segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Ghajini - घजिनि (2008)


Na onda das postagens com Aamir Khan, nada melhor do que falar sobre o filme do momento - ou de todos os tempos de Bollywood -, Ghajini. E não estou falando de pouca coisa; Ghajini já bateu todos os recordes de arrecadação na história do cinema da Índia, ultrapassando a marca das 2 bilhões de rúpias arrecadadas, no dia 25 de janeiro passado. Isso significa algo como 50 milhões de dólares, ou pouco mais que 100 milhões de reais.

Eu havia já falado alguma coisa sobre Ghajini a respeito do videogame que está sendo lançado agora na Índia baseado neste filme, mas ainda não havia visto naquele momento. Mas agora acabo de assisitir ao filme neste mesmo instante, após baixá-lo na internet com legendas em inglês. Antes de falar um pouco sobre ele e dar minha devida crítica, digo já que foi um filme que não conseguiu me emocionar, embora em muitos momentos tenha me deixado um tanto angustiado. Mas explico: como já havia dito em relação a outros filmes, quando a coisa parecia estar ficando séria e emocionante, as controversas cenas de song-and-dance que aparecem no meio cortaram todo o barato. Ainda que fossem cenas somente de música, tal qual ocorre em Taare Zameen Par (sempre o terei como exemplo), daí o filme manteria o clima, mas...

Enfim, vamos lá. Ghajini conta a angustiante história de um homem (Aamir Khan) que sofre de amnésia retrógrada (sua memória se apaga a cada 15 minutos), mas que tem mensagens por toda parte lembrando-o de que ele deve matar Ghajini (Pradeep Rawat). As mensagens estão tatuadas em seu corpo e por todo seu apartamento, com fotos, papéis e escritos nas paredes. E as mensagens lembram ele que Ghajini deve ser morto porque ele matou Kalpana (Asin Thottumkal).

De repente, em um dado momento, um policial descobre o diário deste homem e um flash back começa contando a história anterior àquela situação. Descobrimos então que este homem é Sanjay Sanghania, o dono da maior empresa de celulares da Índia, a Air Voice (empresa fictícia). Por uma incoveniência do destino, sua vida cai na vida de Kalpana, uma atriz de comerciais de televisão frustrada. Sem querer um romance de mentirinha começa, em parte por uma trapaça dela, mas depois por parte dele. Com o tempo, óbvio, eles se apaixonam de verdade, sobretudo porque ele descobre que ela tem um imenso coração.

E foi por causa desse imenso coração que Kalpana acaba assassinada. Na mesma cena do crime ele é também gravemente agredido e deveria também ter morrido. Mas não morreu e ficou lesado cerebralmente. Antes de morrer, Kalpana disse em seu ouvido "...Ghajini...", e esse nome ficou gravado em sua memória profunda, não afetada pela amnésia retrógrada.

E eis que aparece na história Sunita (Jiah Khan), uma estudante de medicina (na verdade ela aparece logo no começo, mas entra efetivamente em cena depois). Ela desobre o caso de Sanjay e fica super curiosa, mas é desestimulada a estudá-lo por seu professor. Mesmo assim ela insiste e o destino dá uma ajudazinha. Sua investigação acaba interferindo também no destino de Sanjay e no cumprimento de seu objetivo.

Agora prefiro não contar mais o que se segue na história. Ghajini, inspirado no filme de Hollywood Amnesia (Memento, 2000), é escrito e dirigido por A.R. Murugadoss. A direção é boa, mas faço minhas ressalvas, e os recursos de filmagem são excelentes. A atuação de Aamir Khan é absurda, de tirar o fôlego. Para as mulheres de plantão, então, seu corpo de um ano suado de academia dão um ar ainda mais animalesco ao vingativo Sanjay. O filme é recheado de cenas muito violentas e acho que são nessas cenas que alguns dos recursos utilizados na direção talvez tenham deixado a desejar. Mas tenho sempre que lembrar que o público primevo deste filme é a população indiana, que, em princípio, não está nada acostumada a cenas realmente mais densas. Por vezes, as músicas desse filme são também carregadas, contribuindo, a meu ver, positivamente para as cenas. Mas de repente, na cena seguinte, tanto a direção da câmera, quanto a maneira com que são feitos os diálogos, quanto as músicas, tudo corta o suspense anterior e a adrenalina que dá de imaginar como será o desfecho de tudo.

Não sei ao certo o que justifica o fato de Ghajini ser o maior filme de todos os tempos de Bollywood, em termos de arrecadação. Em parte, este filme ajuda a confirmar e solidificar as grandes mudanças por que Bollywood veio passando ao longo da década de 2000, tornando os filmes um pouco mais sérios e melhor elaborados, deixando um pouco de lado o romance excessivo, ainda que Ghajini não deixe de ter o famoso olhar cúmplice do heroi e da heroína. Ainda assim, a velha fórmula song-and-dance está super presente, ainda com o que elas têm de pior; e a nova fórmula corpos bonitos também está com tudo.

