quem puder corra aos cinemas para assistir Romeu - O Vira-Lata Atrapalhado, e leve seus filhos, sobrinhos, primos, ou a namorada, o namorado, ou vá mesmo sozinho. Esse filme tem que ter retorno e mostrar que é viável, mesmo que ruim. Abaixo vai o trailer:
Nesse último sábado, na novela da rede Globo Caminho das Índias, alguns personagens foram ao cinema na Índia assistir ao filme Jodhaa Akbar. Foi então que lembrei que assisti a esse filme ainda quando estava na Índia e que até hoje não tinha feito uma postagem sobre ele - e olha que é um dos meus filmes favoritos de Bollywood!
Bom, pra começar, Jodhaa Akbar é quase um épico que conta mais ou menos a história real da paixão do imperador mogol Jalaluddin Muhammad Akbar, muçulmano, por Hira Kunwari (posteriormente chamada de Jodhabai), uma princesa hindu, filha do marajá de Amber (atual Jaipur), em 1562. É dirigido por Ashutosh Gowariker, o mesmo que dirigiu Lagaan e Swades. Akbar é ninguém mais que Hrithik Roshan e Jodhaa é a fabulosa Aishwarya Rai. E pra completar, a música é do mestre A.R. Rahman. Ou seja, tudo pro filme ser realmente bom.
Ah sim, e essa produção é uma das mais longas já feitas em Bollywood, com 3 horas e 31 minutos de duração (onze minutos menos que Lagaan, do mesmo Ashutosh).
Além disso, Akbar construiu a cidadela de Fatehpur Sikri, perto de Agra, que foi um dos lugares na Índia em que mais fiquei encantado quando visitei. Ela foi ocupada por apenas 12 anos e em seguida abandonada devido à seca, mas permanece intacta, 400 anos depois. De Jodhaa e Akbar nasceu Jahangir, que sucedeu seu pai no Império Mogol e que, por sua vez, foi sucedido por seu filho Shahjahan, que acabou por entrar na história pela construção do Taj Mahal, uma das atuais 7 maravilhas do mundo. E Shahjahan é, por sua vez, bisneto de Humayun (pai de Akbar), que reinou em Delhi e reside hoje sob a mais bela tumba da atual capital da Índia.
Mas como toda história tem seus mistérios e invenções (quem conta um conto aumenta um ponto, não é?), a própria existência de Jodhaa é controversa. Pra começar, o nome Jodhaa, ou Jodhabai, jamais apareceu em qualquer documento que fosse da época. Ao que consta, apareceu muito tempo depois, em contos recentes sobre o imperador, que é venerado até hoje por muitos. O fato é que ele casou-se mesmo com Hira Kunwari, posteriormente rebatizada com o nome muçulmano de Mariam-uz-Zamani Begum Sahiba, após um acordo diplomático com o marajá de Amber. Mas como esses acordos eram comuns na época, incluindo casamentos como forma de aliança, essa história de Mariam-uz-Zamani e Akbar é apenas mais uma. A cena piora ainda mais quando sabemos que ela era apenas mais uma do harém de Akbar.
Ou seja, dizer se Jodhaa realmente existiu e se ela era Mariam-uz-Zamani é uma tarefa em verdade impossível de ser confirmada. Mas nada disso tira a beleza do filme, que não deixa também de ser uma ficção. Ashutosh confessou que 70% da história do filme é obra de sua cabeça.
Logo no começo do filme, o pequeno Akbar assiste a sangrentas batalhas e é coroado imperador de um dos maiores impérios do planeta até então. Através de um acordo com o marajá Bharmal, de Amber, Akbar acerta o casamento com Jodhaa. Todo esse momento pré-nupcial é todo recheado de desafios a ambos, o que inclui uma cena ímpar em que Akbar deve descobrir quem é Jodhaa entre várias - se descobrisse ele poderia então casar com ela. E, na verdade, os desafios prosseguem mesmo depois do casamento.
A forte personalidade de Jodhaa faz Akbar sentir-se muito desafiado. Mas é justamente com esse desafio que ele mergulha na paixão - e é isso que o filme explora do começo ao fim. Pra começar, ela própria coloca como condição ao casamento a permissão de ela seguir hindu e devota de Krishna, o que significaria levar ao palácio de Akbar uma estátua do deus hindu. E numa cena do filme, quando Akbar entra em seu quarto, nota que suas araras haviam sido soltas da gaiola, certamente pela condolida Jodhaa.
