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Hoje, 15 de outubro, é
Dia dos Professores aqui no Brasil. Muitas escolas fecharam hoje, em merecido respeito aos imprescindíveis mestres que nos ensinaram e ensinam sobre o mundo. Alguns conseguem ter a façanha de fazermos odiar certas disciplinas, ou certos assuntos, mas por vezes estes mesmos são responsáveis pela paixão de alguns outros por determinados temas. Nossas demandas e nossas resistências fazem com que nossos mestres sejam também esforçados aprendizes, com suas inerentes dificuldades e facilidades, num dos movimentos dialéticos mais lindos que podem existir em nossas vidas.

Estou escrevendo este texto um pouco tarde, pois certamente a maior parte de vocês já estará lendo isto quando o sol ilumina o dia seguinte , mas ainda assim deixo aqui o meu profundo respeito e admiração pelos professores - de todas as categorias -, em reconhecimento pelos seus esforços e pela missão que todos têm a cumprir. E das mais dignas, que bem se diga.
E sim, nosso blog é sobre cinema indiano. Pois bem. Na Índia, o dia dos professores é comemorado no dia 5 de setembro, ou seja, ficou 40 dias para trás. Naquela ocasião, foi publicado um texto na
glamsham.com falando a respeito de alguns filmes de Bollywood que abordaram a temática dos professores ao longo da história. Como eu fui ter acesso a esse artigo há pouco tempo, achei por bem deixar para pulicá-lo hoje (ainda que nos últimos minutos do dia), em homenagem aos nossos professores.
Então aqui vai:
O Dia dos Professores e os professores nos filmes hindiEnkayaarUm dos fatos mais subestimados que existem é de que a indústria de filmes é uma indústria que inevitavelmente desenvolve-se a partir da relação entre mestre e discípulo. O mais sincero e direto reconhecimento dessa relação veio de Raj Kapoor, que disse que ele não estaria onde está, não fosse o efeito que teve nele a obra de Kidar Sharma. Da mesma maneira, para Rishi Kapoor, foi Raj Kapoor quem lhe ensinou as mais sutis possibilidades da arte de se fazer cinema, fazendo-o entender como caminhar no labirinto do mundo do cinema.
O papel básico de um professor é o de ensinar, e a partir dessa perspectiva podemos encontrar uma série de fatos que comprovam que o cinema não está de fora dos exemplos dessa relação entre mestre e discípulo.

Quando o tema da relação entre professor e aluno aparece nas telas, o
Big B é um dos que mais fizeram este tipo de papel no cinema. Ao fazer tais papéis, porém, ele deve dedicá-los a um ilustríssimo professor que ele teve ainda dentro de casa, certamente sua inspiração - Harivansh Rai Bachchan [seu pai]. O primeiro personagem como professor apareceu em
Chupke Chupke (1975), no qual era um professor de inglês e que conquistou grande respeito. A mesma consideração repetiu-se em
Kasme Vaade (1978), que embora ele tenha tipo uma pequena participação, sua atuação como professor foi feita com tanta dedicação que até hoje não foi superada totalmente. Na geração seguinte, quando vestiu de novo as roupas de professor em
Mahabbatein (2000), ele mostrou como um professor transforma-se a partir das próprias experiências.
Mohabbatein é sem dúvidas um tributo à profissão de ensinar e um exemplo de como duas gerações de professores - e suas respectivas visões de mundo - podem entrar em conflito; o professor mais novo é nada mais que
Shahrukh Khan.
Outra característica do professor que tem sido experimentada com frequência nos filmes é a de preparar o aluno a enfrentar o mundo e lutar contra as injustiças. Essa questão foi também interpretada por Amitabh Bachchan algumas vezes, mas sua geração seguinte trouxe isso com mais força. Ajay Devgan,
Sanjay Dutt e
Salman Khan, além de
Aamir Khan, seguiram com essa tradição.

Em relação ao papel de um professor na formação e crescimento de uma criança, nada bate os filmes
Kitaab (1977), de Gulzar, e
Taare Zameen Par (2007), de Aamir Khan. A diferença entre esses dois filmes está no fato de que em
Kitaab a preocupação está em trazer a questão da importância da escola em si, e em
Taare Zameen Par é escolhido um tema em específico para enfatizar essa questão.
Um fato bem irônico disso tudo é que embora o cinema hindi tenha justamente o hindi como sua língua, os professores de hindi são sempre os mais ridicularizados, filme após filme. Provavelmente isso deve-se ao fato de uma certa aversão que existe de se falar o hindi corretamente, e assim tal professor acaba sendo caricaturado. Asrani, Jagdeep etc., representaram esse tipo de professor.

O cinema hindi também não deu a importância devida às professoras. Quando apareciam, elas estavam mais ligadas à sexualidade do que ao papel de professora em si. Ela foi mais representada como um produto efetivamente do que em sua sensibilidade, e a última manifestação disso foi em
Main Hoon Na (2004); no passado, foi em
Mera Naam Joker (1970).
Independentemente do que virá, o que é certo é que o cinema hindi não sorevive sem os professores. E esse é um momento oportuno pra reolharmos de que maneira os professores vêm sendo representado ao longo dos tempos.[adendo do Ibirá: embora eu tenha achado esse artigo interessante, senti falta de outros notórios professores do cinema indiano, como o professor Debraj Sahai, do lindo filme
Black (2005), interpretado pelo próprio Amitabh Bachchan, ou do treinador de
Chak De! India (2007), interpretado por Shahrukh Khan. Ambos os filmes são ótimos e foram muito premiados e, na minha opinião, deveriam ter sido mencionados. As duas primeiras fotos desta postagem, portanto, referem-se a eles.]