A trilha sonora é de A.R. Rahman, macaco velho de Bollywood (e também é ele que faz a trilha de Quem quer ser milionário?). Mas eu não gostei da trilha deste filme, principalmente porque achei que elas não condizem com a densidade do tema. Neste filme há uma cena num local que em princípio ficou difícil descobrir onde era e que não tinha nada a ver com o contexto, mas nos créditos descobri que era na Cidade do Cabo, na África do Sul. Em outra cena de música, cantam no meio do deserto (na foto)... enfim, eu acho, sinceramente, desnecessário.


Mas é isso. Ghajini vale a pena ser visto, mesmo com meus poréns - eu sei, eu sou chato. E aproveite e veja trailer abaixo (em hindi, sem legendas) e o site oficial do filme.



sábado, 14 de fevereiro de 2009

Disney compra direitos internacionais de Taare Zameen Par



ASSINE A PETIÇÃO PARA A VINDA DE TAARE ZAMEEN PAR AO BRASIL, CLICANDO AQUI!

Conforme já havia antecipado na postagem sobre Aamir Khan, bons ventos sopram a favor de Taare Zameen Par (Como Estrelas na Terra). Resolvi fazer uma postagem exclusiva sobre essa notícia já que, repito e insisto, criei este blog por causa deste filme.

A notícia, para quem ainda não está sabendo, trata-se da compra dos direitos internacionais de Taare Zameen Par pela Walt Disney Company. Imagino que alguns de vocês se assustem e fiquem até decepcionados ao saber que uma produtora estadunidense compre os direitos de um filme indiano, ainda mais um filme como esse. E confesso que eu mesmo tive o mesmo sentimento. Acontece que essa é a primeira vez que uma distribuidora dos Estados Unidos compra os direitos internacionais de um filme indiano.

Essa notícia, porém, não é assim tão nova. Com as pesquisas que fiz na internet para saber mais, descobri que a compra foi realizada em julho de 2008, mas eu não fiquei sabendo em tempo. Ao menos agora é a primeira vez que essa notícia é transmitida em português!

Na Índia, a UTV Home Entertaiment ainda tem os direitos de distribuição em DVD, mas agora a Disney distribuirá oficialmente nos Estados Unidos, Inglaterra e Austrália, após comprar os direitos por 70 milhões de rúpias, ou cerca de 3,5 milhões de reais (US$1.750.000). Até hoje, somando so lucros já obtidos na Índia e internacionalmente, Taare Zameen Par já rendeu mais de 65 milhões de reais.

A compra pela Disney é mais um indício da aproximação de produtoras ocidentais no superlativo mercado cinematográfico indiano. A própria Disney já havia fechado um acordo com a Yash Raj Films (a maior produtora de Bollywood), para fazerem juntos a animação Roadside Romeo. A Sony, recentemente, também fechou com a PNC um acordo para co-produzirem três filmes. Spielberg também está montando um escritório de sua produtora em Mumbai. E a Warner Bross acaba de estrear em Bollywood com o filme Chandni Chowk to China. E tudo isso nos últimos 2 anos. É coisa recente mesmo.

E voltando a Taare Zameen Par, eu não sei de que maneira essa notícia é realmente positiva para nós do Brasil, no sentido de o filme ser também lançado por aqui. Para os portugueses, é possível que isso ocorra mais facilmente. De qualquer maneira, este blog já comprovou que, assim como eu, outras centenas de pessoas no Brasil já assistiram a esse filme e querem desesperadamente divulgá-lo para conhecidos e grupos de estudos - assim como venho fazendo desde que voltei da Índia. O jeito é torcer - e rezar - para que o filme seja oficialmente lançado por aqui também. E melhor ainda se vier para nossos cinemas!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Aamir Khan - आमिर ख़ान - عامر خان

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Se tem alguém que eu venero em Bollywood esse alguém é Aamir Khan. Eu sou muito suspeito pra falar dele, afinal criei este blog por causa de um filme escrito, dirigido, produzido e estrelado por ele - Taare Zameen Par (Como Estrelas na Terra).

Mas vamos logo ao que interessa nesta postagem que é apresentar a vocês esta pessoa.
Aamir Hussain Khan nasceu em Mumbai, no Holy Family Hospital de Bandra, no dia 14 de março de 1965. Como o nome já indica, é de família muçulmana. Seu pai, Tahir Hussain, é até hoje um produtor de filmes e seu falecido tio, Nasir Hussain, além de produtor, era também diretor.


Aamir nasceu já no ambiente propício para fazer dele quem ele é. Filho de peixe, peixe é, diriam. Mas além do ambiente propício na área do cinema, e além de sua família já ser rica desde quase sempre, há também uma ligação direta da família de Aamir Khan com a política. Ele é descendente de Maulana Abdul Kalam Azad, que foi um dos mais importantes líderes do movimento de independência da Índia e que apoiava a unidade da Índia, contra a separação de Paquistão. Na Índia independete, Azad tornou-se o primeiro Ministro da Educação do governo indiano. Além disso, Aamir Khan também é da família do terceiro presidente da Índia, Dr. Zakir Hussain, que exerceu o cargo de 1967 a 1969, quando morreu. Aamir era, também, primo de segundo grau de Najma Heptullah, uma parlamentar indiana pelo estado do Rajastão.