Mas como nem tudo são flores, Jodhaa enfrenta fortes resistências no reino de Akbar, e até mesmo rejeição. Ela passa a encontrar-se secretamente com seu irmão, mas Akbar descobre e fica furioso, na verdade por ciúmes, não sabendo quem era aquele homem misterioso com quem Jodhaa se encontrava.
O filme desenrola-se com todos esses entreveros, mas não cansa. A beleza dos figurinos, dos cenários, das músicas e das coreografias mantém a nossa atenção na obra. Aliás, a coreografia de Azeem-o-Shaan Shahenshah é simplesmente fantástica (essa música ficou famosa por fazer parte da trilha sonora indiana de Caminho das Índias). E Aishwarya e Hrithik estão absolutamente excelentes em seus papéis.
Na premiação do Filmfare Awards desse ano, Jodhaa Akbar levou o prêmio de melhor filme, além de melhor diretor pra Ashutosh Gowariker, melhor ator pra Hrithik Roshan, melhor escritor de música para Javed Aktar e melhor edição de som para A.R. Rahman. No total, o filme já soma onze prêmios, dentre eles o de Melhor Filme Estrangeiro votado pelo público na 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (2008). Aliás, no site oficial do filme, esse último prêmio aparece em destaque na página de abertura, dada a importância que nosso festival tem hoje para o cinema.
Para a produção do filme, que custou algo em torno de 15 milhões de reais, foram usados 80 elefantes, 100 cavalos e 55 camelos para cenas de guerra e cerimônias reais. Na coreografia de Azeem-o-Shaan Shahensha, cerca de mil figurantes foram utilizados, todos com figurinos de época, cuidadosamente detalhados e confeccionados. E Ashutosh é tão preocupado com os pequenos detalhes, que além de ter contratado uma grande equipe de historiadores, exigiu que as joias utilizadas no filme fossem todas de ouro de verdade, e não bijuteria. No total, mais de 400kg de ouro foram usados. E na minha opinião, até mesmo a trilha sonora, de A.R. Rahman, é uma das mais bem cuidadas e bonitas que já vi em Bollywood. Também pudera, Akbar era seguidor da linha Sufi no Islamismo, a mesma que segue Rahman, e essa influência pode ser notada em algumas músicas.
Na Índia, Jodhaa Akbar foi um sucesso. No entanto, devido às polêmicas ligadas aos fatos reais ou não reais da história de Jodhaa e Akbar, aliada à rígida intolerância religiosa indiana, os estados de Uttar Pradesh, Rajastão, Haryana e Uttarakhand proibiram a exibição desse filme em seus territórios, como forma sobretudo de evitar problemas mais graves de ataques terroristas a salas de cinema que exibissem essa obra- que chegou a ocorrer em poucos casos.
- E agora é a vez de postarmos um comercial. Há tantos comerciais indianos divertidos que fica difícil escolher um pro dia, então confesso que esse de hoje foi escolhido com o critério do aleatório e foi ele mesmo que quis vir.
Trata-se de um comercial que dizem ter sido premiado. Eu coloco esse "dizem" pois fucei até onde pude na internet e não encontrei informações sobre ele, do tipo quem fez, quando fez, quando foi premiado, se é que foi etc. O que sei é que essa propaganda é da Aaj Tak e que faz parte de uma série de campanhas dessa rede televisiva, entre elas a anti-tabagista.
A Aaj Tak (que pode mais ou menos ser traduzido para "até hoje", mas no sentido de "no último minuto", se é que esse sentido pode ser dado, mas enfim) é atualmente a maior emissora privada indiana de informação e entretenimento. 24 horas no ar, a Aaj Tak é fonte segura de informações para cerca de 45 milhões de pessoas que a assitem na Índia via TV a cabo ou de satélite. Foi premiada na Índia nos últimos oito anos como o melhor canal de notícias do país.