Em 1988 ele casou-se com Reena Dutta, com quem teve dois filhos, o menino Junaid e a menina Ira. O casamento com Reena não foi aprovado por sua família, já que ela não é muçulmana, e ficou em segredo por anos. Mesmo após revelado à família e à mídia, eles mantiveram-se fora dos flashes e das câmeras. Após catorze anos de casados, em 2002, eles separaram-se de maneira um tanto conturbada, resultando no pedido de Reena pela custódia dos filhos. Em 2005 ele casou-se com Kiran Rao, com quem está até hoje.

Bom, e então Aamir Khan começou sua vida de ator precocemente num filme feito por seu tio, chamado
Yaadon Ki Baraat (1973), com 8 anos de idade. No ano seguinte fez Madhosh. Mas foi onze anos depois que ele iniciou efetivamente sua carreira de ator, com o fracassado filme Holi (1984), de Ketan Mehta. 

Em 1988, porém, finalmente estrelou um filme que o lançou no mundo do cinema, Qayamat Se Qayamat Tak, de novo dirigido por seu tio e seu primo, Mansoor Khan. Após este filme, veio Dil (1990), o maior sucesso do ano, Dil Hai Ke Manta Nahin (1991), Jo Jeeta Wohi Sikandar (1992), Hum Hain Rahi Pyar Ke (1993) e Rangeela (1995).

Diferentemente dos atores de Bollywood que faziam sucesso, Aamir Khan fazia apenas um ou dois filmes por ano nessa época. Em 1996 ele fez somente um filme,
Raja Hindustani, de Dharmesh Darshan, que foi o maior sucesso do ano. Mas além de ter sido um arrasa quarteirões, este filme deu a ele o seu primeiro prêmio de melhor ator pelo Filmfare Awards. acabou virando o filme de maior arrecadação de toda a década de 90. Após atingir esse pico de sucesso, os outros filmes em que apareceu deram lucros medianos. Veio Ishq (1997), Ghulam (1998), Sarfarosh (1999) e por fim Earth (1999), de Deepa Mehta.


No ano 2000, Aamir estrelou o filme Mela, com seu irmão Faisal Khan. O filme foi sucesso de bilheteria e de crítica. No ano seguinte ele resolve fundar a Aamir Khan Productions, com o único objetivo de ajudar seu amigo Ashutosh Gowariker a fazer o filme Lagaan, que acabou se tornando um dos filmes indianos mais premiados internacionalmente de todos os tempos. Aamir fez o personagem principal do fime, que conta a história de camponeses indianos insatisfeitos com as taxas dos britânicos, no período vitoriano, e que recebem o desafio de vencer numa partida de críquete para terem a taxa cancelada. O sucesso e a qualidade do filme foram tantas, que o governo indiano indicou Lagaan ao Oscar de melhor filme estrangeiro. E Aamir ganhou seu segundo prêmio de melhor ator pelo Filmfare Awards.


No final do mesmo ano foi lançado o filme Dil Chahta Hai, de Farhan Akhtar, que, embora não tenha feito tanto sucesso, acabou revolucionando o cinema indiano por caracterizar a juventude urbana indiana de maneira fiel pela primeira vez. E de repente quatro anos se passaram sem que Aamir Khan aparecesse na telona. O porquê é um tanto incerto, mas consta que ele resolvia problemas pessoais. 

Mas em 2005 ele retornou com o filme de Ketan Mehta, Mangal Pandey, em que fez o papel principal do filme, que conta a história real da primeira guerra de independência da Índia, em 1857. Depois veio o mega sucesso Rang De Basanti (2006), que deu a ele o prêmio de melhor performance pela crítica, no Filmfare Awards. No mesmo ano ele atuou no também sucesso Fanaa.


E finalmente, no ano de 2007, Aamir Khan reuniu suas forças - e seus orçamentos - para escrever, dirigir pela primeira vez, produzir e atuar no filme Taare Zameen Par, sua obra prima, so far. Nem vou falar sobre este filme, para isso, clique aqui e veja as duas postagens que escrevi sobre ele. Taare Zameen Par levou o prêmio de melhor filme no Filmfare Awards e deu a Aamir Khan o prêmio de melhor diretor. E agora a notícia que acabo de descobrir e que me deixou muito feliz: o filme será internacionalmente lançado em DVD no dia 7 de abril deste ano, após a Walt Disney Company comprar seus direitos. Embora eu preferisse que uma empresa indiana mesmo fizesse isso, esse fato é de extrema importância por ser a primeira vez que um estúdio internacional compra os direitos de um filme indiano para lançá-lo internacionalmente, comprovando a profunda qualidade desta obra de Aamir Khan.

No ano de 2008 foi lançado Ghajini, estrelado por Aamir, que na época bateu todos os recordes de bilheteria de Bollywood, graças a uma agressiva estratégia de marketing colocada em prática pelo próprio Aamir.. Mas o que ninguém esperava era o que viria no ano seguinte.


Em 2009, então, Aamir Khan estrelou o filme 3 Idiots que, embora nem sequer tenha sido produzido por ele, Aamir dedicou meses para colocar em prática a sua maior estratégia de marketing até então. E o resultado deu certo: 3 Idiots bateu de novo os recordes de bilheteria e se tornou o maior sucesso de Bollywood até hoje.

Mas a vida não é só confetes para Aamir Khan. Recentemente, seu irmão Faisal Khan provocou um escândalo na mídia ao acusar Aamir de tê-lo forçado a tomar medicamentos. Faisal foi acusado de estar mentalmente instável, mas a família Khan posicionou-se a favor de Faisal publicamente, com apoio também da ex-esposa de Aamir, Reena Dutta.


Mas para finalizarmos bem, numa entrevista neste ano de 2009, ele disse: "Eu não faço coisas diferentes; eu tento fazer de diferentes maneiras. Eu penso que cada pessoa deveria seguir seu sonho e tentar e fazer isso possível de modo prático. (...) Pra mim o processo é o mais importante, mais prazeroso. Eu gostaria de ter toda minha concentração no processo desde o primeiro passo". E ao ser questionado sobre em que modelo ele se baseia, ele disse: "Gandhiji é uma pessoa que me inspira."
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domingo, 8 de fevereiro de 2009

Aperto financeiro em Bollywood esquenta o Cinema Regional

Filmes regionais em foco com aperto de Bollywood
por Neelam Verjee, da LiveMint.com (tradução livre)

Mumbai: As produtoras de filmes estão voltando seus olhos aos cinemas regionais esse ano, numa tentiva de diversificarem-se, já que Bollywood está em crise. A Zee Motion Pictures, por exemplo, tentará dar um grande passo no cinema regional, com planos de lançar nada mais que 60 filmes em seis diferentes línguas no ano fiscal que termina em 31 de março de 2010, bem mais que os 10 deste ano. A Reliance Entertainment Ltd irá lançar ao menos 10 filmes este ano, através de sua subsidiária BIG Pictures, também mais que os 2 que lançou no ano passado. A UTV Motion Pictures Plc. planeja produzir 9 filmes em 2009, três vezes mais que em 2008.

High appeal: An image from Marathi movie ‘De Dhakka’. The regional film market is considered to be less volatile than that for Hindi cinema.
O rentável nicho dos cinema regionais vêm como uma opção atrativa frente à recessão econômica e aos exorbitantes preços cobrados pelos atores para filmes de Bollywood, como é chamada a indústria de cinema em língua hindi, baseada em Mumbai. A estratégia vem sendo tomada recentemente, como diz Sanjeev lamba, diretor de marketing e vendas da Zee Motion Pictures. "Parece que agora todos estão voltando-se ao cinema regional com intenções de ser líder, diz Lamba. "Eles estão olhando além. A consolidação veio primeiro no cinema hindi, mas tem uma longa via a percorrer. A consolidação também começou nos cinemas regionais e as empresas que investiram neles nos anos recentes terão seus frutos nos anos próximos."

As produtoras pretendem fazer pequenos, médios e grandes filmes. Mahesh Ramanathan, chefe de operações da BIG Pictures, diz que a empresa, que é uma unidade da Reliance-Anil Dhirubhai Ambani Group, será uma "participante ativa" nos investimentos dos variados cinemas reginais. "Como player nacional, temos planos de participar em todos os segmentos e não podemos ignorar o cinema regional", justifica Ramanathan, acrescentando que "esse sempre foi o plano" de mover-se agressivamente em direção ao cinema regional. "Cada região tem sua dinâmica regional, mas temos que ficar mais atentos pra investir nas produções certas, já que nos mercados regionais há uma maior dependência da arrecadação da bilheteria. A bilheteria nas indústrias regionais significa 80% da renda das produtoras, enquanto que no cinema hindi isso corresponde a 50%."

Amenizando o risco

Burgeoning market: A handout image of the Marathi film ‘Ek Daav Dhobi Pachhad’, running in theatres now. A big-budget movie in Marathi or Bengali costs up to Rs10 crore. Além disso, os diferentes tamanhos dos mercados regionais resultam em variações nos orçamentos. Uma super produção em tamil ou telugu, por exemplo, envolve até 250 milhões de rúpias (ou aproximadamente 6.250.000 de dólares), enquanto que uma super produção em bengali ou marathi custa no máximo 100 milhões de rúpias, ou 2,5 milhões de dólares. Com algo como 85% do total da renda dessas indústrias vindo de seis línguas - hindi, tamil, telugu, kannada, marathi e bengali - Lamba argumenta que diversificando em cinemas regionais ajuda a "espalhar o risco num espectro maior" para a Zee, que planeja ser grande.