Bom, e então eles fizeram esse comercial que vos passo a seguir. Numa estação de trem, um sujeito fuma enquanto fala ao celular, sentado num banco. Ao seu lado, dois outros sujeitos incomodam-se com a fumaça. Um deles decide levantar-se e em seguida retorna enfiando couve-flor na boca do moço que fumava falando ao celular. O comercial está em hindi e com legendas em inglês. Abaixo, então, passo as falas em português:
Fumante (no celular): Os papéis estão na escrivaninha da direita. Velho: Filho, pare de fumar, por favor. (O velho levanta-se e pede as couve-flores) Fumante (no celular): Faça o que eu mandei você fazer... então deixe tudo comigo... hahaha (o velho senta-se ao lado do fumante e coloca a couve-flor na boca dele) Velho:Esses vegetais são de couve-flor! Fumante: Eu não quero comer! Por que você está me forçando?? Velho: Pois eu também não pedi por um cigarro mas ainda assim você me forçou a respirar a fumaça. Agora é minha vez de mostrar a você um pouco de hospitalidade... tome, pegue um pouco dessa couve-flor (pondo na boca do fumante) Fumante: Não, não, não! Velho: Se você quer morrer fumando, por favor, você é livre pra fazer isso, mas não faça ninguém seu parceiro! Tenha vergonha! Outro sujeito: Você fez a coisa certa... Velho: Veja! Narrador: Todas as vozes te alcançam pela Aaj Tak!
= Hoje recebi um artigo que de novo foge um pouco do tema central de nosso blog, mas eu achei ele bem interessante e que merecia ser compartilhado. E na verdade, como as coisas do mundo estão todas conectadas, eu acredito que o que se fala nesse artigo pode no fim das contas ter muito a ver com a propagação do cinema indiano por nossas bandas de cá. E é sobre isso que vínhamos falando nos últimos artigos publicados.
Esse de hoje, porém, tem uma importância um tanto maior. Trata-se de um texto escrito por B.S. Prakash, o embaixador da Índia no Brasil, e publicado na Rediff.com, um dos mais importantes sites de notícias e entretenimento da Índia. O texto original está em inglês e o que se segue é uma versão em tradução livre ao português feita por mim mesmo.
A novela sobre a Índia que pegou o Brasil de surpresa
Quando chego na embaixada e abro meu email, costumo receber as coisas normais de novas oportunidades de negócios, reclamações sobre vistos e passaportes, convites para eventos etc.
Mas nos últimos tempos ando recebendo coisas inesperadas. Recebo emails perguntando sobre o significado do bindi. "Um sari pode ser vestido sem a blusa?". Ou "Kali é o nome de um curry ou alguma coisa apimentada?" e outras coisas sobre a Índia. E tudo isso no Brasil, onde sou embaixador, experimentando agora a mais forte e mais estranha manifestação do poder da Índia nunca vista na minha carreira.
Como essa curiosidade sem precedentes sobre a Índia apareceu em terras tão distantes?
Isso é o resultado de uma novela que está passando no canal de televisão mais importante do Brasil, que começou em janeiro e seguirá até setembro, passando todos os dias por sete meses. Essa novela, chamada Caminho das Índias, todas as noites está trazendo a Índia para a grande maioria das casas brasileiras.
Antes de dizer do que se trata a história dessa novela, devo falar da importância que tem o fenômeno das novelas na América Latina e de seu forte impacto na vida das pessoas.
Uma novela de sucesso no canal Globo, no Brasil, tem mais impacto que Saas Bhi Kabhi Bahu Thi [novela indiana de super sucesso] e seu apelo pode apenas ser comparado com a série do Ramayana que no passado juntava multidões de indianos em torno das televisões.
As novelas brasileiras tem suas próprias fórmulas de amor, luxúria, falsidades e destruições com finais felizes. Elas são produções sofisticadas e espetaculares, realizadas com um altíssimo orçamento. Hoje em dia, mais de 60% das casas brasileiras assistem à novela, num país de quase 200 milhões de habitantes, sendo que essas mesmas novelas são depois exportadas para os países da América Latina e para os que falam a língua portuguesa.
As novelas comuns são feitas no Brasil e passam no Brasil, mas Caminho das Índias tem parte da trama sediada na Índia e outra parte no Brasil, com lindas garotas brasileiras apaixonando-se por indianos e vice-versa.
O que é importante dizer é que todos os atores são super conhecidos no Brasil, mesmo os que fazem os papéis dos indianos. Toda a história é contada em português, com algumas poucas frases não muito fiéis em hindi, como theek hai, chalo, bhagwan ke liye, arre baba etc, que são faladas pelos personagens indianos.