Ele acrescenta que, embora o cinema hindi contribua com 50% de toda a renda da indústria cinematográfica indiana, ele é mais volátil que o cinema regional, o que significa que diversificar os investimentos também ajuda a compensar a volatilidade. "Embora tenhamos um agressivo plano de lançar 10 filmes em cada indústria regional, esse alvo é incerto e depende das condiçoes econômicas. Algumas mudanças vêm ocorrendo ao longo das regiões e ao longo de toda a indústria de cinema, mas a maior parte das mudanças vêm ocorrendo no cinema hindi, onde os preços estavam consideravelmente exagerados", diz Lamba.

Inflação

Lamba diz que a bem desenvolvida infraestrutura de cinema nos quatro estados do sul, onde metade das salas de cinema da Índia se encontram, bem como a enorme inflação nos preços do cinema hindi nos anos recentes, contribuíram muito para essa mudança de direção dos investimentos no cinema indiano. Ram Mirchandani, chefe de operações da UTV Rampage Motion Pictures, a subsidiária da UTV no sul, diz que as perspectivas de bons retornos no cinema regional têm atraído os investimentos. "A palavra chave aqui é criatividade e retorno", diz. "Há bons filmes a serem feitos nas regiões no preço correto. Nós consolidamos espaço no cinema hindi e agora decidimos olhar para o cinema regional. O mercado tamil e telugu é bem amplo - para eles, ir aos cinemas é como ir ao templo."

(Aproveite para ver o Mapa do Cinema Indiano)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Atriz mirim de "Milionário" sonha virar estrela de Bollywood



na REUTERS Brasil, por Rina Chandran, da REUTERS Life!

Rubina Ali já é estrela de Hollywood. Agora, a garota de 9 anos, que atuou em "Quem Quer Ser um Milionário?" ("Slumdog Millionaire") e vive com sua família num barraco de um cômodo numa favela de Mumbai, quer virar estrela de Bollywood.

Seu sonho vem sendo alimentado pela atenção intensa da mídia e as festas que se seguiram à premiere em Mumbai do filme indicado ao Oscar, a história do enriquecimento de um jovem de uma favela de Mumbai, em que Ali faz a personagem feminina principal quando criança.

"Gosto de cinema. Gosto de poesia e da minha escola", disse a garota de olhos vivos e cabelo preso com maria-chiquinhas, mascando um chiclete e recitando poemas em inglês para visitantes.

Ali está na primeira série de uma escola onde as aulas são dadas em inglês. A escola é um presente do "Tio Danny", o diretor Danny Boyle, que desmentiu que as crianças faveladas que atuam no filme tenham sido mal pagas, conforme noticiou o jornal britânico Daily Telegraph.

A escola -- a primeira em que Ali estuda --, as fotos da premiere e um passeio de helicóptero para as crianças do filme estão entre as poucas recordações que a mãe da menina, Munni, tem do filme, que continua a receber prêmios enquanto a atriz mirim e sua família seguem vivendo num barraco igual a dezenas de outros na favela, sem janelas, banheiro ou água corrente.

"Ela ficou muito feliz por atuar no filme. Agora ela quer estar em outros filmes que Danny Boyle fizer e quer virar estrela", disse Munni, falando do filme que vem suscitando polêmica na Índia por seu título original -- devido à palavra "cão" -- , pelo retrato que faz dos pobres e pelo tratamento dado ao elenco.

Em junho do ano passado, Boyle matriculou Ali e Azharuddin Ismail, que também representa uma criança favelada, em escolas de língua inglesa. O diretor também se reuniu com os professores das escolas.

Boyle se comprometeu a pagar cerca de 1.500 rúpias (31 dólares) mensais pelas mensalidades escolares e outras despesas, além dos valores pagos pelo trabalho das crianças no filme. A Fox Star Studios, que lançou o filme na Índia, disse que o salário mensal que as crianças receberam foi três vezes o salário local anual médio de um adulto, mas não revelou cifras.

Boyle e o produtor do filme, Christian Colson, vão pagar pelos estudos das crianças até completarem 18 anos, e "um valor substancial" será dado a eles quando concluírem seus estudos, disse o diretor, para incentivá-los a continuar estudando.

Apesar disso, Munni, que trabalha como empregada doméstica, está incerta quanto ao futuro de sua filha e preocupada porque a família não tem como mudar-se para uma casa melhor.

"Somos pobres. Criar cinco filhos é duro", disse ela. "Danny Boyle é um ser humano bom... mas somos pobres e gostaríamos de comprar uma casa. Já dissemos que precisamos de ajuda. Ele pode nos demonstrar mais bondade se quiser."


sábado, 31 de janeiro de 2009

Maine Gandhi Ko Nahin Mara (2005) - मैंने गाँधी को नहीं मारा




Neste último dia 30 de janeiro de 2009 fez exatos 61 anos o assassinato de Mohandas Karamchand Gandhi - o Mahatma. E de repente lembrei de um filme muito interessante que aborda esse fato de uma maneira bem diferente da usual, sobretudo vindo de onde veio - Bollywood.