Essas palavras são hoje faladas pelos brasileiros por todos os lados e várias revistas já publicaram pequenos glossários dessas palavras em hindi usadas na novela.
E como Brasil e Índia se uniram nessa história? Isso ocorre a partir da bem sabida competência indiana em tecnologia da informação. Assim, o garoto dalit sai de sua pátria-mãe frustrado no amor por ter se apaixonado por uma garota brâmane e vai parar no Brasil como um engenheiro de computação. Notem que tanto o oprimido dalit quanto a garota brâmane são ambos interpretados por lindos atores brasileiros, caracterizados em lindas kurtas, salwars e saris e falando português.
Ao mesmo tempo, garotas brasileiras adolescentes apaixonam-se por rapazes indianos através das câmeras do Skype. A parte indiana é filmada sobretudo em e nos arredores de Jaipur e a parte brasileira passa no Rio de Janeiro. Um pouco de Dubai também faz parte dessa masala.
Se a conexão de Índia e Brasil veio pelo TI, o que dá o sabor à novela são outras questões: castas, casamento arranjado, cerimônias exuberantes, rituais exóticos e os tantos deuses estranhos. Tudo isso aparece com abundância, assim como os email que hoje chegam à embaixada.
Como um diplomata, eu sempre soube da importância das mídias de massa na construção da imagem de um país e de sua cultura, especialmente quando desconhecidos entre si, como Índia e Brasil. Então quando ouvi pela primeira vez sobre a novela que a Globo faria, meu sentimento foi um misto de estasia com apreensão.
Meu coração pulou quando eu soube que o eixo central da história seria sobre a rejeição de um dalit pelas castas superiores e coisas relacionadas a isso. Curioso mas cauteloso, eu encontrei a escritora, a produção etc, e tentei saber ainda mais. Aos poucos percebi que uma imagem negativa da Índia não seria transmitida ao Brasil. A história seria incrível, os atores lindos, os cenários exuberantes, e a imagem resultante da Índia seria suntuosa.
Aqui, o Brasil, também um país em desenvolvimento, também com seus problemas relacionados à pobreza, disparidades, favelas etc, mas com uma cultura totalmente diferente, agora olhando curioso à Índia, com seus costumes diferentes, suas artes, sua culinária.
Algumas das coisas são exageradas ou incorretas, mas em nenhum momento são mal intensionadas. Ao contrário, a intenção é ter respeito no transmitir de uma cultura tão diferente, propondo assim uma assimilação. Os interesses são mais no Hawa Mahal, não em Dharavi [maior favela da Índia, em Mumbai]. Se os brasileiros pensam hoje que moramos em pequenos palácios de mármore, usamos lindas roupas de seda e estamos sempre dançando músicas de Bollywood, eu não tenho por que reclamar. Desde então, estamos apenas curtindo o interesse pela Índia nunca antes visto.
Os containers carregados com kurtas, kameez e incensos que agora vemos não alteram nossos comércios bilaterais. Mas confesso que essa atenção toda toma estranhas formas. Outro dia, um empresário indiano estava reclamando comigo, em São Paulo, dizendo que a vida dele estava insuportável. "O que foi?", perguntei. "Eu estava em uma plataforma de petróleo, quando um brasileiro chegou perto e perguntou se eu era indiano. Disse que sim e ele me perguntou se eu era um brâmane ou um dalit", disse ele.
Nós rimos. A pequena comunidade indiana no Brasil ficou expert sobre a história e evolução do sistema de castas e hoje expalham exemplos de dalits bem sucedidos na Índia!
Mas se alguns indianos estão compreensivelmente chateados com a novela, também alguns brasileiros estão. Eu recebi uma mensagem de uma pessoa do alto escalão da Igreja Católica do Brasil. "Nós temos imenso respeito pela Índia e sua cultura, mas essa invasão de cultura indiana, a cultura hindu com vários deuses e deusas, com as práticas pagãs e estranhos rituais, vai corromper o cristianismo do Brasil. Não é justo que reclamemos sobre essa propagação da Índia?", ele perguntou sinceramente.