Este filme chama-se Maine Gandhi Ko Nahin Mara (Eu não matei Gandhi) e foi lançado na Índia no ano de 2005. Escrito e dirigido por Janhu Barua, o filme conta com o excelente Anupam Kher, no papel principal do professor de hindi Uttam Chaudhary, e Urmila Matondkar, interpretando Trisha, a filha do professor.

O professor Chaudhary é viúvo, está já aposentado e mora com seus dois filhos, Trisha e Karan, já grandes. Aos poucos, ele começa a se comportar de maneira estranha, sobretudo relacionado à imagem de Gandhi. Em um dado momento, alguém coloca uma xícara sobre a foto de Gandhi em um jornal e ele tem um ataque. Logo sua insanidade vai ficando evidente e ele começa a repetir "Eu não matei Gandhi! Eu não matei Gandhi!". Preocupados, seus filhos o levam ao médico, que diz nada poder ser feito. Num certo dia, Uttam diz que ele pode ter matado Gandhi sem querer com sua arma de brinquedo, que poderia ter balas reais.

Com essa informação, Trisha vai à procura de seus tios para tentar descobrir alguma coisa da infância de seu pai, à época da morte de Gandhi. Seus tios lhe dizem que quando criança, Uttam costumava brincar com seus amigos de jogar bexigas com água em fotos de pessoas. Um dia uma das crianças achou uma foto de Gandhi, que ainda era vivo, e Uttam logo arremessou a bexiga nele. Neste mesmo instante, seu pai, um fanático venerador de Gandhi, viu a cena e duramente repreendeu a atitude do filho, dizendo que aquilo era uma extrema falta de respeito ao Mahatma. O menino Uttam ficou profundamente chateado com isso, mas o pior vinha depois. Neste mesmo dia Gandhi foi assassinado. Seu pai prepara uma homenagem em sua casa chamando outros veneradores, e em certo momento, enquanto estão todos entoando mantras em honra à alma de Gandhi, Uttam aparece na sala e seu pai olha para ele com cara de que culpava seu filho pelo que havia ocorrido.

E agora, décadas depois, esse fato saía do inconsciente de Uttam, deixando-o louco por realmente achar que foi ele quem matou Mahatma Gandhi, em 1948. O filme é razoavelmente simples, mas muito bom e com excelentes atuações. No entanto, por não ter nenhum ator de peso e por tratar de um tema EXTREMAMENTE complexo pra um indiano comum, ele não fez sucesso nenhum. Alguns indianos que entenderam um pouquinho mais sobre a complexidade da mente, ficaram super empolgados com o filme e adoravam discutir entre si sobre a "profundidade" do tema. Para nós, que a realidade da psicologia está presente, o filme é fácil de compreender; mas para os indianos, que não sabem nem o que faz um psicólogo, esse filme não faz muito sentido. Ah, e além de tudo, esse filme não tem as tradicionais cenas de song-and-dance típicas de Bollywood, e nem sequer clipes com músicas não há. Isso já basta pra fazer com que um filme seja lançado fadado ao fracasso na Índia.

Anupam Kher ganhou o Prêmio Especial do Juri no National Film Awards, por sua atuação. Já Urmila Matondkar foi agraciada com o prêmio de Melhor Atriz pelo Bollywood Movie Awards. Eu gostaria de postar aqui o trailer do filme pra vocês, mas como o YouTube depende das pessoas para ter seus vídeos publicados e como as pessoas não gostaram desse filme, então não haverá aqui o vídeo pra vocês. Existe lá, na verdade, um vídeo com as últimas cenas do filme e uma outra parte em que é recitado um poema conhecido na Índia. Mas ambos os vídeos estão em hindi, então não os postarei. De qualquer maneira, embora simples, o filme é, sim, bom. Eu recomendo!

Bipasha Basu gera discussões na filmagem de novo filme na Caxemira

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Anda rolando uma certa polêmica nas filmagens do filme Lamhaa, que abordará a sensível polêmica dos movimentos separatistas da Caxemira. O papel principal será de Bipasha Basu, que interpretará a ativa (e ainda viva) militante Asiya Andrabi. O problema maior está no fato de Bipasha Basu ser um símbolo sexual da Índia, comumente retratada com poucas roupas, o que vai em cheio contra os princípios da personagem que ela interpretará e do Islã.

Por outro lado - e não duvido que isso seja de caso pensado - o filme terá também como protagonista o mais polêmico ainda Sanjay Dutt, um famoso ator indiano de pai hindu e mãe muçulmana, e que esteve envolvido no mais sangrento ataque terrorista que Mumbai já sofreu, em 1993, deixando 257 mortos. Digo que não duvido que isso seja de caso pensado, pois esses ataques foram provocados por muçulmanos, o que colocaria Sanjay Dutt em posição de respeito por parte dos separatistas da Caxemira.

Enfim, tudo isso é muito polêmico. Leiam, abaixo, o artigo que saiu no Diário de Notícias, de Portugal. Eu fiz algumas adaptações no texto no que diz respeito às novas normas do acordo ortográfico e que o DN já devia estar atento. Quanto às variações de vocabulário eu não fiz alterações.

Ameaças Contra a Indiana que Beijou Ronaldo
por Patrícia Viegas; 31/01/09

Bipasha Basu. A ex-modelo não podia ser mais diferente de Asiya Andrabi, a separatista da Caxemira a que dá corpo em 'Lamhaa'. Esta promete embargar o filme por recusar que uma atriz "incompatível com as suas virtudes" lhe dê vida na tela. É um autêntico choque de civilizações aquilo que está a acontecer em torno do filme Lamhaa, do realizador indiano Rahul Dholakia, sobre o separatismo na Caxemira. E tudo porque ele escolheu Bipasha Basu, atriz e ex-modelo, de 30 anos, para encarnar a personagem de Asiya Andrabi, líder separatista, de 45 anos, comprometida com o islão. A primeira gosta de usar roupas sensuais que deixam ver várias partes do corpo, mas a segunda só costuma andar com os olhos a descoberto e, segundo disse ao The Guardian, não aceita, de forma alguma, que seja uma atriz de Bollywood a interpretar o seu papel. Ameaça, por isso, com uma ação legal contra a equipa de filmagens.

"No caso de eu achar o filme desagradável, tomarei ações legais para o embargar", disse, garantindo que o realizador, nascido em Bombaim, mas criado na Caxemira, recusou mostrar-lhe com antecedência o guião do filme em que ela própria entra. "A minha cliente é uma profunda seguidora do islão e é pardah nasheen [usa véu]... então não quer que a sua personagem seja retratada por uma atriz incompatível com as suas virtudes", declarou o advogado da fundadora das Dukhtaran-e-Millat, ou seja, As Filhas da Nação. No entender de Andrabi, que acha que a Caxemira é do Paquistão, existem duas nações: "Uma que é a muçulmana e a outra que é não muçulmana."

As duas mulheres não podiam, efetivamente, ser mais diferentes uma da outra. Apelidada de Sofia Loren indiana, Basu, que fez o seu primeiro filme, Ajnabee, em 2001, é considerada um símbolo sexual e, apesar de namorar com o ator John Abraham, apareceu numa fotografia de jornal a beijar o futebolista português Cristiano Ronaldo, depois de apresentar a gala As Sete Novas Maravilhas do Mundo em Lisboa. Nega ter feito implantes de silicone nos seios e aspira tornar-se uma atriz séria e largamente premiada.

Andrabi, por seu lado, lidera uma espécie de brigada da moral, a partir de Srinagar, tendo levado várias mulheres a pintarem com spray cartazes com atrizes menos vestidas. Lutou por compartimentos especiais para as mulheres nos autocarros e por espaços destinados a casais nos restaurantes, nos cibercafés e nas lojas de bebidas. No início dos anos 90, casou com Mohammed Qasim Faktu, membro de um grupo de resistência armada da Caxemira, Hizbul Mujahideen, com o qual teve dois filhos. Numa altura em que ambos estiveram presos, nomearam um dos dois filhos, Muhammad bin Qasim, para liderar o grupo As Filhas da Nação.

No meio disto tudo, Dholakia, o realizador, veio garantir que o que pretende fazer é um filme positivo sobre a Caxemira e sobre o seu povo. A polémica, essa, não o parece assustar, pois o seu primeiro filme, Parzania, também não ficou livre dela. Essa película retratava a repressão contra os muçulmanos, no estado do Gujarat, onde foi banido. Quanto a Basu, terá manifestado à produção receios em relação à sua segurança, pois, afinal, nunca se sabe quando as separatistas podem decidir zelar pela imagem da sua líder. "Os primeiros sete dias foram um caos, nada foi organizado, houve falta de segurança. O meu trabalho é a minha vida, mas eu tenho uma vida para além do trabalho. Não vou arriscar a minha vida por nenhum filme", disse a atriz de Bollywood, citada pelos media indianos.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

SEL - Shankar-Ehsaan-Loy - शंकर-एहसान-लोय


Já falei algumas vezes sobre esse trio, mas, coitados, até agora eles não tinham recebido uma postagem digna da importância que eles têm. O trio SEL, ou Shankar-Ehsaan-Loy, é um dos maiores criadores de músicas do cinema indiano, e um dos mais premiados.

A história do trio, segundo está no próprio site oficial do grupo, remonta aos idos dos anos 80, quando cada um levava sua própria vida de indiano (quase) comum. Shankar Mahadevan estava ocupado com sua profissão de engenheiro, Ehsaan Noorani tocava suas músicas ocidentais na Califórnia, e que não faziam sucesso na Índia, e o Loy Mendonsa, bem, o Loy não fazia nada exatamente.