"O que você pensa da novela?", perguntam-me amigos brasileiros. "É autêntica?". Mas eu não quero entrar num debate sobre se o que mostra a novela é mesmo real ou não. "Essa novela fez a Índia tão popular, que nenhum embaixador pediria por uma plataforma melhor que essa pra projetar a Índia", eu respondo. "E estou pensando na minha 'vingança', na ideia de fazer uma novela indiana sobre o Brasil com todas as suas imagens típicas: dançarinas de samba sensuais, sensacionais modelos de biquíni e grandes jogadores de futebol jogando críquete numa praia de Mumbai", continuo.
Quando respondo isso eles recuam.
Interessada, Ekta Kapoor? [escritora e produtora indiana]
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Eu deveria agora fazer uma postagem sobre algum ator, não atriz, mas resolvi ser rebelde comigo mesmo e falar sobre Madhuri Dixit, que também há tempos merece ser destacada aqui no Cinema Indiano.
Nascida em Mumbai no dia 15 de maio de 1967 (ou seja, neste momento com 42 anos! Confesso que achava que ela fosse mais nova!), Madhuri Shankar Dixit é filha de Shankar e Snehlata Dixit, de família brâmane, da linha marata Chitpavan. Estudou na Divine Child High School e depois entrou no Parle College, da Universidade de Mumbai. Seu sonho era ser microbiologista.
Enquanto estudava, porém, acabou entrando no mundo da moda e virou modelo. Daí ganhou fama e da fama nem precisou dar um pulo pra entrar em Bollywood. Já no ano de 1984, ainda com 17 anos e no primeiro ano da faculdade, estreou em Bollywood no filme Abodh. Depois disso fez outros pequenos papéis, mas todos sem sucesso.
Em 1988, porém, fez o papel principal no filme Tezaab, que a levou ao sucesso absoluto e já deu a ela a primeira indicação no Filmfare Awards. Em seguida já começou a aparecer em vários filmes, mas teve destaque em Lakhan (1989), Parinda (1989), Tridev (1989) e Kishen Kanhaiya (1990). Neste momento, Madhuri era simplesmente o maior sucesso feminino de Bollywood. Chamavam-na de Marilyn Monroe da Índia.
Em 1990 ela estrelou o filme Dil, ao lado de Aamir Khan, dando a ela o primeiro prêmio de melhor atriz pelo Filmfare Awards. Depois veio os sucessos Saajan (1991), Beta (1992), Khalnayak (1993), Hum Aapke Hain Haun! (1994) e Raja (1995). Por Beta, ela ganhou o segundo Filmfare Awards e por Hum Aapke Hain Haun! veio o terceiro prêmio. Esse filme, aliás, foi um dos mais lucrativos da história de Bollywood.
O ano de 1996 não teve sucessos pra Madhuri, mas em 1997 ela estrelou o mega sucesso Dil To Pagaal Hai, que deu a ela o quarto Filmfare Awards de melhor atriz.
A qualidade de Madhuri não se resume somente à sua atuação, mas também às suas habilidades com a dança. Ela é formada profissionalmente em dança Kathak, que estudou por oito anos. Algumas cenas de dança em que ela aparece fazem parte do repertório dos indianos até hoje, como nas músicas Ek Do Teen (de Tezaab), Bada Dukh Deenha (de Ram Lakhan), Dhak Dhak (de Beta), Chane Ke Khet Mein (de Anjaam), Choli Ke Peeche (de Khalnayak), Akhiyan Milaun (de Raja), Piyar Ghar Aya (de Yaarana), Key Sera (de Pukar), Maar Daala (de Devdas), dentre várias outras.
Este último filme, Devdas (2002), que já foi falado aqui no Cinema Indiano, foi um dos maiores sucessos de todos os tempos de Bollywood, no qual Madhuri estrelou ao lado dos protagonistas Shahrukh Khan e Aishwarya Rai. Para muitos, este filme de Sanjay Leela Bhansali é o melhor que Bollywood já fez. Madhuri levou o prêmio de melhor atriz coadjuvante no Filmfare.
Madhuri é o tipo de atriz que já está tão consolidada no cinema indiano que em 2003 um filme foi lançado com o nome Main Madhuri Dixit Banna Chahti Hoon! (Eu quero ser Madhuri Dixit). Ela própria não aparece no filme.