De repente eis que os Deuses disseram: "Agora é a hora". E o recado chegou aos ouvidos de Shankar, que de repente começou a cantar. Imagino ele cantando no escritório de engenharia, ou enquanto fiscalizava alguma obra, enfim, não importa. Ehsaan também recebeu o recado e cansou da Califórnia. Voltou pra Índia. E o Loy, que nada fazia mesmo, recebeu a incumbência divina de compor - e pra quem entende, compor leva tempo, perfeito pra um não-faz-nada. E então a manobra final foi executada pelo diretor Mukul Anand, que resolveu unir os três para que eles fizessem as músicas de seu filme Dus (1997). Mas acho que o encargo divino foi tão grande que Mukul morreu durante as filmagens. O filme, que contava com Sanjay Dutt e Salman Khan, jamais foi concluído, mas sua trilha sonora foi lançada ainda enquanto o filme era produzido, como é de praxe em Bollywood. Foi o suficiente pro trio SEL ser lançado ao sucesso, principalmente com a música Hindustani. E assim a manobra divina estava concluída - o grupo Shankar-Ehsaan-Loy acabara de nascer.

O que de imediato destacou o trio foi a capacidade deles de misturar não só tradições musicais internas à Índia, como a música hindustani, do norte, com a música carnática, do sul, mas sobretudo por juntar isso às influências ocidentais que constantemente chegam à Índia. Disso saiu uma música única que ainda poucos conseguem se aproximar.

A partir de então, eles encabeçam a trilha sonora de uma lista de 33 filmes, dentre os quais Mission Kashmir (2000), Dil Chahta Hai (2001), Kal Ho Naa Ho (2003), Bunty aur Babli (2005), Kabhi Alvida Naa Kehna (2006), Don (2006), Salaam-e-Ishq (2007), Heyy Babyy (2007), Taare Zameen Par (2007), Rock On!! (2008) e Chandni Chowk to China (2009). Mais sete filmes com músicas do trio já estão no prelo para este ano. E embora eles estejam quase 100% ocupados com filmes de Bollywood, suas músicas poderão ser ouvidas também no filme Conchu Ishtam Conchu Kashtam, a ser lançado este ano por Tollywood, o cinema telugu, e no filme Yavarum Nalam, de Kollywood, o cinema tamil.

E a qualidade das músicas rendeu ao grupo diversos prêmios e um outro belo tanto de indicações. Os prêmios já conquistados até hoje pelo grupo são: Melhor Direção de Música para Kal Ho Naa Ho (2003), pelo Filmfare Awards e pelo National Film Awards; Melhor Música para Bunty aur Babli (2006), pelo Filmfare Awards e Melhor Direção de Música para Dil Chahta Hai (2001), pelo Screen Weekly Awards. Shankar Mahadevan já levou também o prêmio de Melhor Cantor de PLayback pelo National Film Awards, pela música Illai Illai, Sola Oru Kananum Ponthum, do filme tamil Kandukondain Kandukondain (2000).

Como as músicas raramente são escritas pelo trio, mas sim compostas, não entra aqui os prêmios que já foram entregues às melhores letras de música. Para escrever suas músicas, o grupo costuma chamar Javed Akhtar (prêmios por Kal Ho Naa Ho e Dil Chahta Hai), Gulzar (prêmio por Bunty aur Babli), Sameer e Prasoon Joshi (prêmio por Taare Zameen Par).

No entanto, se por um lado há uma veneração pelas músicas do trio SEL, na realidade eles são também adorados por sua preocupação social e ativista. Por diversas vezes o trio já se reuniu por campanhas das mais variadas, desde apenas para levantar fundos por alguma causa, até fazer músicas de incentivo e alerta. Um dos exemplos recentes é a campanhado jornal Times of India, chamada India Poised - Our Time is Now, ou alguma coisa como "Índia Preparada - Nossa Hora é Agora". A música que virou hino da campanha é do trio e pode ser conferida aqui. Nem é preciso de muito pra imaginar do que fala a letra da música, que dá incentivos à população indiana a lutar pelo futuro do país, e principalmente de se ajudarem entre si.

Aliás, falando nisso, com a mesma música foi feito um outro clipe que mostra de maneira muito eficiente o descomprometimento dos indianos frente aos problemas do dia a dia. Neste vídeo, que vocês podem ver aqui, há uma árvore caída no meio da rua, obstruindo o trânsito, e ninguém faz nada. De repente começa a chover e, mesmo na chuva, um menino resolve tomar uma atitude e tenta, em vão empurrar a árvore. Mas sua atitude deixa os outros à sua volta envergonhados e então eles vão também ajudar o garoto. E finalmente, juntos, eles removem a árvore (uma nova postagem foi feita sobre esse vídeo do menino empurrando a árvore; clique aqui e veja).

Também teve a campanha para salvar o meio ambiente voltada às crianças, cujo mote foi este simpático vídeo com música do trio. Embora a Índia seja enorme, sobretudo em termos populacionais, e embora saibamos que tem certas questões que eles teimam demasiadamente em mudar, eu tenho sempre uma esperança que, pouco a pouco, alguma coisa vai mudando.

Enfim, e esses são o SEL. Acho que deu pra perceber que eles fazem a diferença e merecem nosso respeito, não?