No ano de 1999 Madhuri casou-se com Sriram Madhav Nene, um cirurgião cardiovascular residente nos Estados Unidos, para onde se mudou. Por causa da nova residência fora da Índia e das duas maternidades, Madhuri acabou ausentando-se quase que completamente do cinema indiano, tendo atuado em Devdas e Hum Tumhare Hai Sanam em 2002 e depois somente em Aaja Nachle, em 2007. Seu primeiro filho, Arin, nasceu em 2003 e o segundo, Raayan, nasceu em 2005.
Até o momento, Madhuri tem uma lista de 67 filmes e dez prêmios recebidos. É uma das poucas personalidades do cinema indiano que não enfrenta rejeição, mas ao contrário. Em 2007, a Rediff, uma rede de informação e entretenimento indiana, afirmou que Madhuri Dixit é a melhor atriz de Bollywood de todos os tempos.
- Enquanto não chegam postagens sobre atores e novos filmes (que sei que é o que vocês mais gostam!), passo mais um artigo que encontrei em consonância com o artigo anterior. Vale também para os novos leitores do Cinema Indiano, que ainda não sabem - ou sabem pouco - que o cinema indiano é muito mais que Bollywood e seus filmes em hindi. Não acho que esse artigo seja dos melhores, mas é interessante por mostrar que os indianos estão cada vez mais preocupados com a projeção deles próprios para o mundo, o que até pouco tempo não havia. Talvez essa nova década que está por entrar traga novas perspectivas para o cinema da Índia e mesmo para o cinema do mundo, pela inserção de uma nova estética, muito diferente da que estamos acostumados no ocidente.
Filmes Hindi são apenas parte do Cinema Indiano por Laxmi Birajdar, do The Times of India, 23/6/9
PUNE: Quem decide o que é sério e o que é café-com-leite no cinema indiano? Qual é a percepção do que é popular no cinema? E, ainda mais importante, quais são os parâmetros pra julgar o bom cinema? Essas foram algumas das questões levantadas pelo cineasta K. Hariharan durante sua palestra sobre o cinema popular indiano, no curso sobre cinema no Film and Television Institute of India (FTII), recentemente.
"Hoje, filmes populares são feitos de maneira democrática. Existe um certo processo nos filmes que vemos. Os espectadores precisam entender o ponto de vista do diretor. Apenas gostando ou não gostando de um filme não nos ajudará a entender melhor o cinema", diz Hariharan, conhecido por filmes como Current (hindi), Ghashiram Kotwal (marathi) e Ezhavathu Manithan (tamil), dentre outros.
A definição precisa do cinema indiano, seja popular, seja outro, precisa ser entendida. "A percepção no ocidente é que o cinema hindi é o cinema indiano. Mas isso não é verdade. Bollywood representa a indústria hindi, o que é, por sua vez, também um cinema regional. As outras indústrias regionais, em outras línguas, são também parte do que é chamado Cinema Indiano", diz Hariharan.
Explicando a psique do público comum indiano, Hariharan diz que apenas na negação nós vemos a verdadeira arte, ou profundidade. "Tudo o que é feliz ou legal não é necessariamente profundo ou bom cinema. Nós indianos vemos arte na negação das emoções, como em filmes que abordam emoções negativas e fortes melodramas. No entanto, os filmes indianos populares estão refinando seus melodramas", acrescenta. De acordo com ele, são os cinemas regionais que podem mostrar a riqueza das produções cinematográficas. "A verdadeira arte do cinema está nas indústrias regionais".
Mas a necessidade de grandes investimentos em publicidade e estratégias de marketing usadas para os filmes, em especial para as grandes produções hindi, está levando os cineastas indianos a acreditarem na ilusão do cinema indiano, diz Hariharan. "Primeiro, temos uma grande impressão de que há um enorme público de fora da Índia que curte os filmes populares de Bollywood. Mas na verdade são os indianos residentes no exterior que assistem a nossos filmes, e não os estrangeiros".
E tocando na questão da corporatização das grandes produções do cinema indiano, especialmente dos filmes hindi de Bollywood, Hariharan diz que "estamos sob a ilusão de que há muito financiamento acontecendo para filmes hindi. Mas na verdade há investimento para poucos. A grande maior parte das produções sobrevivem com a fórmula bem sucedida de levantar verbas de infinitas fontes".
E mais importante, o público indiano é esperto em escolher o que quer. "Dos mais de 900 filmes lançados todos os anos, eles rejeitam 800 deles. Isso significa que eles sabem o que querem e o que não querem", conclui Hariharan.
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